Lembranças da Mulher de Cabelos Pretos e Ondulados
18 Beth meu grande amor
Notas iniciais
Fomos de ônibus para a sorveteria por volta das 2:45pm.
–Vocês preferem comprar uma torta de de sorvete, vários potes de sorvete ou receber dinheiro para comprar o sorvete que quiserem? — Adelaide pergunta assim que nos sentamos.
–Dinheiro! — dissemos todos, ou quase todos, juntos.
–Vocês têm certeza? — ela pergunta aparentemente triste.
–Sim! — nós gritamos com ainda mais euforia.
–Façam uma fila que lhes entrego. — ela fala ainda mais alto que nós.
Fizemos a fila e ela entregou quinze euros para cada um de nós, fora Beth que ganhou vinte euros.
Tomamos de muitos sabores e de jeitos diferentes.
–Devíamos ganhar por hora extra... Olha o tanto de criança! — uma atendente comentou com uma outra, que estava ao seu lado, despertando risos tímidos em todos que ouviram.
Assim que pago meu sorvete me sento ao lado de Beth, que comida tristemente seu sorvete.
–Isso aí não está bom? — pergunto arqueando minha sobrancelha direita.
–Oi? -ela fala assustada — Ah, está sim! Está uma delicia. — Ela fala sorrindo e logo em seguida da uma colherada no sorvete e lambe os lábios.
–Pode me falar, seja lá o que for, vou entender... — falo dando ombros.
–Estava pensando em como seria se meus pais ainda estivessem vivos, como seria comemorar meus aniversários como eles, se eles seriam liberais ou bem conservadores... — ela falou respirando a cada palavra e soltando algumas pequeninas lágrimas.
A abraço e ela respira profundamente com o nariz encostados no meu pescoço.
–Também penso nisso... Mas não quero te ver chorar. Nunca! — falo segurando a mão dela.
Ela me abraça de novo e da um enorme suspiro.
–Obrigada por ser você! — ela sussurra no meu ouvido.
"Beth tem muito apego aos seus pais, mesmo não tendo os visto nunca e mesmo falando que eles são como animais de estimação que morreram quando se é pequeno, só tem como saber que ele realmente existiram porque as pessoas contam e mostram fotos."
***
Voltamos para o orfanato por volta das quatro da tarde, todos alegres e eufóricos.
–Vou dormir um pouco... Até mais. — Beth fala com ar de tristeza.
Eu a abraço e sussurro no seu ouvido, que está tudo bem.
Ela vai em direção ao quarto de ombros baixos e arrastando os pés, aproveito e vou para o meu quarto dormir um pouco.
***
Acordo abraçado no meu travesseiro, porque sonhei com ela.
"Acho que o melhor sonho que já tive foi esse. Um dos poucos que me senti triste por ter acordado."
•Flashback on•
Estou em uma estação de trem esperando um trem, Beth está ao meu lado e grávida. Um trem chega fazendo um barulho imenso.
–Vamos! Você tem que superar essas coisas. — ela diz amimadamente.
–Claro! — falo fingindo interesse.
Ela segura minha não e entramos no trem.
–Tudo é exatamente igual a anos atrás, quando vim com a minha mãe! Olha aquele banco. — falo entusiasmado e apontando para o banco onde me sentei anos atrás.
Me sento no banco e Beth se senta ao meu lado e tira uma caixa de donuts da bolsa.
Comemos os Donuts silenciosamente, enquanto nos abraçávamos.
Descemos em uma estação exatamente igual a que estive com minha mãe, o quadro de avisos ainda é o mesmo, e organizado da mesma maneira.O banco em que nos sentamos anos atrás estava intacto, sem ninguém sentado sob ele.
–Caramba Edu! O bebê está nascendo! — ela falou apertando minha mão.
–Deite aqui, vou pedir ajuda. — a falo a deitando no banco. — Gente! Alguém ajuda, o bebê está nascendo! — grito e uma mulher de cabelos pretos e com alguns fios brancos se vira e começa a sorrir para mim.
–Eduardo?! — ela fala me abraçando.
–Mãe?! — falo chorando. — Essa é Beth, minha esposa. — falo apontando para Beth que estava respirando desesperadamente.
•Flashback off•
Fale com o autor