Notas iniciais
Larissa está em coma induzido por calmante tarja preta após deparar-se com o season finale. Só pretende acordar em outubro. ~cheia de frescura~ :PBem, desculpem pela demora. A culpa foi inteiramente minha. Enfim... O capítulo está gigantescamente gigante, mas cá está. capitulo repostado por motivos de Larissa ser extremamente irritante e Juh não á suportar mais.Esperamos que gostem. E, um obrigado especial à Brubs e a Stella Sinner, obrigada pelas recomendações, suas lindas!Então, vamos lá. Boa leitura.

Caroline segurou firme a mão do pai, como quando era criança e tinha medo de algo. Se segurasse a mão de seu pai, por maior e mais terrível que fosse o medo, ele se esvaia como uma nuvem de fumaça, atingida por uma ventania. Ao ultrapassar o que parecia uma passagem entre duas dimensões, a loira se viu em um completo e absoluto vazio, proporções inimagináveis, embora não houvesse nada ali, além de uma espessa cortina de névoa e uma espécie de luz, que lembrava a iluminação artificial de uma sala cirúrgica ou de um aposento em um manicômio, a segunda opção lhe pareceu a mais sensata, afinal de contas se passasse muito tempo por ali, provavelmente perderia a sanidade. Pensamentos um tanto quanto absurdos. Afinal de contas ela estava morta e o que é a sanidade para quem já não precisa se preocupar com nada? O que é a loucura pra quem já não tem nada a perder? As indagações foram retóricas, pois Caroline tinha as respostas, e mesmo essas sendo as corretas, não eram mais necessárias, não para ela.

[...]
A vampira viu seu corpo se transformando. As manchas roxas que a pouco ainda estavam lá, foram desaparecendo gradativamente, a pele alva voltando a sua uniformidade cremosa e homogênea, sentia que todos os ferimentos que lhe foram causados durante a vida, tanto no corpo, quanto na alma, agora estavam sendo completamente curados. Caroline sentiu o solo frio, que lembrava porcelana, sob seus pés descalços, suas roupas se tornaram um vestido que lembraram trajes religiosos.
Os cabelos lhe caíram por sobre os ombros, os cachos naturais, um pouco rebeldes. Sentiu-se limpa de toda a vaidade. A jovem olhou por cima do ombro, fitando Esther, que os seguia de perto, e recebeu um sorriso de incentivo para que continuasse. Caroline tinha vontade de chorar de alegria, de gritar o mais alto que pudesse o quanto estava contente. Sentia-se feliz como nunca fora, sentia que seu ser estava em chamas, chamas ardentes e poderosas como um fio de luz que dissipa toda a escuridão.
“Não havia mais medo, nem dor. Só alegria e satisfação. Agora estava completa e realizada. Estava em paz.”
[...]

O trio caminhava a passos lentos, Caroline não tirava os olhos do rosto do pai, que tinha uma expressão serena e tranquila. Não via a hora de envolvê-lo em um abraço apertado e só deixa-lo sair quando os braços começassem a formigar. “Sensações tão vivas, para quem está morta.”
Bill fitou a filha e com um sorriso amável gesticulou para que parasse sua caminhada, Caroline tentou dizer algo mais foi interrompida pelo dedo indicador do pai sobre seus lábios em sinal de silêncio. A garota obedeceu e sorriu ternamente ao sentir os dedos do pai lhe afagarem os cabelos, segurando o rosto da garota entre as mãos, Bill depositou um demorado beijo na testa da filha que fechou os olhos, se deixando envolver pela emoção do momento, sentindo as lágrimas correrem por seu rosto. “Tanto amor, tantas saudades, tanta coisa a dizer e tudo que houve fora o silêncio.”
−Adeus, minha princesinha amada. Papai ama muito você.


A voz de Bill não passara de um sussurro abafado, mas Caroline entendeu exatamente o que aquilo significava, seu pai estava partindo. Ele a estava deixando novamente e ela nem sequer pôde dizer o quanto o amava. Ao abrir os olhos assustada, não havia mais nada ali, seu pai se fora. O olhar turvando-se em lágrimas de dor, as mãos levadas à cabeça em desespero. E finalmente toda a percepção adormecida voltando em um turbilhão de emoções, uma alma em conflito. Seria aquele o seu lugar de direito? Seria essa sua punição? Passar a eternidade sozinha em lugar nenhum? Caroline se deixou desabar de encontro ao chão gélido.
−Adeus, papai, eu também amo muito você...
A garota encolheu-se, abraçando os joelhos, o medo tomando conta de si. Então como um espectro de um fantasma, Esther surgira do nada. Ao erguer o olhar, Caroline pôde enxergar o fundo dos olhos da mulher a sua frente. Esther tinha uma expressão passiva e serena, embora seus olhos fossem tão confusos quanto uma noite de tormenta.

−Acalme-se, querida. A dor logo passará por completo. Eu prometo.
O olhar de Esther fora como um raio que atravessa a escuridão celeste, impondo sua luz selvagem, poder em estado bruto. E como um raio desperta a escuridão de seu sono fúnebre, Caroline fora despertada de sua alienação. Aqueles olhos lhe trouxeram de volta as lembranças, lembranças que o êxtase do paraíso, ou do inferno, lhe roubara.

−Klaus... Eu preciso...

Os olhos azuis acinzentados de Klaus eram exatamente iguais ao de Esther. A dor em seu pulso voltou com toda a força e intensidade de antes, mas o que mais doía era seu peito, seu coração.
−Eu preciso que você fique calma, amor... Vai ficar tudo bem.
Klaus lhe fizera um pedido, que ficasse calma. Mas como ela poderia ficar calma se podia ver o desespero nos olhos dele? Ela estava morrendo, mas tinha que dizer-lhe o quanto o amava e que sempre o amaria.

− Deixe-os viver em paz... Eu sempre amarei você...

E então a mente de Caroline fora puxada com violência de volta ao limbo, ou onde quer que fosse aquele lugar. Já não importava para Caroline, ali não era o seu lugar. Tinha que voltar pra ele, para seu amor. A loira sentiu-se corpo ser atingido por uma brisa gelada, e então se viu sendo imersa em uma corrente de água, muita água. Como a de um lago. Morna e aconchegante. Sua mente flutuando em um espaço entre sonho e realidade, sé é que se pode chamar aquilo de realidade. Então se sentiu sendo atraída, como por um imã, a um canto obscuro de sua mente, onde agora vagavam todas as lembranças que quase foram apagadas.

−Vamos Caroline, você está muito preguiçosa!

Gritava uma garota, em seus doze-treze anos, estatura média, meio magricela, os longos cabelos castanhos presos em um rabo de cavalo meio desfiado, a garota corria pelo gramado, incitando Caroline, que se abanava freneticamente com um leque improvisado da tampa da cesta de comida. O dia estava extremamente quente, o sol desconfortável aos olhos claros da loira. Caroline abrigava-se sob a sombra de uma arvore. Estavam na mansão Lockwood, no pique-nique beneficente dos fundadores. Pessoas transitavam de um lado para outro, carregando cestas de comida, galões de suco entre outras coisas do tipo.
As crianças menores corriam desabaladas, vermelhas pelo sol intenso. Aquilo causava coceira em Caroline, que por ser muito branca tinha a pele sensível, se tomasse sol em demasia, lembrava mais um camarão do que qualquer outra coisa.

−Preguiça nada, juízo! È o inferno na Terra e você ai correndo feito uma gazela desgarrada.

Elena estancou sua corrida, virando-se para Caroline, as mãos colocadas na cintura de maneira caricata, andando como quem desfila, pessimamente, uma imitação cômica.

