Leis De Um Sacrifício
21 — Cap. 20
Notas iniciais
O som dos passos ressoou sobre o chão de carvalho da mansão dos Mikaelson. Havia uma luz que entrava pelas persianas da casa que apenas faziam com que Caroline quisesse fechar os olhos, todavia, ela não o fazia, afinal... Bem, fazia muito tempo desde a última vez em que sentira a luz do sol, o calor deste, entrar por seus poros. Havia sido uma maldita eternidade para ela.
Aquele velho som de Toc, toc, toc era novo, e reconfortante, afinal, fazia muito tempo desde que se via bem, em saltos que a fazia parecer bem. Vaidade era um de seus fortes e agora, nada parecia mais certo o que aquilo.
Ao dobrar o corredor, avistou Elijah sentado, folheando um livro velho e empoeirado que ela achou estúpido. Tantos anos vividos e tanta imortalidade sendo desperdiçada na frente de um livro. Revirando os olhos, ela nem se dignou a olhar em sua direção; não havia um por que.
E então, lá estava o alvo de sua nova obsessão. O amor que a garota dentro de si sentia por ele era terrivelmente potente e enjoativo, mas ela tinha que admitir que havia algo de bom naquilo. A ajudaria para seus propósitos mais sombrios.
Abriu então um doce sorriso, como um felino encantado e pronto para atacar sua presa.
Toc, toc, toc — seus passos continuavam cantando. Aproximou-se da mesa onde ele se encontrava, analisando alguns papeis enquanto a voz de alguma cantora dos anos vinte invadia o ambiente através da vitrola bem conservada.
Ao notá-la próxima, o homem levantou seus olhos em sua direção e lançou-lhe um sorriso igualmente perigoso.
– O que tanto faz aí? – perguntou ela. – Está um dia lindo lá fora... Vamos aproveitá-lo!
– Sinto muito, amor... – ele começou, franzindo sua testa. – Mas eu tenho um tanto de trabalho para resolver aqui.
Caroline gargalhou alto, afastando os papeis com uma braçada e sentando-se de pernas cruzadas sobre a mesa, de frente ao Híbrido. Ele franziu ainda mais a testa por ela ter bagunçado seus papeis, mas o que ela fez em seguir pareceu-lhe ainda mais divertido do que papeis.
A loira segurou o homem pelo cordão que este sempre usava, pequenas miçangas de cores fortes e escuras. Ele sorriu em sua direção, aproximando-se para que ela não quebrasse seu cordão. Lábios a centímetros um do outro. Ela umedeceu os seus, para em seguida, mordê-los suavemente. Algo que chamou a atenção ainda mais do híbrido.
– Você realmente não pode deixar isso com seu irmão rato de biblioteca? – perguntou ela, com uma voz manhosa. Klaus sorriu de canto, dando-lhe um suave beijo no canto dos lábios.
– Não... – ele sussurrou então. A loira por si, fez beicinho, descruzando suas pernas e colocando um pé em cada lado do braço da cadeira onde o Híbrido se encontrava sentado. Ele observou admirado, repleto de luxuria. Principalmente, ao notar a saia da loira subir mais, mostrando a renda de sua meia 7/8. Aquilo o perturbou como o inferno. Ele se permitiu levar suas mãos até as coxas da loira, acariciando-as e observando como a mesma mordia o lábio, em apreciação. – Eu realmente adoraria gastar algum tempo com você, mas...
– Então gaste – ela gemeu, aproximando seu rosto do dele e o beijando lentamente, eroticamente. Passando sua língua sobre os lábios dele, puxando estes por entre os dentes.
– Não faça isso, Caroline – sua voz rouca, frisado seu nome de forma que soava erótica para a loira e torturada para ele. Em instantes, ele havia se levantando e puxava a saia da loira para cima, até sua cintura. Beijando-a com uma ferocidade terrível.
