Lembranças
28 We
Notas iniciais
Anteriormente...
– Rick... – Ele pôs um dedo entre meus lábios me silenciando.
– Kate. – As mãos dele puxavam meu rosto para si. – Eu te amo. TE AMO!
– Eu te amo Rick. Para sempre vou amar você.
– Always.
– Always. – Nossos lábios agora formavam um só. Meu gosto se misturava ao sabor dele. Eu agora estava certa. Ele era quem eu esperava. Não há mais o que temer. Isso é amor.
Sorríamos com nossas testas coladas uma na outra. O Sol refletia nossa sombra como um coração no chão do telhado.
Desligamos do mundo até sermos interrompidos pelo sinal do fim do intervalo.
– Rick! – Assustei-me. – O sinal!
– Temos que ir. Rápido! – Ele me puxou pela mão já tirando o cadeado que tinha guardado no bolso.
Descemos os degraus de volta para o corredor na ponta do pé depois de fecharmos a porta do acesso ao telhado cuidadosamente. Nossas mãos dadas e tensas. Viramos para o segundo lance da escadaria. Não havia mais ninguém nos corredores. Todos os alunos já tinham entrado. Isso era arriscado.
– Senhor Rodgers e senhorita Beckett! – Com o susto paramos de repente com os ombros sobressaltados e respiração entrecortada. O pior e mais rígido inspetor dos corredores havia acabado de nos pegar. – O que os dois estão fazendo aqui no corredor após 5 minutos do sinal tocar? Já eram para estar na sala!
– Senhor Harris... Eu posso explicar... – Rick tentava nos tirar dessa. Meu coração parecia querer sair do meu peito.
– Oh claro que sim senhor Rodgers! Pode começar explicando o que o senhor e a senhorita faziam no último andar. – O último andar era apenas laboratório de química e jardinagem. Nem eu nem Rick pagávamos essas matérias. – Além de dizer por que há marcas de pó em seus joelhos. Vai me convencer que estava rezando no cimento? – Rick provavelmente se sujou quando ajoelhou para abrir o cadeado.
– Senhor Harris... É que ele estava tentando achar um anel que perdi. – Tentei amenizar.
– Senhorita Beckett, a senhora também quer dar explicações? Até agora APENAS o senhor Rodgers tinha permissão para se explicar. – Ele era intragável. Que homenzinho horroroso! Ser desprezível e mal amado!
– Caso seja permitido também senhor Harris, devo informá-lo que essa não é a melhor maneira de tratar uma dama. – Rick estufava o peito e encarava o inspetor com raiva.
– Rick! Calma! – Sussurrei enquanto eu o puxava pelo braço.
– Oh senhor Rodgers, não seja por isso, vamos dar a educação que você e a mocinha merecem. – O inspetor nos apontou com o dedo e uma expressão entojada. – Os dois já para a diretoria! Agora!
– Creio que não precisamos disso senhor Harris, eu realmente posso explicar o que aconteceu rapidamente e o senhor liberar nossa ida para sala. Estamos perdendo conteúdo. – Rick agora falava mais calmo tentando contornar a situação.
– O conteúdo não era a sua maior preocupação quando estavam por ai nos corredores. Vamos ver se para o diretor Miller essa sua historinha vai funcionar.
Caminhamos até a sala do diretor seguidos por aquele cão de guarda. Céus! Eu não poderia levar nenhuma espécie de advertência ou coisa do tipo. Se isso acontecesse meu sonho e o sonho dos meus pais para Stanford estaria arruinados. Essa era a pior hora para dizer isso para Rick. Mas eu me sufocava ao imaginar mil desgraças após o encontro com o diretor Miller. Minha aflição era visível.
– Kate, fica calma. – Eu balançava a perna e roía as unhas compulsivamente. – Prometo que vai ficar tudo bem. Eu estou aqui. – Ele, ao meu lado, apertava minha mão esquerda que descansava na minha perna.
– Rick... Eu preciso contar uma coisa.
– O que foi? Pode confiar em mim. Pode falar. – Ele estava calmo. Eu tentava respirar fundo.
– Rick, eu te amo... Mas existe uma coisa que me dá medo. Eu não quero que isso seja um motivo para você não acreditar no que sinto por você.
– Kate, você está me assustando.
– É sobre o que vai acontecer quando a gente terminar o high school. Rick eu pretendo ir para...
– Senhor Rodgers, senhorita Beckett... Podem entrar agora. – Mais uma vez interrompidos! Agora pela secretária. Rick me olhou perdido. Eu sinalizei para ele ter calma que depois continuaríamos a conversa.
Entramos na sala e o diretor pediu para sentarmos. Depois de ter conseguido a bolsa para entrar nessa escola, eu nunca mais havia entrado na diretoria.
– Então Richard? Mais uma vez não é mesmo? Saudades dos velhos tempos? – Olhei para o Rick sem entender nada. Mas logo me lembrei do pestinha que ele era antes de partir para o Texas. Revirei os olhos, suspirei e cerrei o cenho.
– Na verdade senhor Miller, dessa vez é diferente. Eu não estava fazendo nada arriscado ou que pusesse a reputação da escola em risco.
– Ok Richard. Você vai ter tempo de me explicar. Enquanto você Katherine? O que fazia acompanhada por esse jovem? Não que eu tenha alguma subjeção, mas acho que existem companhias melhores. – Meu Deus, Rick havia aprontado muito mais do que eu poderia imaginar.
