Leis De Um Sacrifício
24 — Epílogo.
Notas iniciais
O papel amassado ao seu lado lhe trazia a leve impressão de que estava sendo observada. Havia uma leve impressão de que alguma coisa estava faltando... Alguma coisa que guardara em sua mente, trancada a sete chaves. E a parte mais estranha de tudo era não saber exatamente onde deveria começar a investigar sobre esta falta. Sobre esse abismo vazio e solitário em seu peito.
Aquela carta... Ela não sabia onde começar a remoer toda a sua dor, principalmente, quando sentia como se tivesse perdido muito mais do que aquelas palavras no papel diziam.
Não conseguia compreender como aquele borrão estava em sua mente, como não conseguia se lembrar dos últimos meses, com exceção dos momentos de dor que passara; ou dos olhos de Klaus, em algum momento que ela desconhecia.
Mas então, lá estava ela, sentada num tronco de um salgueiro chorão, sentindo então o pior sentimento que poderia sentir: luto. As coisas que ela havia feito para bem de outros aos quais amava pareciam ter se virado contra ela. Parecia que todas as coisas haviam se virado contra ela.
E então, havia a carta. Havia a maldita carta que a fazia querer chorar, de tão angustiante que era. Ela levou seus dedos sobre a superfície rústica do tronco, onde se encontrava sentada, escorregarem até o canto onde o papel amassado em bolo. Desamassou-o cuidadosamente, lendo em seguida as palavras ali:
“Querida Caroline,
Se está lendo isso então significa que o feitiço deu certo e eu não estou mais com você, mas eu preciso que você entenda que tudo o que fiz foi por você. Eu espero que não fique triste com isso, eu espero, do fundo do meu coração, que você viva feliz com quem você escolher. Eu desejo que viva eternamente, como sempre desejou e mereceu, afinal, alguns são destinados para a eternidade e você é uma delas.
Eu espero que me perdoe por todo o mal que fiz a você. Espero que nunca nos encontremos novamente, já que isso resultaria em você morta, mas saiba que eu sempre estarei cuidando de você deste lado, sempre zelando. E eu sempre estarei amando você, afinal, a melhor coisa que me aconteceu na vida foi você.
Eu espero que entenda as razões de eu ter me sacrificado para que você vivesse... Eu espero que você entenda que de nada vale a eternidade se não tiver quem amo ao meu lado. E de alguma forma, eu sabia que depois de tudo o que aconteceu, caso você voltasse ou onde quer que você estivesse, jamais me aceitaria ou me perdoaria pelas coisas que eu fiz. Mas eu espero que agora, eu tenha me redimido com você. Porque eu poderia aceitar passar uma eternidade tentando fazê-la me perdoar.
Você sempre será minha melhor amiga e o amor da minha vida. Sempre será justa e dedicada, sempre será determinada ao que quer. Sempre será tão sonhadora, sempre terá essa luz ao seu redor, mesmo quando no mundo só houver escuridão. Sempre será fútil, sempre pensará em coisas tolas que farão com que os outros se sintam obrigados a segui-la. Sempre será a eterna Miss Mystic Falls.
E é por isso que eu amo você e sempre amarei,
com amor,
Tyler.”
Ela então enxugou mais uma vez o rosto, guardando então o pedaço de papel no bolso, levantando-se do tronco e encontrando então suas duas melhores amigas ali, esperando-a, dando-lhe espaço.
– Hey, Caroline! Já faz dois meses! – Elena murmurou, abraçando sua amiga pelos ombros. Caroline fungou, recompondo-se.
– Eu sei... Só... É estranho... Falta alguma coisa nisso tudo. Eu não entendo como Tyler pode ter se sacrificado por mim de tal forma... – ela disse então. Bonnie então suspirou, chutando algumas pedrinhas ali. Ela parou, deixando que suas amigas então virassem para olhá-la. Ela havia feito uma promessa para Klaus... Era uma promessa que ela, de alguma forma, precisava desfazer. Afinal, Caroline não havia melhorado como eles esperavam que acontecesse. Ela nem se lembrava mais dele!
