Talvez tivesse se passado uma ou duas horas, ou tempo demais para se contar, rápido demais para se notar ou lento demais para ser alterar.



Talvez aquilo não fosse real, ou fosse uma realidade necessariamente abstrata, onde o tempo pudesse se abalar de tal maneira que seu curso não fosse mais tão natural. Onde novamente fosse senhor de suas vontades, da vida e da morte. Onde a imortalidade não é nada, onde os segundos são eternos, marmorizados em sua doente letargia e o controle não existe. Talvez aquilo fosse humanidade, não ter força para ultrapassar a miserável barreira entre o medo e o desejo.

Klaus estava agora paralisado, como se seus pés estivessem fundidos ao asfalto, por mais que desejasse mover-se, por mais que sua mente ordenasse que partisse para longe dali, seu corpo não o obedecia, talvez aquilo fosse ser humano, não ter controle sobre nada, nem sobre si mesmo.

A voz de Rebekah atingira os tímpanos do híbrido tal como cristal contra concreto, gerando milhares de estilhaços estridentes lançando-se em ondas contra seu raciocínio e por mais rápido que sua mente tenta processar a informação, algo o impedia, como se não fosse necessário entender, já que não era real.

Em questão de segundos, Klaus pôde observar Elijah mover-se em sua velocidade sobre-humana, colocando-se junto dos irmãos mais novos, próximo ao corpo, o tão idêntico corpo, tão igual a sua amada infeliz Caroline.

O híbrido não pôde detectar precisamente o momento, mas tão logo tais pensamentos lhe atingiram ele estava junto de Elijah, não se lembrando em qual momento pensara em ir a qualquer lugar que não fosse para longe daquela maldita assombração.

Mas ainda sim, estava ali, perto demais do que quer que fosse aquilo, e nada o convenceria de que não era real, mesmo sua consciência gritando que mortos devem permanecer mortos. Algo dentro de si reagia contra aquilo, mas todo o resto, inclusive cada célula do seu corpo, queria que aquilo fosse real. Acreditava que era.

Havia um cerco, uma bolha de isolamento, como se estivessem em outra dimensão, onde o silêncio era absoluto, como se até mesmo o tempo houvesse parado para observar tal cena, um espetáculo tórrido, trágico romance sem final feliz. Um teatro abominável onde às personagens não sabiam o roteiro ou as falas, apenas seguia-se o maldito curso ditado pelo destino.

Não havia sons, ou ruídos, nada além das respirações ofegantes e corações acelerados, nada além do medo de Rebekah amparada pelo abraço de Kol que também permanecia cético, Elijah buscava alguma explicação por mais rasa que fosse. Qualquer coisa era melhor do que nada.

Klaus, por sua vez, mantinha uma expressão aterrorizada, Elijah imaginou que talvez seu irmão pudesse morrer, ou ter um ataque, qualquer maldita reação humana, era tolice, mas por um segundo Elijah viu toda sorte de sentimentos atingirem seu irmão: medo, dor, esperança, amor. O mais sublime e magnífico amor já visto, como se a simples menção da garota fizesse algo novo nascer em Klaus, como uma chama em meio às trevas, o bem necessário para destroçar todo o mal o qual a alma do híbrido estava submerso.

Finalmente Klaus havia encontrado sua humanidade, sua liberdade, sua alma e Elijah desejou que aquilo fosse real, desejou que seu irmão fosse feliz pelo menos uma vez em sua eternidade.

Elijah ponderou por algum tempo indeterminado, esperando que Klaus se movesse, mas nada, nenhuma reação. Então, como sempre fazia o irmão mais velho tomou as rédeas da situação, curvando-se lentamente, o vampiro aproximou-se do corpo, a garota estava envolta em um tecido, que outrora fora branco, agora escarlate pelo sangue que corria dos ferimentos causados pelo acidente, apoiando-se nos joelhos o vampiro levou a mão ao ombro da garota, Rebekah percebendo as intenções do irmão, interviu.

– Elijah, não. Pode ser... Pode ser perigoso. – Rebekah definitivamente temia tais visagens.

Elijah apenas dirigiu um olhar tranquilizador à irmã, transmitindo segurança, calma, falsamente já que tudo que isso era tudo que Elijah não tinha naquele instante, mas ele era o irmão mais velho e tinha que se a base dos mais novos.

