Leis De Um Sacrifício
18 — Cap. 17.
Notas iniciais
Bem... Estamos vivas! o ~ ok. Não por muito tempo '-'
Pessoal, desculpem-nos pela demora. São tantos prós e contras que nem vale tentar explicar e tudo mais, mas a culpa foi minha! o ~ vou logo adiantando. A Lari é inocente até que provem o contrário.
Bem, o capítulo de hoje está grandinho, acho que, principalmente, uma forma de pagar pela demora absurda da gente.
Entonces... Vamos falar de coisa boa, antes de partirmos para o capítulo:
O QUE VOCÊS ACHARAM DA ESTREIA DEFINITIVA DE THE ORIGINALS?! Bem... Já temos dois capítulos lançados e tal! Eu, particularmente, to com medo dos Originais não voltarem para TVD. Sério, mesmo... D: ~ E também, CLARO, por Klaroline! Porque, convenhamos... A Plec e os atores nos dão esperanças, mas como mainha costuma dizer: Esperança é a última que morre, mas a primeira que desmaia. Então... Já sabem, né?! D: ~ Desespero total!
E, também... O episódio de TVD já foi estourando tudo por dentro. Katherine mostrando como é sambar mesmo quando se é humano! ~ ok, Katherine é vida demais!!!
Aí, a Lari fez o comentário, pedindo pra agradecer a todas pelo carinho, e pedindo desculpas pela nossa demora. E..., abre parênteses: vc viu aquela VADIA ORDINÁRIA PILANTRA FILHA DA MÃE tentando matar o próprio filho? ~ fecha parênteses.
Hayley merece a morte '-' ~ não gosto dela, acho que nunca vou gostar! D: ~ E sou contra o Paul tá namorando com a Phoebe. E, yeah... Eu odiava ela antes de TVD, quando ainda fazia The Secret Circle. -.-' ~ é... Eu sofria com ela antes D:
ENFIM. Vamos ao capítulo: Boa leitura!
Sejam bem vindos, novos leitores! Obrigada a todos, pela paciência, pela vontade de nos esganar mas não fazerem. Mammy's gradece. :3
Se cuidem, amamos vocês!!! ♥3
Já passava das duas da manhã quando o carro adentrou a garagem tripla da mansão Mikaelson em Londres, os faróis da BMW cinza iluminando as roseiras rentes à fonte de granito liso. A lua pálida e tímida, já se encontrava no ápice de sua jornada, estendendo sobre os campos e arvoredos seu manto opaco que se perdia em meio ao breu da noite turva. Klaus observava tudo através da tímida fresta entre o tecido pesado da cortina de seu quarto, os olhos astutos analisando o cenário através das vidraças turvas pelo vapor quente da respiração. Kol saltara rapidamente do carro, vestia Jeans escuro e uma jaqueta de couro sobre os ombros. Sorriu ao perceber a presença do irmão mais velho, acenou irreverente, adentrando a mansão rapidamente.
Klaus virou-se à penumbra do quarto diante de si. Via-se apenas a sombra disforme sobre a larga cama de mogno Belga, Caroline ressonava tranquila, parecendo estar suspensa em outro plano; em outra dimensão onde todo o medo, o conflito e a dor que os enredava entre as paredes daquela casa não pudessem atingi-la. Klaus ligou o abajur sobre o criado mudo, fazendo a luz amarelada incidir sobre o rosto ainda extremante pálido, porém de expressão tranquila. Provavelmente sonhando com algo que estava longe do alcance dele. A mente do hibrido maquinava a mil sobre tudo que ocorrera no dia anterior.
Elijah havia ajeitou-se em sua cadeira, apoiando seus cotovelos em seus joelhos, em uma expressão terrivelmente séria, encarando Margareth. Esta, por vez, levantou-se, de forma que deixava explicita seu incomodo.
– Eu preciso ir... – ela disse, esfregando suas mãos contra os jeans de suas calças. Elijah também se levantou, ainda sério. Margareth atravessou a biblioteca, alcançando a porta. Seus passos tão apressados que praticamente corria. Mas antes de passar pela porta, virou-se para o original. – Eu não sei o que dizer a Klaus. Mas eu preciso que diga algo. Ele provavelmente vai exigir alguma coisa.
– A verdade... – Elijah murmurou, sua voz impassível.
– Sim – Margareth concordou com um aceno. – Avise-o que irei buscar Louise. Ela saberá lidar com ele... E com aquela coisa. – as palavras soaram com certo veneno. Algo típico de Margareth. Todavia, incrustadas nestas, havia certo medo.
“Medo de que?” Elijah se perguntou, todavia, não era como se tivesse uma resposta rápida. Acenando para Margareth, abriu-lhe a porta, e, para seu total espanto, Klaus estava ali, sua expressão dura. Típica dele para com assuntos importantes. Assuntos como Caroline Forbes.
Este adentrou a sala, passando por Margareth e fitando-a friamente. Seus olhos azuis esverdeados que algumas vezes lembravam um céu cinzento, pareciam tão calculistas, cautelosos.
– Você não vai agora, Magh... – ele apontou um dedo para a bruxa, que se encolheu, procurando por certo apoio de Elijah. Poderia ele defendê-la? Ir contra seu próprio sangue? Ela duvidava muito. – Não vai até me contar o que exatamente está acontecendo sob meu próprio teto!
Tremendo levemente, a mulher cruzou os braços sobre o peito, fazendo seu melhor para não demonstrar medo —em vão.
E então, Margareth tornou a repetir o que dissera à Elijah. E, agora, quando refletia, percebia que era ainda mais perigoso do que acreditou ser. Soltando o ar com força, Klaus encarou-a com uma raiva sobre-humana. Ela se encolheu novamente.
– Eu odeio que mintam para mim... – disse em uma lentidão tão perigosa. Fazendo a garota querer correr o mais rápido possível de volta para os braços da mãe, para que esta a protegesse.
