Lembranças

61 She will not return


Notas iniciais
Florzinha e cravinhos. Espero que tenham tido um bom Natal. Esperava vir aqui antes da dia 25, mas não deu. :/ Meus amores, informo que o capítulo a seguir é o capítulo MAIS DIFÍCIL que já escrevi. Amorecos, sei que muitas irão mandar "brothers" atrás de mim, muitas irão me matar enquanto durmo, outras irão fazer greve de comentários, mas meus amores, não escapem desse capítulo, por favor! Ele deu tanto trabalho e eu ficaria muito decepcionada caso ninguém lesse. Nunca pus tanto sentimento entre linhas. Foi muito sofrido escrever cada palavra. Mas acho que no final consegui demonstrar tudo aquilo que eu queria. Aos corações aflitos ou moles a Natalia adverte: -NÃO LEIA, AGORA, SE ESTIVER NA TPM -NÃO LEIA SE ESTIVER NA RUA OU EM LOCAL QUE VOCÊ PASSE VERGONHA POR CHORAR -NÃO LEIA CASO ESTEJA SOFRIDA E ACHA QUE NÃO VAI SEGURAR A BARRA -NÃO LEIA SE SOFRER DE PROBLEMAS CARDÍACOS. -SIM, O CAPÍTULO ESTÁ GIGANTE. Aos demais, CORAGEM IRMÃS E IRMÃOS! A hora chegou... Boa leitura...

Feliz Natal! E põe feliz nisso! Foi tudo tão perfeito! Tirando a parte da minha mãe cerrando o cenho toda vez que a mãe do Rick dava palpite sobre a ceia. Também quero pular a parte do meu pai me vigiando como um segurança. Credo! A sorte é que depois da ceia ele ficou mais preocupado com o vinho e esqueceu-se de mim pelo resto da noite, assim eu e Rick pudemos ficar mais a vontade. Foi uma noite de paz e amor e eu fiquei muito feliz por viver aquele momento.

O Natal acabou e logo veio o Ano Novo. Como retribuição a cerimônia de Natal, Martha nos convidou para passar o réveillon com toda pompa na sua casa em Hamptons. Foi engraçado eu ter que encenar a surpresa ao ver o casarão, como se eu nunca tivesse pisado por lá antes. Rick, para me provocar, ainda sugeria brincadeiras indecentes entre um corredor e outro, prejudicando ainda mais minha “atuação”. Sorte a minha e do Rick porque a casa era grande o suficiente para que minha presença fosse esquecida pelos meus pais por alguns minutos.

Champanhe, fogos e muitos beijos e abraços trocados durante a virada. Papai quis visivelmente dar um ataque pelo beijo que eu e o Rick demos logo que os fogos começaram a estourar. Se não fosse pela mamãe que o distraiu imitando o meu ato com o Rick, a festa teria outro resultado. Porém mal havia passado da meia-noite e Rick fechou o semblante. Pus-me a observar o mesmo ponto que ele encarava, Martha estava iniciando uma investida bem sucedida com o um senhor com pinta de alta classe que segurava um copo de uísque no jardim vizinho. Rick não suportava aquilo. Era muito óbvio imaginar o porquê. Depois de muitas tentativas frustradas, consegui distraí-lo o trazendo para perto da lareira e sugerindo novos planos para o ano que se iniciava.

No segundo dia do ano lá estávamos nós de volta para o nosso dia-a-dia em Manhattan. Os dias se passavam com passeios encasacados para cafeterias, tardes na biblioteca, brigas de bola de neve, pausas frequentes embaixo do meu edredom, do edredom dele. Tudo estava tão perfeito.

Mamãe e papai decidiram marcar um jantar. Eles reclamaram que eu não parava mais em casa depois que voltei com o Rick e só faltaram implorar que eu desse a eles um pouco do meu tempo. Como se isso fosse algo impossível e chato para mim. Eu amo passar um tempo com meus pais, eu só tenho andado um pouco distraída com um carinha de olhos azuis que eu conheci.

Papai com todo bom gosto escolheu o restaurante. Mamãe havia ficado presa no trabalho devido a um processo no qual havia se engajando há muitos meses. Combinamos então de se encontrarmos no restaurante, assim não perderíamos a reserva.