Caroline gemia enquanto sentia seus dedos afastarem sua calcinha, para ter mais contato com sua pele. Os dedos acariciando-a vorazmente, fazendo-a segurar a madeira da mesa com um tanto de força, jogando sua cabeça para trás enquanto gemia. E quando esta estava começava a sentir espasmos, Klaus parou, observando-a frustrar-se ao abrir os olhos e vê-lo sorrindo.
– O que pensa que está fazendo? – ela rosnou para ele. O sorriso que este te deu em seguida fora perigoso — não mortalmente, mas como quem lhe torturaria sexualmente por sua grosseria. Caroline quase gostou daquilo.
Tão rapidamente, este a tinha colocado de pé, de costas para ele; colando seus corpos duramente, fazendo-a gemer ao sentir o quã0 excitado ele estava também. E ao empurrá-la brutamente contra a mesa, com uma mão em sua nuca, segurando-a ora pela nuca, ora pelos cabelos, ele a forçou a abrir suas pernas, em seguida, sentindo-o penetrá-la suavemente, prolongando o máximo que podia a sensação da penetração, torturando-se e torturando-a.
Klaus estocou algumas longas vezes, se permitindo parar todas as vezes que a loira parecia estar perto de seu orgasmo. Gemendo alto, implorando para que este não parasse até que gozasse. Todavia, ele não o fazia. Fazê-la implorar e não dar-lhe o queria o fazia se sentir superior... Como se ele fosse seu dono. O que em momentos assim, fazia com que as coisas fossem ainda mais prazerosas. Porém, ambos sabiam do poder imensurável que ela tinha sobre ele. E isso o incomodava como o inferno, principalmente, depois de tê-la encontrado no banheiro desmaiada, em ter tido a quase certeza de que ela estava para morrer; por ter chamado Bonnie Bennett desesperado por socorro. Pela forma como Caroline Forbes o fazia fraco.
Quando então o Original permitiu que a vampira tivesse seu orgasmo, notou a mesma fitar o canto da sala, e sorrir, de forma quase doentia. Parecendo se exibir para alguém, a forma como chamava o nome dele, ou como continuava se impulsionando contra seu corpo. Era como se ela tivesse uma plateia.
[...]
Caroline fechou os olhos, sentindo as lágrimas escorrerem de seu rosto, de forma cruel. Parecia estar aprisionada em um sonho ruim. E a pior parte era ser obrigada a assistir Klaus e a outra mulher — que se parecia exatamente consigo — terem transado como loucos sobre a mesa do escritório dele.
Ela se perguntava se ele já não a havia percebido ali, observando... Zelando-o como um anjo. O que era uma péssima comparação, já que estava mais para um fantasma desencarnado, preso naquele lugar. Preso onde quer que aquela criatura que agora se passava por ela caminhava.
Como ninguém a havia notado então? Havia tentado assombrar Bonnie Bennett em todas as vezes que a morena comparecera à mansão dos Mikaelson, a perturbara tanto que a fizera fugir.
Assistiu então a maldita vadia que era ela mesma se levantar da mesa, lambendo os lábios e sussurrar alguma coisa no ouvido do híbrido, o que o fizera sorrir de forma maliciosa para a maldita piranha. Caroline odiou aquilo. E ao atravessar a sala, em direção à porta, a outra Caroline olhou-lhe de canto, sorrindo diabolicamente.
Fazendo então Caroline lembrar-se de como era ser encarada pelo diabo. Porque, bem... Ela havia sido, minutos antes de ser obrigada a desistir de seu corpo, para que aquilo tomasse posse de si.
Definitivamente, ela estava no inferno.
– Como você pode ser tão cego? – ela gritou para Klaus, enquanto sentia as lágrimas voltarem. Em resposta, o híbrido balançou sua cabeça, sorrindo para si mesmo, enquanto voltava para seus documentos.
[...]