Havia uma apreensão, todos ali já tinham suas certezas. Certeza de que o corpo ali era de Caroline, certeza de isso não poderia ser algo bom.

Elijah segurou o ombro da garota virando-a lentamente, expondo seu rosto, os cabelos louros molhados pela chuva grudados na face, mas ainda era claramente Caroline, definitivamente aquilo era real.

Klaus estremeceu ao fitar o rosto, a pele empalidecida, os lábios arroxeados, um pequeno ferimento no supercílio sangrava, mas fora isso o rosto estava intacto, para qualquer pessoa lembraria um agouro de morte, mas para Klaus era vida. Sua vida.

Finalmente uma reação vinda do híbrido, jogando-se contra o asfalto, junto ao corpo, amparando-a protetoramente em seus braços.

Um trovão soou próximo, anunciando que a tempestade recomeçaria, e como se a reação de Klaus desencadeasse algo, tudo em torno voltara a mover-se, a floresta, o céu.

– Caroline... Ah, meu Deus. É você. – sussurrou Klaus, retirando os cabelos da face da garota.

Elijah que não esperava tal reação do irmão, ponderou por um segundo sobre o que faria a seguir e então decidindo por saírem dali, antes que mais mortos resolvessem retornar dos túmulos.

Klaus permanecia absorto, admirando Caroline, como se fosse o algo mais fascinante do mundo e talvez para Klaus ela realmente fosse. As mãos do híbrido percorreram pelo corpo da garota, sobre a pele branca, Elijah sabia o que ele estava fazendo, procurando fraturas nos ossos, mas para Klaus era algo mais, estava certificando-se de que realmente se tratava dela, sua perfeita e irritante Caroline.

– Há fraturas por todo o corpo, costelas, clavícula e coluna. Ela está destruída. – Concluiu o híbrido, sem dirigir-se diretamente a alguém.

A essa altura Rebekah estava mais calma, já não abraçava Kol, mas o original ainda permanecia em frente a caçula, por puro instinto de proteção. Os originais mais jovens olharam Elijah, o discurso de Klaus parecia mais uma autoafirmação do que um diálogo, como se o híbrido falasse a si mesmo.

– Niklaus – Chamou o irmão a fim de despertá-lo do transe em que se encontrava.

– Devemos levá-la para casa, para receber os devidos cuidados – indagou o mais velho, atraído à atenção do Híbrido.

– Sim, você tem razão, vamos tirá-la daqui. – Concordou Klaus, a voz ainda falha. Elijah nunca vira seu irmão tão vulnerável.

– Só temos um pequeno probleminha. – Interviu Kol. – Nosso único meio de transporte, está um pouquinho mata à dentro e os celulares não pegam aqui, como vamos chegar em casa? Ainda faltam 20 km. – Kol, recuperava aos poucos seu tom irônico novamente, demonstrando que já não temia tanto a situação, embora ainda fosse assustadora.

– Bem, podemos tentar – disse Rebekah, retirando o celular do bolso da jaqueta, para logo perceber que a tampa da bateria estava solta. – Acho que não. – ironizou, atirando o celular para longe de si.

– Bem, ai vem nossa carona. – Kol estava no meio da estrada, fitando ao longe as minúsculas luzes de um farol de carro que aumentava conforme se aproximava.

– Bem, irmã. Creio que o motorista ficara mais comovido se for uma frágil e linda loira pedindo ajuda. – Afirmou Kol, dirigindo um olhar risonho a loira ao seu lado. Rebekah apenas acenou com a cabeça, rindo de como o irmão podia ser perspicaz quando queria.

– Certo. – Disse a vampira, colocando-se no meio do asfalto, acenando para que parassem, tão logo os faróis lhe atingiram, o carro diminui a velocidade, logo parando.

– Por favor, me ajude. Meu carro foi roubado e eu não consigo pedir ajuda. – Rebekah fingia estar assustada, havia cinco homens no carro, todos aparentando estarem entre os vinte e vinte e cinco anos, vestidos com uniformes de times de Hóquei, provavelmente voltando de um jogo.

– Mas o que uma coisinha tão linda como você faz sozinha nessa estrada deserta? – Indagou um dos homens, aproximando-se ameaçadoramente da garota. – Rebekah recuou, fingindo estar assustada, observando se todos os passageiros haviam saído do veículo.