–Minha princesa! – Papai disse a me ver sair pela porta do quarto. – Você está linda! Sua mãe vai adorar ao te ver.

– Obrigada pai! O senhor também está arrasando. Dona Johanna vai se apaixonar mais uma vez. – Falei sorrindo e ele correspondeu.

Saímos sorridentes em busca da reserva. A mesa que ficamos era perfeita! De lá avistávamos as luzes de Natal de boa parte do parque. Pedi um suco e papai uma taça de vinho para aguardarmos a mamãe. Papai e eu ficamos conversando sobre a minha faculdade de direito e ele ficou relembrando de quando era um estudante como eu.

– Pai, não é bem assim... Hoje em dia a gente pode optar por...

– Hoje em dia?! Tá me chamando de velho, garotinha? – Ele perguntou encenando irritabilidade, mas não segurou o riso. Acabamos gargalhando juntos.

– Pai... É melhor a gente ligar pra mamãe... Ela já devia ter chegado.

– É verdade Katie... Vou dar um toque para o escritório, saber se ela já saiu. – Papai iniciou a ligação e logo deu para perceber pelo sorriso que mamãe já havia saído e deveria estar a caminho.

– E ai? – Perguntei curiosa.

– Ela já está vindo. A secretária disse que ela saiu faz uns 5 minutos. Ainda temos que esperar um pouco.

– Tudo bem... Espero que o trânsito ajude... Eu estou morrendo de fome! – Sussurrei a última frase e papai sorriu.

Conversamos por mais algumas horas diversos assuntos sobre a vida em geral. Já iniciava meus primeiros bocejos e papai sugeriu pedir um aperitivo, o qual eu o devorei como se fosse um prato principal. Mamãe me mataria de fome, ou melhor, o trânsito de Nova York me mataria de fome...

– Poxa, acho que algo muito sério deve ter acontecido no trânsito Katie... Sua mãe não trabalha tão longe daqui. Ela já deveria ter chegado.

– Também acho. Será que houve algum acidente ou o metrô parou, sei lá?

– Eu vou perguntar ao garçom se ele sabe de algo... – Papai chamou ao garçom e indagou ao mesmo sobre acidentes de trânsito e últimos noticiários. O garçom franzino balançou a cabeça negativamente a cada pergunta que papai o fazia. – Obrigado.

– Nada? – Indaguei assustada.

– Ele não ouviu nada nos noticiários Katie. Deve ter havido algum outro imprevisto. Sua mãe pode ter encontrado com algum amigo dela e o mesmo pode estar a prendendo com perguntas infindáveis sobre a profissão.

– É... Faz sentido. – Dei de ombros.

– Vamos esperar mais meia hora, se ela não aparecer nós pedimos algo para viagem e a encontramos em casa ok?

– Ok.

Mais uma hora se passou e nada da mamãe cruzar a porta daquele restaurante.

– Pai...

– Sim?

– Faz duas horas...

– Ok. –Ele suspirou. – Vamos! Vai pedir o que para viagem?

– Pai, eu não quero nada... Vamos embora?

– Katie, precisamos comer. Você não estava morrendo de fome?

– Sim, mas não consigo comer se eu não sei onde a mamãe foi parar! – Papai suspirou profundamente.

– Ok. Eu também não estou muito a fim de comer. Vamos embora, aposto que sua mãe vai fazer algo gostoso para comer quando chegarmos a casa.

– Também. – Sorri minimamente.

Papai pagou a conta e entramos no carro. Seguimos pelo mesmo roteiro que imaginaríamos que ela faria caso saísse do trabalho e fosse para casa, mas não achamos nem sinal do carro dela ou da mamãe em si. Meu coração começava a apertar. O que pode ter acontecido? Sinto papai pisar mais fundo no acelerador. Ao chegarmos em casa, da esquina avistamos um carro de policia parado na entrada do prédio. Mal adentramos no saguão de entrada quando vimos dois policiais conversando com o porteiro. Senti papai apertar minha mão mais forte. Será que se tratava de algum assalto? Por isso mamãe não apareceu? Podem ter roubado o carro dela... Papai manda-me apertar o botão do elevador, mas enquanto me dirijo ao mesmo, ouço a voz de um homem chamar nosso sobrenome.