Eles haviam conseguido concluir o pacto, trazê-la de volta, embora que, no instante em que Klaus decidira dar sua vida por ela, Tyler surgiu. Ele havia entregado Caroline para Klaus, para total surpresa da bruxa e dos outros. Tyler havia decidido que não ajudaria aquela “coisa” a dominar o mundo no instante em que ele notara que havia mentido sobre trazer Caroline de volta, inteira. Não havia como... Ele havia visto a vampira se desmoronar, havia visto seu corpo não mais se regenerar como antes. Ainda por cima, havia visto os malditos filetes em seu corpo, passeando de encontro a sua cabeça e coração.
Caroline não era mais ela, e mesmo que voltasse, não conseguiria mais ser. Estava perdida completamente. E a ideia de perdê-la completamente o fez cair em si. E no instante em que chegara a casa dos Mikaelson e contara a Klaus tudo o que estava acontecendo, o híbrido jurou-lhe poupar... Principalmente, porque já havia desistido de qualquer vingança.
– Nós a amamos a ponto de mata-la – Klaus havia dito ao híbrido, enquanto serviam-se de uísque. Ambos se encararam, como dois homens, sofredores do mesmo mal. Os dois a amavam tanto... Ambos de forma diferente, mas profundamente. Havia uma culpa compartilhada entre eles que apenas eles compreendiam. E no final daquele copo de uísque, Klaus deixou escapar o que estava acontecendo. Toda a história havia sido despejada para Tyler. Desde o plano maligno de sua mãe, até o sacrifício que o Original faria. E por fim, uma frase não esperada. – Eu sinto muito pelo dano que causei. Por seus amigos que matei. E, principalmente... Sua mãe.
O silêncio a seguir veio. Por um instante, Bonnie havia achado que Tyler pularia sobre o original, mas, para seu espanto, ele não o fez. Não disse nada.
– Caroline o ama – Tyler disse. – A pior parte é perceber que ela ama a pessoa que mais machucou outras em todo o universo. Você matou inocentes, você matou minha mãe, meus amigos. E ela, ainda assim, o perdoou. Eu não entendo como isso aconteceu, mas sei que não a compeliu para isso. Ela sempre procurou a melhor parte dentro das pessoas. Ela procurou a melhor parte em você e a encontrou, distorcida, mas encontrou... Ela fez o mesmo comigo. Ela me salvou, me ajudou quando eu menos esperei e fez o mesmo com você. E tudo o que demos a ela foi a morte, sofrimento. Eu não quero que ela viva infeliz, sofrendo pelo fato de você ter se sacrificado por ela... Ela superaria, mas... Não seria mais essa Caroline que amamos.
– Eu não posso pedir tal coisa – Klaus interveio, assim que compreendeu as intenções do moreno, deixando seu copo de lado.
– Eu não estou fazendo isso por você – Tyler disse. – Eu estou fazendo por ela. Eu não quero nada de você, Klaus... A única coisa que exijo é que a faça feliz. E que a deixe ser feliz. A melhor escolha para ela.
Agora, Bonnie mal podia lembrar-se sem chorar, do momento em que ele havia entregado a carta para ela, para que assim que o ritual terminasse, Caroline tivesse a carta em mãos.
– Eu preciso que entregue isso a Caroline caso isso tudo dê certo – Tyler havia dito, ao puxar Bonnie para um canto da sala. Puxou do bolso um envelope e entregou-o à Bruxa. – Eu não sei se isso dará, Bonnie, mas... Eu preciso que me prometa que cumprirá. Ao menos, eu quero que ela tenha isso e compreenda as coisas feitas por mim.
Bonnie não contestou, não reclamou ou tentou dizer para não o fazê-lo. Ela sabia que se algo como isso acontecesse com Jeremy ela daria um jeito de fazer coisa semelhante. E bem, Caroline teve a carta em mãos, assim como a lembrança apagada por Klaus.
“O melhor para ela”, ele havia dito após sair do quarto dela, com uma expressão tão amarga, triste. Bonnie se perguntou como eles conseguiam fazer tal coisa para a amiga dela... Mas o resultado havia sido bom. Caroline havia entrado na faculdade naqueles meses, junto com Elena e ela.
