Notas iniciais
Tenha uma boa leitura :)

Assim que termino de comer, tomo um banho rápido e vou com Beth para o serviço.
–Fiquei super feliz com a reposta da Adelaide. — ela disse olhando para mim e como um sorriso sincero.
–Também... Só fiquei meio triste porque só podemos fazer a festa com dezoito. — eu falo entortando a boca.
–Mas eu faço aniversário nesse mês e você no próximo. É o tempo de organizarmos uma coisa fofinha. — ela diz sorrindo.
Eu a abraço e beijo sua testa. Dei sinal para o ônibus que virava a esquina. E entramos nele. Sentamos um pouco mais na frente.
–Estava pensando, podíamos fazer uma decoração com girassóis... E eu poderia usar uma coroa de flores, um vestido jeans. E você... Não sei, você vistiria uma calça jeans, uma camisa social e um all star vermelho, com um girassol no bolso da camisa. — ela falou com um olhar sonhador.
–Será perfeito... Mas não se empolgue tanto, talvez tenhamos de fazer uma coisa bem simples, afinal, temos de guardar dinheiro para viver depois que sairmos daquele lugar.
–Tudo bem, Edu... Sei que temos nossos limites monetários, mas podemos fazer uma linda festa gastando pouco. — ela fala pegando o celular.
Ela digita no Google: "Como fazer uma festa de noivado gastando pouco?". Entrou em um site cor de rosa.
–Está vendo? Sempre há uma solução para tudo.
O site listava coisas como:
Use flores do seu quintal;
Faça durante a tarde, assim não precisará de usar roupa de gala;
Faça um lanche simples, nada muito exagerado;
Faça em casa, assim evitará gastos desnecessários;
Chame apenas os mais íntimos;
Em hipótese alguma sirva bebida alcoólica, isso será caro e poderá trazer enormes desconfortos.
–Está vendo... Estamos indo super bem. Depois fazemos uma planilha e saberemos, quanto prescisamos. — ela me fala enquanto fecha a página na internet.
–Tudo bem... Você que manda...
A beijo e descemos do ônibus.

***
–Edu! — Margaret me cumprimenta acenando.
–Oi, Margaret! Como está? — falo indo em sua direção.
–Bem, vamos bater a meta hoje? — ela fala arqueando as sobrancelhas, mas de um modo brincalhão.
Vou para o meu computador, que fica bem no centro dos duzentos e cinquenta guichês telefônicos.

"Margaret é minha supervisora, mas não se limita a uma pessoa chata que cobra dos seus empregados produtividade. Ela assume um papel de tia, se preocupa comigo como se eu fosse de sua família."

–Senhora, gostaria de assinar um plano de internet de 25 megas de velocidade e tv por assinatura por pouquíssimos euros? — eu pergunto pelo telefone para uma mulher que parece ser de idade avançada.
–Mas que droga... Já disse não quero assinar nada. Pare de me ligar, caso contrário taco fogo nessa empresa. — ela fala gritando comigo.
–Tudo bem, obrigada senhora. Tenha um bom dia. — digo calmamente.
Isso é o que tenho que fazer todos os dias para ganhar uns míseros euros.

***
–Vamos, Ardo? — Patrick me chama.
–Vamos sim! Só desligar o computador e já saio. — falo desligando o computador.

"Patrick é um amigo de trabalho, me chama de Ardo porque acha que me sinto cansado com todos me chamando de Edu. As vezes vamos embora juntos."

Desligo o computador e vamos para o ponto de ônibus.
–Como estão as coisas com Beth? — ele pergunta casualmente.
–Bem. E falando nisso, esse ano noivamos, assim que completarmos dezoito anos. Você está convidado. — digo sorridente, talvez até demais.
–Quanto ânimo... Queria que as coisas tivesse sido assim comigo e com Pauline... — ele olha pensativo para mim e eu fico preocupado — Está tudo bem, afinal, um dia vou encontrar a minha Beth...
–Desde que não seja a minha... Tudo bem. — falo tentando o animar e consigo, ele ri fraco e logo em seguida da sinal para o ônibus que surgia no horizonte.
Fomos em silêncio total até nossos destinos.