Caroline — ou fosse quem fosse aquela outra pessoa que se passava pela velha Caroline — era doentio. Principalmente, quando ela era tão má. Havia uma coisa torturante que esvaia maldade de seu olhar e forma como andava. O que fazia Caroline se lembrar da última vez em que dera de cara com aquilo que estava tomando sua forma, bebendo do homem que amava e tramando contra o mesmo. Ela só não conseguia compreender porque estava fazendo aquilo.
Outra pergunta ruim era porque estava parada na antiga casa do Lockwood com um sorriso cínico nos lábios pintados de carmim. Agora, ela compreendia quando Elena reclamara sobre ser imitada e ursupada por Katherine Petrova.
A outra Caroline tocou a campanhia e esperou que a abrissem. Tyler o fez, com uma expressão sombria. Teria ela ligado antes para ele?
– O que diabos faz aqui? – ele perguntou, praticamente respondendo-lhe sua dúvida: dificilmente.
– Precisamos conversar, Tyler – a cínica outra Caroline respondeu, sorrindo-lhe dócil. Caroline a odiou por aquilo.
– Dificilmente – disse o híbrido. – Depois do que você fez no Grill na outra noite? Não quero nem ter de olhar para sua cara, Caroline. Tudo o que sinto por você é nojo...
Bom, pensou o espírito de Caroline. Ele não está sozinho nisso.
– Podemos esquecer aquilo por um maldito segundo? – ela ronronou para ele, como costumava fazer quando namoravam. Tyler por um segundo quase caiu naquilo. Não tão rápido... Ao contrário de Klaus.
Argh!, Caroline pensou enjoada ao lembrar-se da cena de mais cedo.
– Eu tenho algo que possa lhe interessar... Algo grande que não pode ser simplesmente discutido aqui fora – a loira disse, impaciente. Tyler deu-lhe uma boa checada, dos pés à cabeça. Maldição, ela realmente estava bem naquelas roupas.
– O que você quer? – ele exigiu, erguendo o queixo de forma arrogante. Caroline se sentiu orgulhosa por tê-lo feito odiá-la tanto.
– Nos livrar de Klaus – a outra Caroline disse então. – Definitivamente, e... Sem danos para você.
Tyler ergueu-lhe uma sobrancelha, interessado.
– E como pretende isso? – perguntou ele, curioso.
– Não direi se não me deixar entrar... – tornou a ronronar.
– De jeito nenhum! – grasnou.
– Como nos velhos tempos, Tyler – sugeriu a loira. – Talvez sem o louco sexo. Bem... Não completamente
Ela sorriu-lhe maliciosa, olhando o moreno dos pés à cabeça, fazendo então o espírito de Caroline notá-lo sem camisa e em shorts. Mas bem... Parecia que a outra Caroline o havia notado bem.
– Piranha! – grasnou ela.
– Não faça isso, Caroline... – ele alertou, um pequeno e perigoso sorriso tomando seus lábios.
– Sem seu consentimento, não conseguirei nada... Agora, anda... Deixe-me entrar e fazer você relembrar os velhos tempos – e ele deixou.
[...]
A outra Caroline, ao menos, não o havia deixado que Tyler a tocasse. Todavia, ela o havia feito. E feito muito mais do que simplesmente “tocado”.
O espírito de Caroline agora se sentia enojada. Antes, ela havia sentido-se assim com a cena no escritório de Klaus, mas agora? Oh, Deus... Ela se sentia a pior puta de todos os tempos, mesmo que não tivesse sido ela quem havia acabado de fazer sexo oral em Tyler Lockwood na sala de visitas. Ela esperava internamente que alguém fizesse aquela maldita pagar por aquilo tudo, ou simplesmente a matasse de vez. Apenas para não ter que assistir outra pessoa usar seu corpo para transar com as duas pessoas nas quais a havia matado e amado profundamente em menos de duas horas.
Tyler não havia sido gentil enquanto forçava seu pênis pela boca ou garganta da vagabunda, muito menos ela havia querido que ele tivesse sido. E a cena fazia com que Caroline, o espírito enojado no canto da sala, ignorado por todos, sentisse vontade de voltar para a maldita cela onde estivera antes, gritando por socorro e afogando-se viciosamente.