– Senhor Beckett? – Um arrepio percorre todo meu corpo e sinto papai tencionar os ombros enquanto vira o corpo em direção ao homem uniformizado que o chamou.

– Sim. Em que posso ajudá-lo?

– Sou o detetive Raglan. – O policial falou e estendeu a mão para meu pai o cumprimentando. – Podemos falar por um minuto?

– Tudo bem... Aconteceu algo?

– Melhor falarmos em particular. – O detetive falou sugerindo que eu me retirasse.

– Se pensa que vou a algum lugar, está completamente enganado! Ou o senhor diz aqui na minha frente ou nada feito. De uma maneira ou de outra irei ficar sabendo do ocorrido.

– Senhorita... – O policial tentou mais uma vez, porém foi interrompido pelo meu pai.

– Detetive, vamos evitar prolongar essa conversa... O que de fato está acontecendo aqui? – Papai utilizou o tom de ordem e o detetive o obedeceu.

– Sua esposa... – O detetive pausou. – a senhora Johanna Beckett...

– DIGA LOGO DE UMA VEZ! – Papai berrou.

– Ela foi encontrada morta.

– O Quê?!

– Senhor Beckett, sua esposa foi encontrada morta há poucas horas. Estamos investigando o caso...

– Eu... Eu... – Papai não conseguia pronunciar mais nenhuma palavra.

– Isso só pode ser uma brincadeira... ONDE ESTÁ MINHA MÃE?

– Senhorita Beckett, eu sinto muito. Sua mãe não irá voltar para casa.

– Não pode ser... Não pode ser... Ela ia encontrar a gente agora. AGORA! Entendeu?

– Eu entendi senhorita, só é preciso que a senhorita entenda que a sua mãe faleceu. Eu sinto muito.

– Mas... Mas... Ela... Ela vai chegar... – As lágrimas não tinham mais como serem evitadas. – Ela vai chegar... Onde ela está?... Por favor...

– Katie... Se acalme... – Ouvi papai sussurrar como um sopro de voz.

– Eu quero saber onde ela esta... O que aconteceu?... – Eu estava aos prantos.

– Katie... – Papai me puxou para o seu peito e me apertou de encontro a ele num abraço desesperador.

– Precisamos conversar senhor Beckett. – O detetive o informou.

– Ok, espere um instante e já irei. – Papai o pediu e voltou-se para mim sussurrando. – Escute querida, eu preciso muito de você agora tudo bem? – Afirmei timidamente com a cabeça. Papai dobrou os lábios em agradecimento e se desfez do abraço pondo-se a caminhar em direção ao policial, porém ainda me envolvia pousando a mão em meu ombro.

Em silêncio, dentro do carro policial, seguimos até a delegacia. O detetive nos pôs numa sala, sentados em um sofá. Ele até nos ofereceu água, mas eu não conseguia mais engolir nem minha própria saliva. As lágrimas secaram, mas meu estado era de choque. Eu estava com muito medo do que iria ser dito. Tinha medo que aquilo não fosse como um pesadelo em que minha mãe me acordaria com um abraço assim que eu acordasse. Papai apenas encara a porta. Ele não diz nada. Está em completo silêncio. Ele foi ao necrotério há minutos atrás, só me disse para ser forte e desde então ficou em silêncio. Eu não sei o que dizer para ajudá-lo, nem sei se posso ajudá-lo. Ainda acho que há algum engano. Eu ainda estou esperando minha mãe nos encontrar. Só pode ser um terrível engano! Ora! Será que não pode haver alguém parecido com minha mãe aqui em Manhattan?... Mas se assim fosse, não teriam dado seu nome... Deus! Eu não quero aceitar! Isso não pode estar acontecendo? Como ninguém pôde a salvar? Será que foi um assalto? Talvez por culpa da câmara nova que ela e papai compraram há pouco tempo... Ela pode ter reagido e ai... Mas... Porque não falaram em assalto? EU QUERO SABER ONDE ELA ESTAVA? Estava? Deus! Eu não quero falar no passado, eu não quero! Ela vai voltar. ELA TEM QUE VOLTAR!

– Senhor Beckett... Senhorita... – Papai sentou-se mais na ponta do sofá e observava atentamente cada movimento do detetive. – Podemos conversar agora. Vou esclarecer alguns fatos e peço a ajuda de vocês para identificar outros fatores. Senhor Beckett, a sua esposa foi encontrada em um beco, em Washington Heights... Ela foi esfaqueada.