– Meu carro foi roubado, e os celulares estão mudos. – esclareceu a loira em um tom aparentemente inocente.

– Sabe, esse lugar pode ser perigoso. – Havia maldade nos olhos do jovem, se Rebekah fosse humana, estaria em sérios apuros.

– É, tem toda razão. Pode ser perigoso... Pra você. – As expressões da loira mudaram completamente, do aparente medo à maldade e finalmente às feições de vampira se formando, tornando o rosto angelical, demoníaco.

O homem assustou-se, virando-se rapidamente, em tentativa de fuga, sendo interrompido por Kol.

– Sabe. Você não deveria ameaçar moças inocentes, elas podem não ser exatamente o que você pensa. – afirmou o original, um sorriso perverso formando-se em sua face, conforme o medo assolava sua vítima.

O rapaz então percebeu que seus companheiros estavam caídos pela estrada, só se perguntava quando acontecera que ele não havia percebido, não houve tempo para respostas, pois logo pode sentir seu pescoço ser perfurado pelas presas do vampiro a sua frente, e logo Rebekah estava do outro lado, sugando ferozmente.

– Kol, Bekah. Venham! – Elijah ajudava Klaus a acomodar o corpo de Caroline no banco traseiro do carro. Os vampiros mais jovens apenas olharam-se deixando o corpo drenado cair de encontro ao chão. Os dois tinham exatamente o mesmo brilho faminto e cruel nos olhos, Elijah assustava-se com o quanto seus irmãos eram parecidos entre si e no final, eram iguais a Klaus, cruéis e frios.

Klaus estava do lado passageiro, com a cabeça de Caroline apoiada no colo, o híbrido parecia estar em espécie de hipnose, nada do que acontecia envolta lhe interessava, nada além do rosto inexpressivo sob seus olhos, nada além de seu mundo particular. Nada além de Caroline.

Elijah dirigiu-se ao banco do motorista, intencionando assumir a direção, quando foi interceptado por Kol, que impediu a abertura da porta.

– Nem empalado que vou lá atrás com a namorada zumbi do Nik, sou muito jovem pra ser feito de lanchinho de defunto andarilho. – Kol riu-se, afastando o irmão mais velho, que apenas acenou em negação, o irmão mais novo assumindo a direção. Rebekah colocando-se novamente ao lado de Kol.

– Mas vê se não atropela mais nenhum fantasma. – brincou a loira, fitando Klaus pelo retrovisor interno, vendo o irmão simplesmente se alienar do resto do mundo, os olhos fixos no rosto pálido abaixo de si.

Elijah acomodou-se desconfortavelmente no banco traseiro, na extremidade oposta a de Klaus, os joelhos de Caroline estavam dobrados, deixando-se com uma parecem mais adormecida e menos morta. O carro arrancou, deixando um rastro de mistério e morte para trás... Talvez nunca mais voltassem àquele bosque, como sempre faziam quando não podiam esquecer algo, apenas afastavam-se, aquela noite ficaria em suas mentes eternamente.


[...]



O dia já se anunciava quando chegaram à mansão, Klaus subira imediatamente para sua suíte levando Caroline consigo, ordenando que ninguém o perturbasse. Rebekah subira para o seu quarto, afirmando que tomaria um banho rápido e partiria antes de Klaus voltar à sanidade, Kol se encarregou de livrar-se do carro roubado. Elijah por sua vez, subiu para seus aposentos em silêncio, sem dar explicações a ninguém.


Todos ali estão extremamente cansados, não fisicamente, mas mentalmente. Dormir, matar, beber ou apenas isolar-se era o que eles faziam, cada um com suas duvidas e medos. Sempre sentindo, mas nuca expressando. Afinal sentir é a fraqueza do vampiro e os originais não são fracos.


[...]



