Lembranças de Você

8 Explicações (parte I)


Notas iniciais
Olá!
passando pra postar mais um capitulo... e então o que estão achando da história?

Dividi esse cap em duas partes porque achei muito cansativo lê-lo de uma vez só... esperro que voc~es gostem.
Boa leitura!

Ao chegar ao andar onde eu moraria por um longo tempo, minha única preocupação era deitar e dormir profundamente pro varias horas, porem fui cumprir o ritual de ligar pra família para avisar que havia chegado bem.

Quando já estava me despedindo da minha mãe de repente me veio uma imagem: eu estava no meu quarto no Brasil e falava ao telefone. Me ouvi falando “Também já estou com saudades. Eu te amo Yun” e fazendo carinha melosa como se ele pudesse me ver.

Tão rápida quanto veio a imagem se foi, me deitei na cama e tentei repassá-la na memória. Não se encaixava em nenhuma circunstância que eu tenha vivido. Após alguns minutos o cansaço finalmente me venceu e dormi profundamente.

Acordei no meio da tarde e percebi que um braço contornava minha cintura e me mantinha com a cabeça encostada no peito de alguém. Me virei pra olhar e vi o um cara sorrindo pra mim; não resisti e correspondi ao sorriso depois me aproximei e o beijei. De repente não estávamos mais no quarto, mas sim num estúdio de dança e eu estava sentada num puff observando cinco caras tentarem acertar uma coreografia. A imagem me parecia levemente desfocada e quando tentei ver de perto a imagem mudou novamente e me vi comendo algodão doce em um parque. Olhei pro lado e vi o mesmo cara do quarto ao meu lado. Ele se inclinou e...

O celular tocava loucamente e acordei no susto. Olhei o visor e vi que já eram seis horas da manhã. Ué, eu não havia acordado durante a tarde? Estranho. Provavelmente tinha sido só um sonho. Novamente.

Levantei, me vesti e pensei em chamar o serviço de quarto, porém não se de onde me veio a ideia de ir a uma cafeteria que eu inexplicavelmente sabia que existia a duas quadras do hotel. Pensei em acordar o Eduardo, porem ainda era muito cedo e resolvi ir sozinha; após uns cinco minutos de caminhada cheguei à cafeteria. Quando entrei imediatamente sentei numa mesa de canto e observei o local. Um ambiente gentil, acolhedor e uma parede inteira de vidros as minhas costas, me senti bem lá.

Ergui a mão pra chamar o garçom e vi quando ele me olhou de olhos arregalados rapidamente mudou de direção (?!), em menos de um minuto ele voltou acompanhado de um senhor que parecia ser simpático e trazia no rosto o mesmo olhar arregalado do garçom. Eles chegaram perto de mim e ficaram parados em silencio; totalmente encabulada de estar sendo analisada como se fosse uma assombração eu finalmente falei.

-bom dia, eu gostaria de ver o cardápio, por favor.

-bom dia Alice. Não me reconhece mais?

Nesse momento a ficha caiu e imediatamente sentei direito na cadeira.

-presumo que o senhor me conheça. Infelizmente não me lembro do senhor, pois há uns oito meses atrás sofri um acidente e esqueci algumas coisas, mas o medico garantiu que com o tempo eu me lembrarei de tudo. – e sorri.

O velho olhou pra mim com os olhos marejados e correspondeu ao sorriso.

-você continua com esse sorriso lindo. E em homenagem a sua volta vou trazer seu café da manhã favorito, depois venho me sentar aqui com você tudo bem?

Feliz com mais essa descoberta eu nem pensei em recusar. Em menos de dez minutos eu estava comendo panquecas com calda de chocolate, suco de morango, bolo de chocolate e rosquinhas de coco. Enquanto comia comecei a conversar com o dono do local, ele se chamava Sr. Myuaki e administrava o patrimônio da família.