−Oh, olhem para mim, seus plebeus sem classe, eu sou Caroline Forbes, a rainha do mundo. Ajoelhem-se perante mim.

A Caroline atual, que observava de longe, riu-se divertida com a cena. Não se lembrava de como ela e Elena eram unidas. Amigas.

−Sua insolente. Cortem-na a cabeça!− Bradou a jovem Caroline, levantando-se e correndo em direção a amiga.

−Hum, estou tremendo de medo da vossa majestade. Tremendo...
Brincou Elena, fazendo mesuras para Caroline que corria irritada.

−Você vai ver, eu ainda serei rainha, Elena. E meu primeiro decreto vai ser que cortem a sua cabeça.
Caroline tentava pegar Elena que corria em círculos, o que deixava à loira ainda mais irritada, gritando coisas desse tipo. Ao longe pôde ver uma garota, também no inicio da adolescência, mulata da pele de mogno e os olhos verdes, expressivos...

−Bonnie.
A Caroline atual sentiu seu peito apertasse em saudades, como queria voltar a aquele tempo bom, onde todas as suas preocupações eram tirar boas notas na escola e ir às aulas de etiqueta da senhora Flawers. Bonnie aproximou-se das garotas que a essa altura já ofegavam pela corrida. Caroline derrubara Elena contra a grama, o som das risadas espalhando-se pelo ar, como um incenso e aos poucos conforme a lembrança foi perdendo o foco, a cor e tornando-se novamente um borrão cinza, Caroline pôde ouvir uma mistura de outras vozes que diziam coisas desconexas, confusas. Mas as vozes estranhas sessaram tão logo a nova lembrança começava a se formar. Caroline pôde sentir a brisa fria contra seu rosto, voltara sentir como humana.

Ao seu redor Veneza, de ruas românticas e perfeitas para o amor. –Pôde ver o casal se aproximando da ponte do Rialto, compenetrados em um assunto que parecia importante. Não tentou se aproximar para ouvir, sabia exatamente o que fora dito. O que fora sentido. Alguns minutos depois veio o beijo. Um momento sublime, poderoso, o divisor de aguas que mudaria a vida da loira pra sempre, até mesmo a sua morte. O peito da loira apertou-se em angustia, nunca mais o beijaria, nunca mais o amaria.
Então ela pode sentir um formigar na mão, que foi subindo pelo braço. E então sentiu em seus lábios, virando se para o casal, pode perceber a mão de Klaus subindo por seu braço, e os lábios sendo beijados. Ela estava sentindo, estava sentido seu toque através da lembrança. O que isso significava? Será que de alguma maneira ela ainda estava ligada a vida. Aquele beijo fora o mais importante da vida de Caroline, aquele fora o momento em que descobrira que o que ela sentia por Klaus ia muito além de atração sexual. A imagem foi se desbotando, como a outra. A vampira pôde sentir uma pequena lágrima escorrer por seu rosto, não queria voltar para o vazio, não depois de reviver o momento que lhe fizera completa.
Os borrões se formando, e as vozes agora mais nítidas. Mas dessa vez não eram vozes femininas, era masculina, grave, forte carregada de dor e de sotaque...

−Você não pode... Não pode...

−Não, por favor, não... Não. Eu imploro.

−Klaus!- Exclamou a loira.

Ele a estava chamando, implorando para que não o deixasse havia tanta dor naquela voz, tanto sofrimento, Caroline sentiu que seu peito fosse rasgar-se tamanha era a dor. A garota sentiu seu corpo ser lançado de encontro a algo sólido, não havia mais água, ou o que quer que fosse. A jovem chorava compulsivamente, era tanta dor, Um peso gigantesco se instalara em seu peito, esmagando-a, destruindo-a.

−Eu tentei da maneira fácil. Trouxe-lhe lembranças delas, daquelas que você tanto diz amar e que tanto sofreram pelas mãos de Niklaus, mas você insiste em lembra-lo. Já que não posso fazê-la esquecer, farei odiar. -Sinto muito, anjo. Mas sua dor está apenas começando. Você tem que entender que quando chegar a hora terá que fazer a escolha certa.


Caroline encarou a bruxa com um olhar confuso, indagativo, buscando naqueles olhos tão familiares uma resposta que lhe fosse clara. Nada além de uma profunda escuridão, amargura, rancor. Caroline não sabia o que aquelas palavras significavam, mas pelo olhar da bruxa, definitivamente, não era algo bom. Caroline tinha medo agora. Não sabia do que Esther seria capaz e não queria descobrir o quanto a bruxa original se parecia com os filhos, em termos de crueldade. Esther movimentou-se, tomando alguma distância da loira, que se mantinha encolhida no chão, apavorada demais para esboçar qualquer reação. As mãos da bruxa se estenderam no ar, as palmas viradas para o chão, os olhos se fecharam como em uma prece, uma oração. Os sussurros da bruxa chegaram aos ouvidos de Caroline como um ranger agudo e estridente, fazendo os tímpanos da loira arderem sob a pressão do som extremamente alto. Colocando as mãos nas têmporas. A vampira fez pressão com os dedos contra o rosto. Estava queimando, sua cabeça queimava. Como se seu crânio estivesse em chamas, seu cérebro em ebulição. Caroline tentou falar, mas faltava ar em seus pulmões e agora havia um aperto em sua traqueia impedindo-a de aspirar ar para dentro de si, estava asfixiando, como na noite em que Katherine a transformara. Só que o desespero era ainda maior.
Caroline tinha as mãos contra a garganta lutando desesperadamente por ar, até que a pressão cessou e finalmente sentiu o ar inundar lhe o ser. O corpo da loira desfaleceu exausto pela dor e agonia.

–Vê como dói Caroline?
Indagou Esther de maneira incisiva.

–Lembre-se de como foi horrível sua transformação, odeie o que você é, repudie o que Katerina a tornou. E só assim você sentirá por Niklaus o que ele realmente merece. Desprezo.

Caroline não compreendia o que Esther pretendia afinal? Porque convencê-la de que Klaus não podia ser amado era tão essencial, necessário? Apoiando-se com dificuldade, a jovem tentou levantar-se, e só então percebera o quão debilitado seu corpo estava, o quão frágil ela se encontrava. Não tinha forças suficientes para colocar-se de pé e mesmo com sua visão estando turva, pôde ver Esther aproximando-se lentamente.

–Só mais algumas lembranças...

Sussurrou a bruxa em um tom frio e quase psicótico. Caroline então sentiu sua coluna se partindo, a dor excruciante lhe tomando o corpo de maneira poderosa. Sentiu uma forte pressão na região torácica e também abaixo dos seios, o romper de seis ou sete costelas fora claramente audível, a vampira poderia jurar que ouvira o eco de seus ossos se partindo, espalhar-se pelo limbo. O grito rompendo os rangeres de carne se rasgando. A garota se contorcia como se algo maligno a tivesse possuindo. Esther se mantinha alheia aos gritos estridentes, continuando com o feitiço, pôde ver os pulsos da jovem se virarem em ângulos anormais.

–Sinta toda a dor, Caroline. Todos os ossos que ele partira por maldade, toda a carne dilacerada pelo seu ímpeto assassino, todo o corpo drenado pela sua sede implacável. Toda ferida, toda dor infligida por ele, eu coloco agora sobre você.
Esther mantinha uma expressão indecifrável, não havia mágoa, piedade ou o que quer que fosse, estava neutra. Sua voz soando calma e clara. Não havia receios ou duvidas.

