Lembranças de Você
1 Sem causa
Notas iniciais
Espero rewiews de todos ok? ^^
Boa leitura.
"Se tudo é imperfeito neste mundo imperfeito então, o amor é perfeito... em sua imperfeição."
Tóquio, Japão – setembro de 2006
“Isso não está acontecendo. Não de novo.” Foi tudo que eu pude pensar na hora em que senti que ia entrar nos caminhos da inconsciência novamente. Só senti as forças me abandonarem, a visão escurecer e fui deslizando novamente em direção á escuridão. Antes de apagar completamente, percebi um corpo sólido me segurando, olhei e tudo que pude ver foi um rosto lindo e ao mesmo tempo assustado...
Quando recuperei a consciência abri os olhos e vi o céu bem azul e de repente um rosto apareceu no meu campo de visão, levei um susto e o cara tentou me acalmar. Pro meu azar meu japonês ainda era péssimo, mas consegui entender as poucas frases que ele falava e consegui responder também.
-você está bem? – o cara perguntou enquanto tentava afastar os cabelos que estavam no meu rosto.
-acho que sim, eu só preciso de um minuto pra me recuperar. – tentei me levantar, mas senti uma fraqueza e se não fossem os reflexos rápidos do cara eu teria caído de novo. – ah droga!
-o que você disse moça? – graças a Deus ele não entende português, senão ia pensar que eu sou uma total sem educação.
-não disse nada, você pode me ajudar aqui? – quando ele segurou minha mão foi como se uma onda de calor passasse do corpo dele para o meu. Como eu ainda estava me sentindo fraca ele continuou me apoiando até quando me sentei num dos bancos da grande praça que eu estava. Um copo de água surgiu do nada na minha frente e bebi como se estivesse saindo de uma temporada no inferno.
-você está melhor moça? – o cara perguntou e quase chorei quando vi ele se preocupando tanto com uma desconhecida.
-s..sim, eu estou bem. Obrigada por tudo.
-você mora aqui perto?
-eu estou hospedada em um hotel perto daqui.
-se quiser eu posso te levar até lá. Pode ser?
Cara, eu tava no céu. Acordei e vi um cara lindo, ele me ajudou, se preocupou comigo e ainda se ofereceu pra me levar até o hotel... pisquei os olhos pra ver se não era miragem ou alguma coisa do tipo, mas felizmente era real.
Aceitei a oferta dele e entramos no carro, fui dando as instruções e quando ele parou na porta do hotel me virei pra ele e agradeci.
-de nada moça. Você tá bem mesmo? – ah.. ele ainda estava preocupado. Que fofo...
-estou sim, pode ficar tranqüilo. Obrigado pela carona, até qualquer hora. – sai do carro e entrei no saguão do hotel. Quando cheguei ao meu quarto liguei pros meus pais e avisei que estava tudo bem e eu iria começar as aulas no dia seguinte. Depois tomei um banho e adormeci.
Acordei no susto no dia seguinte, o despertador tocou e fiz aquela maratona pra tomar banho, tomar café e correr pra universidade. As aulas foram legais, mas aposto que teriam sido melhores se eu tivesse entendido mais que 50% do que os professores falaram. Fiquei pras aulas de reforço em conversação no período da tarde, depois fui até a biblioteca procurar uns livros pra aula do dia seguinte.
Como não tive tempo pra fazer muitas amizades, voltei pro hotel sozinha e foi assim minha rotina por duas semanas inteiras. Como minha adaptação foi até consideravelmente rápida no terceiro fim de semana fui convidada para uma festa com a minha turma de faculdade. No inicio fiquei meio receosa em aceitar ir, mas como estava querendo conhecer mais lugares além dos sugeridos pelos guias topei.
Primeiro fomos jantar em um restaurante próximo á faculdade. Depois os grupos foram divididos e acabei ficando no grupos das “Cassies” apesar de não saber exatamente o que elas faziam. Mal tive tempo de pegar minha bolsa e já saímos andando pelas ruas; no meio do caminho para um lugar onde eu nem sabia onde era paramos em um shopping e compramos camisetas com o nome do grupo Tohoshinki e continuamos o caminho.
Quando vi já havia passado pela portaria de uma casa de shows e estávamos sentadas na primeira fileira em frente ao palco principal. Pensei comigo “Alice, você é totalmente louca ao acompanhar pessoas a um lugar que você não faz nem a menor ideia do que vai acontecer”.
Como o show ainda não havia começado tivemos tempo de conversar e as meninas me colocaram a par das atividades da banda. Ok admito que elas me encheram de mais informações que eu estava interessada, mas pelo visto a banda era boa. Não reconheci nenhuma das minhas amigas depois que as luzes apagaram.