– Ela não está mentindo, Niklaus! – interveio Elijah, colocando-se na frente da bruxa. Klaus fitou-o, dos pés à cabeça, com extrema arrogância.
– Claro que não... – zombou. – Aposto que estão metidos em algum plano para tirar-me Caroline novamente. Rebekah o fez, agora você está fazendo isso... Eu não...
– Não seja estúpido! – exclamou Elijah. – Como pode ser tão cego? Aquela garota voltou do mundo dos mortos sem mais nem menos! Como você pode dizer que está tudo bem? Eu vi aquilo na pele dela... Aquilo negro, andando... Aquilo não pode ser natural ou bom!
Klaus encarou-o, uma careta de exasperação. De repente, queria apenas matar Margareth e mandar Elijah novamente para um caixão. Queria provar para eles que estavam errados. Suspirou, passando os dedos dentre o cabelo curto.
– Se vocês estiverem errados... – começou, sua voz perigosa. – Eu vou matá-los. Vou mandá-lo passar alguns séculos em uma caixa, e você, Margareth... Vou fazer com que Caroline beba de você.
– Eu gostaria de estar errada, Niklaus. Mas sei que não estou – indagou a bruxa, sua voz dura. – Eu vou chamar Louise. Ela talvez possa dizer o que aquilo é.
Klaus assentiu, assistindo Elijah e Margareth escapulirem da sala, em direção à porta da frente.
Elijah acompanhou-a até a porta, sua expressão séria, assim como a de Magh. Não estava com medo de voltar para um caixão. Seu receio, agora, era que a namorada do irmão estivesse realmente sendo usada por alguma coisa ruim. E, se as especulações de Margareth fossem verdadeiras, estariam eles assinando uma sentença de morte, principalmente, por não terem a mínima ideia de como lidar com aquela ameaça.
– Amanhã de manhã, minha mãe e eu estaremos de volta – disse Magh, ao cruzar a porta.
– Boa sorte, Margareth – foi tudo o que Elijah conseguiu dizer.
[...]
Klaus tirou seus sapatos, sentindo-se pesado de repente. As palavras de Margareth e Elijah ainda rodopiavam em sua mente, martelando como um relógio de parede velho. Badalando e badalando. Levantou-se por fim da poltrona que habitava o canto do quarto.
Uma pequena fenda de luz iluminava próximo à cama, iluminando a mão clara de Caroline. E, enquanto observava a amada dormir, perguntou-se se era tão ruim a ponto de ninguém querer que fosse feliz. Fossem os vivos ou os mortos.
Sentiu-se um verdadeiro derrotado. Um aperto no peito realmente ruim.
Caminhou até o banheiro, percebendo que auto piedade não lhe levaria a lugar nenhum, exceto à exaustão. Livrou-se de suas roupas, ligando a ducha e deixando a água quente escorregar por suas costas, tão quente que deixara a pele avermelhada, embora esta logo fosse se tornar alva em segundos.
Fechou os olhos, sentindo um leve conforto naquilo. Mas, tão de repente, sentiu mãos deslizarem por seu peitoral. Quase que instantaneamente, abriu os olhos, notando Caroline nua, à sua frente. Ela lhe abriu um leve e malicioso sorriso, curvando-se um pouco para beijar-lhe os lábios.
De repente, parecia que toda a conspiração de Margareth e Elijah havia desaparecido. Bem, não totalmente... Ainda no fundo da sua mente, podia escutar a voz de Margareth dizendo-lhe claramente o que Caroline poderia ter se tornado: um monstro. Algo tão desconhecido que ameaçava até mesmo a família Original. E, aquilo, naquele instante, parecia um tipo de piada de péssimo gosto.
Encostou a loira, com certa ferocidade, contra a parede molhada e fria de azulejos negros. Esta cravou as unhas em suas costas, afundando-as na carne macia e molhada, deixando o sangue misturar-se à água enquanto beijavam-se com ferocidade. As mãos do híbrido passeavam pela lateral do corpo da loira, apertando-lhe com vontade e excitação.
Logo, Klaus virou-a de costas, apertando-a contra seu peito —talvez para que esta pudesse sentir o quão forte seu coração batia. Talvez para provar-lhe que, embora tivesse todos os defeitos do mundo, que fosse um monstro, segundo várias pessoas que tivera prazer ao torturar e martirizar a vida, Caroline era tudo o que ele realmente queria. Tudo o que o fazia se sentir vivo. Não havia boa música, não havia pinturas, ou qualquer outra beleza no mundo que fizesse menção ao que ele via ao vê-la. Ao saber do simples fato que, depois de tudo, ela o amava. Correspondia a seus sentimentos.
Ele beijou-lhe o pescoço, deslizando os lábios pelo ombro da loira, assistindo-a arfar e soltar suspiros ao sentir que este a desejava tão intensamente. Ao lhe acariciar o corpo com tamanha devoção, com tamanha necessidade.
Klaus abriu os olhos, ao escutar a loira resmungar em meio à excitação. Havia um pequeno sorriso em seus lábios quando se afastou um pouco da loira. Foi quando avistou algo.
Ali, tão rápido quanto um piscar de olhos, ele sentiu seu sorriso se derramar como água.
“... Aquilo serpenteou sob a pele dela...” Magh havia dito com precisão. Assombrada. “Era algo negro, frio... Algo realmente ruim...”.
Assombrado, ele sentiu seus lábios entreabrirem-se em espanto, em um assovio de horror. Aquilo havia serpenteado pela pele de Caroline. Algo negro, correndo da curva de seu quadril até meados de suas costas e desaparecido, deixando rastros atrás de si, pequenas linhas negras, que desapareceram assim como a coisa. O filete.
Notou então que havia se batido contra a parede do Box, quando sentiu algo lhe machucar as costas. A torneira.
– Klaus?! – Caroline se virou, confusa, ao escutar o som de suas costas serem batidas contra a parede e o chiado que aquilo lhe causou. – O que...