–Não vai demorar muito mais.
Sussurrou a bruxa, um fraco sorriso de vitória passando por sua face.

[...]

O fogo crepitava na lareira, iluminado o restante da biblioteca. Não havia muito mais luz, não que fosse necessária.
−Três dias! Niklaus está trancafiado há três dias, Elijah! E você não faz absolutamente nada!
Rebekah exclamou irritada. Andando de um lado para outro, próxima à lareira. A casa parecia tão fantasmagórica agora, a fraca luz adentrava pelas frestas entre o pesado tecido das cortinas que agora cobriam as grandes janelas, – em outros dias, mais felizes– o lugar era bem iluminado, os grandes vitrais permaneciam expostos, permitindo que a luz inundasse todo o ambiente, agora Klaus dera ordens expressas para que a casa fosse mantida na maior escuridão possível, somente iluminada pelas lareiras e lustres, o que tornava o local ainda mais amargurado e depressivo.

−Niklaus parece ter iniciado uma caça as bruxas da região. Fica o tempo inteiro naquele quarto, não se alimenta e se mantem isolado do resto do mundo. Soube também que está pressionando Magh e até mesmo Louise está sob a sua mira implacável.
O discurso de Rebekah mantinha-se alguns tons mais altos, demonstrando toda a indignação sentida pela original.

− Você tem noção do que está acontecendo? Sabe o que ele pretende?
Indagou a loira exasperada
−Niklaus está tentando trazê-la de volta, Rebekah. − afirmou Elijah de maneira despretensiosa.
A expressão de Rebekah encheu-se de incredulidade, um olhar de repreensão dirigido ao irmão mais velho.
−Elijah... Isso é... Isso é um absurdo. −
−Não. Isso é desespero, culpa. Deixe-o tentar até que todas as possibilidades estejam esgotadas. Deixe-o sofrer sua perda.
Neste instante, Elijah em toda sua sabedoria, ponderou... Refletindo um momento sobre suas próprias palavras. Engolindo em seco o original mais velho prosseguiu.
− Você mais do que ninguém deveria dar espaço ao luto dele.
Concluído seu discurso, Elijah observou a expressão da irmã mais nova, transitar da incerteza á culpa e então ao nada, tornando-se neutra e passiva.
−Luto? O corpo da tal Caroline está lá, trancafiado com ele, á dias! Isso já está beirando a insanidade, Elijah. Nosso irmão perdeu o pouco juízo que ainda lhe restava. Exclamou Kol o segundo irmão mais novo da família, – ou o que sobrara dela.