O curioso foi que quando estava no fim do suco me veio uma vontade de parar, respirar e comentar em japonês “Algumas coisas podem acabar na vida, mas não o gosto e o cheiro de uma boa comida feita com amor”, foi exatamente isso que fiz e quando o Sr My sorriu lembrei que era isso que eu falava sempre que vinha aqui.

-Sr My, com momentos assim tão calmos eu lembro mais facilmente das coisas, obrigado por tudo. E acabei de lembrar que existe um pequeno parque a poucos metros daqui então, vou andar um pouco lá ok?

-claro pequena. Fico feliz que eu te ajudei a lembrar de algumas coisas. Volte amanhã ok?

-vou tentar, vim trabalhar agora. Antes era só intercambio, mas agora é trabalho serio mesmo. Então quando eu puder eu venho tudo bem? Tenha um bom dia.

Depois que sai do restaurante andei um pouco mais e entrei num parque. Olhei ao redor e vi um bando meio escondido entre as arvores; nem pensei duas vezes e me deitei nele fechando os olhos. Quando tornei a abri-los vi o mesmo cara sentado ao meu lado, segurando minha mão e falando algo. Nem prestava atenção ao que ele estava dizendo, só conseguia pensar na rapidez que eu passei a confiar nele. De repente ele parou, olhou pra mim e sorriu.

-você tá pensando no que agora Alice? Tá com aquele olhar sonhador que as vezes me dá medo *rindo*.

-ah, to pensando em como a vida é. E pensar que um dia desses a gente nem se conhecia né...

-um dia desses não, meses atrás Alice.

-é modo de falar, relaxa *morrendo de rir*.

E continuamos lá de mãos dadas olhando as pessoas passando. Fui fechando meus olhos devagar...

Escutei um barulho e abri os olhos rapidamente. A minha frente estava um daqueles caras que vi no aeroporto. Ele parecia um pouco tenso e veio na minha mente que eu já havia estado ali com ele.

Depois de uns instantes de silêncio ele finalmente falou.

-posso sentar aqui com você?

-claro. *afastando pro lado*

-obrigado.

Ficamos lá sentados sem falar nada até que ele não aguentou e falou.

-então Alice, depois de tanto tempo você volta pro Japão e age como se não conhecesse a gente? Isso é inusitado.

Epa! Já chegou pegando pesado!

-espera *fazendo o sinal de pare com as mãos* nem comece não! Eu nem te conheço.

-como assim não me conhece? Por acaso você passou o tempo do seu intercambio inteiro na companhia de quem? *olhar raivoso*

-eu não faço a menor ideia! *gritando*

-como assim não faz a MENOR IDEIA? *gritando também*

-tudo que sei é que sofri um acidente e esqueci pedaços da minha vida! Tá satisfeito? *apontando o dedo na cara dele*

-como assim?

-como assim o que? *revirando os olhos* eu sofri um acidente e tenho problemas de memória. O que não deu pra entender?

-espera! Me conta essa historia do começo...

Passei um bom tempo contando tudo e de vez em quando eu olhava pra ele. Quando estava quase terminando de contar tudo, me lembrei que nem sabia o nome dele ainda.

-espera um pouco! Eu nem sei seu nome...

-meu nome é JaeJoong, mas você pode me chamar de Jae.

-hmm... *pensativa* e os outros caras que estavam com você ontem são...?*olhar inquisitivo*

-os outros eram o ChangMin, o JunSu, o Yunho e o Yoochun. Nós somos a banda coreana DBSK.

-ah tá... bem que eu tinha umas lembranças de varias musicas de um tal de DBSK... *apoiando o queixo na mão*

-ei! Como assim um tal de DBSK? Pois fique sabendo que somos famosos e cantamos bem tá... *nervoso*

-calma ai... desculpe se te ofendi tá. É que tudo é muito novo pra mim, então relaxa esse corpinho gostoso no banco e me conta como foi o tempo que eu passei aqui.

Rimos juntos e ele se preparou pra começar a contar, mas o meu celular tocou. Conferi no visor e vi que era meu colega. Atendi rapidamente.