– Esfaqueada? – Perguntei novamente enquanto as lágrimas voltavam a brotar.

– Sim senhorita. – O detetive afirmou.

– Em Washington Heights? O que ela fazia lá? – Perguntei. – Ela deveria ter saído do trabalho e ir direto nos encontrar no restaurante.

– Isso tudo por um assalto suponho... Céus! – Papai passou as mãos pelo rosto apertando a si mesmo.

– Senhor Beckett, estamos trabalhando com muitas possibilidades investigativas, mas posso afirmar que não foi assalto. As características não são de latrocínio. Os pertences de sua esposa estão aqui na delegacia. Tudo está intacto.

– Não foi um assalto? E o que... O que foi então? – Papai perguntou exalando nervosismo.

– Pela configuração do assassinato e a forma como sua esposa foi encontrada, parece muito com assassinatos praticados pelas gangues daquela região. Sua esposa trabalhava em quê? Sabe de algum motivo que a tenha levado para aquela região em um fim de tarde?

– Minha mulher não era nenhuma pessoa envolvida em más companhias. Isso é um absurdo! Ela... Ela era advogada e também trabalhava em projetos onde ajudava pessoas que não tinha dinheiro suficiente para pagar pela sua defesa. Johanna sempre teve um bom coração, porém sempre foi teimosa, forte e batalhadora. Para ela a verdade podia vencer tudo. Absolutamente TUDO! E olha onde ela foi parar... Ela não merecia nada disso. Nós não merecíamos nada disso. Ela apenas ajudava as pessoas menos afortunadas e era isso que ela andava fazendo por Washington Heights.

– Senhor Beckett...

– Detetive, eu não sei o que pode ter acontecido, mas, por favor, vocês precisam achar o culpado. Vocês precisam! – Implorei.

– Senhorita, esse é o nosso trabalho. Iremos chegar a uma conclusão. Não se preocupe... Senhor Beckett, havia algum caso em que sua esposa trabalhava atualmente no qual ela indicava sofrer algum tipo de ameaça? – Papai pensou por um instante e como se fosse um susto ele detalhou para o policial.

– Tinha um caso... Ela se afastou por um tempo quando eu a pedi. Ela andava realizando um projeto e reabrindo antigos casos para achar os condenados injustamente e praticando a justiça. Tudo estava indo bem até ela entrar em um caso específico. Ela havia sofrendo, desde então, ameaças constantes.

– Que tipos de ameaças? – O detetive questionou.

– Cartas anônimas, ligação de madrugada... Isso o que eu pude presenciar. – Eu estava chocada. Não creio que aquela conversa que escutei, há certo tempo atrás, levou minha mãe embora da minha vida. Ela havia prometido que ficaria comigo, que não me deixaria... – Da última vez, cerca de 5 ou 6 meses atrás, ela chegou em casa diferente, nervosa. Conversei com ela e ela disse ter sido ameaçada presencialmente por um sujeito a mando de um chefe de gangue enquanto saia do escritório do projeto. Desde então ela desistiu do escritório naquela região e abriu outro aqui mesmo em Manhattan. Ela ficou trabalhando no caso à parte, de forma individual. Havia apenas uma pequena equipe que lhe dava suporte de vez em quando. Porém, mesmo tendo fechado o escritório, as ameaças continuaram, então há 3 meses atrás ela me garantiu que iria dar mais atenção a nossa família, que iria arquivar esse caso e só voltaria a lidar com ele quando tudo tivesse acalmado... Mas eu deveria ter imaginado... Eu deveria ter percebido...

– Pai...

– Eu deveria ter lido nas entrelinhas, me inteirado sobre esse caso em seus mínimos detalhes. Meu Deus! Eu a conhecia como a palma da minha mão e não percebi ela se distanciar aos poucos... Porque ela fez isso? Porque escondeu de mim?

– Pai, não diga isso, por favor... – Ele então olhou para mim.

– Sou um idiota que deixei o amor da minha vida, minha esposa, a mãe da minha filha escapar bem em frente aos meus olhos!

