Notas iniciais
Apenas mais uma das formas que eu encontrei de expressar meus sentimentos. É a primeira vez que de fato eu escrevo sobre algo tão pessoal e somente para esse fim.

Sendo uma admiradora dos mais irrelevantes e incompreendidos detalhes sempre atribuí encanto a coisas que a maioria das pessoas opta por desprezar. Acredito que são esses detalhes, muitas vezes tão mínimos, peculiares e até imperfeitos que coroam a verdadeira essência que está por trás de um momento ou de uma existência.

No entanto, presenteada com as melhores lembranças que eu poderia ter e que já não se repetem mais, cada fragmento de memória me afaga ao mesmo tempo em que me hostiliza; a plenitude de ter vivido um dia confrontando o vazio da perda.

Não é como se eu buscasse essas lembranças, simplesmente já fazem parte de mim de uma forma tão concreta que parecem ter vontade própria e são elas quem me buscam. Retornam principalmente em minhas longas e frequentes noites de insônia, quando sombrias sussurram em meu ouvido sobre a beleza que existia na gota de suor que se desprendia do seu corpo enquanto este estava a se afundar no meu.
Inevitavelmente penso como de todas as suas ações que deixavam meu corpo em um frenesi constante, nenhuma delas era tão delirante e entorpecente como os seus olhos sempre fixos nos meus. A nudez não se fazia somente presente em meu corpo e nem mesmo a posse que era exercida sobre ele era a única, ambas envolviam também a minha alma.

Nos seus olhos sempre tão escuros e nublados eu era capaz de enxergar o universo que eu sou, e também aquele universo que nós éramos. Eu me perdi completamente entre uma dimensão e outra e hoje e nem amanhã, não posso pertencer a outro lugar que não seja aqui.

Permaneço esperando você voltar, cada vez mais incerta de que de fato virá.

Permaneço esperando, entre o caos e a ternura; e agora também entre o nanquim e as palavras.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!