Ela havia estado triste, como se alguma coisa estivesse-lhe faltando e as amigas sabiam o que era, embora nenhuma delas tivesse permissão para dizer. Bonnie se lembrava da expressão da xerife Forbes ao ver a filha em casa. Em como esta havia chorado aos montes, resmungado sobre a falta que a filha fizera, em como havia desaparecido por meses e voltado para casa. E tudo o que Caroline pôde dizer fora:
– Eu estou em casa agora, mãe. E eu pretendo passar muito tempo aqui.
– Qual o problema, Bonnie? – a loira perguntou, virando-se para a morena parada. Então Bonnie observou seu rosto, a expressão da amiga. Ela estava onde queria estar, não estava?
– Nada – disse Bonnie, sorrindo então. – Bobagem. Vamos para casa.
[...]
Dois Anos Depois.
O vestido parecia um pouco apertado em seu corpo, mas apenas parecia.
Caroline não se lembrava muito bem de quando conseguira aquele vestido, exceto pelos borrões que surgiam em sua mente vez ou outra durante a noite, os borrões com luzes da torre Eiffel ou o sol brilhando nas paredes de casarões antigos e bem conservados. Ou o vislumbre de estar deitada na grama fresca, tomando sol e sentindo sua mão ser apertada por alguém. Alguém que não conseguia se lembrar muito bem do rosto. E essa era a parte mais angustiante: não se lembrar do rosto daquela pessoa.
Rodeada por rostos vazios, Caroline tomou mais um drinque de sua tequila após compelir ao barman de vender tal coisa a ela. Seu corpo jogado em uma cadeira no bar, onde corpos se balançavam durante uma dança no meio da pista. Ela se levantou assim que avistou Elena Gilbert, dançando com seu amigo Aaron. Ela se perguntava como Damon lidaria com aquilo caso ele estivesse ali para vê-la dançar com outro cara.
Bonnie, no entanto, havia desaparecido da pista de dança. Caroline cogitou procura-la, porém, Jeremy também havia sumido. Talvez ambos estivessem juntos em um canto, num momento muito intimo.
Então, tudo o que Caroline pôde fazer fora se mover para qualquer canto daquela festa, onde pudesse dançar e esquecer aquela sensação vazia que sempre sentia em seu peito, principalmente, quando almejava estar feliz em algum lugar que particularmente desconhecia.
Enquanto se balançava ao som daquela batida alta, quase esqueceu-se do mundo ao seu redor. Porém, assim que esta música terminou, ela percebeu que não significava muito estar em lugares cheios de gente e sentir-se tão vazia.
Endireitou seu vestido justo e caminhou até as escadas de incêndio, que davam numa pequena sacada mais acima no prédio. A lua se encontrava cheia no centro do céu, a luz que ela emitia era quase tranquilizadora naquele oceano profundo e frio que havia dentro da garota. Ela se inclinou contra o parapeito, observando as pessoas entrarem no prédio.
Quando mais nova, imaginava o quão legal seria ter toda a eternidade pela frente. Agora, tudo o que Caroline conseguia pensar era em como ela lidaria com o fato de que tinha toda a eternidade pela frente; todos os planos e sonhos que agora pareciam bobos ou curtos demais. Suspirando, ela decidiu que daria uma desculpa qualquer a suas amigas e voltaria para seu quarto, que assistiria alguma série, talvez uma maratona de Friends e dormiria coberta por sorvete e chocolates. Sentiria-se ótima no dia seguinte, mais um dia chato e comum na universidade.
Seus pensamentos perturbados e depressivos foram interrompidos quando esta escutou passos se aproximando.
– Já está ocupado – ela disse para quem quer que estivesse se aproximando. Todavia, os passos continuaram.
– Sim... Eu sei... Eu vi você subindo e não parecia muito bem – a voz disse. Algo sacudiu-se dentro de Caroline. Ela virou-se, para fitar o homem em pé ali. Ele não parecia de nenhuma forma aluno daquele lugar. Mais velho ou talvez professor. Mas nunca o tinha visto ali antes. – Sabe... Você é a aniversariante, a anfitriã e está deixando seus convidados lá embaixo. Não achei que fosse desse tipo...
– Bem... Sempre há a primeira vez para tudo e, aliás, eles estão muito bem sem mim. Nem sentiram minha falta – ela deu de ombros, cruzando seus braços sobre o peito.
