Notas iniciais
Oi, meus amores… 🤍 Antes de tudo: eu queria pedir que vocês lessem esse capítulo com carinho. “my tears ricochet” é sobre amor, culpa, dor e aquelas feridas que continuam existindo mesmo quando o sentimento ainda está ali. Esse é, sem dúvida, um dos capítulos mais emocionais que já escrevemos dessa história. Respirem fundo… porque Edward e Bella finalmente vão encarar tudo o que ficou destruído entre eles. E eu já aviso: talvez vocês precisem de um abraço no final. 🥹

🌙 Capítulo 20 — my tears ricochet

O silêncio no quarto de Bella não era vazio; era denso, carregado com o cheiro de antisséptico e a umidade que Edward trouxera consigo da chuva. Quando a porta se abriu, o som da madeira rangendo pareceu um trovão no isolamento de Bella. Ela estava sentada na cama, envolta em um moletom cinza três vezes maior que seu corpo, um moletom que, ela percebeu com uma pontada de agonia, ainda guardava o fantasma do perfume dele. Pálida, com o olhar perdido na penumbra e o rosto marcado pelo cansaço de quem esqueceu como era dormir sem sobressaltos, ela finalmente ergueu os olhos.

Edward estava parado na soleira. Ele não era mais o príncipe inalcançável da Forks High School, nem o piloto audaz do Volvo prateado. O que Bella viu foi apenas um garoto. Seus ombros estavam caídos, as mãos tremiam levemente ao longo do corpo e seus olhos verdes, antes vibrantes de confiança, estavam opacos e injetados. Bella parou de respirar por um segundo, sentindo aquela traição biológica do coração: mesmo sabendo de tudo, o pulso dela ainda acelerava por ele. E ela se odiou por isso.

— Você pode me mandar embora depois, Bella — a voz dele falhou, saindo como um sussurro quebrado que parecia arranhar sua garganta. — Mas, por favor... me deixa te contar tudo olhando para você. Eu não aguento mais o peso de não ser honesto com a única pessoa que me viu de verdade.

Edward deu um passo para dentro, mantendo uma distância segura, como se soubesse que era um invasor em solo sagrado. Ele começou a falar, e as palavras saíram como um expurgo. Ele contou sobre o corredor, sobre o ego inflado de quem achava que o mundo era um tabuleiro, sobre a aposta de Emmett McCartney e os malditos dois mil dólares que agora pareciam o preço da sua alma. Ele não se defendeu. Ele não usou palavras bonitas para mascarar a imaturidade.

— No começo, era uma meta. Era vaidade...Eu queria irritar o xerife Swan... — ele confessou, as lágrimas finalmente vencendo a barreira de seus cílios. — Mas durou tão pouco, Bella. Porque eu comecei a te olhar e o plano sumiu. Lembra do dia do frozen? Quando você saiu do banheiro sem o moletom, enfrentando os olhares de todo mundo... você parecia tão alheia ao próprio brilho. Naquele segundo, eu percebi que não estava mais jogando. Eu estava me afogando em você. Cada "eu te amo", cada toque, cada plano de futuro... nada daquilo tinha o cheiro daquele dinheiro. Era tudo meu. Era tudo nosso.

Bella escutava, o choro rompendo o represamento de dois meses. Ela soluçou, um som cru que fez Edward fechar os olhos de dor.

— Você fez eu me sentir especial pela primeira vez na vida, Edward — ela disse, a voz trêmula de mágoa. — Você me deu um mundo onde eu não era a garota esquisita filha do xerife. E agora... eu olho para trás e não sei mais o que era verdadeiro. Eu olho para as nossas memórias e vejo uma transação financeira. Como eu vou saber se você me beijava porque queria ou porque estava batendo o ponto?

Aquilo foi o golpe de misericórdia. Edward sentiu o ar escapar, a realização de que ele não tinha apenas quebrado o coração dela, ele tinha envenenado o passado dela.

Lentamente, ele enfiou a mão no bolso e retirou a pequena caixa de veludo. Bella congelou, os olhos fixos no objeto como se fosse uma granada. Edward não se ajoelhou. Ele apenas segurou a caixa com as pontas dos dedos, as mãos ainda trêmulas.

— Meu pai me deu isso hoje — ele disse, a voz baixa. — Eu contei para ele que queria passar o resto da minha vida com você. Que eu queria casar com você, não importa quanto tempo demorasse para eu merecer isso. Ele acreditou em mim.

Ele fez uma pausa longa, olhando para o diamante que brilhava fracamente na penumbra.

— Mas eu olhei para você agora... e percebi que perdi esse direito. Eu não posso te pedir nada. Eu só queria que você soubesse que, para mim, o "felizes para sempre" nunca foi parte da aposta. Foi a única coisa real que eu já desejei.

Do lado de fora, no corredor escuro, Charlie Swan estava encostado na parede, a poucos centímetros da porta entreaberta. Ele ouvira tudo. O xerife, que passara semanas planejando como manter Edward Cullen longe, sentiu a própria raiva ser substituída por uma melancolia pesada. Ele viu, através da fresta, a devastação no rosto do rapaz e a dor na voz da filha. Charlie percebeu que não havia vilões de cinema ali, apenas dois jovens que se amavam de forma desastrosa e profunda. Ele suspirou, guardando a mão que antes repousava sobre a arma, e afastou-se silenciosamente, deixando que o destino decidisse o que fazer com aqueles destroços.

Dentro do quarto, o silêncio voltou a reinar, mas não era mais o silêncio de um túmulo; era o silêncio de um campo de batalha após o cessar-fogo. Bella não disse "eu te perdoo". Ela não o abraçou. As feridas ainda estavam abertas, o gesso em sua perna era um lembrete físico da queda. Mas ela também não apontou para a porta.