– Sinto muito... Eu não posso – desculpou-se, passando pela loira com uma pressa assustadora, agarrando ao roupão pendurado em um gancho de prata na parede e vestindo-o.
Tão rápido quanto possível, ele atravessou o quarto, saindo deste. Não parecia possível permanecer ali, principalmente, quando ele se sentia tão apavorado.
Caroline permaneceu ali, estática. Apenas encarando o caminho ao qual Klaus havia acabado de fazer, fugindo dela. Perguntou-se o que diabos fora aquilo. Mas, tão logo quanto a confusão veio, foi embora, dando lugar à raiva.
Ele a havia desprezado tão rapidamente, fugido dela. Expelindo-a de maneira tão rude. Apoiou-se na pia de mármore negro, sentindo uma fúria descomunal subir-lhe as veias, queimando como brasa, a raiva transbordando pelas paredes de seu subconsciente, fazendo-a prender os dedos nas bordas da cuba de louça e com um único movimento arremessar a peça contra a parede contraria do cômodo. O cano de cobre que abastecia a pia jorrou água bruscamente contra o corpo da vampira e de alguma maneira o “Balde de água fria” lhe fizera despertar de sua loucura, fazendo-a concluir que histeria não iria melhorar as coisas e embora ainda estivesse em chamas por dentro, por fora demonstrava toda a calma e serenidade capazes de enganar até o mais perfeccionista dos expectadores. Retirou os cabelos da face com o dorso da mão e sem demonstrar o menor esforço, torceu o cano de metal até que não houvesse mais vazamento. Caminhou a passos lentos para fora do banheiro, não sem antes dar uma última olhada no estrago que havia feito. Dirigiu-se até o armário, vestindo-se de frente para o grande espelho sobre a lareira, pôde ver as veias escuras surgirem sob os olhos, tinha sede e iria saciá-la, não importava o que tivesse que fazer. Estava, definitivamente, pronta para uma briga, se necessário. Todo o sentimento de raiva e revolta ressurgindo potencialmente dentro de si.
[...]
O humor de Caroline era tão densamente ruim que de repente, até os pássaros lá fora pareciam cantar para lhe irritar. E uma coisa havia aprendido na vida: o universo tem um senso de humor terrivelmente doentio.
– Ora... Se não é a noiva cadáver... – a voz de Kol soou. Ele sorriu para a loira, de forma presunçosa. Este que estava encostado contra a parede da cozinha, mordiscando uma maçã vermelha e debochando da loira, sorriu ainda mais ao notar a expressão cética desta. – O que houve, Caroline? Niklaus não está deixando seus dias mais felizes?
Caroline virou seu rosto, para olhá-lo com desprezo dos pés à cabeça, e então, enrugou o nariz. O sorriso do Original mais novo aumentou. Quanto mais irritada Caroline parecia estar, mais divertido era provocar-lhe.
– Porque você não vai para o inferno, Kol? – indagou rispidamente, enquanto caminhava até a mesa e apanhava uma maçã verde na cesta de frutas. Esta mordeu com vontade a fruta, caminhando para longe do original, em direção à porta da cozinha.
Todavia, antes que alcançasse o corredor, sentiu seu corpo ser prensado contra a parede junto à porta. Caroline mordeu suas bochechas por dentro, enquanto segurava a dor de seus ossos terem sido jogados contra a parede dura.
Aparentemente, aquele, definitivamente, não era seu dia de sorte.
Kol sorriu friamente, apertando seus dedos ao redor da garganta da loira.
– O que você disse? – ele indagou. Sua voz baixa, ameaçadora. Caroline encarou-o, seu rosto ainda enrugado em uma careta.
– Eu mandei você ir para o inferno... – ela cuspiu lentamente.
A expressão de Kol tornou-se ainda mais fria. Não havia zombaria, não havia humor... Apenas havia uma grande maldade estampada ali.
– Você deveria saber que eu não sou Rebekah. Eu não tenho medo dele. Eu já matei um brinquedinho de Niklaus antes... E eu matarei um novamente – ele roçou seu nariz pela garganta da loira, sorrindo friamente, levando seus lábios até ao ouvido dela, para sussurrar: – Não pense que é especial, Caroline. Para Niklaus, a família está acima de todas as coisas, até mesmo, de você.
Um sentimento estranho amargou no peito da loira, tal como Klaus havia trazido este mesmo sentimento mais cedo. Parecia que de repente, Kol havia enfiado sua mão em seu peito e arrancado seu coração, ou apertando-o tão violentamente que se pressionasse por mais um pouco, este seria esmagado, e aquilo a enfureceu. Todavia, Caroline fez seu melhor para não demonstrar. Demonstrar qualquer coisa para Kol, ou qualquer outra pessoa naquele lugar, parecia errado, antiético até mesmo para ela.
– Fico contente em saber disso – ela respondeu friamente, segurando o pulso do original, e com uma força que Caroline jamais pôde imaginar a fonte, apertou-lhe o pulso, torcendo-o e fazendo o original soltá-la.
Esta segurou o moreno pelo colarinho da camisa cinzenta que usava e suspendeu-o do chão, com apenas uma mão, já que a outra ainda torcia o pulso dele. Ela sorriu tão friamente quanto ele o havia feito instante atrás.
– Não toque em mim novamente, Kol. Tenha certeza que seu irmão pode superar sua morte mais fácil do que a minha – e assim, suspendendo o moreno mais ainda, preparou-se para jogar-lhe longe. Foi quando escutou passos ao longe. Caroline teve certeza de quem se tratava: Klaus. E, sorrindo docemente, soltou o mais novo. – Se me der licença... – afastou-se, voltando a morder sua maçã, indo de encontro ao híbrido.
Para Kol restou apenas torcer o pulso algumas vezes, fazendo alguns possíveis ossos quebrados voltarem ao seu devido lugar e observar Caroline transformar-se drasticamente de uma leoa feroz e sanguinária em uma lebre meiga e saltitante.
