Notas iniciais
Lindinhas e lindinhos! Tudo bem amorecos? Estou sumida demaaaais, eu sei. Eu assumo! Gente eu espero que vocês me perdoem por ter passado tanto tempo sem postar. É que eu estou bem enrolada com minha vida acadêmica. Eu to em ano de formatura e quem quiser que pense que isso é moleza... =P Mas como eu prometi e prometo mais uma vez, deixar de postar... NUNCA! Então ai vai mais um capítulo fresquinho para vocês. ;) Boa leitura.

As festas de final de ano passaram tão rápido quanto uma estrela cadente. Nada de Manhattan e suas ruas tumultuadas nesse período intenso de festas. Nossas famílias se dividiram entre Coney Island e Hamptons. Mesmo sem ter sido planejado com cuidado, Martha conseguiu cultivar certa simpatia e amizade com meus pais, o que fez das festas algo agradável e confortável.

Estávamos em recesso das aulas, e o frio nos convidava a ir a pistas de patinação no gelo e assistir filmes no sofá de casa acompanhados de um grosso edredom e muitas guloseimas. Rick e eu aproveitávamos cada minuto como se fosse o último. Afinal, poderia ser.

Janeiro chegou a todo vapor e nosso tempo se limitou a total atenção em enviar nossos currículos para as instituições que visávamos e terminar com primazia nossos deveres no high school. Não temos muito tempo. Na semana de recesso de primavera iremos visitar o campus de Stanford dentre algumas outras. As aulas terminarão em junho.

Por mais que meu sonho sempre tenha sido ir para Stanford, me apaixonar pelo Rick fez todo meu mundo virar de cabeça para baixo. De todas as certezas que eu tinha, nenhuma fazia sentido agora, a não ser o fato de não querer me afastar dele. Um relacionamento que estava sendo levado de forma leve, despreocupada e livre, se tornava cada dia que passava mais pesada, mais sufocada pelo medo, um relacionamento angustiante. Sei que ouvi Rick dizer para mim várias vezes para que eu não desistisse dos meus planos pessoais que foram traçados há tanto tempo atrás, não só por mim, mas também pelos meus pais. Mas é complicado imaginar a realização desse plano. Meu plano agora é muito mais que me tornar uma advogada formada em Stanford, meu plano, mesmo que involuntariamente, é estar perto do Rick e não importando como.

Mas como eu poderia mudar isso agora? Como eu poderia dizer para os meus pais que Stanford agora estava cercado de dúvidas em minha mente? Além do fator da distância minha do Rick, ainda tem sobre mim o fato de eu estar tão longe dos meus pais. Sabem, há tempos atrás eu achava isso a melhor coisa do mundo. À distância me tornaria livre para desfrutar de tantas coisas nesse mundo pelo simples fato de ser jovem selvagem e livre. Mas todos esses pensamentos foram anteriores a tudo que eu e Rick vivemos. Antes do Rick eu não estava interessada em me prender em ninguém, nem achar que um dia eu acharia alguém que eu acreditasse ser a pessoa certa, tudo que eu queria era curtir. Eu e a Madison disputávamos o posto de ‘namorada temporária’ dos caras mais gatos. Eu ajudava aos rebeldes a quebrar as regras de todos os lugares. Burlava de forma ímpar qualquer tipo de imposição. Isso chamava a atenção dos caras mais misteriosos e sensuais. Sem dúvida minha beleza com toques de rebeldia aumentava meu desejo de ser livre. Ainda acho que por demonstrar tanta habilidade em quebrar regras que eu percebi que ser advogada seria a melhor opção, além de poder contar com bons professores gratuitos, meu pai e minha mãe. E para se tornar livre, Stanford era a melhor opção por todos os ângulos. Mas agora, agora a distância era tudo que eu não queria.

Se Rick soubesse dessa minha tentativa de desistir, ela também não iria aprovar. Mas droga! Não são meus planos que valem?! Não são meus sonhos que contam?! EU SONHO EM FICAR EM MANHATTAN! EU SONHO EU TER MEUS PAIS POR PERTO, EM TER RICK POR PERTO! Depois de vivenciar o que eu e Rick temos, não sobrou muito da wild girl aqui. Ser livre para mim, hoje, ganhou uma nova configuração.

Rick passou de carro para nos levar até a escola. Enquanto eu vagava em meus pensamentos fui flagrada olhando para ele profundamente. Não fiz menção em disfarçar. Poderia ser uma tentativa frustrada, mas eu tentava através daquele olhar que eu lançava fazer com que o Rick lesse em mim o que eu tentava dizer. Eu não saberia por onde começar a conversa se ele não tivesse ideia do que eu queria conversar. Céus! Eu me sentia tão desorientada. Rick estacionou no espaço da escola.

– Vamos? – Ele falou quase em sussurro. Encarou-me com um olhar questionador por eu ter permanecido imóvel após ele abrir a porta. E então ele retornou ao assento e fechou a porta me encarando de forma carinhosa e profunda. – Está tudo bem Kate? Aconteceu alguma coisa?

– Rick... – Engoli seco tentando posicionar alguma frase com sentido. – A gente precisa conversar...

– É sobre Stanford não é? Também tenho tido insônia pensando no que vai acontecer conosco em junho...

– Agora que estamos chegando perto isso parece muito mais assustador do que parecia.

– Kate... Eu só posso te dizer que no que depender de mim eu sempre estarei por você.

– Eu também! Mas Rick... – Removi o cinto, virei meu corpo para frente ao dele e peguei em suas mãos. – Meu medo não esta sobre as duvidas no que nós sentimos, mas sim como suportar a distância, como lidar com a saudade, como aprender a confiar no que os olhos e o tato não podem ver ou sentir.