Agora, a outra Caroline se levantava, quase como uma cobra — lenta e quase fatal. Ela observou Tyler por alguns instantes, quase como estudando-o enquanto este bebia um pouco de uísque do escritório da casa.
– Eu preciso que faça algo pra mim – ela disse, sua voz séria. Todas negócios...
– Estive esperando por isso – Tyler disse, virando-se para fitá-la melhor. – Manda...
– Eu preciso que localize Katherine Pierce.
– Para o que, afinal? – indagou ele, curioso.
– Se eu quero matar Niklaus, vou precisar da ajuda dela... Afinal, quem mais fugiu dele nos últimos quinhentos anos?
– Mas é diferente, não? – indagou o moreno. – Fugir e matar... Se ela soubesse como matá-lo sem matá-la, bem... Ela já o teria feito.
– Não, querido Tyler... – levantou-se, caminhando até onde o híbrido se encontrava encostado contra a mesa do escritório. Ela tocou-lhe o peito largo e desnudo, passando então a unha sobre a pele, rasgando-a e assistindo o filete de sangue escorrer sobre a pele bronzeada. – O que eu preciso é de um exercito... Bem... Não um exército... Mas... Pessoas que estejam dispostas a me ajudar no meu propósito...
– E qual seria esse? – Tyler indagou, notando então que a loira diria a mesma resposta vaga de sempre, ele adiantou-se. – Não me diga que pretende apenas matá-lo. É mentira e ambos sabemos disso...
– Não matá-lo ao pé da letra, Tyler... – ela sorriu, aproximando-se dele e beijando os grossos lábios quentes e com leve gosto do uísque. – Vamos apenas matar sua alma... Com direito a mandá-lo para o inferno... Sem realmente matá-lo.
– Como você garantiria tal coisa? – perguntou ele, ainda mais curioso.
– Porque é a mesma coisa que está acontecendo com sua doce e amada Caroline... – ela sorriu amplamente, felina. – Mas não se preocupe... Quando Klaus estiver morto, a verá novamente... Eu a deixarei voltar.
[...]
Era diferente agora. Não como se todas as outras vezes em que Bonnie Bennett se encontrara entrelaçada aos braços de Jeremy Gilbert fossem exatamente iguais, eram todas as vezes maravilhosas. Era uma maré doce, como flutuarem águas calmas.
Jeremy manteve seus braços ao seu redor, de forma protetora. Todavia, Bonnie não conseguia se sentir protegida. Principalmente, quando sentia que estava sendo seguida em todo maldito lugar.
– Você tem certeza que está tudo bem? – Jeremy perguntou-lhe, enquanto observava a morena se abraçar ao passar por frente a um espelho, amedrontada demais para olhar e ver alguma coisa que poderia deixá-la aos prantos de tanto medo.
– Yeah – ela sorriu lacônica. – Se quiser ir para casa, não tem problema... Meu pai estará em breve em casa. Você não se sente muito bem com ele aqui e...
E então Bonnie parou abruptamente, sentindo alguma coisa passar por trás de si. Alguma coisa que fez com que todos os pelos em seu pescoço, costas e braços se eriçarem. Alguma coisa maligna; ou quase isso...
– O que está acontecendo? – ele perguntou, preocupado. Jeremy podia não mais ver espíritos do outro lado ou sentir presenças como antes, mas ele havia notado alguma coisa diferente no ar. Talvez, pela forma como a morena havia agido. – Bonnie? – ele sacudiu seus ombros então. Bonnie não o havia notado se aproximar e pôr suas mãos em seus ombros.
– Oh, santo Deus – ela murmurou, sentindo lágrimas se formarem em seus cílios. Mas a jovem bruxa não sabia o porquê de estas lágrimas terem quase escapado.