– O que diabos tem de errado com ela? – Balbuciou dividido entre a confusão e o receio de que não fosse apenas uma síndrome de dupla personalidade o que a garota apresentava.
Pegou as chaves do carro sobre o balcão e saiu pela porta dos fundos, sem sequer atrair a atenção do casal.
Caroline sentiu-se em um labirinto. Perdida, confusa e principalmente enfurecida, tudo naquele dia parecia querer tirá-la do sério. Desde a estranha reação de Klaus mais cedo, à sede incontrolável que sentira depois e agora as provocações imbecis de Kol. Era como se ela fosse uma fera enjaulado em um espetáculo circense e o tratador sádico e miserável estivesse provocando-a, atiçando sua raiva para vê-la rugir e lançar-se contra o público para arrancar as exclamações de pavor e os gritos das mocinhas hipócritas que queriam ver sangue sem manchar as luvas brancas. E ela definitivamente sentia-se pronta para dilacerar a carne e arrancar as vísceras de quem quer que fosse, se mais algum maldito incidente atormentasse seu dia.
Esperou Klaus na base da longa escadaria, olhando-o assim de longe, ele parecia tão cansando e talvez não fosse só aparência. Por um segundo, tomada por um surto de consciência, sentiu-se mal por ser a causa de tanto sofrimento, não havia nada, não mais, nesse mundo que Caroline amasse mais que aquele homem, era como se tudo, o ar, a vida, o mundo em volta de si se apagasse diante dele e então só houvesse ele ali, parado em sua frente e mais nada era importante o suficiente para fazê-la desviar o olhar ou distrair sua atenção.
Havia muitas dúvidas martelando em sua mente, como se toneladas de concreto estivessem sufocando-a, sentia-se prestes a desmaiar ou vomitar quando o mundo girava diante de si, mas de uma coisa Caroline tinha certeza, e essa era crucial para sua existência: amava Klaus com todas as suas forças, precisava dele para respirar em meio ao mar de concreto em que estava. Ele era seu porto e estaria a salvo de todo o perigo se estivesse em seus braços, embora começasse a cogitar a hipótese da missão ser pesada demais para ele completar.
Foi arrancada de seus devaneios ao sentir a mão quente tocar seu ombro e o som da voz rouca, tão familiar, invadir seus ouvidos.
–Você está bem? – A loira piscou algumas vezes para focalizar melhor a imagem a sua frente e pôde ver o rosto de Klaus lhe observar confuso, um vinco de preocupação formando-se na testa do hibrido.
–Ah, me desculpe. O que você disse? – Ela sabia o que ele havia dito, ou pelo menos desconfiava que soubesse, mas queria ter certeza.
– Eu perguntei se você está se sentindo bem. – Klaus respondeu ainda mais confuso.
– Ah, sim... Sim. Estou ótima. Aonde vamos? – Klaus estranhou a pergunta? Não se lembrava de ter exclamado sua intenção de levá-la a um passeio.
– Como? – Indagou colocando-se a frente da garota que já aparentava impaciência.
– O passeio, Klaus. Sabe? Aquele que você disse que iria me lev... – Interrompeu como se finalmente houvesse se dado conta do que estava falando. – Você disse isso, não disse? – Indagou por fim.
– Devo ter dito. Não se preocupe, amor. Nós vamos dar uma volta pelos jardins. Quem sabe o sol nos dá a honra de sua presença. – Caroline sorriu com a brincadeira, não que tenha achado engraçada, mas sentiu que deveria sorrir e o fez. Saíram de braços dados rumo aos amplos jardins da propriedade, seria um passeio bem-vindo, distrairia a mente de ambos. Klaus que não queria pensar no que Louise tinha a lhe dizer e Caroline que não queria pensar em nada, a não ser em jardins. O que ela via quando fechava os olhos era tão amplo quanto o da mansão, mas ao invés de arbustos e roseiras havia túmulos, dezenas de túmulos. O gosto de ferro em sua boca lembrava mesmo sangue, nada agradável por sinal, como um soco no estômago, o gosto e o cheiro seriam atraentes se não fossem de seu próprio sangue.
[...]
Bonnie caminhou lentamente por entre as placas de mármore, cada uma, adornada como convinha à família a qual pertencia. Passou pela dos Lockwood e havia arabescos em cobre, e as letras já estavam bem gastas, o último nome, o da prefeita. Sentiu-se mal por não ver o nome de Mason ali, já que o corpo nunca fora encontrado, não havia o que enterrar. Passou pelo memorial Gilbert e o nome de Jenna gravado em letras graúdas fez seu estômago afundar mais alguns centímetros. E por fim, o memorial dos Forbes, o nome de Bill, já quase sem a cor original contrastava com o prata vívido do mais recente registro trágico daquela família. “Caroline Forbes, filha amada e amiga querida.”
Bonnie sentia que poderia morrer naquele exato momento e que mesmo assim o eco da dor que estava sentindo a perseguiria pela eternidade e por quantas encarnações fossem necessárias para uma alma se redimir de seus pecados e mesmo assim ela nunca deixaria de sofrer. “Caroline está morta.” Fora mais que suficiente para destruir em poucos segundos toda a existência de uma vida. Vira Liz ficar pálida e desfalecer ao receber a notícia e depois desesperada, apontar uma arma para Bonnie, dizendo que tudo isso era culpa dela; DELES! Então os dedos tremiam e a pistola não se sustentou nas mãos e ao mesmo instante em que o som estridente do aço contra o assoalho se fez audível, Liz também estava no chão.
Elena gritou, chorou e jurou matar Tyler, Klaus e a todos os culpados e não importava o quanto ela chorasse sempre haveria mais lágrimas e essas seriam eternas a cada lembrança, que mesmo esquecida há muito tempo, teimavam em voltar. Mas no final de tudo, a ligação fizera Elena obedecer a Damon e para a revolta de Bonnie, a garota começara a agir como se nada houvesse acontecido.