– Mas eu senti – ele disse então. Sua voz profunda, como se tivesse mais ali do que ele estava mostrando, mas do que o conhecido pela loira.
– É mesmo? – ela zombou. – Não nos conhecemos.
– Bem... Sim... – ele balançou sua cabeça rapidamente ao notar a confusão na loira. – Bem, não. Não nos conhecemos. Deixe-me apresentar: sou Klaus.
Ele estendeu uma mão para a loira, que a pegou hesitante, sacudindo esta em seguida.
– Caroline – ela apresentou-se.
– Eu sei... Eu ouvi muito sobre você.
– Oh. É mesmo? Quem falou tanto de mim? – ela indagou, divertida. Klaus abriu-lhe um sorriso felino, adorava jogos até onde Caroline viu.
– Eu estive vivendo em Mystic Falls por algum tempo. Conheci pessoas lá. Uma delas foram sua mãe e se Tyler Lockwood.
Os olhos da loira se espreitaram para o loiro ali, estudando-o cuidadosamente.
– Já faz bastante tempo em que Tyler morreu – Caroline disse então, sorrindo suavemente.
– Sim. – concordou Klaus. – Dois anos e meio.
– Sim – ela disse, surpresa. Perguntou-se então como o homem sabia de tal coisa. – Como... Como sabe?
Klaus mirou-a, dos pés à cabeça, com um sorriso torto e um tanto amargo.
– Porque eu também perdi alguém no mesmo dia em que Tyler morreu... Foi o tipo de data que ficou marcada. – explicou.
– Oh, sinto muito. – a loira murmurou.
– Não se preocupe, amor. Existem coisas que podemos reaver com o tempo... Basta deixa-lo agir corretamente. Ou com certa interferência. – ele então aproximou-se da mureta, mirando a lua logo acima deles, observando como a luz da mesma iluminava os cabelos loiros de Caroline. Observando como sentira falta daquela visão de perto. – Me diga, Caroline... Você já pensou em visitar New Orleans?
Aquilo a pegou de surpresa. Caroline o fitou, de forma suspeitosa.
– Está... ?
– Sim. Estou. – ele sorriu. – Existem coisas no mundo que você precisa conhecer, minha querida... A universidade e tudo isso aqui é ótimo, o aprendizado é maravilhoso, mas conhecer com seus próprios olhos o que o mundo pode lhe oferecer é mais ainda.
– Nós não nos conhecemos... – ela murmurou.
– Podemos nos conhecer, querida. Talvez esteja na hora de você deixa que este vazio dentro de você vá embora.
Caroline sentiu seu corpo tremer, não pelo frio, mas sim pela forma como ele havia dito com clareza sobre este vazio dentro dela. Como alguém que ela nem conhecia podia dizer algo assim?
– Tyler... – ela começou, mas Klaus a parou.
– Tyler era um bastardo que fez a escolha certa na última hora de sua vida. Não se prenda a ele. Ele deixou-a livre para viver como queria, para viver bem... Apenas quem conhece aquele sofrimento, o sofrimento de amar tanto uma pessoa a ponto de se sacrificar por ela, renunciar sua vida e suas escolhas por ela pode compreender o que ele fez.
– E você compreende? – ela indagou duramente. Klaus riu; uma risada fria, cheia de uma dor estranha. Tanto amargo. – Você alguma vez fez isso por alguém?
– Sim, Caroline... – ele disse então, depois de um longo silêncio. – E eu faria de novo. Só não acho que seja preciso. Eu passei os últimos dois anos lutando contra a vontade de ir atrás do que eu mais queria, eu passei anos me entregando a todos os cantos, tentando desfrutar de coisas que pareciam me completar antes, mas então eu percebi que não adianta. Não adianta tapar o sol com uma peneira para não sentir dor. É covardia apagar toda a sua dor apenas porque acha que será melhor para todos. E se não for?
– Então porque não foi atrás? – ela perguntou, se afastando suavemente dele.
– Eu fui – ele sorriu, tornando a olhar para a lua. – E eu a vi tão vazia e triste em um terraço que fez com que eu me arrependesse amargamente por ter deixado-a ir, enquanto tentava ser bom para com ela, tentar fazer a coisa certa.