– Anda... Vamos, vou te levar para seu quarto. Você precisa descansar – ele se adiantou, amparando-a, pronto para que caso a garota caísse, ele não a deixasse ir muito mais longe.
– Hey... Você está tentando me levar para o quarto tão cedo... Meu pai provavelmente chegará cedo – ela brincou, com um débil sorriso. Jeremy sorriu, enquanto a acompanhava pelas escadas em direção ao quarto da bruxa.
Este a ajudou a deitar-se na cama de lençóis roxos e bichinhos de pelúcia que lembravam tanto uma adolescente normal. O problema para ele era que Bonnie não era mais uma adolescente normal. Uma bruxa com tantos problemas que, ultimamente, estava sendo sugada por alguma coisa muito ruim; alguma coisa que não queria compartilhar com ninguém, nem mesmo com ele ou Elena.
Mas agora que Caroline estava de volta à Mystic Falls — mesmo que completamente diferente do que ele costumava se lembrar, ou como ela costumava se comportar desde que se tornara vampira. Mas Jeremy tinha que admitir que essa nova Caroline, pós-tour no mundo era uma verdadeira vaca com seu convencido sorriso Cheshire.
Bonnie havia contado a ele como ela havia se comportado com Matt, em como ela havia ameaçado Tyler Lockwood abertamente e em como ela havia domado Klaus de forma óbvia.
Bonnie então remexeu-se na cama, puxando-o de seus devaneios. Ele sorriu para ela ternamente. Apanhou sua mão e a apertou suavemente, enquanto ela afundava sua cabeça nos travesseiros e ele a cobria com alguns cobertores.
– Você não precisa ficar aqui comigo – ela sussurrou.
– Eu não vou deixá-la sozinha – ele disse, de forma diplomática. – Eu vou esperar seu pai voltar e vou embora, já que eu tenho certeza de que ele não me deixará ficar.
Bonnie sorriu, sentindo-se profundamente amada.
– Você quer chá? – ele perguntou-lhe então. A garota assentiu.
O caçador se levantou, aproximando-se da porta, mas antes de passar por essa, olhou para a jovem bruxa por sobre o ombro. Ele a amava tanto que se sentia terrivelmente apavorado com a ideia de algo estar aterrorizando-a. Mas Jeremy não era tão inocente assim, principalmente, quando ele havia presenciado há meses atrás suas duas ex-namoradas de volta, assombrando-o. E pelo olhar que Bonnie carregara mais cedo, ele teve certeza que era isso que estava acontecendo. Bonnie estava sendo assombrada. Mas a pergunta era: por quem?
[...]
Bonnie escutou o relógio no andar de baixo, badalando então que passava da meia noite. Ela se perguntou se seu pai havia chegado e como Jeremy havia ido embora sem se despedir. Podia apostar que estivera tão acabada que ele nem ao menos quis acordá-la ou se o fez, ela nem estava em bom estado de coerência.
Levantou-se então, caminhando até o banheiro que ligava o corredor ao seu quarto, jogando um pouco de água no rosto, ela sentiu seu estômago reclamar de fome. Fazia quantas horas que não comia nada, mesmo? Mais de dez, provavelmente.
Ao passar pelo quarto de seu pai, deu-se de cara com uma porta fechada, porém, não trancada. Estava tarde e ele estava cansado. Desceu alguns lances de escadas então para a cozinha, após verificar se o alarme da casa estava ligado. Sim.
Bebeu um pouco de água e apanhou algumas fatias de pão e geleia, sentando-se na bancada da cozinha e servindo-se prontamente. Estava mais com fome do que imaginara.
Apanhou seu celular e notou algumas mensagens de texto de Jeremy, perguntando-lhe se estava tudo bem e outras de Elena, perguntando-lhe onde estivera. Após respondê-las, lavou seu prato sujo e os talheres, indo assistir um pouco de televisão.