Stefan foi o único que realmente se preocupou em prestar homenagens à amiga. Ele estava ali agora, observando de longe, Bonnie depositar um buquê de lírios sobre o túmulo. Não ouve funeral, pois não havia corpo. Bonnie ainda podia sentir o gosto amargo subir-lhe a garganta, o mesmo de quando Luke, um dos híbridos rebeldes de Klaus, lhe trouxera a notícia.
Ele dissera, quase sem sentimentos, que Klaus havia mordido Caroline e permitido sua morte, Bonnie não acreditou de imediato, poderia ser algum tipo de plano sórdido de Klaus para separar Caroline, de uma vez por todas, de sua família. Mas então, Tyler surgira sujo e abatido e contara toda a história: Klaus a estava mantendo prisioneira, então eu consegui resgatá-la – ele dizia isso com os olhos marejados. Bonnie não conseguia sentir seu corpo, como se a cada palavra proferida, a realidade se tornasse tão devastadora a ponto de a bruxa querer abandoná-la. – E quando estávamos quase conseguindo fugir, ele nos encontrou e Caroline se sacrificou por mim... Eu não pude impedir, quando dei por mim ela já agonizava diante de meus olhos. Eu tentei ficar e morrer ao seu lado, mas ela me implorou que fugisse, para que o seu sofrimento não fosse em vão.
Bonnie abraçou Tyler com toda a força que ainda lhe restara e lhe afirmou que ninguém tinha culpa do que aconteceu, exceto Klaus, ele era o único culpado de toda a desgraça que descaíra sobre eles.
Tyler partira antes de o memorial ficar pronto, Bonnie entendia seu sofrimento. Mal sabia ela que Klaus só era culpado por amar demais a garota que se sacrificou por outro, com certeza a bruxa ficaria ainda mais furiosa se soubesse que Tyler não tivera ao menos a dignidade de contar a real história. Mas já dizia o sábio, “não se sente as mágoas desconhecidas.” E Bonnie provavelmente não estava pronta para mais esse choque.
A garota sentou-se de frente à pedra lisa, e lutando bravamente pra conter as lagrimas tentou dizer alguma coisa, mas nada do que ela planejara saia de sua garganta. Era como se um bolo em sua traqueia impedisse a voz de sair e provavelmente o ar de entrar. Sentia-se sufocada, talvez pelo fato de estar chorando sobre um túmulo vazio. Maldito Klaus! Sussurrou cravando os dedos no gramado úmido.
– Sinto sua falta, Care – Foi tudo que conseguiu pronunciar antes de ser tomada pelo desespero, as lágrimas tomando seu ser, sentindo um peso descomunal se instalar em seu peito. Poderia ter desmaiado se não fossem pelas mãos de Stefan que lhe ampararam.
–Vamos, Bonnie. Isso aqui não te faz bem. – O vampiro tinha a voz pesada, o remorso pela perda da companheira de vida era latente e sentiu-se novamente sozinho, da mesma forma que fora ao fitar o corpo inerte de Lexi e de alguma forma, perder Caroline só afirmava cada vez mais que o sofrimento nunca acaba. Abraçou Bonnie pelos ombros, não adiantaria muito sofrer pelos mortos, tinha que zelar pelos poucos ainda vivos. A sentença era tão verdadeira, quanto implausível.
Bonnie chegou a casa mais calma e embora Stefan houvesse insistido para que ela não ficasse sozinha, preferiu assim. Prometeu ligar se precisasse de algo. Qualquer coisa, ele a fez prometer.
A garota adentrou a pequena porta de pinho, dirigindo-se ao quarto da avó, ela sempre se sentia mais confortável ali. Deitou-se na cama, sentindo o tecido macio dos lençóis lhe afagarem a pele. Fechou os olhos e, pela primeira vez em três dias, tentou dormir.
O barulho irritante de água cotejando a fez despertar bruscamente, os olhos ainda cansados observaram as sombras dos móveis estender-se pela sala, atestando que o sol já estava baixando. Já era tarde.
Levantou-se devagar e sem se preocupar em calçar os sapatos dirigiu-se a pia da cozinha e pegando um copo sobre a mesa tomou alguns goles de água da torneira mesmo, mas antes que pudesse esvaziar o copo, o ruído de pingar fez-se audível novamente.
– Droga! – balbuciou frustrada, um vazamento no banheiro era tudo o que ela precisava. Deixando o copo sobre a mesa, correu até as escadas subindo rapidamente os degraus. Alheia ao vulto que a observava próximo à mesa de jantar.
A figura assombrosa tinha as vestes brancas lamacentas, sujas por um lodo escuro e espesso. Aquele ser nem de longe lembrava Caroline, os lábios tinha um tom mórbido de roxo, e ao redor dos olhos largas manchas escuras, a pele adquirira um tom azulado, doentio. Pelos braços pálidos escorria sangue, como se cortes profundos houvessem sido feitos rentes às axilas, mas não havia corte, somente o sangue. Cotejando em fios grossos e constantes, causando o barulho irritante que Bonnie ouvira. O monstro macabro olhava para algum ponto fixo no vazio, e ali estava a única coisa que não deixava espaço para dúvidas de sua real identidade: os olhos. Eram tão completamente de Caroline, que não poderiam não ser.
Fora apenas um segundo, um mísero segundo. E a visão não estava mais lá. Apenas duas grandes poças de sangue estendendo-se pelo piso amadeirado, atestando que aquilo era real o suficiente para ser perigoso.
Bonnie chegara rapidamente ao corredor superior, havia três portas, duas delas, de quartos e a terceira no final do corredor, do banheiro. Dirigiu-se a passos largos rumo á ultima porta, quando repentinamente o barulho de pingar cessou. Bonnie estacou instantaneamente, apurando os ouvidos e atestando que não havia mais nenhum som ali, concluiu que provavelmente estaria imaginando coisas. Talvez essa fosse a hora de ligar para Stefan.
