Lembranças
5 Oscilando - Parte 2 de 2
Notas iniciais
Eu olhei com desconfiança para Derek, ele estava do outro lado do quarto, eu voltei a olhar pela grande janela de vidro. Ele havia me contado tudo sobre recém-criados, sobre a sede, sobre tudo.
- Eu não sei se estou pronta para caçar. — Eu falei me virando para ele.
- Você tem que ira caçar. Não sente fome?
- Não, então o que eu faço? Espero ela chegar?
- Eu não sei, deixe-me ver os seus olhos.
Ele se aproximou de mim e examinou os meus olhos.
- Eu vejo você. — Eu falei e ele parou de examiná-los — Em meus sonhos, eu vejo você.
- Como?
- Eu não sei, eu nunca te vi antes, mas eu sonhava com você. — Eu falei e dentro do quarto ficou um silêncio perturbador.
- Derek, deixe me examinar a Bianca por um momento. — Um homem loiro que Darek mais cedo me disse se chamar Carlise disse ao abrir a porta.
Derek se afastou instantaneamente de mim e saiu do quarto.
- Você está se sentindo bem? — Carlise disse apontando a luz de uma lanterna nos meus olhos.
- Sim.
- Não sente fome?
- Não.
Ele parou e se afastou por alguns instantes e então perguntou: — Você tem pulso? Sente o seu coração batendo?
- Não, por que? Tem alguma coisa de errado comigo?
- Não. — Ele mentiu — É melhor ir caçar por precaução, vou pedir para Derek te levar.
- Tudo bem. — Eu falei e ele saiu do quarto, minutos depois Derek entrou dentro do quarto.
- Vamos caçar? — Perguntei.
- Sim. — Ele falou abrindo a janela de vidro — A Nessie está lá em baixo, acham melhor irmos por aqui. — Ele falou ao ver a pergunta nos meus olhos. Vamos ter que ir por aqui.
Ele então pulou e aterrissou no chão lá em baixo sem fazer o mínimo barulho e sem cair e se sujar. Eu cheguei na borda e olhei para baixo, era alto de mais.
- Vamos lá, você consegue! -Ele gritou lá de baixo.
Eu fiz que não com a cabeça.
- Eu não vou deixar você cair, vem!
Eu pulei com tudo, eu só senti o vento em meu rosto e então depois nada. Quando eu me dei conta eu percebi que eu havia aterrissado silenciosamente, eu estava agachada com os meus cabelos caindo no meu rosto e com o meu punho fechado como se eu estivesse socando o chão. Eu levantei o meu rosto para Derek e vi que ele estava sorrindo, então eu sorri.
De repente eu ouvi um coração batendo, virei o meu rosto na direção. Estavam observando.
- Nessie está lá, melhor irmos — Ele falou.
Eu me levantei e o segui até a borda de um rio.
- Você está brincando comigo? — Eu perguntei.
- Não, vamos pular o rio — Ele disse antes de pular e me olhou desafiadoramente do outro lado.
Eu tomei um fôlego e pulei, então ele saiu correndo e eu comecei a seguir ele. Eu podia sentir o vento no meu rosto e a terra nos meus pés, eu comecei a rir e aumentei o ritmo adorando a sensação. Eu alcancei Derek e logo o passei, depois de um tempo eu ouvi um barulho acima de mim e vi Derek pulando de galho em galho e me passando.
- Isso não vale!
Eu pulei para um galho atrás dele e comecei a segui-lo, até que consegui alcançá-lo, eu pulei em cima dele e caímos metros a baixo no chão. Eu comecei a rir da cara dele, então ele se sentou e olhou para os lados.
- Chegamos.
- Onde?
Ele se levantou e eu também.
- Você não está sentindo o cheiro?
- Não.
- Feche os olhos. — Eu obedeci — Agora eu quero que você respire fundo e se concentre, eu quero que me diga todos os sons e os cheiros que você sentir.
Eu respirei fundo três vezes e me concentrei, eu podia ouvir tudo, toda a floresta, eu podia sentir os cheiros, tudo.
- Um coelho a cinco quilômetros, ele está comendo.
- Eu quero que você vá mais longe. Deixe os seus instintos te guarem
- Um cervo a vinte quilômetros, ele está tão quente, eu posso sentir o seu cheiro. — Eu abri os olhos e comecei a caçada, eu podia sentir a fome tomando conta de mim, eu podia ouvir o coração do cervo batendo. Eu corri, o cervo levantou as orelhas e começou a fuga, mas eu fui mais rápida, pulei em cima dele e o derrubei, ele se debatei mas eu o imobilizei e perfurei o seu ponto mais quente, o pescoço.
O sangue jorrou pela minha boca e eu bebia avidamente, o gosto era bom, era doce me embriagava. Eu suguei até a ultima gota e me levantei, passei a mão pela minha boca limpando ela, de repente ouvi passos e eu virei o meu rosto em direção a eles. Era Derek.
- Bela caçada.
- Não foi tão boa, sujei a minha roupa toda. — Eu falei olhando para a minha suja de sangue.
- Isso sempre acontece na primeira vez.
- Você não vai caçar?
- Não, eu já fui, a três dias.
- Foi quando você me encontrou?
- Sim.
Nós caminhamos até a beira de um riacho e eu tirei as folhas do meu cabelo e lavei a minha boca e as minhas mãos.
- Não tem nenhuma chance dessa mancha sair né?
- Não. — Ele falou olhando para o sangue. — Mas não se preocupe, Alice quase não nos deixa repetir as roupas.
- Para onde vão todas as roupas então?
- Doações, eu acho.
Começamos a caminhar, tivemos uma longa conversa sobre a família dele até que chegamos a beira do rio. Derek pulou para o outro lado e se virou para mim, eu hesitei por um segundo.
- Não vai vim?
- Sim. — Eu falei.
Eu pulei para o outro lado, no mesmo momento em que pulei a imagem da rua vazia onde fui ataca surgiu em minha mente, Derek me segurou antes que eu fosse ao chão.
- O que aconteceu?
- Nada. — Eu menti – Podemos entrar pela porta?
Ele hesitou por um segundo e então respondeu:
- Sim.
Caminhamos até a porta e paramos em frente a ela.
- Não vai abrir? — Ele perguntou para mim.
Eu estendi a mão até a maçaneta e a girei, a porta abriu sem nenhum rangido, eu entrei dentro da casa lentamente, olhei para a escada e depois para a minha direita onde havia uma sala. Eles estavam lá.
Fale com o autor