−E ainda por cima, transformou essa casa numa masmorra. Não me admiraria se a espirito dela começasse a zanzar pela casa. O ambiente está propicio á assombrações. −
Afirmou o vampiro com um tom zombeteiro na voz. Apontoando para a amplitude da mansão, imersa em um breu profundo, sendo rompido apenas por alguns falhos resquícios de luz.
Kol era o único que conseguia tirar alguma diversão daquilo tudo. O problema era para Elijah tê-los de aturar. Afinal, seus irmãos mais novos nunca foram fáceis de lidar. Sempre trocando provocações nem um pouco amistosas, e, embora tivesse mais de mil anos cada, pareciam imaturos demais.
Estava cada dia mais difícil para o irmão mais velho, lidar com a situação de Klaus, controlar o gênio impetuoso do irmão nunca fora tarefa simples, mais as circunstâncias de agora tornavam tudo anos luz mais difícil. E agora com a chegada dos irmãos mais jovens, tudo ficara ainda pior, Kol mantinha-se insensível a dor do irmão, fazendo piadinhas infelizes e comentários maldosos sempre que podia e Rebekah, embora demonstrasse preocupação e solidariedade para com o sofrimento do irmão, ainda tinha uma grande parcela de culpa na morte da garota e Klaus provavelmente estava ciente quanto a isso. Elijah permanecia em alerta, tinha consciência de que Klaus era uma bomba relógio, e não precisava de muito para chegar ao extremo. Qualquer palavra mal interpretada ou opinião mal colocada seria o suficiente para que Klaus perdesse o pouco controle que lhe restava, e o vampiro mais velho sabia que cabeças rolariam se isso acontecesse.
−Eu estou preocupado com ele... Mas ele precisa de um tempo para si, principalmente do incomodo que são vocês dois.
Afirmou o irmão mais velho em um tom de repreensão e Kol zombou, fazendo uma estranha imitação do irmão, reproduzindo uma boca com a mão, fazendo caretas em desdém.
−Façamos o seguinte, Rebekah. Daremos mais alguns dias a ele, se não melhorar, nós intervimos com relação a isso, sim?
Rebekah acenou em aprovação, a preocupação era latente ali, entre eles. Embora expressada de maneira diferente por cada um. Todos ali temiam pelo irmão. Afinal depois de tudo, família é só que lhes resta. A vampira dirigiu-se ao sofá onde Kol permanecia esparramado, empurrando as pernas do irmão para o lado, Rebekah tentou acomodar-se com muita dificuldade.
−Ai, Kol! Dá pra se portar feito adulto ou é uma ação muito complicada pro seu cérebro minúsculo?
As palavras da loira fizeram um fino sorriso perpassar pela expressão séria de Elijah. Era bom tê-los juntos novamente.
Os devaneios de Elijah e infantilidades de Kol e Rebekah foram subitamente interrompidos pelo estrondar das pesadas portas de mogno se abrindo em um súpeto. Expectativa em ambas às expressões.
A primeira impressão que qualquer pessoa poderia ter do homem que passou pelas portas, era que havia passado noites e mais noites sem dormir, mas qualquer um ali sabia que não era preciso dormir. Klaus nunca fora do tipo que dormia, preferia manter-se alerta, principalmente quando seus sonhos eram alastrados por pesadelos de seus fantasmas passados.
Erguendo o olhar minimamente o hibrido observou as pessoas ali, Elijah em seu melhor desempenho patriarcal zelando pelo bem estar dos mais jovens, Kol deitado preguiçosamente com ambas as pernas sobre o colo de Rebekah, a mais jovem por sua vez mantinha-se estática, em estado de alerta, espreitando, receando por algo que lhe viesse atingir.
Dirigindo-se ao bar, Klaus serviu-se de um pouco de uísque. Os lábios comprimidos em uma linha fina, tanta dor reprimida. Assentando-se na poltrona ao lado de Elijah. Bebericando minimamente do copo em sua mão, logo fitando o vazio a sua frente, os olhos vagos encarando o nada. O silêncio era perturbador, quase agourento demais.
− Há três dias eu venho tentando trazê-la de volta... Há três dias sem nenhuma gota de sangue, sem descanso e nada, nenhum resultado.
Esclareceu umedecendo os lábios ainda encarando o nada. Não era exatamente com os irmãos que ele falava, parecia mais um desabafo para si mesmo.
−Eu ameacei Magh e Louise... Eu cacei todas as bruxas da região e todas me deram a mesma maldita resposta: “Não há mais nada que se possa fazer.” Eu não posso mais, não tenho mais forças. −
Deixou o copo de lado, levando as mãos aos cabelos puxando-os em um sinal de fadiga, desespero. Baixando a cabeça ainda entre as mãos, deixando as lágrimas correrem cruéis, pesadas, esmagadoras.
−E como se o inferno em que me encontro não fosse o bastante, ainda há esses malditos pesadelos, o corpo dela queimando... Na aldeia onde nascemos, sob o carvalho branco.
Ambas as mãos levadas à face, secando as lagrimas que por hora cessaram.
−Talvez seja um sinal...
Ponderou Elijah cruzando suas pernas, apoiando seu cotovelo sobre o braço da poltrona que se encontrava sentando. Apoiando o queixo no dorso da mão, em reflexão.
−Não traz bons auspícios manter o corpo aqui, ainda mais quando ela partiu de maneira tão brutal e indesejada.
Elijah mantinha uma cautela quase cirúrgica ao dirigir-se ao irmão, Klaus tinha consciência da maneira trágica a qual Caroline havia partido e ainda mais certeza de sua culpa na morte da jovem vampira. Não precisava de ninguém mais o lembrando de tais fatos, sua consciência já cumpria tal tarefa de maneira árdua e competente.
−Ou talvez ela só esteja atormentando você, já que tal “morte brutal e indesejada” foi culpa sua.
Zombou Kol, o veneno escorrendo em cada silaba, sarcasmo corrosivo, insensível. O irmão jovem recebeu um olhar de completa repulsa, vindo de Elijah, Klaus estava em tão miserável amargura que sequer fitou o irmão mais moço que passara rente a ele, indo em direção ao bar servindo-se de um pouco de uísque e jogando-se novamente no sofá, onde Rebekah finalmente conseguira algum espaço, deixando parte de seu peso sobre o corpo da irmã que reclamou incomodada.
−Talvez eu deva dar um fim ao corpo, enterra-la quem sabe?
Murmurou o loiro ignorando completamente ambos os irmãos mais jovens.
−Talvez... Ela só esteja pedindo paz... De você principalmente. Talvez ela só queira que deixe de atormenta-la.
Rebekah pronunciou-se receosa, pela primeira vez desde que Klaus adentrara o local ela permitiu-se exclamar, talvez tivesse cessado até mesmo a respiração. Mas não havia ironia ou sarcasmo nas palavras, existia algo mais. Que talvez só a mente atenta e meticulosa de Elijah capitara.
−È samhain, os espíritos perturbados gostam das noites místicas... Assombram seus algozes, buscam os amantes que ficaram para trás. Talvez ela esteja fazendo isso...
Rebekah mantinha uma expressão séria, enquanto discursava, parecia que seu monólogo se alongaria, mas fora interrompida de maneia súbita por Klaus.
−O que faz aqui?
Exigiu Klaus, de maneira fria e rude.
−Você não deveria estar aqui, Rebekah. Se isso tudo está acontecendo, é por sua culpa... E...
Bradou o hibrido, inclinando-se rumo à irmã.
−Minha causa, Nik? Foi você o covarde orgulhoso demais para salvá-la.Exaltou-se a loira em indignação.
Em um ímpeto, Klaus estava jogando a vampira contra a parede, apertando-lhe o pescoço. Prontamente, seus irmãos agiram, pondo-se a disposição para tirarem a loira das mãos de Klaus a qualquer instante. Embora nenhum dos dois não dispunha-se a intervir no momento, principalmente depois de tudo que Rebekah havia feito.
−Eu deveria matar você, Rebekah...
Rosnou o hibrido contra a orelha da irmã. Ela encolheu-se, embora estivesse fazendo o máximo possível para não demonstrar, Klaus a amedrontava.
−Ótimo! Eu adoraria contar para Caroline como você me matou e me mandou para o outro lado. Aliás, não necessário, ela já conhece seus métodos muito bem...
A voz da loira foi esvaindo-se conforme a pressão dos dedos em sua traqueia foi aumentando, deixando-a sem ar. Os olhos do hibrido turvando-se em uma fúria selvagem, brutal.
−Niklaus. Basta! Elijah repreendeu o irmão de maneira severa.
−Deixe-a ir.
Elijah agora segurava o braço do hibrido e de alguma maneira aquilo lhe lembrou de Caroline, em sua súplica desesperada pela vida de Tyler Lockwood pouco antes de ser ferida mortalmente pelo mesmo.
Então ele a deixou. A loira caiu, equilibrando-se felinamente sobre os saltos.
−Nós ainda não terminamos irmã.
Afirmou o hibrido, a ultima palavra soando venenosa e repulsiva. Ponderou por alguns segundos enquanto a irmã caçula colocava-se próxima aos outros irmãos, em um extinto de quem sabe autopreservação, protegendo-se.
−Não. Não terminamos.
Respondeu-o, a vampira com um olhar magoado, cheio de rancor. Reprovando-o com um aceno de cabeça.
Klaus não olhou para mais ninguém, apenas dirigiu-se, á passos largos, até a porta. Sendo interceptado por Elijah.
−Para onde está indo? O que irá fazer?
Indagou Elijah, palavras emersas em preocupação.
−Preparar um funeral, não é só que me resta?
Respondeu de maneira vazia, antes de sair definitivamente, da sala.
Elijah, por sua vez, voltou-se para Rebekah, que mantinha sua melhor expressão fria.
−Você deveria parar de desafiá-lo, do contrário, eu não vou impedir se ele quiser empalá-la novamente e tranca-la em um caixão por alguns longos séculos.Criticou severo.
– Que seja!
Exclamou desafiadoramente, ela passou pelo irmão mais velho, batendo propositalmente no ombro do mesmo.
[...]
O copo que havia sido jogado contra a parede estava no mesmo lugar, fragmentado. Fazendo tudo ali, parecer uma pintura velha e congelada, assim como o corpo ressecado na cama. Havia um maldito gosto amargo em sua boca. Alguma coisa que nem o melhor dos sabores poderia amenizá-lo. Sentia-se tão ferido, de forma que nada poderia curá-lo. De repente, lembrou-se da estaca de carvalho branco, a única que poderia matar sua família. Perguntou-se se talvez ela conseguisse matá-lo. Se o fizesse... Bem, ele economizaria muitos anos de pura dor e arrependimento. E, com um punhado de sorte, se encontraria com ela, novamente. Exceto que, por sua experiência no mundo e com bruxas, iria direto para o inferno, e isso, se aplicava a estar longe dela.
Caroline estava morta. E, por mais que fosse difícil aceitar aquilo, o corpo ali, ressecado, apenas confirmava o que estava explícito. Que ela não mais estava ali, com ele. E, provavelmente, não voltaria.
Ele passou o polegar debaixo do olho, enxugando a lágrima que ali escorrera. Não gostava de chorar, embora tivesse vários motivos. Arrastou uma cadeira para junto da cama ali.
De alguma forma, sentiu-se melhor por tê-la trazido para sua casa nos campos franceses, embora todas as suas melhores lembranças estivessem impregnadas pelas paredes da suíte no Royal Bulevar Hotel e na mansão italiana, fora naquela casa que os dois planejaram passar o inverno e depois talvez Genebra ou “Mônaco de Grace” como a loira gostava de chamar. Lembrar-se de tais conversas só aumentava ainda mais a angustia de Klaus, quantos sonhos mais ele havia destruído, por seu maldito orgulho egoísta? Muitos quem sabe, afirmou para si mesmo, observando o ambiente á sua volta.
As paredes verde-musgo pareciam doentias em contraste com a pele acinzentada da jovem. Ele a observou, como se esperasse que, a qualquer momento, ela fosse acordar. O que, dentro de alguns minutos fazendo aquilo, soou estúpido. A chuva ainda não começara a cair do lado de fora, mas há muito começava a ameaçar.
−Talvez devêssemos levá-la de volta à Mystic Falls. Para perto da família.
A voz sem nenhuma zombaria de Kol soou. Klaus não olhou por cima do ombro, não se sentia nem um pouco disposto para isso.
– Não. Ela é minha... Ela não pertence àquele lugar. − respondeu cruamente. Sem muito mais, Kol afastou-se, e mesmo que tivesse permanecido ali, na porta do quarto, Klaus o teria ignorado. Assim como a todo o mundo. Levantou-se da cadeira, pegando alguma coisa de seu próprio quarto e voltando ao quarto, onde o corpo de Caroline permanecia.
Estava na hora de por fim ao sofrimento.
Mandou chamar Margareth, dando-lhe ordens para vestir o corpo de Caroline. Adornou-lhe de joias. Mantendo os cabelos loiros da mesma, soltos, penteados. E ao cruzar suas mãos, pouco abaixo do peito, pôs um buquê de flores. E, embora a cena fosse assustadora, Klaus começou a recitar:
− “Miro a linda Julieta. Vestida de nuvens, adornada de estrelas, flores vivas entre os dedos pálidos. O culto fúnebre é a cerimônia do enlace, a bela noiva está pronta para ser esposa do anjo macabro, cruel. Julieta agora casa-se com a morte”.
Tudo o que lhe restava agora, era concluir aquilo. Cremá-la... Deixá-la ir para sempre. Já que sabia que sua maior sentença era viver para sempre. E, pela primeira vez, a eternidade não tinha um gosto tão bom assim.
− Para onde iremos? −

