Lembranças
1 Promessa - único
POV: Erza
Olhei a minha frente, observando mais. Na montanha em que eu estava, dava para ver as poucas luzes acesas na cidade. Era em volta de duas da manha. A grama pinicava a minha pele, causando uma sensação incomoda; porém, não me movi. A lua estava bonita: cheia, grande e brilhante. As muitas estrelas a sua volta fazia o céu parecer uma pintura. O vento brincava levemente com os meus cabelos.
Reequipei um casaco e suspirei, uma lembrança vinha a minha mente. Fazia dois meses que tínhamos nos reencontrado, e que você havia sido preso, não é mesmo?
Jellal...
As estrelas me lembravam de você. Elas me lembravam de um momento da nossa infância, um dos poucos felizes dentro daquele inferno em que vivíamos. Consequentemente, aquele foi um dos momentos mais puros e felizes da minha vida.
Flashback
– Vem, Erza! – Chamava o garoto de cabelos azuis, segurando minha mão apressado, recebendo meu olhar receoso em troca.
Eu não sabia se o seguia ou voltava.
Quando ele me perguntou se eu gostaria de ir olhar as estrelas, pensei que era apenas uma simples pergunta dele.
Não que ele realmente me levaria para admirá-las.
Apesar de a ideia soar ridiculamente tentadora, eu sabia muito bem que se algo acontecesse as consequências viriam. Jellal também sabia disso, apesar de não demonstrar.
Respirei fundo.
– Tem certeza, Jellal? – Meu tom de voz era sério, apesar de meio vacilante. Claro, eu estava receosa, com medo, confusa e incerta, era óbvio que eu não conseguiria manter um tom firme.
Ele sorriu confiante, abraçando meus ombros. Em seguida, levou uma mão aos meus cabelos, brincando com eles.
– Você confia em mim? – Perguntou, olhando nos meus olhos, fazendo um sorriso espontâneo brotar nos meus lábios.
– É claro! – Respondi, abraçando-o. Eu realmente confiava em Jellal mais do que em qualquer coisa ou em qualquer um. Ali dentro ele era meu porto seguro, isso era fato. Shou, Milliana, Wally, Simon e vovô Rob eram grandes amigos para mim e também eram muito gentis, mas era com Jellal que eu me sentia melhor perto.
Ele segurou minha mão e a apertou de leve, para me transmitir segurança. Sorrimos um para o outro e seguimos caminho pelo túnel que levava ao lugar que nós costumávamos ficar antes dos trabalhos. Por sorte, não tinha nenhum guarda no local, mesmo assim decidimos não sair muito do túnel. Tínhamos uma boa vista do céu, de toda forma.
Nos sentamos no chão e ele começou a falar sobre o sol, a lua e as estrelas, e eu ouvia tudo atentamente, com um sorriso no rosto. Ele sabia tudo, tudo!
– Jellal... aquela estrela que você falou, aquela que podemos fazer um desejo... –Tentava me lembrar, sem sucesso. Jellal riu.
– Estrela cadente. O que tem?
– Ahn... é... – Corei, com vergonha de fazer a pergunta que queria – se você... bom...
Ele sorriu.
– Vamos, fale. – Encorajou-me.
– Se você pudesse fazer algum desejo, qual seria?
– Um desejo... não sei. E você, Erza? –
Desviei o olhar.
– Eu... promete que você vai estar sempre ao meu lado, Jellal? – Pedi, o abraçando. Uma lágrima teimou em escorrer do meu olho.
Ele retribuiu o abraço, confuso. Afagando o meu cabelo, sorriu e disse:
– Oh, mas é claro que eu vou estar! – Exclamou e, sorrindo, secou a minha lágrima. – Mesmo que se alguma coisa acontecer e nós nos separarmos, eu sempre vou estar com você!
Sorri, os olhos deles transmitiam paz, tranquilidade, sinceridade. Era impossível não acreditar em algo dito daquela forma quando se olhava naqueles orbes cor de oliva.
Fim do flashback
Uma lágrima involuntária escorreu dos meus olhos, com aquela lembrança. Meu olhar agora era nostálgico.
Jellal por si só era nostálgico, afinal. O cheiro, o toque, a pele... Eu o amava, mesmo com todos os acontecimentos. Isso era imutável.
Era o sentimento mais puro, mais bonito e mais sincero que já tinha sentido por alguém.
Mas eu tinha que esquecê-lo. Ele estava preso, agora. Era triste admitir isso, mas era verdade.
O problema era que era impossível.
Eu imaginava o sorriso dele a cada momento, e por isso mesmo lutava para manter minha mente ocupada pra tentar impedí-lo dessa invasão. Como conseguiria esquecê-lo?
Olhei para o céu, fitando a lua. Fechei meus olhos molhados pelas lágrimas e suspirei.
Eu realmente poderia pensar que você estava aqui comigo nesse momento?
POV: Jellal
Estava sentado no chão de pedra frio. Como sempre, meus pensamentos estavam nela, a mulher dos lindos cabelos escarlates.
Mais uma noite de sono sendo ocupada por ela. O que não era um desperdício, muito pelo o contrário. Longe disso.
Uma lembrança, nesse pouco tempo em que estava aqui, veio-me a mente. Eu tinha levado Erza para ver as estrelas, estávamos em um lugar estranho. Eu havia prometido para aquele par de olhos castanhos e infantis que estaria sempre com ela, não importando a distância nem circunstancias...
E eu estava.
Não importava que eu não me lembrasse de muitas coisas, nem que as lembranças sobre ela fossem vagas. O fulgor que eu sentia no peito ao pensar nela já não era o suficiente? Aquele sentimento já não era o bastante para ser considerado amor?
Eu estava perdidamente apaixonado por Erza, sempre estive.
E mesmo estando aqui, minha mente e meu coração estarão em você, Erza.
Para sempre.
Como sempre foi.
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