–Eu odeio a Adelaide. — disse para Beth enquanto esperávamos o ônibus.
–Ninguém gosta dela. Mas você não pode fechar os punhos sempre que ela te ofender. Você sabe os problemas que isso pode te render.
–Eu sei, mas quem ela pensa que é? Eu sei que não devo me estressar com todas as besteiras que ela diz... Mas é impossível, mau lembro do rosto dela, mas não consigo ignorar a tristeza que lembro ter visto no olhar dela e muito menos como ela disse suas últimas palavras a mim. — digo pegando em suas mãos, olhando no profundo dos seus olhos.
–Imagino o quanto isso deve ser difícil para você. Afinal, se quer lembro dos meus pais. Morreram antes de eu aprender a falar "mamã, papa". — ela diz olhando para a pista e da sinal para o ônibus que pegamos para ir ao trabalho.
–Me desculpe... Eu devia se grato por lembrar de alguns momentos com ela. — disse enquanto ela subia no ônibus na minha frente.
Sentamos lado a lado nos bancos do fundo, mas ela fica olhando pela janela e me ignora ali do lado dela.
–Beth? Me desculpe... Nuca quis te magoar, nem te deixar mal. Me perdoa.
Ela virou para mim e me beijou.
–Não se culpe, somos vítimas do destino. Não escolhemos passar por isso. Todos sofremos igualmente, mas através de coisas diferentes.
Ela apoiou a cabeça no meu ombro e eu segurei a sua mão. E pouco tempo depois senti uma gota quente caindo no meu ombro.
–Beth? — eu disse levantando seu rosto do meu ombro. -Ei, pare de chorar, não estamos mais sozinhos. Temos um ao outro.
–Eu sei. Mas... — ela disse secando as lágrimas.
–Sem mais. Estou aqui, do seu lado para o que você precisar. Amamos um ao outro, temos o que precisamos.
–Sabe? Eu queria pular essa parte do orfanato e me casar com você. Viver com você para sempre... Só nos dois, para sempre. — ela disse com o olhar sonhador.
–Eu também. — eu disse com um pequeno sorriso, e beijei o topo da cabeça dela.

***
"Depois de seis horas trabalhando, vendendo planos de telefonia fixa, pelo telefone. Eu não poderia estar mais cansado. Todos os dias vou embora sozinho, porque Beth sempre é liberada mais cedo que eu."

Vou para casa no ônibus das 7:30pm. Quando chego no orfanato, tomo mais outro banho e vou para a "sala de refeições" (como chamamos a sala da mesona). Até que dê 8:30pm, hora que o jantar começa, ficamos liberados para conversar.