Lembranças
47 Sorry
Notas iniciais
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– Quer saber, esquece isso! Você sempre esconde algo de mim, Kate. Sabe como eu me sinto quando você faz isso? Sinto-me um figurante!
– Rick, eu não tenho a necessidade de contar cada detalhe que acontece na minha vida pra você. E você nunca será um figurante pra mim. E outra. Você tem que aprender a confiar em mim e no que eu falo! Não ficar pondo em dúvida o que eu sinto por você cada vez que você descobrir algo novo sobre mim. Compreenda que o que a gente está prestes a viver pode colocar tudo que construímos a baixo. E se a nossa relação começar a ficar cercado de dúvidas, Rick... Eu não sei se é certo a gente tentar.
O silêncio transbordou por alguns minutos. Trocávamos olhares delineados de receio. Até que o barulho da buzina do carro da mamãe nos despertou do transe.
– E ai caloura? Deu tudo certo meu amor? Oi Rick! – Mamãe falava.
– Tudo mãe. – Falei tentando ao máximo demonstrar ânimo enquanto Rick apenas respondeu ao “oi” da sua sogra.
– Está tudo bem queridos?
– Sim. – Respondemos juntos, mas sem se encarar.
– Ok. – Mamãe fez cara de dúvida. – Vamos passar no hotel, tomar um banho e sair para comer algo? Dei uma volta por aqui e achei um restaurante bem legal. Que tal pessoal?
– Pode ser. – Falei desanimada.
– Eu espero que esse desânimo de vocês seja jet lag. Após comer então vamos descansar ok? – Mamãe falou e logo deu partida.
Fizemos como combinado. Despachamos nossa pouca bagagem no hotel pernoite. Tomamos um banho e fomos até o restaurante próximo. Realmente a comida era muito boa. Ainda mais para quem estava com apenas um suco e um sanduiche de Stanford. Mas esse foi um jantar cercado de silêncio e tentativas inválidas feitas pela minha mãe para nos reanimar.
Na volta para o hotel eu tentei a todo custo dormir. Mas a única coisa que consegui foi rolar pela cama enquanto mamãe na cama ao lado ressonava. Procurei pelo celular que marcava 2 horas da manhã. Pensei em ir até o quarto do Rick, tentar conversar, se entender. Mas ele provavelmente só iria me deixar mais estressada. Optei ir pra área da piscina. Talvez o ar puro ajudasse a me acalmar. Sai do quarto fechando a porta delicadamente para não acordar minha mãe.
Não havia ninguém. Apenas o barulho do vento sobre a água. Sentei numa das espreguiçadeiras e procurei por constelações. Lembrei-me de quando Rick falou sobre as conspirações do universo para que nós ficássemos juntos. Olhei para a bússola que ele me deu, eu a apertei entre minhas mãos. Encarei o céu novamente. De alguma forma, mesmo que inocente e involuntária, eu procurava pela mesma constelação que Rick uma vez acusou de ser quem nos uniu. Queria acha-las. Queria pedir para que elas agora me ajudassem.
– Sem sono também? – Assustei-me ao ouvir a voz dele ao meu lado. Sentei de forma mais ereta na cadeira o encarando. Sorri levemente e desviei o olhar.
– Sim.
– Posso sentar aqui? – Ele apontava o pequeno espaço vazio na espreguiçadeira. Dei um pouco mais de espaço e ele sentou. – Kate. Eu... – Ele deslizou a mão delicadamente pela minha face direita.
– Rick... – Retirei delicadamente a mão dele do meu rosto. – A gente precisa terminar nossa conversa. – Ele suspirou fundo.
– Eu sei. – Em seguida baixou a cabeça.
– Eu não sinto certeza. E suas dúvidas, suas atitudes me amedrontam. E... – Inspirei o ar e passei as mãos pelo cabelo. – Eu não sei o que fazer Rick. Eu não sei como fazer.
– Eu também não. – Eu o olhei. Ele apenas encarava o chão e balançava a cabeça em negação. – Eu daria tudo para saber. Mas eu não sei. E talvez justamente por eu não saber é que eu cometo tantos erros. Inclusive o de hoje à tarde. – Agora ele voltava o olhar para mim.
– Errar é humano. A gente só não pode criar o hábito de cometê-los. Porque isso dói, Rick. Dói muito. Porque eu tenho certeza que te amo, mas vou ficar longe de você. E... Rick. – Dei a mão para ele e ele me encarou de forma mais profunda. – Eu quero ter a certeza da reciprocidade. Quero ter a certeza de que não vai haver rumores, murmurinhos, distância, nada superficial que vá mexer com o que a gente tem quando estamos juntos.
– Kate... Desculpa. Eu sinto muito pela maneira que me comportei e agi. Fui estúpido! Ok! Eu admito! Eu sinto muito ciúmes de você, mesmo sabendo do seu sentimento por mim. E eu não sei como agir quando isso acontece. Ou melhor, eu sei, mas às vezes não consigo! Não sei explicar.
– Então como isso vai dar certo? Como vamos namorar estando distantes? Se você não conseguir, como vai ser Rick?
– Eu sei que é difícil, mas a gente precisa tentar. Nossa obrigação é tentar. Porque existe amor, Kate. Eu te amo tanto! Eu cometo meus erros, sou cheio de falhas, mas eu te amo. E é por isso que eu vou tentar até o fim. E eu vou fazer de tudo para que dê certo.
– Eu quero fazer de tudo também, Rick. Eu também te amo muito. Você sabe disso! Eu não quero terminar os dias aqui de mal com você. Quero aproveitar o Sol amanhã e passear pela cidade com você, te gravar em cada canto para que eu te “reveja” quando estiver aqui sozinha. – Sorrimos um para o outro.
– Eu te amo. – Ele sussurrou e nos beijamos. Beijo longo, saudosista, com desejo.
– É melhor irmos dormir. – Falei durante o terceiro intervalo dos beijos.
– Só mais um pouquinho. – Ele pediu enquanto me persuadia colando os lábios nos meus de novo.
Ficamos ali namorando e olhando as estrelas até eu sem querer cochilar em seu peito. Acordei desnorteada, ele também havia pegado no sono. O sacudi, olhei para o relógio e já eram 4 horas. Demos um beijo de despedida e rumamos para nossos respectivos quartos.
Pela manhã tomamos café da manhã e partimos para dar uma volta pela cidade. Algo rápido, pausamos para um sorvete, mais risadas, passeios, beijinhos, almoço e rumamos para o aeroporto de volta para Nova York.
Eu só teria mais duas semanas. Duas semanas envolvendo formatura e despedidas. Caixas e malas. Stanford me esperava. E o receio, à medida que o tempo passava, se tornava meu melhor amigo.
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