As garotas bobinhas e consideravelmente quietas sumiram no corpo de fãs que mesmo desconhecidas possuíam um ritmo e um ânimo que contagiava umas as outras. Tudo bem que não era aquela coisa brasileira que contagiava todo mundo em pouco tempo, aquela coisa mais solta, mais livre, mas por mim tudo bem.
Prestei bastante atenção na entrada do grupo e sorri quando começamos a ouvir gritos a medida que cinco nomes eram falados por alguém com voz bem sexy e envolvente. *Nota da autora: Eu juro que não pensei bobagens viu Yuki e Laiane XD* quando eles entraram toda a platéia foi á loucura, até eu fiquei um pouco envolvida com a musica. Mas meu queixo caiu quando vi no palco o cara que me ajudou na rua três semanas atrás. A partir daí comecei a prestar mais atenção no show e confesso que gostei bastante das musicas.
Quando eles pararam finalmente no palco central para dar as boas-vindas ao público eu pude confirmar se era o mesmo cara ou não. Enquanto ele falava olhava diretamente pro público e quando nossos olhares se cruzaram ele pausou um pouco mas continuou o discurso. Todos os outros deram um oi pras fãs e continuaram o show. No meio da música “Hello Again” ele olhou pra mim e piscou.
As meninas começaram a gritar e acenaram feito loucas pra ele. Eu apenas respondi com um aceno de cabeça. O show foi perfeito, me diverti bastante com as brincadeiras que eles fizeram no meio do show, me encantei quando eles cantaram uma versão acapella do repertório coreano deles (dei graças pro ter um pai coreano) e quando eles cantaram a última música o pessoal foi ao delírio.
Estávamos na porta da casa de shows e todo mundo aceitou prolongar a noite mais um pouco, e como quem está na chuva é pra se molhar continuei andando com elas. Fomos a uma boate e dançamos até altas horas da madrugada, eram quase seis da manhã quando as meninas resolveram ir pra casa. Como eu morava em uma direção totalmente diferente da delas peguei um taxi e estava chegando ao hotel quando percebi que pra minha infelicidade havia esquecido que no sábado a tarde eu teria aulas de conversação na faculdade.
Cheguei ao hotel e dormi profundamente, acordei meio-dia e cheguei quase atrasada pra aula. Tentei com afinco não dormi na aula e quando finalmente desisti o sinal tocou. Voltei cambaleante pro hotel e quando entrei o moço da recepção me avisou que eu tinha um recado, surpresa ao saber disso peguei o papel e fui avaliando ele durante a subida pro meu quarto. depois que fechei a porta, tomei um banho, comi alguma coisa e fui abrir o envelope com a mensagem. Quase caio pra trás quando li.
“Olá estranha que mora no 415...
Fiquei bastante surpreso pro te ver no show ontem, que tal jantar comigo hoje?
Quando decidir liga pro numero abaixo tá?
Yunho.”
Primeiro: como ele conseguiu o numero do meu quarto? provavelmente por causa dos contatos. Segundo: eu teria mesmo coragem de ir jantar com ele? Totalmente!! Liguei e ele atendeu no segundo toque.
-alô.
-Yunho?
-sim.
-sou Alice, a garota do 415 – tentei muito não rir quando respondi isso*
-ah olha só, então aceita jantar comigo hoje?
-claro, e onde vai ser?
-graças aos paparazzi não pode ser em um lugar bastante público. Tudo bem pra você?
-hmm... tá.
-mas conheço um restaurante perto da minha casa que é ótimo e...
Nesse momento pude ouvir uma movimentação do outro lado da linha.
-me dá esse telefone Yoo!
-porque? Tá falando com quem? Com aquela garota que você não para de falar sobre ela? *detalhe: eu estava completamente vermelha depois de ouvir isso*
-por um acaso é ela mesmo seu baka! Me dá isso aqui... – e mais um estalo na linha.
-desculpe né... *voz do Yoo*
-ah... Alice desculpe por isso. nosso jantar ainda está de pé?
-e..claro. que horas você passa aqui?
Terminamos de combinar e decidi dormir um pouco. Acordei quase oito da noite e fui me arrumar. Coloquei uma calça jeans com umas correntes, tênis e uma sobreposição de blusas, fiz uma maquiagem meio emo e adorei o efeito. O telefone tocou, fui atender e era o cara da recepção avisando que estavam me esperando. Agradeci e desci.
Quando as portas do elevador se abriram vi o Yunho sentado em um dos sofás da recepção. Quando cheguei perto ele olhou pra mim e sorriu, só pude pensar “uau!” e sorri de volta. Ele se levantou e veio em minha direção, ele me cumprimentou e estendeu a mão. Eu só segurei de forma natural, como se fosse comum pra mim.
Estávamos no carro quando finalmente criei coragem pra falar.