– Do que... Do que está falando? – murmurou ela, amedrontada então. Klaus então se aproximou sutil, tocando o braço da loira que se encolhera. – Por favor... Eu irei machuca-lo...
– Caroline... Eu preciso que preste atenção... – ele então a encarou nos olhos profundos desta, compelindo-a. – Você ficará quieta, calma.
E ela o fez, surpreendida pelo o que estava acontecendo ali.
– Como... Como você fez isso? – ela indagou.
– Eu sou um Original, querida. Eu posso compelir outros vampiros. Mas me escute com atenção... Eu preciso que você se lembre. Lembre-se de tudo. Independente do que você irá escolher depois, se me aceitará de volta ou não... Eu só preciso que você se lembre.
Caroline fechou então seus olhos, um instante se passou. Uma eternidade para Klaus. E então, ela os abriu. Não houve sorriso ou choro. Logo, ela se lembrava.
[...]
As folhas caiam como chuva sobre o corpo de Caroline deitado ali, observando, com os dedos cruzados e entrelaçados sobre a barriga, as nuvens correrem para longe.
Havia uma onda de esperança e paz em seu peito que a enchia tanto quanto a onda plena e repleta de amor. Seus olhos observavam tudo ao redor, embora ela parecesse estar voando para longe de onde quer que aquele lugar fosse.
Sentiu então a grama ao seu lado afundar, anunciando que alguém se deitara ao seu lado. Ela não precisou olhar muito para notar Klaus ali sorrir. Seus olhos azuis esverdeados fitando-a tão apaixonadamente. Ela então virou seu rosto para fita-lo em retorno. O sorriso em seus lábios foi inevitável.
Klaus então aproximou-se, beijando-a. Tão completamente relaxado que antes que pudesse notar, Caroline havia deslizado para dentro de sua mente sem intenção.
E admiradamente ela sentiu aquela avalanche de sentimentos bons fluindo para ela. Ela era uma esponja, absorvendo tudo. E quando o beijo terminou, ela sentiu seu peito apertar-se tão profundamente. Seus dedos tocaram-lhe o rosto, a barba aloirada, quase ruiva.
– Eu te amo – ela sussurrou, sua voz baixa, como se aquilo fosse um segredo tão extremo que apenas ele podia ouvi-lo. Klaus sorriu, ainda de olhos fechados. Perguntando-se então quantas vezes teria de sofrer para que então pudesse encontrar alguma paz além da morte. Lá estava sua resposta. Ele havia precisado ir para Mystic Falls, para encontrar nos braços de alguém improvável o amor, alguém que outrora ele quase matara para liberar seu lado licantropo.
– Porque não fugiu assim que teve chance? – ele então perguntou a ela, sua voz quebrada. Ela sabia exatamente o momento ao qual ele se referia: o momento em que ela descobrira toda a verdade, recuperado todas as memórias que haviam sido apagadas nos últimos anos.
– Algumas pessoas não podem simplesmente fugir... Eu não poderia. Eu não vivi bem nos últimos anos em que me forçou a esquecer de você. Na realidade, eu nunca soube se eu realmente o havia esquecido. Havia uma parte de mim que gritava para ser liberada, que te trouxesse de volta para mim, para me fazer lembrar de cada instante em que eu estive cega. – ela tagarelou. – Eu espero que outras pessoas possam sentir o que eu sinto por você, Niklaus. Eu espero que tenham a sorte de sentir esta coisa que sinto por você. Essa coisa devastadora que rói meus ossos todas as vezes em que eu te vejo.
– Você precisa parar de dizer essas coisas... Eu achava que a alma sombria e sentimental aqui era a minha. – ele riu, inclinando-se sobre o corpo da loira, apoiado sobre seu braço. Sua mão livre acariciou o rosto levemente corado dela, que sorriu pela carícia. – Eu espero que ao menos possamos viver felizes sem o universo ou minha amada mãe tente nos separar, amor. Eu gostaria de viver a eternidade com você... Apenas para começar.
Caroline riu, como um ronronar. – Pergunto-me então se eu em fim não encontrei a paz após minha morte e estou vivendo-a aos poucos a cada dia.
– Não sei, querida. Talvez seja a minha. Talvez eu quem tenha morrido e encontrado você além do Outro Lado – ele murmurou, beijando-a então.
FIM.
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