Lekitum - O livro Sagrado
2 Prólogo - Ato 2
Da união do amor entre a feiticeira e o dragão, nasceram os dois seres mais poderosos de todo o planeta Zankos. Os draconianos. Uma menina e um menino de olhos turquesas, carregavam consigo a junção da sabedoria e poderes dos bruxos com a força e perspicácia dos dragões.
O draconiano, nascera com cor rosada e rosto afinado com o da mãe, o corpo robusto carregava algumas das escamas amareladas e cauda média que descendeu do pai. A viçosa draconiana bebê nascera com abundante cabelos azuis, sua pele cor purpura, as escamas amareladas se destacavam e assim como o irmão, ainda não tinha cifres. Nas costas de ambos os bebês draconianos, já apontavam pares de asas prateadas.
Preocupados, os feiticeiros separam a terna bruxa e o dragão. Aprisionaram Droz, que se revoltou, queria a todo custo ficar perto de Anizia e seus bebês que acabara de nascer. Uma simples jaula não deteve a força de um dragão enfurecido pela paixão. Retruz, o rei dos feiticerios juntamente com os anciões, tomaram uma decisão drástica; passaram o pó da pedra clara em volta da jaula de ferro e jogaram Zinkos. Droz ficou acuado no meio da jaula em chamas.
Os dragões acharam desnecessário aquela decisão de manter um dos seus, presos como se fosse um mostro. A discórdia entre feiticeiros e dragões nascera ali, e aumentou no dia seguinte quando encontraram Droz morto. Seu resistente corpo não suportou aos ferimentos que sofreu ao lançar seu corpo contra as grades em chamas na tentativa de se libertar e encontrar sua amada e seus filhos.
Anizia e os bebês draconianos, ficaram na quinta ilha. A ilha de kedron, morada dos bruxos guerreiros.
Quando soube da noticia da morte de Droz, a feiticeira de desesperou, deixou seus draconianos com a esposa de um feiticeiro- guerreiro, já que os feiticeiros se encontravam na ilha Trions, estavam todos apostos caso houvesse uma rebelião dos dragões, que também não se conformavam com a morte de Droz.
Apressada, Anizia foi até os fundos onde ficavam os armamentos. Pegou a maior e mais afiada espada que encontrou.
Ao verem Anizia sair correndo em prantos na direção de uma das árvores sagradas com a espada de prata maciça sendo arrastada no chão, as feiticeiras tentaram impedi-la de cometer tal sacrilégio contra as imaculadas árvores. Uma das feiticeiras abriu a palma das mãos e entoou um feitiço.
"Deos Zanquianos
ut circulus appareat
ne ancillæ
Lignum habet plagam"
"Deuses zanquianos
façam o circulo surgir
impeçam sua serva
de uma árvore ferir"
O corpo de Anizia foi erguido e paralisado no ar dentro de um circulo azul.
" Não me detenham!" -gritou a bruxa se sacodindo freneticamente, tentando sair do circulo e se livrar do feitiço. " Não sabem a dimensão da dor que estou sentindo". Em seguida largou a espada, juntou a palma das mãos, uniu os dedos indicadores e polegares formando um triângulo. Seus olhos outrora verdes, ficaram brancos. Uma névoa espessa fixou em seu olhar.
Ela gritou o mais alto que conseguiu"
"Bona amoris
da mihi potestatem,
libera me ab hoc circo
permitte me currere"
"Deuses de amores
dê-me de poder
livra-me desse círculo
permita-me correr"
O circulo foi se partindo, Anizia cai no chão. Mais do que depressa pega a espada, a ergue com as duas mãos e golpeia uma das árvores sagradas. Antes de atinguir do caule central da árvore clamou:
" Cuidem dos meus filhos" — disse ela com tomada pelas lágrimas. Uma sequencia de golpes foi disparados, até que atingiu o centro da árvore e o zinkos apareceu.
Anizia lançou a espada para longe. Encheu suas mãos com o pó mágico de zinkos e passou sobre a superfície do seu tênue pentagrama cor de esmeralda e o arremessou ao chão. Em seguida, retirou da sua bolsa o pó de pedras claras e jogou em cima do pentagrama. Um grandioso circulo verde incandescente se formou, mais do que depressa, a feiticeira correu para o centro do circulo. Fechou os olhos e mentalizou Droz, no mesmo instante a mágia a levou até a ilha onde seu adorado dragão estava.
Afoita, adentrou na floresta dos mortos e encontrou Droz. Com as pernas bambas ela caminhou por toda a volta de seu amado dragão, o acariciando com as mãos trêmulas. Suas palavras eram banhadas pelas lágrimas da dor.
" Acorde, acorde meu amor" — implorava inutilmente. "Por que!?! Por que fizeram isso com você?! "
Anizia buscava respostas para aquela atrocidade. Revoltada e dominada pela dor ela ousou fazer o impensável. Utilizou o mesmo feitiço que fizera anteriormente. Mentalizou o centro da montanha da ilha de Trions e mesmo não tendo a marca, nem sendo escolhida pelas três luas. Se aproximou cuidadosamente e sem que ninguém pudesse vê-la, surrupiou o lekitum.
De volta a floresta dos mortos, se ajoelhou ao lado de Droz. Abriu o livro, procurou pelo feitiço de vida e morte... e o ressuscitou.
Seu ato de amor, trouxe Droz de volta dos mortos. Como conseqüência braços, pernas e troncos de Anizia foram se distorcendo, ela foi se agachando consumida pela dor e teve seu frágil corpo cristalizado. Droz mal reavivou,, não teve tempo de se despedir da sua amada. A única coisa que pode ver, foi o livro voando pelo céu Zanquino. Após ter sido utilizado o livro retornou a montanha sagrada da ilha Trions.
Droz tocou no corpo cristalizado de Aniza, que se quebrou. Os micros cacos tornaram-se poeria e seguiram os rasto do livro pelo céu.
O dragão levantou voou, seguia as cinzas cristalizadas que seguia o rumo do Lekitum. As lágrimas pesadas de Droz que caiam no solo de zankos iam formando um rastro prateado. Seu urro de angústia ecoou por toda a floresta dos mortos.
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