O sol morno de outono adentrava pelos vitrais do lugar, finalmente luz natural para aquela casa, o quarto sofisticado lembrava aposentos reais, a cama de dosséis com cortinas finas e delicadas, do tipo que era usado durante as estações de sol, aos moradores daquela casa a temperatura não era incômodo então permaneciam à preferência de dono do quarto e aquele quarto pertencia à Caroline, embora essa fosse a primeira vez que ela o adentrava, o quarto tinha algo dela. Papel de parede em tons mates de rosa, com arabescos florais, o único cômodo da casa cuja mobília não era escura, não havia ébano ou mogno, mas pinho e cerejeira cobertos por uma uniforme camada de tinta branca, puxadores em cristais polidos, a tapeçaria era clara combinando com as paredes, um perfeito quarto de princesa. A roupa de cama era branca, algodão egípcio com delicadas rosas rascunhadas em fios prateados, a brisa que adentrava pela janela da sacada, balançava as cortinas rendadas, chocando-se contra a pele de Klaus, deveria arrepiar, mas não o fizera. Os dedos longos traçavam linhas finas sobre a penteadeira, observando os delicados frascos de perfumes, a rosa vermelha ali depositada, era a coisa mais intensa em meio a toda palidez do quarto, um sorriso preguiçoso sobre os lábios do híbrido, Caroline daria todo o brilho que aquele lugar precisava.


Ela estava ali agora, sobre o colchão de plumas, os lençóis macios lhe cobrindo até rente à curva dos seios, como em sono profundo, Klaus gostava de pensar que ela estava dormindo, mas sabia que não, ela estava morta o que para um vampiro não significa muito, recuperando-se lentamente, para então voltar... A vida.

O rosto estava limpo agora, os ferimentos cicatrizando com dificuldade, talvez pela falta de sangue, mas ela estava ali, curando-se, seus ossos aos poucos se regenerando, voltando ao lugar. Klaus lhe injetara algumas seringas de sangue, o que acelerou o processo, muito pouco, mas já era suficiente. Estava ali há algumas horas, cuidando de seus machucados, pedira a Magh que lhe colocasse roupas limpas, havia muito pudor para ele mesmo o fazer, embora conhecesse o corpo dela como o seu próprio, havia certo moralismo ali, resultado dos anos tendo Elijah como consciência, embora Elijah dissesse que era para ser dispensado a todas as mulheres, Klaus só o fazia com Caroline, porque ela era a única mulher que ele realmente olhara como tal, o resto era só... Resto.

Ponderou por alguns minutos, a observando ali, imóvel e ainda sim tão bela. O que faria enquanto espera? A resposta veio com alguns delicados raios de sol atingindo o rosto de Caroline, luz sobre luz, pensou. Os fios louros, tornando-se dourados, matizes de ouro sobre porcelana. Iria pintá-la, sim. Faria uma pintura, finalmente sobre algum sentimento que não fosse solidão e mágoa. Pintaria o amor, seu amor. Pintaria Caroline.

Pelo celular pediu que Alec, um de seus poucos híbridos que restara que lhe trouxesse seu material de pintura para o quarto de Caroline, não se afastaria dali por nada nesse mundo.

Depois de alguns minutos, Alec batera a porta, Klaus pegou os materiais e dispensou o híbrido, pedindo que avisasse Magh que queria lhe falar, obediente, o híbrido retirou-se, dirigindo um ultimo olhar sorrateiro à jovem adormecida.

Klaus iniciou seu desenho a lápis sobre a tela, traços leves e rápidos, depois de duas ou três horas, desenho já ganhava formas e contornos, um fundo escuro, entre o chumbo e o cobre, contrastando-se com o fino dourado dos cachos emoldurando o rosto, Klaus dedicara um cuidado especial aos lábios, dando-lhe um leve sorriso, a obra em singela, nada de autodefinição, os contornos eram somente o necessário para forma a figura da jovem, Klaus gostava do abstrato.

Quatro horas depois, Magh já tinha vindo e ido algumas vezes, Klaus lhe pedira que preparasse a casa para a nova moradora, flores e luz, fora o que ele exigira, a casa receberá sua nova dona, afirmara orgulhoso, sem tirar os olhos de sua obra, ou da sua inspiração.

A essa altura o sol já descia ao crepúsculo, e as pinceladas rápidas incansáveis nunca cessando, olhares apaixonados à obra e à modelo e finalmente, num súbito, Caroline despertara, puxando o ar com força para os pulmões, quase sufocando com tamanha força dispensada ao ato, os olhos indecisos entre o verde e o azul, expressivos, assustados. A surpresa de Klaus não fora menor, pincel e paleta caíram contra o tapete de proteção, manchando-o em todas, esperou tanto por esse momento, mas ainda não estava pronto para ele, talvez nunca estivesse. Dirigiu-se a cama, colocando-se junto a ela, tão viva, tão perfeita, tão sua.