-alô?

-Alice, onde você está? Acordei e você não estava no seu quarto.

-sai pra dá uma volta e tomar café da manhã. O carro já chegou?

-ainda não e você podia ter me acordado pra ir com você.

-pelo aviso na porta eu nem pensei em desobedecer. – e pensei comigo “ele é louco por acaso?” – então sai pra comer...

-mesmo assim, estou no seu quarto agora e não fiquei feliz ao ver que você não está aqui.

Daí foi a gota d’água.

-e posso saber quem te deu permissão pra entrar no meu quarto?

-bom, considerando que estamos juntos eu achei que não tinha nada demais.

-não estamos juntos coisa nenhuma. Somos colegas de trabalho, e quer saber? Vou desligar e daqui a pouco chego ai. Tchau. – e desliguei.

O Jae me olhava com uma cara confusa e imediatamente eu falei.

-ah Jae, você sabe que não precisa ficar tentando entender tudo que eu falo em português porque... – parei na hora de falar.

Pelo visto eu tinha começado a lembrar de algumas coisas sobre o Jae. Ele me olhava com uma cara mais alegre depois que falei isso.

-então você começou a se lembrar né? Que bom... vem, eu te levo de volta pro hotel e no caminho você me conta o que se passou durante essa ligação pra você ter quase gritado com quem estava do outro lado.

Saímos do parque e ao chegar ao lado de um lindo conversível eu não resisti a um pequeno assovio de admiração. O Jae riu dessa. Entramos no carro, continuamos a conversar e quando vi já estávamos na frente do hotel. Saímos do carro e fomos em direção aos elevadores.

Quando passávamos na frente de uma chocolataria dentro do hotel eu parei e franzi a testa.

-Jae, porque parece que eu adoro essa chocolate ria?

-porque você realmente adora vir aqui. É sua preferida e você e o... você vinha sempre aqui.

Percebi que ele parou no meio da frase e não continuou.

-eu e quem Jae? Quem vinha aqui comigo?

-hmm... e...

-fala logo Jae. *perigosa*

-você e o Yunho sempre vinham aqui.

-ah... – ia falar alguma coisa mas olhei pro relógio e lembrei que o carro já estava chegando. – nossa já está tarde. Preciso subir pra me trocar. Tchau Jae. *beijo*

Chamei o elevador e quando vi que o Jae continuava perto de mim eu perguntei.

-Jae você não tem nada pra fazer agora?

-tenho, mas passei tanto tempo sem te ver que mesmo que você não se lembre direito de mim eu estou feliz só por você estar aqui. *envergonhado*

-ah Jae. Pelo pouco que me lembro eu também sinto saudades.

Nos abraçamos e ficamos assim até que as portas do elevador se abriram. Dentro dele estavam os outros meninos da banda e cada uma me olhava perplexo. Ergui o queixo, entrei no elevador e eles permaneceram lá dentro.

-onde você estava Jae? Precisamos ensaiar e você fica de passeio por ai?

-Yun, eu fui tomar café e... no meio do caminho eu reconheci a Alice e começamos a conversar.

-ola novamente Alice. Não vai dar uma abraço em mim? – um dos caras perguntou. Olhei pra ele com cara de ponto de interrogação e não reagi.

O Jae vendo meu desconforto tratou de explicar.

-agora não Jun. Ela está atrasada para o trabalho, depois ela conversa com a gente.

E ficamos lá em um silencio meio tenso até que finalmente chegamos no meu andar. Dei um bom dia geral e sai quase correndo. Quando abri a porta do apartamento, respirei bem fundo.

Fiquei respirando fundo por um bom tempo.

***

Quando as portas do elevador se abriram e eu vi a Alice e o Jae abraçados imediatamente senti meu coração partindo; como ela conseguia passar tanto tempo sem dar noticias, não atendendo as ligações e na primeira oportunidade se agarrar com o Jae na frente de todo mundo?

Ela seria tão cruel assim?