Elijah perguntou, assistindo a cena assombrosa de seu irmão e o corpo da jovem vampira. Seus olhos não conseguiam sair de sobre a mesma. De como tão fantasmagórica era. De como todo o egoísmo e orgulho do irmão o levara à ruína.
−Nós não iremos a lugar nenhum, eu quero estar sozinho neste momento cujo, a culpa e a dor são única e exclusivamente minhas. − Decretou Klaus, enfático, não deixando brechas á questionamentos. Rendendo-se ao irmão, Elijah limitou-se a tocar-lhe o ombro em sinal de pesar e então saiu do quarto, deixando Klaus sozinho novamente, sempre e eternamente, essa seria sua sina a partir de então.
[...]

As cerimônias tradicionais de sua aldeia, não eram algo que Klaus adorasse, ainda mais, quando levava alguém importante. Lembrava-se de como havia cremado o corpo de seu irmão mais novo, Henrick. Toda a dor que sentira... Tudo por sua culpa. Nunca tinha se perdoado.
Ele tinha todo empenho em preparar aquela cerimônia, exatamente como eram as tradições de seu povo. O que era irônico, já que, naquele instante, tinha absoluta certeza que sua mãe, Esther, poderia estar observando-o. Nunca esquecera a forma como sua mãe olhara para ele após a morte do irmão. Nunca esquecera como até mesmo seu pai, Mikael, havia o olhado. Tratando-o como um bastardo, que era. E, de alguma forma, agora, ele compreendia toda a dor e cuidado que sua mãe tivera para preparar aquilo. De como uma cerimônia poderia destruir uma pessoa. Devastá-la em pedaços. Embora as condições fossem diferentes, perder alguém se ama, nunca é fácil.
Havia três tochas acesas em linha reta no bosque que há muitos havia sido considerado sagrado. O corpo de Caroline estava em uma pira, adornado por incensos, salsa queimava, para que assim, Perséfone pudesse deixar o espírito da vampira livre, podendo partir para o submundo completamente. Assim como o Visco queimava, trazendo proteção de todo mal que pudesse surgir. E, por fim, o sândalo. Para total proteção e purificação.
No local onde outrora houvera um frondoso carvalho branco, o corpo de Caroline encontrava-se sobre o que parecia ser uma pira. Exatamente como estivera na cama; braços cruzados, segurando o buquê de orquídeas.
Klaus assistiu a tudo, tão atônico. Parecia que se até mesmo alguém estacá-lo não sentiria nenhuma dor. Nada. Estava aleatório aos sons das aves agourentas ali, corvos cantando tão sombriamente, como quem sabe exatamente o que está se passando. Klaus perguntou-se se o mesmo corvo realmente sabia. Duvidava muito.

[...]
De algum canto, ao longe, Esther observava-o. Sabia da dor que aquilo trazia. Sabia como doía cremar alguém que se amava. Sabia como seu filho, o bastardo dos demais, sofrera com a morte do irmão mais novo. Em como levara, dia após dia, a dor da culpa de tê-lo levado à morte. Em como devia ter sido ele quem havia sido atacado pelos lobos... Mas, também sabia que lobisomens não atacavam os seus. E isso era seu maior ódio. Sentia ódio pelo o que havia feito... Sentia ódio por Niklaus ter vingado e nascido. Por nunca tê-lo conseguido matá-lo em todas as vezes que tentara. E a pior parte... Dele ainda estar vivo.
Ela o assistiu pegar a terceira tocha, encostando-a a pira de palha. Assistindo ao fogo alastrar-se pela mesma. Então, ele puxou de dentro de seu casaco a estaca de Carvalho Branco, a mesma que ela havia feito para que Alaric Saltzman pudesse matá-los. Um a um, sem muito resultado.
Niklaus segurou-a entre as duas mãos, rente ao peito. E a empurrou contra si com tamanha força. Não se ouviu grito ou reclamação sobre a dor. Apenas um alto ruído que saiu de sua garganta. Um choramingar como de um lobo.
Caiu de joelhos, tendo seu rosto iluminado pelas chamas que queimavam o corpo de Caroline. Havia desistido de tudo, tudo por ela... Não estaria disposto a viver na solidão novamente. Não suportaria. Não tinha mais nada, além dos híbridos que lhe eram leais por obrigação e um vínculo de sangue e migalhas do que um dia fora sua família. Sabia que, no final do dia, ainda levaria em seu sangue a marca por ter sido um bastardo...
E, embora Esther estivesse assistindo a tudo, não se sentiu, em nenhum mísero segundo, algum tipo de sentimento quanto àquilo.

[...]
Quando a dor deixou seu corpo, Caroline se perguntou se havia morrido outra vez. O que era estúpido, já que estava morta — definitivamente morta. Até que tudo o que pode ver, novamente, fora lembranças. Como Klaus arrancara o coração de Jenna. Tia de Jeremy e Elena. Em como ele havia matado a própria Elena para quebrar a maldição que mantinha seu lado lobo adormecido.
Ela assistiu Klaus matar doze híbridos, um por um... Assistiu ao mesmo afogar Carol Lockwood na ponte, após o massacre contra seus híbridos. Assistiu ao mesmo matar diversos outros híbridos, juntamente à um Stefan sem humanidade. Como o mesmo havia destruído a vida de seus amigos. E diversas outras mortes, mortes de pessoas que ela não conhecia, mas que ainda assim, assistindo-as tão vividamente, sem ao menos conseguir fechar seus olhos para aquilo, sem poder mexer sua cabeça. Sem poder gritar junto às vítimas quando tinham ossos quebrados, pescoços, corações.
– Ele não merece qualquer tipo de piedade! – a voz de Esther soara, ela gritava com tamanha força. Parecia que sentia toda a mesma dor que Caroline, ao assistir aquilo. E então, havia o forte cheiro de sangue.
Caroline procurou por ele. Não de forma desejosa como quando era vampira. Mas o cheiro, naquele instante, parecia repulsivo. Caroline tornou a se encolher em uma bola, abraçando seus joelhos contra o peito, enquanto gritava de dor. Então, a dor diminuiu.
Não que tivesse sumido completamente como desejado, mas a dor diminuíra. Tornara-se um pouco mais fácil de suportar, comparado há segundos atrás. Então, Caroline voltou a ser sugada pela dor.
– Pare! – alguém ordenou. Uma alta mulher negra surgiu, parecia flutuar em meio àquele breu. Caroline sugou o ar com força, embora ainda doesse aos montes. Mas qualquer chance de se agarrar a vida era melhor do que nenhuma. – Esther! Você precisa parar!
Algum som soou alto, algo como um alto estalar.

