Lembranças
10 Capítulo 10
Notas iniciais
O restante do caminho até minha casa passou num piscar de olhos, uma vez que minha cabeça estava apenas naquele maldito celular que deveria ser grudado na minha testa com super bonder. Ao estacionar, mal deixei o carro desligar e já zarpei em direção à porta. Não houve tempo nem para respirar fundo e me preparar para as lamúrias de Robin.
Entrei e, instantaneamente, Robin pulou da poltrona na qual aparentemente adormecera. Por uma fração de segundo, sua expressão era desnorteada e confusa. Porém, quando caiu em si novamente, seu semblante mudou totalmente: franzia as sobrancelhas o mais forte que conseguisse e me encarava como se eu fosse uma besta mortífera e ele fosse meu algoz. Talvez fosse isso, mesmo. E em três, dois, um...
— Regina! – Ele esbravejou, como se eu fosse seu cachorrinho que fugiu de casa e poderia ter sido atropelado. – O que você tem na cabeça? Está maluca igual a sua mãe?
Eu não sei ao certo qual sentimento subiu borbulhando por minhas pernas, queimando todo o bom senso e respeito que havia dentro de mim, quando Robin mencionou minha mãe daquela maneira. Eu simplesmente parti para cima.
O tapa que atingiu em cheio suas bochechas magras ardia nele e em mim: nele, a pele; em mim, a sensação de dever cumprido.
— Você nunca mais abra essa boca para falar da minha mãe, seu boçal. – Eu desejava muito poder continuar minha frase com um clássico ‘eu não lhe devo satisfações.’ Mas eu devia.
— O que te deu para você sair como uma doida varrida daqui sem ao menos me dizer onde ia? Regina, eu acho melhor levarmos você ao médico. – O tom sarcástico dele me fazia querer voar em cima daquela cara de sonso. Tudo em mim estava à flor da pele, o amor, o ódio, a indiferença, a certeza. A hora de contar a Emma o que eu sentia havia chegado e eu não ficaria naquela discussão com Robin, aturando seus desaforos, por muito tempo.
— Robin, não seja ridículo. Eu fui até a casa de minha mãe. Me deu vontade de ir, eu fui. Conversamos e aqui estou eu, sã, salva e com um assunto pendente com Emma. Preciso ligar para ela.
— Ah, querida, Emma não parou de te ligar. Era de um em um minuto. E mandou mensagens também, quer ver? – Ele ignorou minha explicação e me ofereceu meu aparelho celular. Quando eu estava prestes a pegá-lo, ele tomou de volta. – Ou melhor, eu leio para você, o que acha? Eu já tive que fazer isso mesmo, já que essa porcaria não parava de vibrar e tocar, não é mesmo? Sente-se, meu amor. – E me conduziu, como um príncipe encantado, até o sofá e delicadamente me acomodou ali. Limpou a garganta e começou.
— Regina, você está aí? Primeira mensagem. – Eu revirei os olhos. – Regina, atende, é importante. Segunda mensagem. Se você estiver esperando por mim, me desculpe, de verdade. Um imprevisto me levou ao hospital. Desculpe ter que adiar nosso encontro. Espero que não esteja muito chateada comigo. Beijos da sua Emma. – Sua Emma, Regina. Você pode me explicar o que significam essas mensagens? O que essa mulher quer com você? Se ela não tivesse enchido meu saco com essas mensagens e ligações, eu diria que você estava com ela. Numa cama. Ambas nuas, provando de seus pecados que, um dia, vão apodrecer suas carnes e assombrarão suas almas.
Nossa. Era coisa demais para processar. Emma Swan me mandou mensagens. Emma nua. Meu marido leu todas. Emma me provando. Ela usou um pronome possessivo que nunca usara antes. Uau, eu e Emma nuas provando de nossos pecados. Convidativo demais. Emma Swan estava no hospital. Emma Swan estava no hospital. Afastando todo e qualquer pensamento ímpio de minha mente, agarrei minha bolsa, a chave do carro e, claro, tomei o celular das mãos de Robin. Fui, mais uma vez, embora.
Minha direção era trêmula e desajeitada. Com uma mão eu controlava o veículo e, com a outra, retornava as chamadas de Emma. Ela atendeu de primeira. Bom sinal, não é?