– Senhor Beckett, sei que é difícil, mas isso significa que ela voltou a trabalhar no caso mesmo sem o seu conhecimento?

– Sim! Sim... Eu tenho certeza que ela voltou a trabalhar no caso.

– Senhor Beckett, o senhor poderia citar nomes?

– Eu não sei, não sei os detalhes do caso que ela investigava.

– Tudo bem senhor Beckett. Agradeço as informações. Serão de grande valia para a investigação.

– Quando podemos tê-la? Precisamos nos despedir decentemente. – Papai pediu referindo-se ao corpo da minha mãe.

– Em poucas horas. Nosso médico legista está realizando os últimos procedimentos. – O detetive se levantou da poltrona e informou. – Eu entrarei em contato com vocês para maiores informações. Estejam atentos a qualquer detalhe. Informo que os pertences da senhora Johanna estão a salvos. – Ele entregou uma prancheta ao meu pai. – Apenas preencha esses dados e estão liberados.

– Mas... Mas... Não há mais nada? Não há nada além dessas informações que meu pai lhe passou? Vocês não acharam nada? Só nos dizem que ela está morta, que foi esfaqueada e é só isso? Como posso acreditar que isso aqui é realmente um trabalho sério? Que estão levando a sério o caso da minha mãe?

– Senhorita, é preciso confiar no nosso trabalho. Nós sabemos o que estamos fazendo. Não ache que o caso da sua mãe não está sendo levado a sério. É levado a sério como qualquer caso que investigamos nesse precinto.

– Qualquer caso?!

– Escute senhorita Beckett, entendo que está em sofrimento, mas isso não é motivo para duvidar do trabalho da policia nem sequer ficar usando da ironia. Isso não vai levá-la a nada... Eu os deixarei a sós. Apenas pegue meu cartão. – O tal detetive retirou o cartão do bolso do sobretudo e estendeu ao meu pai. Papai com as mãos tremulando, agarrou o cartão. Ele agora que derrubava as primeiras lágrimas. – Ligue-me se souber ou lembrar-se de algo a mais.

O policial deu as costas fechando a porta daquela sala fria. Papai encostou a prancheta e o cartão em cima de uma mesa de centro em frente ao sofá em que estávamos sentados. Ele encarou os próprios pés por um segundo antes de suspirar e olhar para mim. Em silêncio e sentindo uma dor devastadora no meu peito eu o abracei com toda a força que eu podia. Senti então sua respiração ficar descompassada e gotas gélidas caírem em meu ombro. Papai desabou. Ali, naquele momento, ele se tornava frágil. O homem que sempre imaginei ser o mais forte de todos. Aquele que era o meu herói, estava ali, aninhado no meu abraço como se eu fosse o único porto seguro dele naquele momento. Estávamos um segurando no outro como se não houvesse nenhuma alternativa. Como se o chão embaixo dos nossos pés não existissem mais. Ouvia meu pai soluçar de uma forma que nunca imaginei. Eu também chorava, mas agora era um choro diferente. Era um choro de dor e não de desespero. Doía tanto, tanto! Doía não poder rever minha mãe nunca mais, doía por querer abraça-la e a ouvir dizer que tudo vai passar, doía por ver meu pai naquela situação. “Ela se foi, ela se foi, ela se foi” eu teimava em dizer a mim mesma. Eu me obrigava a cair a ficha. Eu a amo tanto, ainda tinha tantas coisas para contar, tantos abraços para dar. Tanta coisa que ainda vou viver sem poder ter ela ao meu lado. O culpado tem que pagar! ELE TEM QUE PAGAR! Meu Deus, por favor, me ajude! Papai aos poucos diminuía o soluço enquanto eu apenas o abraçava e tentava organizar meus pensamentos. Organizar o quê? Meu mundo virou pelo avesso. Não há o que organizar. Não há mais razão de nada.

– Papai... Por favor... Fique bem... Eu estou aqui com você. Fique aqui comigo também. – O pedi carinhosamente. Céus! Se ele cair, eu não vou conseguir ficar em pé por muito tempo.

– Perdão minha filha, perdão...

– Vai ficar tudo bem papai. Vai ficar tudo bem. – Ele então soltou-se do longo abraço. Pegou a prancheta de volta e pediu para que eu preenchesse os dados necessários.