– Ela precisa entender Ayanna! Ela... Ela o ama... – a repulsa na voz, o veneno nas palavras de Esther fez até mesmo a própria Caroline se sentir mal. Ela se encolheu ainda mais, sentindo-se ainda mais envergonhada do que antes. – Eles precisam pagar... Não há uma razão para criaturas como eles permanecerem na terra... Atormentando pessoas inocentes. Eles são a única razão na qual eu não posso ter paz novamente!
Eles são seus filhos, Caroline queria dizer, mas parecia que havia engolido sua própria língua. Engasgado em todo o sangue que a rodeava. Foi quando sentiu alguma coisa aproximar-se de si. Em um instante, Caroline imaginou que fosse alguma coisa que pudesse machucá-la novamente. Fechou os olhos, com força, esperando toda a tortura novamente e novamente. Mas quando duas mulheres aproximaram-se, a primeira, que a loira não conseguia distinguir seu rosto, aproximou-se e levantou um dedo, até os lábios, silenciando-os, Caroline teve certeza de que nem todos ali a queria mal. Ou pelo menos, não aquelas ali.
A segunda mulher arrastou seus pés até a loira, agachando-se e colocando a cabeça de cabelos ensanguentados e emaranhados sobre o próprio colo. Esta deslizou seus dedos nos nós dos cabelos de Caroline, sussurrando alguma coisa incompreensível. Mas tudo o que ela conseguia prestar atenção era na discussão ali, Ayanna e Esther, embora não pudesse enxergar um palmo à sua frente. As vozes foram desaparecendo gradativamente, assim como o cheiro de sangue que a rodeava. Foi quando se sentiu apagar completamente. Apenas não sabia se agradecia ou praguejava por tal coisa.

[...]


Encolhida num canto qualquer de onde quer que viesse a ser o lugar, a Caroline procurou com olhos confusos e imersos às lágrimas, por Esther. Onde estaria ela agora? Já que havia sido ela quem a torturara mais cedo. Então, tudo o que sentiu fora o cheiro de folhas secas e molhadas e terra. Ela levantou sua cabeça, como se de repente, tivesse acordado de um sonho estranho e se encontrasse em um dos bosques sagrados de Fells Chuck. Duvidava muito.
Apoiando-se nos braços, levantou-se, procurando por qualquer vestígio de Esther. Foi quando um som alto de uivo soou.
O medo que sentira fora palpável. Era obvio para ela agora que se tratava de mais uma visão de Esther, apenas se perguntava quem veria daquela vez: Klaus ou Tyler.
– Caroline... – uma voz soou, parecendo como um sussurro do vento. E talvez fosse. Ela procurou pela dona da voz e se sentiu encolher ao perceber que a mulher negra de longos cabelos emaranhados e olhos profundamente escuros a encarava. A mesma usava um vestido antigo e rasgado. Algumas conchas presas em seu cabelo emaranhado.
– Quem é você? O que quer? – exigiu a loira, procurando por alguma coisa que pudesse auxiliar lhe caso a mulher viesse atacá-la.
– Eu não vou machucá-la... – assegurou a mulher, levantando suas palmas, em frente ao corpo, em sinal de rendição.
– O que quer?
– Você sabe por que está aqui, criança? – perguntou a mulher, sua voz soava como um sussurro carregado pelo vento.
– Eu morri... – apertou os olhos azuis, tentando se recordar de alguma coisa que parecia lhe fugir à mente. – Este é o outro lado, uh? Apenas uma maldita visão de lugar perfeito criado por Esther...
A mulher assentiu, se aproximando suavemente. Se Caroline não estivesse prestando atenção a cada movimento da mesma, nunca teria percebido. Quando a mulher parou a centímetros dela, seu rosto se tornou mais sombrio, assustando-a.
– Eu sou Ayanna... – disse. – Eu costumava ser amiga de Esther, a mãe dos originais. Até que ela nos traiu...
Caroline continuou cautelosa, embora agora estivesse mais curiosa do que qualquer outra coisa.
– O que eu tenho a ver com isso? – indagou, soando mais rude do que deveria ou pretendia ser.
– Esther é a culpada... – disse Ayanna. – Por anos assistimos milhares de inocentes morrer, por conta de algo estúpido que ela fez. Por anos, nós, bruxas, assistimos o equilíbrio ser destruído pelos vampiros... Vampiros esses que ela criou.
– E o que eu tenho a ver com isso? – tornou a perguntar.

– Você sabe o que ela irá fazer com você, criança? Como irá fazê-la sofrer?

– Sim... Ela parece ter ensinado bem aos filhos quanto a isso... – afirmou Caroline, repleta de sarcasmo. Ayanna tornou a se aproximar, dessa vez, suas mãos estavam suspensas, o suficiente para tocar em Caroline, que tentou se encolher e afastar-se, mas sem resultado. – O que esta fazendo? – perguntou quando a mulher tocou-lhe a cabeça.
– Confie em mim, querida... – foi tudo o que a mulher disse, antes de Caroline ser jogada para alguma outra maldita visão.

[...]
O lobo uivou ao longe daquele lugar. Caroline se perguntou se estava a salvo. Mas alguma outra coisa chamou-lhe mais a atenção do que o lobo ali perto.
Um choro. Um choro de bebê.
Havia passado por diversas lembranças de um garotinho loiro, que corria junto a seus irmãos. Brincando, correndo, sorrindo. Ele parecia feliz. Coisas tão simples e verdadeiras como suas lembranças com Bonnie e Elena. A diferença era que, de alguma foram, ela sabia que aquelas lembranças pertenciam a Klaus.
– O que... – Caroline começou, virando-se para Ayanna, que assistia tão compenetrada. Seus braços cruzados atrás das costas.
– Assista. – foi tudo o que respondeu. Então, Caroline seguiu Ayanna para dentro de alguma cabana de madeira. A bruxa caminhou até alguma sala, posicionando-se ali, em um canto qualquer. Fora quando outra Ayanna surgira.
Esta mantinha um sorriso largo de contentamento nos lábios, enquanto segurava uma pequena criança nos braços, aninhando-a protetoramente.
− Alegre-se, veja como é belo o seu filho e forte também. Tem um choro vigoroso. Mais um varão para honrar tua casa.

Tagarelava Ayanna um sorriso de admiração dirigido à criança, que não sessava seu choro.
– Veja o céu, Ayanna... – uma nova voz soou. Esther encarava através da janela do aposento. O bebê permaneceu a chorar. – Essa criança veio ao mundo com um propósito maior. E eu lhe afirmo – olhou para a bruxa e o bebê em seus braços que agora se acalmara. – Não é nada que possa ser bom. Não para a raça humana...
Ayanna, por sua vez, caminhara até a mulher, deitada em seu leito e colocara a criança — à contra gosto da mãe, em seus braços. O bebê silenciou-se, procurando pela mama da mãe.
– O que quer dizer com isso, Esther? – indagou, caminhando até a janela e fitando através o céu. A lua cheia estava baixando no infinito manto negro do céu. Niklaus havia nascido no ápice da lua. Sentiu-se sonhadora... Um dia, teria seus próprios filhos e os desejava tão fortes e sadios quanto os varões que Esther gerara, principalmente Niklaus que tinha tanto misticismos a seu entorno. Ao virar-se, esperando pela resposta de Esther, notou então que não mais se encontravam ali. Nem Esther, nem o bebê.Então, Caroline e Ayanna não estavam mais no leito, também.
Agora, o som do rio soava tão calmante aos ouvidos de Caroline, Ayanna e ela agora assistiam a próxima cena, fosse ela qual fosse. Quando pensara a olhar para qualquer outro canto, a loira avistou uma mulher correr, em direção ao rio, e em seus braços um bebê chorava.
– O que ela está fazendo... – indagou Caroline, quando notou Esther agachar-se próximo à margem. Esta tirou o manto do rosto do bebê, aproximando-o da correnteza. Quando Caroline percebeu o que realmente aconteceria, sentiu-se em prantos. – O que ela está fazendo? Isso... Oh, meu Deus! Faça alguma coisa, Ayanna!
Ayanna apenas permaneceu assistindo.
– Não podemos interferir... – respondeu, de forma indiferente.