— Regina. – Sua voz era frontal, sem rodeios ou firulas de saudações.
— Emma, me desculpe, o que houve? Onde você está? Como foi parar no hospital? É grave? – Para o meu alívio, uma risada frágil escapou pela linha.
— Calma, Gina. Eu estou bem. Exausta, mas bem. Escuta, estou no East Hospital, ala neurológica, quarto 108. Preciso de você aqui. – E lá estava a voz vazia novamente.
— Oi? Ala neurológica? Emma... o que está acontecendo? Alô? Alô? – Ela desligou. Maldita.
Aqueles devaneios voltavam a cirandar em meu consciente, brincar de pique-esconde no subconsciente e contar piadas para a minha sanidade. Por mais séria que aquela situação fosse, eu simplesmente não conseguia tirar da cabeça a imagem de Emma Swan nua.
Cantei pneu e canção de calmaria para que eu pudesse chegar depressa e tranquila até Emma Swan. Não saber o que me esperava era aterrorizante. Mil possibilidades me assombravam e eu não via a hora de poder ver com meus próprios olhos e sentir com meu coração a presença de Emma, em qualquer estado, ao meu lado.
Como me fora informado, larguei o carro em qualquer vaga e saí correndo pelos corredores – o próprio nome não diz para quê eles foram feitos? – apertei freneticamente o botão do elevador numa vã tentativa de ele aparecer mais rápido. Quando o relógio já marcava uma eternidade, resolvi pegar as escadas e subi os degraus de dois em dois. Meus saltos reclamam até hoje desse episódio. O eco de seus cliques no granito foram ficando no térreo e logo cheguei ao primeiro andar. A primeira pessoa que passou por mim trajando um jaleco já era mais do que aceito como guia turístico. Perguntei onde era a ala neurológica e atravessei o saguão e a cafeteria em passos acelerados – aquelas placas de silêncio me lembravam que eu não podia sair por aí batendo meu salto pelo hospital.
Quarto 108.
Olhar para aquele pedaço de madeira que me separava de uma Emma Swan frágil e indefesa me fez perder a coragem. Perder as forças. Como eu reagiria? E se eu não conseguisse ser forte por ela? O que mais me doeu naquele momento foi saber que ela poderia estar do outro lado daquela porta por conta de um detalhe trágico de sua história tão perturbada quanto a minha que eu sequer lhe dei a chance de contar. Porra, Regina, que tipo de pessoa você é? Eu vou embora. Emma não merece ter uma pessoa como eu ao seu lado, em sentido nenhum. E eu só percebi que estava de olhos fechados, com a cabeça apontando para o piso e a respiração lutando para voltar ao normal quando uma presença me lembrou que eu, de fato, existia.
— Regina! Você veio rápido. – Emma Swan comentou, apoiando a mão em meu ombro e o acariciando de leve. Um adendo: Emma Swan trajava sua típica jaqueta de couro; o cabelo estava preso num rabo de cavalo desengonçado; o rosto estava pálido e exausto; em sua mão livre, um sanduíche. Emma Swan não estava naquele quarto. Então o que diabos estava acontecendo, pelo amor de Deus?
— E-Emma... eu não-
— Eu sei, Regina. Olha, não sei nem por onde começar a me desculpar. Eu não estou internada... como você pode ver – E ela me lançou um sorriso sem graça irresistível – mas eu preciso de você aqui. É a Lily. É ela que está internada naquele quarto. – Seu sorriso se dissipou na mesma hora e o meu também se foi. Uma pequena parte de mim estava chateada com ela por não ter dito logo o porquê de ela ter ido para o hospital, mas eu a entendia. Eu entendia o que era não ter ninguém que pudesse confortar suas dores. Se Emma Swan fizesse alguma ideia do que eu sinto por ela, arriscaria dizer que Lily fora omitida disso tudo por medo de eu não vir. Minha cabeça, como sempre, viajava para a terra do Regina, Acorda, Emma Swan Não Gosta De Você E Você Não Tem Mais Treze Anos.