– O Rick... Quero dizer, Richard, apenas tentou me ajudar a achar um anel que eu achei que tivesse perdido no terceiro andar.
– E em que horas perdeu esse tal anel Katherine? – Minha mente precisava pensar rápido.
– Eu fui procurar minha amiga Lanie Parish na aula de laboratório hoje pela manhã... – Se o horário da Lanie continuava o mesmo, essa mentira tinha cara de verdade. –... Mas o anel estava apertado e resolvi mudar de posição, mas acabou caindo e eu não consegui achá-lo. Richard encontrou comigo nos armários e disse que no intervalo me ajudaria a encontrar. É um anel que eu gosto muito. – Rick agora me lançava um olhar pasmado.
– Isso confere senhor Rodgers? – Ele encarava Rick com um olhar desconfiado.
– Certeza absoluta senhor! Tudo que ela disse é a verdade. – Percebi no olhar de Rick que ele engolia seco.
– Por isso se deve esses joelhos sujos suponho. Espero também que esses tipos de coisas não voltem a se repetir. Aqui prezamos a seriedade e compromisso dos nossos alunos. Por isso formamos os melhores para a América.
– Nós entendemos senhor Miller. – Falamos juntos. O diretor nos encarou com olhos de quem buscava entender.
– Senhorita Beckett, eu espero que saiba muito bem como escolher suas companhias. Já vi que uma de nossas aspirantes para direito em Stanford é você. Portanto saiba zelar seu último ano para uma resposta positiva da Califórnia. – Eu gelei. Estava quase paralisada. Isso não se devia ao aviso do diretor, mas sim ao que Rick expressava no olhar. – E senhor Rodgers, não caia na ilusão de que dinheiro paga tudo. É bom saber que com universidades as coisas não funcionam bem assim. Bom... Por hoje estão liberados. Podem voltar para... – Ele olhou para nossa grade de horários. – Bem... Ambos para Literatura na sala 102.
Levantamo-nos mudos. Rick não me olhava. Seu semblante encarava o chão por todo caminho em direção à sala acompanhados do chato senhor Harris.
– Rick. – Sussurrei perto dele. Ele me olhou por cima do ombro. Eu peguei delicadamente em seu braço. – Por favor...
– Depois Kate, depois. – Ele tinha um semblante magoado, uma aparência de alma ferida. Meu Deus, o que eu podia fazer?
Toda a aula assistida em silêncio. Toda a aula sem trocas de olhares, sem bilhetinhos, sem minutos contados para o fim. Todos os minutos da aula assistida segurando um choro eminente. Isso não era justo! Não era para ele ter descoberto dessa forma.
Ainda perambulei vazia, sem rumo em mais 3 aulas. Meu corpo poderia estar lá, mas minha mente e meu coração não. Assim que o sinal tocou anunciando o fim do dia eu disparei para o lado de fora na esperança de falar com Rick assim que o visse sair.
– Rick! – Ele não parava de andar rápido, então eu corri. – Rick! Espera Rick! Não faz assim, por favor! – Agora minhas forças eram inúteis. Lágrimas desciam pelo meu rosto. Minha voz embargava. Com minha última força gritei. – RICK! – Ele então parou virando-se para mim e se aproximando.
– Kate, eu não quero conversar agora. Eu estou confuso. Não entendo direito o que houve. O que foi que eu perdi? Eu confiava em você e esperava que você também confiasse em mim. – Ele se virou para caminhar novamente.
– Rick, eu te amo. Deixa-me explicar, não faz isso comigo. Não faz isso com a gente! – Meu rosto estava frio e molhado. As lágrimas desciam sem pudor algum.
– Kate, eu sempre vou te amar, mas não sei lidar com isso. Não sei lidar com seus segredos. Com segredos que afetam a nós. – Ele agora, ao olhar nos meus olhos, também deixava seu rosto molhar pelas lágrimas. – Eu preciso de um tempo.
– Rick... – Eu o chamava em soluços.
– Tchau Kate... – Ele baixou a cabeça, pôs as mãos no bolso e caminhou virando a esquina da rua.
Eu me vi parada no meio da rua limpando meu rosto e tentando respirar fundo. Eu não conseguia caminhar. Não sabia que rumo escolher. Eu fiz tudo errado. TUDO ERRADO! Meu Deus, o que foi que eu fiz? Uma dor atingia toda minha alma. O ar passava a me faltar. O Sol ainda me atingia, mas não era como no telhado. Não era! O Sol que me atingiu no telhado enquanto eu Rick trocávamos as certezas do nosso amor era confortável, era deslumbrante. Agora o Sol me cegava e me castigava. Nunca havia sentido tamanho desespero. Eu simplesmente não sabia o que fazer. Não sabia por onde começar, o que dizer ou aonde ir.
– Kate! – Lanie me abraçava. – O que houve girl? Porque você tá chorando aqui parada? Cadê o Rick?
– Ele foi embora Lanie, a gente brigou. – E com isso eu voltava a soluçar.
– Calma Kate. – Lanie tentava me acalmar com uma voz doce. – Vem comigo, vamos para minha casa hoje ok?
Caminhamos poucas quadras até seu prédio. Aquele não seria um fim de tarde como tantos outros quaisquer.
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