Virou-se lentamente, seguindo de volta a escada, mas antes que alcançasse a primeira porta. Houve um estrondo e o barulho não era de pingar e sim de jorrar, como se um cano houvesse se partido. Correu em direção ao banheiro, já esperando a inundação que viria. Mas nunca em toda sua vida, Bonnie poderia sequer imaginar a cena que seus olhos encontraram. A banheira de louça transbordava agua abundantemente, embora a torneira estivesse desligada. Sobre o chão uma quantidade suficiente para lhe cobrir os tornozelos, e misteriosamente a agua não se espalhava pelo corredor, mantendo-se atrás da porta com que sustentada por algo invisível. Mas o mais apavorante de tudo era o corpo na banheira, nua e coberta de hematomas necróticos, Caroline jazia imersa até os seios pela agua límpida, o braço dependurado para fora da banheira ostentava o pequeno filete de sangue que desaparecia antes de chocar-se contra o piso. Bonnie estava paralisada, estática. Queria gritar, mas a voz não saia, queria fugir, mas seus pés não obedeciam. Seu corpo sacudia-se em tremores, as mãos apertadas contra os lábios e as lágrimas de pavor inundando seus olhos.
– Caroline... – Antes que seu raciocínio pudesse assimilar o que acontecia, seus olhos arregalaram-se ao ver o corpo da amiga ser tragado pelas águas da banheira.
Caroline debateu-se em desespero, as mãos segurando a borda da banheira, lutando bravamente para não afundar, até que os braços relaxaram em rendição e lentamente o corpo desapareceu em meio à água e no segundo seguinte Bonnie sentiu seu corpo voltar a obedecer novamente, correu o mais rápido que suas pernas permitiram para junto da banheira e juntando toda a força que ainda lhe restava, buscou por Caroline. Não havia nada e tornando tudo ainda mais assustador, também não havia fundo.
– Caroline, Caroline. Por favor. – Bonnie chorava copiosamente enquanto suas mãos tateavam o vazio gelado das águas sem fim. Não pôde calcular em quanto tempo transcorreu tudo, mas quando deu por si, estava sendo jogada contra a parede fria, sentiu algo arrebentar dentro de si com o impacto. Os dedos finos apertaram sua garganta fazendo o ar travar nos pulmões, debateu-se em desespero tentado se libertar, em vão. Já podia sentir o frio macabro tomar conta de seu corpo conforme a morte se aproximava. Sua visão até agora desfocada, abriu em meio à escuridão da agonia um ponto nítido, e pôde ver, estarrecida, Caroline lhe sorrir, as pupilas completamente dilatadas, fazendo a íris se tornar totalmente negra, não era a mesma pessoa de segundos atrás, não era sequer Caroline. Caroline estava muito mais presente no monstro deformado de antes do que na bela mulher de agora. A loira aproximou-se da bruxa, Bonnie sentindo-se enojada virou a face.
– Você não pode salvá-la. Não tente. – sussurrou o espectro maligno, rente ao ouvido da bruxa. Bonnie limitou-se de um jeito ou de outro. Caroline afastou-se do corpo da morena e com um movimento brusco partiu o pescoço sob seus dedos.
Bonnie despertou assustada, buscando o celular sobre o criado, discou o número de Stefan.
– Caroline está viva. – fora tudo o que ela disse.
[...]
O leve farfalhar do vento sobre as folhas das roseiras no jardim da mansão dos Mikaelson trazia o cheiro das rosas até o nariz da loira. Seu braço enlaçado ao de Klaus dava um ar feliz à ela, assim como a qualquer outra pessoa que poderia ver aquilo.
Klaus, por vez, tinha um olhar assombrado, embora seu rosto fosse passível e levasse um sorriso calmo nos lábios, seus olhos demonstravam o que realmente parecia sentir. Havia uma tortura ali, tão latente que por um segundo, Caroline percebeu que algo estava errado. Todavia, não queria perguntar-lhe. Não queria ter outro ataque de raiva. Tudo o que a loira queria era se alimentar, saciar a sede que sentia e, para isso, precisaria ser amável e quase cega.
Quando alcançaram um balanço de cadeiras de ferro, Caroline sentou-se, balançando seus pés contra o chão, tomando impulso para que o balanço saísse do lugar. Ela sorriu para o híbrido de braços cruzados a sua frente, um sorriso calmo em seus lábios avermelhados.
– Aproxime-se... – ela sussurrou para ele. E ele o fez, sentindo as longas pernas da loira enlaçarem-no pela cintura, puxando-o para realmente perto. Caroline esboçou um beicinho, como uma garotinha. Ela então largou as correntes que seguravam o balanço, levando suas mãos até o rosto do Original. Acariciou-lhe a pele, sentindo a ponta da sua barba por fazer pinicar-lhe a pele dos dedos de forma agradável.
Para ela, não havia nada mais no mundo a não ser ele. E aquilo transpareceu tão profundamente em seu rosto.
– Eu te amo... – soltou por fim. Klaus sorriu-lhe, agora, verdadeiramente, abaixando-se para beijar-lhe os lábios ternamente. Logo, o beijo calmo tornou-se fervente —tal como a maioria das vezes.
Ele foi o primeiro a se afastar, segurando o rosto da garota. Seus olhos queimavam em uma paixão dilacerante, tais como os dela.
– Eu sinto muito por mais cedo... – ele murmurou, ainda acariciando o rosto da garota. – Eu realmente sinto, amor.
Caroline sorriu para ele, de forma preguiçosa.
– Está tudo bem... – ela disse. Tão imperceptível para qualquer outra pessoa, ela notou algo no rosto de Klaus. Uma minúscula careta, e, tão logo, sentiu duas mãos segurarem-lhe a cabeça, os dedos em suas têmporas. As palavras sendo proferidas com uma paixão e precisão.