— O que aconteceu com ela? É grave? Desculpe-me por estar fazendo tantas perguntas, é que a ala neurológica me deixa arrepiada só pelo nome. Sempre imagino coisas graves. Não é nada demais, é? – Fui atropelando palavra por palavra porque aquele dia já havia sido longo demais.
— Na verdade, Regina... é grave. Ainda não sei o quão grave. Os médicos estão, nesse momento, realizando alguns últimos exames e algumas checagens antes de ela entrar para cirurgia. – Ela explicava enquanto sua mão, repousada em minhas costas, me guiava em direção à cafeteria.
— Cirurgia?! – Minha voz saíra um pouco mais alta que o esperado. – Emma, você está me assustando cada vez mais.
— Calma, vamos nos sentar e conversar. Quer comer algo? – Meu Deus. Eu não comia nada desde o almoço, no festival, há muitas horas. Pedi um café e um sanduíche, que foi devorado em segundos. Tantas coisas aconteceram naquele dia que não houve espaço para se alimentar. Ou respirar aliviada e logo deitar a cabeça no travesseiro.
Era quase meia noite. Meu celular já havia tocado inúmeras vezes e ele fora ignorado todas as vezes. Robin leu as mensagens de Emma, ele sabia muito bem onde eu estava. Decidi, por fim, desligar o aparelho e deixar Emma me explicar tudo enquanto terminava sua refeição com gosto de hospital. Mas antes, ela respirou fundo e fechou os olhos. Eu e Emma éramos muito parecidas nesse sentido: pensávamos demais.
— Regina, lembra aquele dia que fomos ao parque fazer um piquenique? – Ela começou, calmamente.
— Sim, eu lembro. – Involuntariamente, um sorriso se formou em meus lábios ao lembrar do incidente com o cara da pesquisa que achou que nós fôssemos um casal.
— Então, naquele dia eu te prometi que contaria tudo sobre o Tallahassee. Bem, esse dia chegou. Acho que temos algumas horas até Lily sair da cirurgia. – O bom humor parecia nunca se dissolver, mesmo nas piores situações. – Tudo começou quando me encontrei fazendo um curso de extensão numa cidade grande, cheia de pessoas graúdas e cosmopolitas. Eu vim do Alabama, Deus! – E ela apontou para si mesma como se ela fosse apenas uma garota. Ela era Emma Swan, Deus! – Então... eu me sentia mais perdida do que Mary Margaret numa despedida de solteira. Não tinha amigos, não falava o idioma, que era cidadegrandês, e estava prestes a encarar uma tonelada de livros e operações matemáticas. Apesar de amar tudo aquilo, eu precisava de uma válvula de escape, como qualquer ser humano decente. Foi então que eu conheci –
— A Mary?
— Não... – Ela riu baixinho. – Conheci Mary na Universidade do Alabama. Ela estudou Literatura, e eu Engenharia. Felizmente, esses dois cursos demandavam horas a fio naquela biblioteca fedorenta, então, de tanto que nos encontrávamos lá por acaso, nos tornamos amigas. Depois, ela se mudou para cá e eu fui para a Flórida, onde eu conheci –
— A Lily?
— A Lily. Acontece que ela também não era de Engenharia. Lily fazia mestrado em Direito criminal e já atuava como advogada, e das boas, em alguns casos bem sinistros. Novamente, a biblioteca fora nosso cupido. Diferentemente de Mary, eu não via amizade nos olhos de Lily. Sempre fui uma mulher decidida, íntegra e sólida. Fazia o que eu queria, quando eu queria, especialmente depois da morte dos meus pais. Com Lily sempre foi sobre me descobrir uma mulher das mulheres, do amor revolucionário, da quebra de tabu. Obviamente, como acontece com qualquer mulher, já havia me sentido atraída por outras antes dela, inclusive na adolescência. Mas Lily foi minha primeira. – Por razões até então desconhecidas, senti meu estômago revirar. Meses antes, eu poderia jurar que era porque eu havia sido obrigada a imaginar Emma Swan, no mínimo, beijando uma pessoa do mesmo sexo. Mas, depois de tudo, eu não teria tanta certeza. – Vivíamos um relacionamento saudável, apesar das brigas constantes e desavenças por motivos fúteis. Mas um dia tudo saiu de controle. Não só meu tom de voz ou as palavras dolorosas que saíram da minha boca por causa de uma traição besta, mas tudo o que acontecera após a porta do meu apartamento esbravejar a saída veloz de Lily daquele relacionamento, da minha vida, talvez para sempre. – Seus olhos abrigavam lágrimas que hesitavam em deixar aquele olhar dócil, indefeso, angustiado.