Queria abraçá-la, beijá-la, tomar-lhe em seus braços e nunca mais deixá-la ir, desejava-a em seu corpo, em sua alma, queria ser parte dela e que a recíproca fosse verdadeira. Mas tudo que fez fora fitar seus olhos, só então os percebendo manchados, não era ela, era ele, as lágrimas teimosas e insistentes lhe turvavam a visão. Não se envergonhava de chorar, na verdade ele e Rebekah sempre foram os mais chorões da família, por incrível que pudesse parecer Klaus era sensível, suas feridas eram chagas incuráveis que doíam mais do que pudesse suportar sem cair em prantos. Mas agora não eram as feridas que o faziam chorar, era a cura, sua cura. Todo o desespero que sentira em perdê-la agora se aliviava como que por milagre, toda a dor, angústia, o medo, a culpa que sentira, esvaindo-se pelos poros, deixando a alma leve e pura para ela, somente ela era capaz de curá-lo, por que somente por ela, ele desejava a cura.

Caroline foi sentindo devagar, primeiro um medo, estava escuro e repentinamente havia sido lançada contra algo e então havia ar, não se lembrava de não ter, a luz pálida do entardecer lhe ditando a direção e então houve Klaus, perfeito Klaus, dos olhos de mar, entre o verde e o azul, turvados pelo cinza, provindo de algum canto de sua alma, ele a olhava com fervor, adoração. Porém, existia algo mais, um receio ansioso, ele estava esperando que ela reagisse, esperando algo dela, um sinal para poder mover-se. E então ela o fez, os dedos femininos percorreram o delicado lençol, alcançando-o, buscando passagem entre os dedos másculos que se comprimiam firmemente contra o colchão, talvez se policiando para não seguir o desejo incontrolável de tocá-la. Os dedos entrelaçaram-se com dificuldade no inicio e só então, ele permitira que ela guiasse sua mão, as palmas tocando-se atestando que não era uma visão, e se fosse um sonho, não se importavam em dormir para sempre.

Ele olhou suas mãos unidas e então os olhares uniram-se, não era um casal de muitas palavras, as juras eram sempre veladas, disfarçadas. Tudo o que se tinha a dizer estava nos olhares, como agora. Havia tudo ali, os tons das íris fundindo-se as lágrimas.

As mãos unidas apertaram-se, ansiando por mais toque, então porque não o fazer? Por medo de romperem a tênue linha entre sonho e realidade, ambos ainda temiam que aquilo fosse um sonho cujo final seria o limbo ou inferno.

Caroline tomou a iniciativa, sem nunca romper o contato visual, lentamente levantou a mão do híbrido, ainda junto a sua própria, levando-a até seus lábios, beijando-a delicadamente, sentindo o cheiro de tinta, solvente e finalmente o cheiro de Klaus, algo que só seu olfato apurado poderia lhe proporcionar.

– Estão sujas de tinta. – afirmou a voz rouca e seu sotaque perfeito.

Aquilo não era a primeira coisa que ele esperava lhe dizer, enquanto pintava refletiu sobre as juras que lhe faria, sobre as desculpas, mas os roteiros nunca são seguidos no espetáculo da vida de Klaus, então deixe o acaso reger esse momento, já que não tem controle, que seja assim e assim será.

– Eu não me importo. – respondeu a loira, passando o dorso da mão do híbrido sobre sua face, e finalmente fechando os olhos, como se o toque dele fosse à sensação mais prazerosa do mundo, e certamente era.

– Caroline! – exclamou com uma súplica, não pudera mais conter-se, precisava dela, não suportaria mais tanta saudade, ela estava ali, tudo que ele precisava era coragem, porque vontade ele tinha transbordando por seu ser. Aproximou-se rapidamente dela, diminuído ao espaço entre os corpos, ela tinha suas costas contra os travesseiros, junto à cabeceira.

As testas colaram-se, os lábios bem próximos, mas ainda tão distantes. Ela pôde sentir a respiração quente contra seu rosto, Klaus era quente por natureza, fogo que consumia sua alma. Se o calor do inferno fosse como o de Klaus, ela não se importava em não ir para o céu.

– Klaus... Eu, eu... – O gosto salgado das lágrimas faziam a voz travar, havia tanto o que dizer que, bem como não sabia por onde começar.