– Oh, o inferno que não! – Caroline exclamou, correndo até onde Esther e o bebê se encontrava. O corpo do mesmo estava metade submerso à água. Caroline tentou agarrar os ombros de Esther, percebendo então que atravessara o corpo da mesma. Sentiu-se estática. Como não podia ajudar? Como uma mãe poderia afogar o próprio filho?!
A loira esperou que a Ayanna antiga surgisse e salvasse o bebê. Mas nada fora feito. Apenas podia-se escutar o som do rio e os choros escandalosos do bebê, que começaram a cessar à medida que seu rostinho ia sendo engolido pela água.
– Shh... – sussurrou Esther, diabolicamente. – Engula... Vai passar... Você não deveria ter nascido, Niklaus... Não deveria...− aquilo lembrara a Caroline o modo como Esther dirigia-se a ela, enquanto a torturava cruelmente. O mesmo ódio e desprezo por Klaus, embora naquele instante ele não passasse de uma frágil e inocente criatura.
Outro uivo soou, ao longe. Esther levantou-se quando percebeu que o bebê não mais respondia a nada. Sorrindo doentiamente, ela caminhou para longe, de volta às árvores.
Logo, tombara em alguém. Ayanna a sacudira pelos ombros, ao notar que Niklaus não estava nos braços da mãe. Juntando as peças, percebeu por fim o que havia acontecido para a criança.
– Oh, pelos Deuses, Esther! O que você fez? Sua criança... – ela gritou, mãos seguravam sua própria cabeça, enquanto corria até o rio. Não havia sinal da mesma. – O que você fez?
– O que era preciso... – respondeu Esther, friamente. Ela encarou o rio, como se esperasse alguma coisa. Nada... – Vamos Ayanna... Temos de contar a todos sobre a morte do bebê.
Estática, Ayanna continuou encarando Esther. Havia tanto desespero que a paralisara. O que faria agora? Esther virou-se, caminhando de volta para a sua cabana. Mas antes que alcançasse um carvalho, ali perto, sentiu algo para-la. Um vulto seguiu, parando de frente à mulher. E então, pôde-se escutar um alto choro de bebê.
Esther virou-se, para ver ali, na margem do rio, um pequeno amontoado de panos, mexendo-se à medida que chorava. Viu-se Ayanna suspirar em alívio, assim como Caroline, que assistia a tudo tão silenciosa.
Ayanna correu até o amontoado de panos, certificando-se de que, realmente, tratava-se de Niklaus. O bebê a fitou, seus pequenos e assustados olhos azuis acinzentados — tais como o da mãe — a encararam de volta.
– Esther... – um silvo como o de uma cobra, correu pelo vento, até alcançar a todos os cantos ali. – Você irá pagar... − as vozes mais pareciam o assovio macabro do vento de inverno, propagava-se pelo ar, causando um arrepio fúnebre em quem os ouviam.
A mulher não sabia identificar de onde vinham os sons carregados pelo vento, até que avistou alguns corpos ali. Mulheres a encarava com tamanho ódio. Loucura era pensar que tentar matar o próprio filho não teria suas consequências. E como se alguma coisa caminhasse por sua pele, Esther agoniada, caminhou para trás, tentando escapar do que quer que fosse. As mãos percorrendo os braços, o rosto, como se algo maligno estivesse sob sua pele e talvez estivesse certa. Então, tudo o que se pôde escutar fora o som do corpo caindo na água, enquanto os espíritos permaneciam gritando como o vento, que ela pagaria.
Caroline despertou, sentindo suas pernas fraquejarem, embora não tenha caído.
– Ela tentou matá-lo... Oh, Deus... Ele era só um bebê... – a loira passou a mão nos olhos, enxugando as lágrimas que escorreram pelo rosto. Chorava copiosamente. – Por quê?

– Ela não se lembra. Quando acordou na manhã seguinte. Ela não se lembrava de nada. Nada havia mudado... Embora ela cuidasse da criança com dedicação, existia ainda a diferença de tratamento entre ele e os irmãos. Só soubemos os motivos anos depois, com a transformação deles. Então, soubemos o que Esther quis dizer com amaldiçoado, quando se referiu ao próprio filho, após o parto... – respondeu a bruxa Bennett. Em seguida, se aproximou de Caroline, tomando suas mãos. – Essa memória é o que tenho de mais secreto, criança. Nunca contei sobre o que realmente havia acontecido para ninguém. Nunca...

Caroline cessou o choro, embora a cena jamais saísse de sua mente, passava e passava novamente, como um filme repetitivo. Então, ela se pegou encarando os olhos escuros de Ayanna. Ela tomou uma longa distância da bruxa, sentindo-se enraivecida.

– O que vocês estão tentando fazer? Primeiro: Esther me torturou daquela maneira... Fazendo-me sentir toda a dor causada por Klaus... – ela estremeceu. – E agora, você me mostra isso... Como ele teve uma vida cruel quando humano. O que pretendem afinal? É algum maldito tipo de competição? Um julgamento onde você e Esther me mostram seus argumentos e eu tenho que escolher entre inocentá-lo ou condená-lo? É isso, Ayanna?! Porque eu estou me sentindo um tanto manipulada aqui! Os meios foram apenas mais sutis do que os de Esther. Apenas.
A bruxa olhou para baixo, fitando seus pés rapidamente, antes de voltar a olhar para Caroline. Ela parecia alguns bons anos, mais velha.
– A minha intenção não é inocentá-lo do mal que ele causou. Ele é culpado por muitas coisas... Eu apenas quero mostrá-la que julgá-lo sob a perspectiva de Esther não é algo a se fazer. Esther odeia o filho desde seu nascimento. Ela culpa Niklaus por seu adultério. Uma lembrança vívida do que fez – disse. – Ela o culpou pela morte de Henrick. Ela sabia da linhagem de que Niklaus descendia. Sabe que lobos só não o mataram porque a besta reconhece sua própria espécie. E o culpa por estar sendo punida... Ela acha que se acabar com ele, terá enfim paz.
– E terá? Diga-me, Ayanna... Ela terá? – Caroline se sentia cansada. Profundamente cansada de toda manipulação.