– Vou ao banheiro, vou beber água... Em segundos estou de volta. Eu prometo.

– Pai...

– Você é muito forte Katie. É e sempre será como sua mãe. E eu te amo muito.

– Também te amo pai. – Ele sorriu minimamente enquanto saiu pela porta. Deixei algumas lágrimas caírem em silêncio enquanto preenchia aquela maldita ficha. Papai realmente não demorou e logo estava de volta. Demos as mãos, caminhamos até o setor de pertences, entregamos a papelada e pegamos os objetos da minha mãe. Como dói Deus!

Uma patrulha nos leva de volta ao nosso apartamento. Entramos em silêncio. Dirigi-me até a sala e fiquei encarando os porta-retratos com sorrisos infinitos da minha mãe. Desabei no sofá sem forças e chorei como se não houvesse amanhã. Não percebi papai indo para o quarto. Também não percebi ele abraçar a garrafa de uísque antes de fechar a porta. Bati na porta diversas vezes enquanto ouvi seus urros de choro e pude distinguir sons de coisas sendo jogadas ao chão. Eu estava tão desesperada. Eu não posso suportar tudo isso sozinha. Sozinha não!

– PAI! PAI ABRE A PORTA! NÃO ME DEIXA SOZINHA, POR FAVOR! – Eu chorava desesperadamente. Ele não me dava nenhuma resposta. Corri para meu quarto, me escondi dentro do closet e me abracei com o travesseiro. Onde estava minha mãe para me achar aqui escondida e dizer que tudo vai ficar bem e que ela não vai a lugar nenhum? CADÊ?

Acabei adormecendo ali dentro do closet. Encolhida como um feto. Escondendo-me da dor invisível. Acordei com o telefone tocando. Eu não tinha a menor intenção de atender, mas eu precisava. Papai não parecia ter saído do quarto ainda. Céus!

– Alô... – Disse rouca e sem força.

– Kate! Kate está tudo bem? – Eu voltei a chorar ao ouvir a voz do Rick. – Amor, o que está acontecendo? O que houve?

– Rick...

– Você está chorando? Kate, eu te ligo desde ontem...

– Minha mãe... Rick... Minha mãe morreu.

– Kate... – Ele chamou-me delicadamente. – Eu... Eu... Eu estou indo para ai agora...

– Não Rick!

– Como não?

– Eu quero ficar sozinha...

– Kate, você precisa de companhia, você precisa ser cuidada. Deixa-me cuidar de você...

– Rick...

– Eu não vou desistir.

– Você nunca desiste...

– Deixa a porta aberta...

Ele desligou a ligação. Eu não sei, mas não me importava como deveria estar minha aparência naquele momento. Eu pouco ligava. Voltei a bater na porta do quarto dos meus pais, o silêncio reinava. Papai não respondia de jeito algum. Apenas o som do seu ronco era escutado ao colar meu ouvido na porta. Ele deve ter bebido toda a garrafa. Céus, diga que foi só hoje!

Sento-me no sofá e abraço minhas próprias pernas.

Morta, minha mãe está morta...

– Kate. – A voz do Rick sussurra atrás do sofá. Ponho-me a olhar para ele. Ele então se senta ao meu lado e me abraça. No colo dele eu desabo. O fundo do meu ser passa a produzir um choro que ainda estava preso. Rick chora junto comigo. Ele sussurra o tempo todo que vai ficar tudo bem. Que eu vou ficar bem, que ele vai estar aqui comigo. – Eu estou aqui Kate, vai ficar tudo bem. Shiiiu. – Ele me ninava em seus braços. Tudo que eu queria era desaparecer.

Notas finais
Vivos? Ainda teremos lágrimas para chorar? Chorei escrevendo esse capítulo gente. Juro! Meninas, não me matem! Por favor! Mas é que eu sempre imaginei como seria ver essa cena em Castle e então decidi escrever. Amores não se esqueçam que depois da tempestade sempre vem a calmaria. Continuemos nossa jornada na fic Lembranças e serão bem recompensadas. Prometo! E promessa é dívida! Florzinhas e cravinhos, por favor, comentem. Eu deixo vcs me ameaçarem e me xingarem, mas comentem ok? E não se esqueçam, apesar dos pesares, vcs sempre serão meus amorecos.