Lembranças da Mulher de Cabelos Pretos e Ondulados
15 Cuidados quase maternais
Notas iniciais
Tomo banho e visto uma bermuda jeans e uma camiseta cor de salmão. Vou para o jardim e vejo em um canto, quase escondidas, Beth e Nate. Beth com a cabeça deitada sobre as pernas de Nate, cobria o rosto com as mãos e Nate acariciava sua cabeça e falava algumas coisas, com um ar de tristeza, os ombros de Beth começaram a tremer com muita intensidade, e uma corrente de um líquido escuro escorria pelas suas mãos e pelo pescoço.
"Saia!" Nate gesticula com a boca enquanto arqueava as sobrancelhas.
Meus olhos se enchem de lágrimas e sinto uma enorme vontade de vomitar. Vou para o banheiro principal e assim que subo a tampa do sanitário começo a vomitar.
Vejo a carne seca do almoço, pedaços de pepino do sanduíche, banana passa que havia comido pela manhã e tantos outros alimentos que já estavam quase decompostos.
–Quem está aí? — o zelador pergunta e logo em seguida dá uns três tapinhas nas minhas costas. — Vamos lavar esse rosto. — ele disse dando descarga, assim que eu termino de vomitar.
Lavo meu rosto e vejo meu reflexo no espelho. A poucos minutos eu estava totalmente saudável, podendo até dizer que feliz, e agora pálido com os lábios sem cor.
–Você consegue ir até a sala da Adelaide? — ele me pergunta abrindo a porta, eu aceno com a cabeça.
Fomos até a sala da Adelaide, ele me sentou na mesma cadeira em que minha mãe havia se sentado há anos atrás. Pude sentir ela segurando minha mão e cantando para mim. Fecho meus olhos e logo em seguida sinto um corpo colado ao meu exalando um ótimo perfume e um calor quase que maternal.
Passo quase dois minutos assim e quando abro meus olhos, vejo Beth ao meu lado. Sua maquiagem toda borrada, suas pálpebras vermelhas e inchadas, e ela aparentava estar preocupada e mas tranquila e feliz. Eu beijo seus lábios e a desperto do seu transe.
–Obrigado, por ter ficar aqui comigo.
–Pensei que estivesse morrendo quando passou quase no colo do Paul, você estava sem cor alguma... Eu fiquei desesperada. — ela disse deixando mais algumas lágrimas escorrerem.
–Pensei que iria me abandonar quando te vi chorando no colo da Nate... Aí tive que sair correndo para vomitar, tudo que comi hoje... — falei tentado lhe dar alguma explicação
–Espero nunca ter que te abandonar... — ela fala com os olhos fechados, no meu ouvido e continuou a me abraçar.
***
–Eduardo, você esta se sentindo melhor? Paul me contou sobre todo o... Incidente. — Adelaide me perguntou se sentando sobre a sua cadeira com estofado marrom.
–Estou um pouco melhor... Mas ainda sinto dor na barriga e muita fraqueza... — falo enquanto acariciava a mão de Beth.
–Toda essa fraqueza desse estar acontecendo, por ter vomitado tudo que tinha comido. — ela fala com um ar sério e dando ombros.
–Posso cuidar dele até que se recupere... É claro, que se a senhora permitir... — Beth diz com um espasmo de alegria.
–Sim é claro, você está responsável por ele... Mas que fique claro, você não pode dar banho nele... Por mais absurdo que isso pareça, uma menina já tentou fazer isso... — ela diz com um pequeno sorriso.
–Tudo bem... Tenho permissão para lhe oferecer uma dieta diferente? — Beth lhe pergunta seriamente.
–É claro que sim. — Adelaide diz dando ombros.
–Então, vou levá-lo para o quarto. Você consegue andar até lá? — ela pergunta semicerrando os olhos.
–Acho que sim... — digo inseguro.
Ela me leva e me ajuda a deitar na cama.
–Vou fazer uma coisinha pra você comer, quer pedir alguma coisa em especial? — ela me pergunta já com a mão na maçaneta.
–Não, faça o que achar melhor. — digo ainda sentindo um pouco de dor.
–Você está bem? — ela pergunta levemente assustada e eu aceno a cabeça consentindo. -Qualquer coisa grite...
Ela sai e me deixa sozinho deitado na minha cama.
"Eu estou me sentindo muito mal, mas não quero e ao médico e acabar trocando a companhia de Beth, pela de uma enfermeira... É muito especial para mim, ver que ela se preocupa comigo e que faz questão de tirar proveito de situações como essa para demostrar isso."
Passado um pouco de tempo ela volta, já sem as manchas pretas em rosto, causadas pela maquiagem, e com um tigela vermelha.
Ela me ajuda a sentar na cama e me dá a papinha que havia feito para mim.
–Gostou? — ela perguntou depois de ter me dado toda a papinha.
–Claro! Nunca comi uma papinha caseira copo essa! O que tinha? — pergunto surpreso.
–Banana, pera, kiwi, laranja, mel e aveia... — ela disse enquanto contava nos dedos.
–Nunca pensei que essas frutas combinassem... — eu falo calmamente
–Vou me deitar um pouco... — ela disse com um pequeno bocejo.
–Por favor... Fique comigo, eu posso me sentar e você dormir no meu colo. — falei a olhando como um bebê.
–Tudo bem... Mas só um pouquinho. — ela disse fechando a porta.
Me sentei no canto da cama e ela deitou com sua cabeça sobre as minhas pernas. Eu fiquei acariciando sua cabeça até que ela adormeceu.
***
–Aí caramba! — George fala tampando a boca assim que entra no quarto.
–Fala baixo! Vai acordar ela. — falo sorrindo e um pouco irritado.
–O que vocês estavam fazendo? E por que você esta tão pálido? — ele pergunta tirando a mochila das costas.
–Eu passei mal hoje e ela está me fazendo companhia... E a Adelaide sabe. — falo tirando a expressão de pânico do rosto dele.
–Ah, vocês quase me mataram de susto. E a Adelaide está chamando para o jantar. — ele falou rindo e dando ombros.
Começo a rir e Beth começa a despertar. Ela abre os olhos vagarosamente e se assusta com George.
–O que você está fazendo aqui?
–Eu durmo nesse quarto... A pergunta na verdade é o que vocês dois faziam aqui dentro com a porta fechada. — George diz fazendo um pequeno suspense.
Beth pega uma almofada que estava ao seu lado e joga nele, que infelizmente pega. Ela se senta do meu lado e ajeita a roupa.
–Vamos jantar? — pergunto a ela que da um pequeno sorriso e logo em seguida acena com a cabeça. — Vá primeiro, tenho que trocar essa bermuda... Te encontro lá. — falo sacudindo a bermuda que ela babou e lhe dando um pequeno sorriso.
Ela sai do quarto e George começa a rir.
–O que foi isso cara? Ela dormiu aqui com a Adelaide sabendo?
–Tecnicamente sim... Adelaide sabia que ela estava aqui, autorizou ela a ficar aqui. Mas, não sabia o que estávamos fazendo. — falo dando ombros e semicerrando os olhos. -Tenho que trocar essa bermuda, licença.
–Vai lá! — George fala dando ombros e sorrindo.
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