Lembranças da Mulher de Cabelos Pretos e Ondulados
14 Uma lembrança um tanto amarga
Notas iniciais
Assim que me viro vejo o ônibus a se aproximar e dou sinal.
–Tchau, Alana. — me viro e falo sorrindo.
–Tchau. Pra vocês dois, viu?! — ela falou com um sorriso mafioso.
Subimos no ônibus e Beth se senta na última fileira de bancos e rapidamente conecta seu fone, me sento ao lado dela e com um longo suspiro conecto os meus fones também.
***
Fomos todo o caminho em silêncio e sem nem olharmos um para o outro.
"São raras as vezes que Beth fica assim... Orgulhosa e sem falar comigo por uma coisa que nem foi minha culpa. Uma outra vez que isso aconteceu pensei que ela iria terminar comigo."
•Flashback on•
Marcela (uma outra órfã la do nosso orfanato), havia nos chamado para ir ao shopping com ela, como ela era maior de idade podia levar qualquer um de nós para saídas informais, desde que previamente avisadas.
Fomos com ela e compramos livros e algumas miniaturas.
–Vamos lanchar alguma coisa? — Marcela perguntou arqueando uma sobrancelha. Chegando a ficar intimidadora, com seus quase dois metros de altura, olhos castanhos e a enorme cicatriz sobre a sobrancelha direita.
–Claro. — Beth responde em tom de entusiasmo.
Fomos em direção a praça de alimentação e uma mulher morena e de olhos verdes, extremamente bonita que provava óculos em uma loja me puxou suavemente pelo braço.
–Fico bonita com esse óculos? — ela me perguntou e logo em seguida fez uma expressão sexy.
–Sim. — falei rapidamente e logo me virei.
Ela tocou meu ombro e voltou a ne questionar.
–Por favor, me responda com seriedade... Fico provocante com esse óculos? — ela disse dessa vez jogando ainda mais charme.
–Super provocante... — falo totalmente hipnotizado.
Beth que estava atrás de mim solta um longo e alto suspiro e dá um tapa no rosto da mulher, que dá um pequeno gritinho.
–Vem Eduardo! — ela falou com total autoridade.
Fomos até a praça de alimentação, ela estava praticamente marchando e eu não consegui levantar minha cabeça.
Logo que chegamos na lanchonete, Marcela fez os pedidos.
–Vamos ao banheiro, Beth? -Marcela disse com uma expressão assustada.
–Claro, esse ambiente não me é muito agradável. — ela disse olhando pra mim com um ar assustador.
Ela ficou sem falar comigo e me encarando por três dias, até que a sua raiva se dissipasse, pelo menos um pouco.
–Ei!Temos de conversar, Eduardo. — ela disse entrando no meu quarto e logo que terminou a fase saiu. -Venha para o jardim.
–Ei?! Já era Edu. — George me disse com um ar preocupado.
Fui para o jardim onde ela me esperava sentada na grama úmida.
–Temos que conversar. — ela disse com a voz firme.
–Beth... Me desculpe por ter agido daquela forma... Realmente, fui um total idiota. — falei já em lágrimas.
Ela deu um pequeno sorrisinho e me abraçou.
–É claro que te perdoo, só não faça isso de novo...
–Claro que não faço... — falo secando as pequeninas lágrimas que escorriam pelas minhas bochechas.
Ela me dá um beijinho e começa a rir.
–Vamos entrar? — ela pergunta já levantando.
–Ah não... Vamos ficar aqui mais um pouco...
•Flashback off•
***
–Por que vieram juntos? Vocês não voltam sempre em horários diferentes? — Adelaide nos pergunta enquanto limpava uma estatueta africana.
–Um acidente... Entre uma carreta e um carro de passeio. — falei dando ombros.
–Ficamos lá um pouco vendo se a via ainda seria liberada... Mas até a hora que somos de lá... Nada. — Beth fala com uma expressão de decepção e tristeza.
–Tudo bem... — Adelaide fala semicerrando os olhos — Andem se lavar, e depois venham ficar um pouco com os pequenos... Será bom passarem mais tempo com eles.
Logo que ela termina de falar acenamos com a cabeça e saímos cada um para o seu quarto.
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