Edward, exausto demais para se manter em pé, deslizou as costas pela parede e sentou-se no chão frio, ao lado da cama de Bella. Ela permaneceu nos lençóis, encolhida, deixando as lágrimas caírem sobre o tecido do moletom.

Ali ficaram os dois. Destruídos. Juntos, mas separados por um abismo de verdades ditas tarde demais. O amor ainda existia, pulsando teimoso no peito de ambos, mas agora parecia um fantasma sentado entre eles, observando os dois tentarem sobreviver aos próprios destroços sob a luz pálida de Forks.

O silêncio que se seguiu à confissão de Edward era tão denso que o som da chuva batendo contra o vidro da janela parecia ensurdecedor. Bella o observava ali, sentado no chão, despojado de toda a armadura de perfeição que os Cullen sempre ostentaram. Ele parecia menor, mais frágil, e a visão do seu herói transformado em cinzas despertou nela uma dor que não era mais raiva, mas uma saudade insuportável de quem eles eram antes do mundo desabar.

— Edward — ela chamou, a voz mal passando de um sussurro.

Ele ergueu o rosto, os olhos vermelhos e inchados encontrando os dela.

— Eu passei dois meses tentando te odiar — Bella continuou, as lágrimas voltando a escorrer livremente. — Eu tentei apagar cada toque, cada palavra, cada plano que fizemos. Mas eu não consigo. Eu me sinto uma idiota, me sinto pequena, mas eu te amo tanto que sinto que estou morrendo por dentro sem você. Só que eu não posso viver em uma mentira. Eu não posso ser uma aposta de dois mil dólares.

Edward levantou-se num movimento lento, aproximando-se da beira da cama como se pedisse permissão para existir no mesmo espaço que ela.

— Você nunca foi uma aposta, Bella. Você foi a minha salvação. Aquele dinheiro... eu o queimei. Literalmente, eu desisti da aposta quando percebi que te amava... Eu sei que quebrei a sua confiança, e sei que talvez leve o resto da vida para colar os pedaços, mas eu não vou a lugar nenhum. A menos que você me mande.

Bella olhou para o espaço vazio ao seu lado na cama, o lugar onde ele costumava se deitar e sussurrar promessas que agora pareciam cicatrizes. Ela hesitou por um segundo, o orgulho lutando contra a necessidade desesperada de calor.

— Deita aqui — ela disse, finalmente cedendo. — Só... deita comigo. Eu preciso sentir que você é real e não apenas essa sombra que me assombra.

Edward não esperou. Ele se acomodou ao lado dela com um cuidado infinito, evitando tocar na perna engessada, e a puxou para o seu peito. O encaixe foi imediato, como se as engrenagens do mundo finalmente voltassem a girar no ritmo certo. Bella escondeu o rosto no pescoço dele, inspirando o cheiro de chuva e pele que ela tanto sentira falta, enquanto soluçava contra sua camisa.

— Me perdoa, Bella. Por favor, me deixa tentar ser o homem que você merece — ele murmurou, beijando o topo da cabeça dela com uma reverência quase religiosa.

Ele se afastou apenas o suficiente para olhar nos olhos dela, segurando o seu rosto com as mãos trêmulas. O beijo que se seguiu não teve a urgência selvagem do motel, nem a leveza do baile; foi um beijo de reconciliação, salgado pelas lágrimas de ambos, carregado de uma promessa silenciosa de reconstrução. Era o selo de um pacto feito sobre destroços.

Edward então tateou o bolso e retirou a caixinha de veludo novamente. Com uma suavidade extrema, ele pegou a mão esquerda de Bella.

— Eu não estou te pedindo para casar comigo amanhã — ele disse, a voz agora firme, embora carregada de emoção. — Eu sei que temos a faculdade, que temos caminhos para trilhar e que eu tenho muito o que provar. Mas eu quero que você use isso. Não como um troféu, mas como um compromisso. Um compromisso de que, depois que tudo isso passar, depois que formos as pessoas que estamos destinados a ser... eu vou te levar ao altar. Nós vamos ter aquele apartamento em Seattle, os livros,animais de estimacao, filhos...vamos ter a vida que planejamos.

Ele deslizou o anel de diamante no dedo dela. O brilho da pedra parecia desafiar a penumbra do quarto.

— Isso é para te lembrar, todos os dias, que você é a única coisa verdadeira na minha vida. Eu te amo, Isabella Marie Swan. E eu vou passar cada segundo dos meus dias fazendo você esquecer o preço que um idiota um dia colocou em você.

Bella olhou para o anel, sentindo o peso da eternidade e o calor do corpo de Edward contra o seu. A ferida ainda estava lá, e a estrada para a cura seria longa e cheia de obstáculos, mas ali, naquele quarto pequeno sob o céu cinzento de Forks, o exílio havia terminado. Eles ainda estavam quebrados, mas agora, estavam quebrados juntos, prontos para colar cada pedaço com a cola da verdade e o fogo de um amor que nem a pior das traições fora capaz de apagar.

Notas finais
Eu não sei nem explicar o quanto esse capítulo doeu para escrever… 🤍 Porque no fim, o problema nunca foi a falta de amor entre Edward e Bella. O problema sempre foi que, às vezes, o amor sozinho não impede as pessoas de se machucarem. Mas… talvez seja justamente isso que torne eles tão humanos. Quero MUITO saber o que vocês sentiram lendo essa reconciliação. Vocês conseguiriam perdoar o Edward? 🥺 Comentem bastante, surtam comigo e não esqueçam de divulgar nossa fic! Nos vemos no próximo capítulo… e eu prometo: o coração de vocês ainda vai sofrer MUITO com esses dois. 🌙