— Como assim, Emma? Lily simplesmente foi embora? Deixou você no Tallahassee e só apareceu agora? Do nada? – Minhas sobrancelhas estavam franzidas e meus olhos procuravam algum entendimento nos olhos florestais de Emma.
— Não. Como eu disse, tudo saiu do meu controle aquela noite. A partir do momento em que Lily passou por aquela porta, eu já não conseguia segurá-la, eu não conseguia impedir que o pior acontecesse. E aconteceu. – Uma pausa foi dada. Emma, que me olhava, passou a encarar a superfície morta daquela mesa fria, e então as lágrimas caíram em queda livre e se congelaram no mármore. Respirando fundo e se livrando do choro, ela continuou. – Lily partiu em meu carro, desorientada, furiosa. Eu não fazia a mínima ideia para onde aquele carro a estava levando. No fim das contas, para o mesmo lugar onde ela está agora. No meio do caminho, ela foi abordada por uns rapazes encapuzados, que logo trataram de lhe dar uma coronhada. Inconsciente, freou o carro bruscamente e foi a deixa para que os bandidos adentrassem o veículo. Lily fora empurrada para o banco do carona, deixando seu fêmur em migalhas. Por sorte, ou azar, os malandros passaram por uma viatura, que passou a segui-los. Quando viram que não poderiam se safar daquela, simplesmente saltaram do carro em movimento e deixaram minha Lily lá dentro. Sem consciência. Com a perna quebrada. A cabeça sangrando. O carro batido, despedaçado. Segundo a perícia, Lily ficara levemente presa entre as ferragens, mas o socorro conseguiu tira-la de lá sem maiores dificuldades. – Suspirou. Bem, aquilo explicava a porta mais clara no fusca amarelo. Ela realmente fora substituída. Que noite! – Eu só soube disso tudo após exames, depoimentos e, claro, depois que Lily retomou sua consciência.
— Meu Deus, Emma! Isso é... isso é muita coisa. Muita coisa com a qual lidar. Mas... quem faria uma coisa dessas com ela? – Eu tentava não parecer nervosa. Sem sucesso. Apesar de não ir nem um pouco com a cara dessa Lily, Deus, Emma a amava, e aquilo devia bastar. Naquele momento, e naquele momento somente, bastou.
— Lembra quando eu te disse que Lily estava envolvida com uns crimes sinistros para os quais advogar? Então... aparentemente, ela irritou bastante um grupo de criminosos que não aceitaram ser culpados por um assassinato... então eles tentaram assassinar a advogada de acusação, que, coincidentemente, é minha namorada. Lily quase morreu por fazer seu trabalho. – Confesso que a palavra namorada bateu como um soco em meu estômago mas, só daquela vez, eu deixaria de ser egoísta e pensaria nos sentimentos de minha amiga. Afinal, era o que Emma era: minha amiga. Passando por um momento delicado, em que sua namorada estava numa mesa de cirurgia após anos de um acidente brutal. Mas por que tantos anos depois?
— Uau. Achei que esse tipo de coisa só existisse nos filmes. – Mas que merda, Regina! É tudo o que você tem a dizer num momento como esse? O que está havendo com você?