– Eu sinto muito, Caroline... – foi a última coisa que escutou. A voz de Klaus, com uma lamúria. Sentiu-se profundamente traída.
O corpo de Caroline, antes de cair no chão, fora agarrado pelo Híbrido. Ele lançou um olhar feroz em direção à Margareth, mas nada podia fazer. Ao menos, se tivesse de fazer alguma coisa contra a bruxa, esperaria um pouco mais. Até ter plena certeza do que Caroline tinha. O que era aquilo serpenteando nela.
– Levem-na! – Magh ordenou, de forma ríspida aos híbridos do Original. Estes a carregaram, em direção à BMW cinza. Depositaram o corpo da vampira ali, apoiando a cabeça da mesma contra o colo do Original.
Magh sentou-se no banco do carona, precisando de toda e total distância possível dos vampiros logo atrás.
Klaus acariciou os cabelos da loira, perguntando-se se esta o perdoaria quando acordasse. Provavelmente, não.
O carro parou em frente à um casebre, as luzes da pequena varanda estavam acesas, e assim que os carro parou, a porta se abriu, revelando uma mulher velha, de aparência cansada demais. Esta sorriu, saindo até à varanda, seus braços cruzados sobre o peito.
– Esta é Caroline? – perguntou ela, com um sorriso terno para o Híbrido, assim que encontrou a garota em seus braços. Ele assentiu, aproximando-se e beijando levemente a testa da mulher. A relação dos dois poderia ser chamada de íntima, muito mais antiga do qualquer um ali poderia dizer. Ia muito mais além. Todavia, tanto Louise quanto Klaus sabiam que Margareth era alguém que poderia destruir aquele relacionamento. Talvez, por isso, Caroline estivesse ali, em seus braços, para ser examinada por Louise. A garantia de que sua filha não seria morta...
– Você conversou com Margareth, uh? – Klaus perguntou, adentrando a casa. Quadros estavam espalhados pelas paredes, mostrando o rosto de Margareth em suas fases. Criança, adolescente e adulta. Assim como outra garota, um quadro que nem sequer havia chegado à fase adulta. A outra filha de Louise. Filha a qual, esta não falava sobre, de jeito nenhum.
– Sim – a velha mulher assentiu, notando os outros híbridos ali fora. Não se daria ao trabalho de convidá-los. Havia uma grande e velha regra de convidar o mínimo possível de vampiros para sua casa. Afinal, eram vampiros. E vampiros eram traiçoeiros. – Elijah está no outro cômodo.
– Não há nenhum tipo de necessidade do meu honroso irmão mais velho estar aqui, Louise... – o Híbrido reclamou, lançando um olhar em direção à sala, onde Elijah se encontrava de pé, de braços cruzados, junto à lareira.
– Você sabe que há – disse ela, de forma “aliás”.
Klaus depositou o corpo desfalecido de Caroline sobre o sofá vermelho. Apoiando uma almofada sob a cabeça. Ele se perguntou se realmente era uma boa ideia descobrir o que a loira tinha realmente. Logo, notou Kol descendo as escadas do corredor atrás da sala, ele tinha um sorriso presunçoso ao ver o irmão mais velho e sua namorada.
– Ora... Eu realmente não acho que seja uma boa ideia uma reunião de família, mas deixe-me dizer: Rebekah ligou... – sua expressão presunçosa permanecia ali, porém, havia certa urgência que chamou a atenção de Klaus.
– O que ela quer? – perguntou.
– Não agora, Niklaus – Elijah alertou. – Precisamos todos conversar... E agora não é uma boa hora...
Klaus riu, de forma desdenhosa. Parecia que, de todas as pessoas ali, as únicas em que confiava eram Caroline e Louise. Embora, ambas estivessem em uma área de “perigo” constante.
Margareth murmurou alguma coisa, para em seguida, as velas se acenderem. A sala tornou-se um clarão alaranjado. O fogo crepitando, da lareira às velas brancas ali. Louise e ela trocaram um olhar significativo, e logo, Magh começou a murmurar algum feitiço. As palavras em uma língua antiga flutuando pela sala, chegando aos ouvidos de todos ali. Mas fora em Caroline que estas fizeram efeito.
– Que tipo de feitiço é este? – perguntou Klaus, numa voz alta, interrompendo as duas. Louise lhe lançou um olhar zangado, todavia, respondeu-lhe o melhor que pôde.
– Com este feitiço, teremos ideia do que ela trouxe consigo do outro mundo – disse.
– E o que acha que pode ser?
– Eu não sei... Mas pelo o que Margareth e Elijah me contaram, não é algo que deveria estar aqui – e com essas palavras, tornou a murmurar o feitiço.
Por um intenso instante, nada ocorreu, até que as chamas chegaram ao seu ápice. Kol assistia a tudo um tanto que maravilhado —há muito tempo não via bruxas em ação, e bem... Sentira falta daquilo. Daquele poder exalando delas. Elijah, por outro lado, parecia um tanto que impassível —tal como sempre. E Klaus era quem demonstrava sua impaciência e preocupação. Estava com medo do que quer que aquilo pudesse resultar.
E então, o corpo de Caroline vibrou, como em uma convulsão. Espasmos em seu corpo, fazendo-o se remexer sobre o sofá. Louise se aproximou, murmurando baixo, mas audível para aqueles na sala.
– Quem é você? – perguntou ela ao corpo de Caroline, e aquilo pareceria ridículo se esta não abrisse os olhos e sorrisse malignamente, sentando-se. Aquela Caroline não respondeu, apenas permaneceu encarando a velha, até que então, notou que não podia se mexer. Havia alguma coisa prendendo-a no lugar. Margareth, claro...
E o que quer que aquela Caroline fizesse, ou como olhasse em direção à bruxa mais nova, nada a fazia se mexer ou se desconcentrar.