Sentou-se no sofá, passando alguns canais, até que um chamou-lhe a atenção... Um filme antigo, de Audrey Hepburn. Uma atriz na qual Elena, Caroline e ela costumavam adorar... Agora, apenas fazia com que a lembrança parecesse mais e mais antiga, até que então, um leve chiado soou na TV. Bonnie abaixou-a, para que o barulho não acordasse seu pai, enquanto uma música antiga começara a tocar. Ela a havia escutado algumas vezes, da velha coleção de seu pai... Aquela era Billie Holiday...
Bonnie começou a se levantar, para desligar a velha vitrola de seu pai, mas inutilmente. Parecia estar presa no sofá. Pesada demais para se levantar ou se mover. E então escutou o espaço no sofá, ao seu lado, afundar. Alguém havia se sentado e pela forma como Bonnie se sentia, tinha certeza que se tratava do mesmo espírito que a seguira por todo o dia, tentando alcançá-la até em seus sonhos.
Todavia, ao olhar o espírito de esgueira, Bonnie notou não parecer tão perigoso. Não inofensivo, mas... Não tão maligno.
– Olá, Bonnie – a velha mulher disse. Esta tinha uma longa trança quase completamente grisalha em seu ombro, vestia um longo vestido marrom e branco, e algumas pedras, uma que Bonnie reconheceu como âmbar. Não havia sinal de ser uma vampira, mas sim, uma bruxa. – Eu ouvi muito sobre você desde que chegou...
– Quem é você? – indagou a morena.
– Louise DeLouvrier – respondeu-lhe, sua voz suave. Amigável. – E eu não sou inimiga... Sua avó e eu costumávamos nos conhecer, embora eu tenha seguido um caminho completamente diferente do de Sheila, mas... Não podemos simplesmente mudar o passado.
– O que quer? – eis a pergunta que tanto a assustava fazer.
– Eu preciso que passe uma mensagem... Para Margareth DeLouvrier – Louise então virou-se, para que pudesse olhar bem para a pequena e trêmula Bonnie. O quão poderosa uma bruxa deveria ser para poder criar este tipo de feitiço mesmo quando morta? Bonnie não queria realmente saber... – Avise-a que Caroline Forbes não passou sozinha para este mundo. Que ela não passou completamente e o que restou do espírito dela está sendo torturado pelos erros de Esther.
– E o que esta coisa quer? – Bonnie se permitiu perguntar.
– Passar completamente para este mundo, para reinar. Ele quer um rei como casca, Niklaus é a melhor que ele encontrou: imortal, não pode ser morto e é o mais poderoso vivo – Louise tremeu suavemente, enquanto Bonnie apenas desejava acordar. – Aquilo matará Caroline assim que encontrar uma forma de mudar de corpo. E terá apenas até esta próxima lua cheia antes que o corpo dela definhe e morra completamente.
As imagens começaram a tremer, exatamente como uma cena em uma TV ruim, com péssima resolução.
– Espere... Como matamos isso? – a garota perguntou, apavorada.
– Não se pode... – Louise disse, sua voz começando a desaparecer. – Apenas sacrifício...
E então Bonnie estava novamente na frente da TV, enquanto Audrey Hepburn dançava. Bonnie desligou a TV, pulando daquele sofá rapidamente. Não passava muito mais de três da manhã. O tempo havia passado tão rápido, como se tivesse sido sugada...
Eis o segredo, Bonnie pensou. Canalizar minha energia para tal feitiço...
Incrivelmente, Bonnie se perguntou sorrindo, completamente encantada por Louise DeLouvrier. Teria que aprender tal coisa, mas não naquele momento. Tudo o que ela conseguia pensar naquele instante era que precisava encontrar Margareth DeLouvrier e dar-lhe o recado, pedindo a Deus para que ela conseguisse salvar sua amiga.
Porque, internamente, Bonnie tinha certeza de que o espírito de Louise contara-lhe a verdade.
Havia alguma coisa muito ruim em Caroline, tentando passar para este mundo.
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