— Pois é... bem, você provavelmente está se perguntando o porquê de ela ter sumido por todo esse tempo. – Ela parou, como se esperasse mesmo por uma resposta, ou como se ela pudesse ler meus pensamentos. Esperava que não fosse pela segunda opção, caso fosse, eu estava ferrada. Então eu apenas assenti. – Então, depois que Lily foi transferida para o quarto para continuar a parte mais árdua de sua recuperação, alguns exames foram realizados devido à demora na volta da memória dela. Os resultados que o médico trouxe não foram nada bons: Lily teria que passar por um tratamento ainda sob teste naquela época. Por ser advogada, tudo sairia de graça, mas o único problema era que esse tratamento só existia em Nova York. Regina, naquele momento eu senti um vazio que eu só havia sentido quando olhei minha mãe e meu pai deitados naquele caixão. Lily morreria para mim, também. Eu estava no meio do meu curso de extensão, não poderia deixar o Tallahassee. Mas, porra, eu também não queria abandonar meu amor e simplesmente deixar ela se recuperar sozinha, numa cidade gigante e selvagem. Regina, eu não poderia. Mas eu o fiz. Insisti que Lily fosse para Nova York com sua mãe para que ela pudesse ter sua memória de volta. Do quê adiantaria ter Lily se ela não se lembrasse de quem nós éramos? De toda a nossa história? Não, seria cruel. E então ela foi. Foi assim que nossa história foi sendo apagada pelo tempo. Apesar de sua memória ter voltado, ela nunca voltara. Eu terminei meu curso, havia conseguido uma vaga numa grande empresa de engenharia na Flórida, mas Lily não estava mais comigo. Então, quando recebi a ligação de Mary dizendo que precisavam de mim na obra da igreja, eu fui sem titubear. Precisava de um recomeço porque Lily aparentemente havia seguido em frente. E aí veio você. – Mesmo que Emma continuasse falando, eu não conseguiria mais prestar atenção em nada. Se existe uma coisa da qual eu entendo muito bem é viver uma vida fora de si, onde nada parece ter sentido porque simplesmente você é infeliz com tudo a sua volta.
— Emma, isso é –
— Tudo bem, Regina. Eu sei que é difícil ter algo para dizer nesses momentos. De verdade, não precisa falar. Só de ter você aqui comigo, já me sinto apaziguada. – E então eu congelei. Ao dizer aquelas palavras, seu braço deslizou pela mesa e sua mão encontrou a minha, onde repousou. Ela sorriu.
— Estou aqui por você, Emma. Para o que você precisar, e até para o que não precisar. É só me chamar que eu venho correndo. – Sorri de volta e decidi esquecer tudo o que eu teria que digerir, apenas naquele momento.
Aquele momento era especial demais: Emma sumira de vista porque eu não pude ser sua amiga quando ela me disse quem realmente era. Emma voltou. E estava aqui, na minha frente, me contando sua história. E estava segurando minha mão. Não haveria como eu fugir mais uma vez. E, sabe de uma coisa? Eu não queria fugir daquele afago nunca mais.
Muitos, incontáveis minutos se passaram em que nós apenas olhamos uma para a outra, como se nossos olhos estivessem matando as saudades dos traços uma da outra. Cada detalhe fora observado e armazenado na pasta ‘Minhas coisas favoritas em Emma Swan’ dentro do meu cérebro. Seus fios dourados, seus olhos de esmeralda e seu sorriso fino como a brisa. Até que o armazenamento foi interrompido pelo limpar de garganta de um homem.
— Senhorita Emma Swan? – Era um médico.
— Sim? Traz notícias? – Ela se levantou abruptamente e deixou minha mão. Ignorei a falta de calor que agora abraçava minha pele e me levantei também.
— Trago, sim. Peço perdão por não termos tido tempo de explicar propriamente o porquê de termos levado Lily para cirurgia. Acontece que, ao realizarmos alguns exames para detectar a causa de suas convulsões, o que achamos não foi nada agradável. Encontramos um aneurisma cerebral difícil de ser removido. Conectamos a aparição dele ao que a senhorita nos contou sobre o acidente. Mesmo com o tratamento, ela não estaria livre desse risco. Aneurismas podem levar anos para aparecer e esse foi uma sequela dos graves ferimentos causados pelo choque contra as ferragens do carro. A boa notícia é que pusemos uma espécie de mola que fará o sangue bombear corretamente. Ela ainda está na UTI, mas logo será possível vê-la.
Os olhos de Emma estavam inundados e logo as primeiras lágrimas caíram. Ela abraçou o médico com seus braços fortes e seguros.
— Obrigada. Muito obrigada por ter salvado minha mulher. – Ele assentiu e se foi.
Não havia mais uma parte de mim sequer que tivesse disposição para um segundo a mais naquele dia que era infinito. E então, minha parte mais exausta simplesmente jogou aos quatro ventos, enquanto envolvia Emma Swan num abraço:
— Eu te amo.
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