As chamas ao redor se tornaram ainda mais intensas, tornando a sala potencialmente quente.
– Quem é você? – Louise tornou a perguntar, dessa vez, atraindo a atenção de Caroline, que meneou a cabeça para o lado, para olhar melhor a mulher. Do outro lado da sala, Klaus soltou uma baixa exclamação. Exclamação esta que fora o suficiente para chamar a atenção de Caroline, que o encarou. De repente, seus olhos tornaram-se vagos, e, logo, esta despencou novamente no sofá.
Puxando o ar com força, uma Caroline assustada surgiu, segurando as laterais do sofá. Ela sentou-se no sofá. Sentia-se como se tivesse acabado de sair de dentro de uma banheira profunda, como se alguma coisa a tivesse prendido ali, segurado-a pelos ombros, para que se afogasse.
E, naquela sala, ela procurou por Klaus. E o que viu no rosto dele não foi algo que tenha gostado. Ele estava tão impassível quanto Elijah, embora Elijah demonstrasse mais do que qualquer outro ali. Havia um entendimento ali, em seus olhos astutos.
– Klaus... – Caroline chamou em um choro. Este fez menção para se aproximar, mas alguma coisa o deteve. Um campo de força... Alguma coisa o estava prendendo em seu lugar.
Ele levantou seus punhos, pairando suas mãos contra a parede invisível.
– Não... – Louise murmurou para ele, levantando uma mão enrugada. Ela se voltou para Caroline, observando-a atentamente. – Caroline...
– Solte-o! Solte-me! – a garota disse rispidamente. – Deixe-me ir.
A expressão assustada e confusa da garota tornou-se enfurecida. As veias sob os olhos saltaram-se, as presas foram expostas. Louise torceu os lábios, ao notar alguma coisa na garota. Um filete negro serpenteando por sua pele.
– Então é verdade... – ela murmurou para si mesma. – É realmente verdade...
– Do que está falando? – exclamou Klaus, agora batendo seus punhos fechados contra a parede invisível que o mantinha no mesmo lugar. As chamas tornaram-se mais altas, a voz de Magh tornou-se mais alta também.
– Vocêêêêê vaiiiiii queimarrrrrr... – o silvo baixo, não passando de um sussurro do vento soou. Era Caroline. Ela o estava dizendo para Louise. Como uma serpente. – Eu viiiiii... No finallllllll vocêêêêê queimaaaaa.
Louise se afastou, levantou-se, cambaleando para trás. E, logo, seu rosto contorceu-se, como se sentisse dor.
– Meu Deus... – ela chorou, levando uma mão até seu peito, sua respiração cerrada. Seu corpo chocou-se contra a parede, trazendo assim, Margareth de volta a realidade. Esta correu até a mãe, enquanto Elijah também o fazia, alcançando o corpo da velha mulher antes que este alcançasse o chão.
Klaus por vez, permaneceu ali, parado. Tinha receio de se mexer, assim como sentia-se horrorizado demais para tal coisa. O que havia acabado de acontecer...
Caroline desta vez não o fitou. Simplesmente, tornou a cair no sofá, desacordada.
– Niklaus! – a voz de Elijah o trouxe de volta a realidade. – Leve Caroline e Kol de volta para casa!
Este assentiu, uma só vez, enquanto meneava a cabeça para o irmão mais novo esperar-lhe do lado de fora, enquanto carregava o corpo de Caroline.
Por um instante, Klaus perguntou-se se Louise estaria bem. Mas por fim, concluiu que esperaria chegar em casa para ter tal notícia.
– Klaus...? – a voz sonolenta de Caroline o chamou de seus pensamentos. Viu-se novamente em seu quarto, com a loira ao seu lado, dessa vez, sentada de forma preocupada. – Está tudo bem?
Ele apenas a fitou, se perguntando novamente o quão ruim era. O quão mal ele havia feito à todas as pessoas do mundo para ter aquele tipo de destino. Nunca a felicidade. A morte sempre serpenteava em seu caminho, como uma companheira incansável. Companheira ele que, um dia, acreditou que fosse Caroline. Terrível engano este.
Ele sentiu as mãos de Caroline espalmarem em seu peito nu, sentindo o coração acelerado do híbrido. Ela tornou a perguntar se este estava bem, para apenas receber um aceno.
– Caroline... – ele começou. – Precisamos conversar sobre o que aconteceu mais cedo...
A loira levantou seu rosto, parecendo corar.
– Eu sinto muito... – ela murmurou com uma voz solene e doce. – Eu não queria assustar você... Eu sei que depois de tudo o que aconteceu, eu não devia me comportar daquela forma...
Klaus virou-se para ela, segurando seus ombros.
– Do que está falando, Caroline? – indagou ele, em um murmúrio.
– Sobre mais cedo... – respondeu ela, confusa. – Sobre o episódio do chuveiro. Eu não devia ter chegado tão depressa... Eu só...
Klaus entreabriu os lábios, sentindo como se, de repente, a coisa fosse realmente pior do que ele havia imaginado que esta fosse. Caroline não se lembrava do que havia feito? Sobre quase ter matado Louise? Sobre a voz que fizera antes de Louise enfartar? Horrorizado, ele passou os dedos dentre os cabelos curtos, sentindo um aperto inimaginável em seu peito.
– Caroline... – ele tornou a começar. – Você causou um enfarto em Louise. Você quase a matou essa noite. Você realmente não se lembra?
A loira sacudiu a cabeça, lentamente. Uma expressão incrédula, como se Klaus estivesse sendo ridículo em dizer aquelas palavras.
– Ela está... Bem? – perguntou a loira.
– Eu não sei – respondeu, parecendo atordoado. – Mas eu cheguei à uma conclusão...
– Qual?
– Voltaremos para os Estados Unidos assim que tivermos notícias de Louise – disse, levantando-se da cama e caminhando para fora do quarto.
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