– Eu te amo, Caroline. – A voz do híbrido saiu certa, imersa em sua rouquidão natural, finalmente algo que ele planejara dizer desde o beijo em Veneza, mas o medo não permitira. Talvez se não fosse tão covarde todo mal que ela sofreu tivesse sido evitado. Mas ainda podia lhe dizer, o quanto seu amor era grandioso e eterno e não perderia um minuto mais.

Os lábios da vampira curvaram-se num sorriso meigo, as lágrimas multiplicando-se. Tudo que ela queria ouvir estava ali, os lábios que lhe eram a perdição, o amor que era seu caminho.

– Eu te amo. Te amo, te amo.... Tanto que não cabe em mim. – Klaus nunca fora tão sincero e vulnerável quanto a um sentimento, mas aquilo era preciso, como se a qualquer momento algo iria interrompê-los. Precisava falar do seu amor, aquilo era como um bálsamo as feridas, desculpas, perdoes estavam todos ali, perdidos, mas presentes nos “eu te amo” dos dois.

– Por que isso agora? – Pôde parecer insensível, mas essa é a Caroline inconveniente que sempre diz a coisa errada. Mas aquilo a assustou, tantas declarações vindas de Klaus, que nunca dizia o que sentia e que nunca sentia o que dizia. Mas ele entendia e amava-a por ser assim, quem era ele pra julgar os defeitos de alguém, ainda mais quando esse alguém é perfeito aos seus olhos.

– Porque você teve que morrer, para que eu pudesse perceber que não sou nada sem você. – as palavras foram graves, pesadas, mas ali não havia espaço para a culpa. O amor era absoluto e nada importava mais que amar e ser amado. Perdão é consequência.

Caroline jogou-se nos braços de Klaus, num abraço apaixonado, o aperto dos braços do híbrido em sua cintura denunciava o desejo ali presente, fazendo seu corpo responder, um arrepio percorreu sob a pele, sensações mil com apenas um toque.

– Eu senti tanto medo de perdê-lo. Tanto medo. – Caroline tremia, as lágrimas manchando a camisa escura do híbrido, não podia conter-se.

– Acabou. Eu estou aqui, amor. Pra sempre, nada nunca mais vai nos separar, eu prometo. – afirmou o híbrido, com toda a certeza que tinha em si, nada podia atingir seu amor. Isso era uma promessa de sangue.

Depois de alguns minutos ali, abraçados, sentindo os corpos um do outro, as lágrimas correndo velozes em ambas as faces, poderiam permanecer assim por dias se seus corpos não implorassem por mais. Caroline desfez o abraço lentamente, os dedos passando pelos ombros do híbrido, indo até a nuca e então arranhando levemente o couro cabeludo, ampliando o desejo.

As mãos másculas apertaram a cintura delicada, afastando os corpos mais nunca interrompendo o toque. Os lábios encontraram-se num roçar suave, Caroline mordiscou delicadamente o lábio inferior do híbrido, segurando-o entre os seus. Aquilo fora um pedido, uma suplica desesperada e então o autocontrole fora esquecido, havendo apenas dois amantes em chamas, desejando saciar-se um do outro. O beijo iniciara-se calmo, aprofundando-se vagarosamente, tão torturante. As mãos buscando por mais contato, mas existia tanto tecido impedindo-os, algo que Caroline e seu desapego às roupas do híbrido, tratou de resolver, com um puxão firme, a camisa de algodão havia sido dividida ao meio, expondo o peito nu do híbrido, as mãos delicadas acariciaram o tórax definido deixando um rastro de brasas, com cuidado de retirar a peça tocando a maior quantidade de pele possível, deixando-o em chamas, ofegando a cada vez que ela pressionava as unhas contra a pele.

Parecia que pela primeira vez em todos esses anos, Klaus não estava guiando aquela dança sensual e quente, mas só parecia, tomando então o controle para si, livrou-se da camisa, ou o que restara dela, puxando os lençóis para longe do corpo de Caroline, expondo a fina camisola de cetim que lhe cobriam até o meio das coxas, as mãos masculinas percorreram a pele delicada e macia, levando consigo o tecido, a loira ergueu os braços, o suficiente para que a peça saísse sem maiores problemas, expondo a simetria perfeita dos seios medianos, a pele branca em contraste com as auréolas turgidas, tinham a mesma tonalidade dos lábios, o que fez Klaus querer beijá-los e como aquele era um momento não só de desejos, mas também de realizações, ele o fez. O calor dos lábios confundindo-se ao fervor da pele fez com que Caroline curvasse a coluna, empurrado o corpo de encontro ao dele, não havia racionalidade ali. Era puro instinto.