– Kate, nós temos que ao menos tentar até o fim. Não podemos desistir apenas por medo. Acredito que mesmo batendo contra todos os preceitos de que isso não vai dar certo, nós faremos dar certo! – Ele não me fazia perder o medo, mas me fazia acreditar que nós seríamos fortes o suficiente para enfrentá-lo. Sorri timidamente.

– Vamos fazer dar certo. Iremos conseguir. Certo Rick? – Minha voz era trêmula, mas em meus ombros o peso diminuía. Uma lágrima silenciosa escapou inescrupulosamente.

– Claro que sim meu amor. – O dedo dele deslizou em meu rosto capturando aquela gota salgada e teimosa. Ele vagarosamente descansou sua testa na minha. Apenas sentíamos nossa respiração tentando acertar o movimento da calma. As mãos de Rick envolviam meu rosto e parte do meu pescoço. Minhas mãos descansavam entre seus braços e ombros.

Nossos lábios se tocaram de forma a afagar e demonstrar todo o amor que compartilhávamos. Respiramos fundo e logo depois saímos do carro caminhando de mãos dadas e com pressa ao destino de nossas aulas.

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Eu estava há mais de horas parada na frente do computador apenas olhando a tela. Na página aberta, o Word continha apenas o cabeçalho com o nome da instituição Stanford. Em minha mente passeavam tanta coisa absurda e sem sentido. Por mais que tentasse, eu não conseguia me concentrar. Nem consegui perceber mamãe se aproximando.

– Está esperando um milagre querida? – Ela falou enquanto pousou a mão em meu ombro me despertando do encanto e me causando susto. – Ei! Calma mocinha!

– Oh mamãe, desculpa. É que eu estava tão distraída. – Ela arqueou a sobrancelha me encarando.

– É apenas sobre Stanford o motivo dessa cabecinha ficar tão dispersa? – Mordi o lábio inferior tentando arrumar palavras mais agradáveis que pudessem descrever como eu me sentia para minha mãe.

– Mãe... Sabe o que é?...

– É sobre o Rick não é? – Engoli seco e a encarei assustada. – Você está com dúvida, certo?

– Mãe... Assim... Mais ou menos...

– Kate, por favor, não há necessidade de você ficar escolhendo palavras para se abrir com sua mãe. Oras! Eu já tive sua idade e sei o que é ir para uma universidade distante de todos aqueles que realmente te importam. Querida, olhe para mim. – Ela posicionou, com o dedo indicador no meu queixo, meu rosto para sua direção. – Não é fácil! Nem nunca será. A vida tem suas batalhas e nem sempre são justas.

– Eu estou com medo. Medo da gente não funcionar estando longe um do outro. Tenho medo de perder. Perder o Rick por ir. Perder a oportunidade da minha vida se ficar. Tenho medo de como conseguirei lidar com isso tudo longe de vocês também mãe.

– Oh querida...

– Eu nunca fui de transparecer medo, eu sei. Nunca fui de ter dúvidas e receio de arriscar. Mas algo esta diferente agora em mim. Eu não sei por que, mas algo mudou. Mãe, por favor, apenas me diga o que fazer e eu farei! Apenas quero ter certeza do que fazer, do que escolher...

– Kate...

–... Não quero te decepcionar. Não quero me decepcionar...

– KATE! – A fitei nos olhos. – Meu amor, pare de girar com tanto peso nas costas!... – Ela suspirou. – Kate... Querida a vida não tem um manual de instruções. A resposta certa virá do seu coração. Virá do que você realmente acredita... Kate, algo pode ter mudado em você sim. Mudou porque você amadureceu, mudou porque essa sua nova escolha mexe com toda sua vida. Mexe com o fato de pela primeira vez você ter que escolher sobre sua vida sozinha. Nem eu, nem seu pai, nem Rick, ninguém pode fazer essa escolha além de você mesma.

– Mãe...

– Eu queria ter respostas prontas meu amor. Queria evitar sempre de ver essas lágrimas caírem dos seus olhos. Mas isso seria muito mais cruel do que apenas deixar você chorar, porque isso tiraria toda a oportunidade que você tem de aprender a dirigir sua própria vida. Isso te privaria de discernir todo o mundo que te cerca e suas partes boas e ruins, as respostas e as perguntas.

– Eu... Eu não sei o que fazer. Por onde começar...

– Comece por você Kate. Por você! Esqueça por alguns segundos tudo a sua volta. Pense apenas em você e no que seu coração fala. Parece duro, mas precisa silenciar qualquer ruído que grite alto demais ai dentro. O verdadeiro chamado é sereno, é tranquilo. E eu sei que você é capaz de escutar. – Ela me abraçou forte. – Vou te deixar pensar sozinha... Mas não pense que o medo irá cessar quando achar a resposta.

– Como assim?

– O medo faz parte da vida. Ele sempre estará ai, assim como a coragem. – Ela piscou.

– Então eu tenho que arrumar uma forma de fazer a coragem ganhar mais espaço, certo?

– Isso! Está no caminho... Continue assim. – Ela passou a mão em meu cabelo acariciando. Eu sorri. – Vou preparar o jantar. Quando estiver se sentindo confortável... Espero-te na cozinha ok?

– Ok. – Ela beijou o topo da minha cabeça e saiu encostando a porta do quarto.

Ali estava eu novamente encarando a tela do computador. Mas agora a respiração e as batidas do coração tinham um compasso diferente. Minha mãe, que eu tanto amo, me mostrou com sua forma sábia, por onde começar. Silenciar. Silenciar. Silenciar. Algo me diz que vou conseguir. Acho que a coragem acaba de ganhar espaço.

Notas finais
O que acharam? Ai ai ai mamãe Johanna... *-* Comentem lindos e lindas! :D