Quando eles entraram, imediatamente descontei minha mágoa no Jae.

-onde você estava Jae? Precisamos ensaiar e você fica de passeio por ai?

Ele me deu uma resposta básica e eu tive que me manter calado. Então o Jun pediu um abraço e ela ficou olhando pra ele sem reagir. Alguma coisa estava muito errada. Quando ela saiu do elevador quase correndo e as portas tornaram a se fechar, todo mundo olhou pro Jae e perguntamos ao mesmo tempo.

-o que aconteceu?

-pessoal tenho duas noticias pra vocês. Uma boa e uma ruim, qual vai primeiro?

-a boa. – o JunSu falou primeiro. É o normal dele querer a boa noticia primeiro.

-então tá. A boa noticia é que a Alice está de volta ao Japão.

“Não diga! Esse tempo todo eu pensava que estava vendo uma gêmea dela” pensei ironicamente.

-a má noticia é que ela não lembra da gente.

-como assim?! *todo mundo gritando*

Nessa hora saímos do elevador e entramos no nosso apartamento. E todo mundo rodeou o Jae fazendo mil perguntas ao mesmo tempo.

-calma ai pessoal *levantando as mãos* deixa eu explicar. *sentando no sofá*. Quando ela foi para o Brasil ela sofreu um acidente muito grave e perdeu a memória. Até agora ela lembra de algumas coisas, mas não adianta pressionar. Então, o jeito é a gente se aproximar e tentar recomeçar uma amizade e talvez ela comece a se lembrar de algo. Pelo visto, ela esqueceu todo o tempo que esteve no Japão e algumas coisas da vida dela no Brasil.

As perguntas recomeçaram, mas eu só conseguia pensar em quão perto eu cheguei de perde-la para sempre e respirei bem fundo. Foi ai que percebi que todo mundo tava olhando pra mim.

-q foi? *cara desconfiada*

-ah Yun, nem adianta fazer essa cara porque todo aqui sabe que esse tempo todo que você ficava mal-humorado e calado de repente era porque você pensava nela.

-e o que vocês tem a ver com isso? – perguntei com hostilidade.

-calma ai... a gente só tá tentando imaginar como você deve tá se sentindo agora vendo que ela voltou, mas não lembra da gente; não precisa ficar nervoso. – o Min tentou acalmar os ânimos.

-eu estou bem.

Quando todo mundo me olhou com uma cara de quem diz “ah tá, conta outra” eu cedi.

-ok, não estou nada bem, e quando penso no quão perto cheguei de perdê-la quase que não consigo respirar. Satisfeitos?

-não precisa ficar assim Yunho. O único jeito mesmo é a gente tentar se aproximar dela de novo e torcer pra que ela se lembre da gente aos poucos.

-Mas acho bom a gente ir pra Avex logo senão chegaremos tarde. – o Yoo bancou o responsável e comentou isso com a gente.

Demoramos um pouco porque o Jae resolveu se arrumar mais um pouco, peguei as chaves e saímos todos do hotel. Quando entramos na sala de reuniões imediatamente senti aquele perfume que por tanto tempo ficou pairando á minha volta, escutei vozes num canto e vi a Alice conversando com o cara que estava com ela no aeroporto. Bom, de onde eu estava aquilo não parecia uma conversa, mas sim uma discussão e quando a Alice decidiu que a conversa tinha acabado e saiu vi o cara olhar pra ela de forma presunçosa.

Nesse momento senti alguém agarrar meu braço, virei e vi o Min me segurando e foi então que percebi que eu estava indo em direção ao cara provavelmente pra provocar uma briga. Respirei fundo pra me acalmar e o nosso empresário nos convidou pra sentar e iniciou a reunião; nos sentamos e percebi que a Alice e o outro cara sentaram-se ao lado do nosso empresário.

Pensei comigo: “ele não está pensando em...” e percebi que todos os rapazes estavam me olhando.

Notas finais
E então, o que será que acontecerá nessa reunião?

Até a próxima e não esqueça do review ^^