-bom... meu nome é Alice Kim e o seu é... Yunho certo?
-na verdade meu nome é Uknow Yunho, mas pode me chamar de Yunho. E muito prazer em te conhecer Alice Kim.
-E onde nós estamos indo? – eu estava super curiosa. Se bem que era muita loucura entrar no carro e perguntar depois, minha mãe dizia que eu era meio louca por isso.
-conheço um restaurante aqui perto que serve uma comida deliciosa que tal? – ele sorriu pra mim.
-ok então. – e ficamos em silencio até quando chegamos lá. A sorte é que não era aquele silencio desconfortável, mas sim cúmplice. Quando chegamos ao restaurante fizemos os pedidos e enquanto esperávamos tentamos saber mais sobre o outro.
-então Alice, você não é japonesa com certeza. Você é de onde?
-realmente não sou japonesa, sou brasileira e sul... – olhei pra porta e vi os quatros caras da banda, eles viram o Yunho, acenaram e vieram em nossa direção.
-droga! – virei e vi o Yunho olhando feio pra eles. Quando eles chegaram pediram licença pra sentarem com a gente. – vocês podem me dizer o que estão fazendo aqui?
-calminha líder, o negócio é o seguinte: estávamos em casa, sem jantar e com muita preguiça de cozinhar então viemos pra cá. Viu? Muito simples.
-nem pensem que eu engoli essa desculpa não viu? E o que aconteceu com o telefone? Ele por acaso não faz mais chamada pra comida pronta não?
-ah... estávamos com vontade de sair um pouco daí.... – o cara parou de falar quando eu comecei a rir.
-desculpa, mas é que isso é tão hilário...
-bom, então a gente vai sentar aqui com vocês tá? – os rapazes nem esperaram o Yunho responder e se sentaram.
-não... droga! Já estão sentados mesmo. – o Yunho se conformou.
Fizemos os pedidos e ficamos esperando calados. Pedi licença pra ir ao banheiro e quando voltei os meninos estavam conversando na mesa. Pelo visto era em coreano.
-é líder, pelo menos sabemos porque você não parava de falar nela. Ela é linda mesmo – o cara sorriu depois de dizer isso e vi as covinhas no rosto dele ficarem bem visíveis.
-realmente líder... e ela é... opa ela tá chegando, disfarça! – o cara com rostinho de bebe me viu e avisou todo mundo.
-não parem por minha causa, estavam falando sobre o que?
-sobre a gravadora.
-sobre o show.
-nada.
-sobre o tempo.
-sobre a comida.
Todas as respostas ao mesmo tempo. Depois fiquei parada mas comecei a rir.
-ok, então acho que vocês não estão se entendendo nessa conversa.
-um pouquinho... – o Yunho comentou olhando pra mim.
-tudo bem vamos comer porque tô morrendo de fome.
Todos acatamos a sugestão mas ainda não sabia o nome deles e perguntei.
-eu sou o Uknow Yunho muito prazer.
-Hi girl, eu sou o Park Yoochun, prazer em te conhecer.
-oi *acena* eu sou o Xiah JunSu, muito prazer.
-oi *acena também* sou o Kim JaeJoong, muito prazer.
-oi sou o Choikang ChangMin e você quem é?
Sorri, fiz um aceno geral e respondi.
-olá rapazes, eu me chamo Alice Kim muito legal conhecer vocês.
-oh... *carinha de ovo* Alice Kim? Legal, é meu sobrenome também. – JaeJoong falou.
-meu também! *carinha de ovo do Jun*Que coincidência... e você não é japonesa é?
-ela é bonita e bronzeada demais pra ser japonesa né Jun? – Yoochun comenta em coreano.
-não sou japonesa com certeza. Sou brasileira e obrigada pelo elogio Yoochun.
-pera, você entende coreano?
-ah! Sou brasileira e sul-coreana.
Eles fizeram carinha de ovo coletiva, depois começamos a conversar animadamente.
-por isso seu nome é Alice Kim né? – o JunSu perguntou.
-exatamente, o Kim veio do meu pai e minha mãe é brasileira.
-e você joga futebol? – o Jun quase não parava na cadeira de tanta curiosidade. Sorri pra ele.
-jogo futebol, mas prefiro voleibol, queimada e dança.
-uau! Mas é a garota perfeita. casa comigo? – o Jun perguntou e começamos a rir.
Depois do jantar decidimos ir a uma boate ali perto. Extravasei toda a minha animação na dança e quando vi já era hora de ir pra casa. Entramos todos no carro e no caminho combinamos de nos encontrar outro dia. Quando cheguei ao meu quarto senti a famosa vertigem e desmaiei no meio da sala.
Notas finais
eu dependo de vocês pra produzir uma boa história.
Beijos e até a próxima ^^
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