Gemidos sufocados escaparam dos lábios da vampira, quando a língua percorreu a pele dos seios, arrastando os dentes por ali, fazendo-a contrair-se, arrepios percorrendo as extensões nervosas sob a pele, fazendo-a tremer em pequenos espasmos, delirante e febril. Klaus sentindo todo o êxtase que a possuía, desejou por mais, descendo a mão pelo abdômen reto, aproximou-se da zona de perigo, calor emanando daquele ponto, sem pudor a tocou ali, onde todas as sensações confundiam-se em um emaranhado de prazer e excitação. Havia o fino algodão que o impedia, mas ele preferia assim, sobre o tecido acariciou-a, friccionando em um leve vai e vem, fazendo-a gemer mais alto, sabia os irmãos os ouviram, mas pouco se importava. Permaneceu por alguns minutos assim, torturando-a, sugava-lhe ferozmente os seios enquanto os dedos trabalhavam entre as pernas, fazendo-a sufocar com os gemidos, ensandecida por mais, ela movia-se impaciente, curvando os quadris, implorando por mais profundidade no toque e segurando firme nos ombros fortes do híbrido, tentando de alguma maneira aumentar a proximidade entre os dois, mesmo não possível, na verdade só existia uma maneira de estarem mais juntos, ele estando dentro dela e era isso que ela buscava tão desesperadamente, ele também queria, mas fazia parte da sua natureza jogar com os desejos humanos, brincaria com ela, até que tudo fosse esquecido, só existindo aquela fome selvagem e insana e então se devorariam por completo, unindo corpo, alma, mente e coração num só desejo, pertencer um ao outro.

Por um instante, Caroline pressionou seu corpo para cima, sentindo-se próxima ao ápice. Seu corpo queimando, assim como seu ventre baixo. Os pensamentos coerentes deixando-lhe a mente por completo, enquanto fechava os olhos e se deixava a mercê do contato. Mas logo este parou. Um sorriso torto surgiu nos lábios do híbrido, e logo, este se levantou, livrando-se completamente do restante de suas roupas. Não parecia haver lógica em não tirá-las por completo. Queria sentir-se em completo naquele momento.

Voltou a beijar a loira, de forma tão terna que nem pareciam entregues a um desejo tão intenso, segundos atrás. As mãos do loiro acariciavam o rosto da vampira, colocando o cabelo para trás, beijando-lhe o maxilar, seu queixo, nariz... Tudo. Porque, tudo ali era a maior prova de perfeição divina. Caroline era o que mais de valioso que tinha. O que o fazia questionar o que havia aprendido uma vez: família é poder... Mas amor... Amor era o combustível. Fosse ele da forma que fosse. E Caroline era seu combustível.

Eles se encararam por um longo instante, tantas promessas silenciosas sendo feitas. Logo, suas bocas se encontraram novamente. Seus quadris se encaixando, o som de pele contra pele enchendo seus ouvidos, assim como os gemidos altos e outrora baixos.

E do lado de fora da janela, o dia passava. Todavia, nenhum dos dois deu-se conta ou prestara atenção. Afinal, parecia que pela primeira vez em suas vidas, as coisas davam totalmente certo.

Embora sempre fosse cedo demais para dizer qualquer coisa sobre.

Notas finais
HELOW, MINHA GENTE!
Então... Aqui é a Juliana, também chamada e xingada por Liljer. ;3
Desculpem-nos pela demora. A Lary e eu realmente passamos uns maus bocados essas últimas semanas. E também, teve a maravilhosa falta de inspiração da minha parte ~ tudo o que eu escrevia era lixo '-' ~ e a falta de créditos da Lary. ~ Ér... Não tá fácil para ninguém. D:
Mas estamos de volta, depois de tanto tempo que acredito que entrei no lugar errado -sqn
Bem, quisemos colocar um capítulo bem leve, que era bom e tudo mais, dadas as circunstâncias. Mas enfim... É isso.
Sejam bem vindos, novos leitores! E obrigada por favoritarem a fanfic e recomendações! Sério mesmo.
Novamente, desculpem-nos pela demora.
Boa semana, e até o próximo final de semana, se ocorrer tudo certinho!! :3