– Não... – a bruxa balançou a cabeça veementemente. – Ela não terá. As pessoas têm livre arbítrio, Caroline... Pagamos por nossos erros. Ela é culpada por afrontar a natureza. Por atentado contra o próprio sangue... E matar os filhos não vai absorvê-la de nada disso. Ela terá todas as condenações para tal. Não é justiça que ela busca...
– É vingança... – completou Caroline, horrorizada. Ayanna assentiu.
– Cabe a você decidir. Se ela terá seu desejo realizado.
– Porque a minha escolha interfere tanto? Porque é tão importante para você querer tanto ajudá-lo? – exigiu saber.
– São tantas coisas, criança... Tantos motivos – sorriu a bruxa amargamente. – Mas no momento tudo o que você precisa saber é que tem de voltar...
Um longo silêncio se seguiu.
– E se eu não quiser? Vai me punir? Torturar-me? E se eu preferir ficar? – perguntou por fim.
Ayanna voltou a se aproximar, oferecendo uma mão para a loira.
Ao alcançar um frondoso Carvalho, Caroline sentiu-se estática. Havia uma grande pira, que ardia em chamas. A cena ali era hipnotizante. As chamas se alastrando. Caroline sabia que se não fosse pela próxima coisa que avistaria, não teria tirado seus olhos do fogo.
Ali, de joelhos para a pira, avistou Klaus, inclinado para frente, com mãos no peito. E, ao aproximar-se, Caroline avistou algo cintilar com as chamas. Algo branco, tal como... A estaca de carvalho branco. Ela soltou um pequeno lamurio.
Klaus soltou algum som estrangulado, era possível ver sua dor. De todas as formas.
– Isso... Isso é real? – gaguejou a loira, encarando Ayanna com expectativa.
– Sim. Já se passaram três dias desde sua morte. E ele tentou de toda maneira trazê-la de volta. E falhou... Preferiu a morte à viver sem você.
– Ele irá morrer? – chorou a loira.
– Ainda não... Veja! – Ayanna apontou ao redor, assistindo vultos esbranquiçados se aproximarem. Eles formaram um circulo, palavras sendo sussurradas com o vento, tal como havia sido em sua visão, sobre como o dia em que sua mãe o afogara quando bebê. Os espíritos assistiam, de forma compenetrada. – Ele errou o coração por pouco. Uma pequena interferência da natureza. Mas se não voltar, ele não vai desistir e talvez consiga. Não podemos protegê-lo para sempre.
– Por quê? – ela não conseguia entender porque os espíritos das bruxas mortas protegiam Klaus. Ela não entendia como elas não o queriam morto, como o resto do mundo. Mas nada disso importava. Ver seu amado ali, agonizando, ferido, fez algo sacudir-se doentiamente dentro dela. Ela teve, enfim certeza de que nunca quis deixá-lo. E não deixaria... As lágrimas agora caiam em abundância. E tudo apenas pareceu piorar quando ele caiu no chão, seu rosto suado, pálido.
– Caroline... – chamou em um sussurro doloroso. – Me perdoe...
Ele não irá para o outro lado... Ele irá direto ao inferno, alguma coisa sussurrou em seu ouvido. E doeu, fazendo-a entrar em pânico.
– Klaus! Por favor... Ajude-me, Ayanna! Ele irá morrer! – agarrou-se à Ayanna, caindo de joelhos de tamanho desespero. Suas penas haviam aguentado demais no final das contas. – Eu quero voltar! Eu não posso deixá-lo... Eu o amo...
– Mas você não pode! – a voz sombria de Esther soou. Dentre as sombras da floresta, ela surgiu. – Você não pode voltar! Não pode amá-lo! Não pode salvá-lo. Ninguém pode!
Caroline sentiu uma força sobre-humana atingi-lhe. Ela foi de encontro ao chão, seu corpo parecia ser destruído em milhares de pedaços.
– Ela vai fazer a passagem. Querendo ou não... – silvou a bruxa original.
– Você não pode! – gritou Ayanna, tentando impedir Esther. A pele de Caroline queimou. Sua visão tornando-se turva. E em todo seu desespero, o único nome que poderia chamar, chamou.
– Klaus... – chamou a loira, estendida no chão, seu braço esticado em direção ao híbrido, que também se contorcia de dor.
– Não o chame! Ele não pode ouvi-la! – Esther gritou, transtornada. Voltou-se para Ayanna, que lutava veementemente mentalmente para quebrar o que quer que Esther estivesse fazendo. – Logo a passagem será feita e você não poderá fazer nada. Nada!
Ayanna cantou algum feitiço, combatendo ao de Esther e, por vez, recebendo um sorriso arrogante da mesma.
– A passagem está quase completa. Não pode fazer nada... – disse Esther. O corpo de Caroline, agora, estava translucido. Quase se podia enxergar através. Então, mudado totalmente o que estivera fazendo, Ayanna focara-se em Esther, fazendo a mesma dobrar seus joelhos. Caindo. Uma risada fria soou. O corpo que queimava na pira estava quase desaparecendo, tal como o espírito dela.
Sangue escorria pelo nariz de Esther, embora parecesse contente demais com seu resultado.
– Caroline, não! – Ayanna segurou a mão da garota, a mesma estava imóvel, embora seus olhos tenham uma expressão de dor.
– Klaus... – foi tudo o que conseguiu balbuciar. Esta fechou os olhos, sentindo o corpo desaparecer feito fumaça. Quando de repente, tudo o que sentira fora uma ventania...

Era Samhain. Esther e Ayanna sabiam disso...

“Meia noite.” pensou Ayanna. Esta, levantou-se, seus olhos fechados. Ela murmurou palavras incompreensíveis. Os espíritos ali se voltaram para ela. Como se a vissem pela primeira vez. E então, estes caminharam até o corpo da vampira na pira, formando um círculo ao redor.

– Não! – Esther gritou desesperada, ainda no chão. – Você não pode! Será punida pela maldita eternidade, Ayanna! Você vai ver...

– Eu não me importo... Logo a ordem será restaurada e a justiça será feita – Ayanna respondeu, enxugando o sangue que escorrera por seu nariz. Ambas assistiram o círculo de espíritos invocaram alguma coisa, até que raios soaram, rasgando o céu.

Trovões que pareceram anunciar o fim do mundo. Ayanna desapareceu por fim, à medida que os trovões se intensificavam, como se fosse engolida por uma fenda, no chão. Como se houvesse sido tragada pela terra. E então, apagando a pira acesa, enfim chovera.


[...]


Quando sentiu as gotas d’água em seu rosto, Niklaus abriu seus olhos, perguntando-se se aquele era o inferno. Mas quando notou que, ao seu redor, não passava da velha floresta sagrada em que estivera queimando Caroline, concluiu sua derrota.

Levantou-se, ainda que a contra gosto. Havia um punhado de terra molhada e lama em suas roupas, mas aquilo pouco importou. Sua visão estava embaçada, tudo o que conseguira lembrar era de ter visto Caroline vestida de branco, sobre a pira. Ela parecia intacta... E ela estava...

Levantou-se em um ímpeto. Indo em velocidade humana até a pira. Estava vazia. Teria sido loucura de sua mente? Muito provável que sim.

– Niklaus – a voz impassível de Elijah soou. Não muito longe, o irmão mais velho se encontrava sentado em uma raiz. Este se levantou quando o irmão mais novo se aproximou.

– O que aconteceu? – indagou o loiro, ainda aturdido.

– Eu estava para te perguntar a mesma coisa. O que aconteceu?

Klaus ponderou por alguns instantes, como se precisasse de um bocado de tempo para chegar a algum consenso. Por fim, suspirou.

– Você tentou se matar... – disse Elijah, tirando de seu terno a estaca de carvalho branco e entregando-a a Klaus, que a pegou, analisando por alguns instantes e logo colocando-a em seu próprio blazer.

– Sem resultado – comentou o loiro, amargo. – Onde está o corpo de Caroline?

– Deve ter virado cinza. Embora tenha chovido por um bocado de tempo, não pareceu o suficiente para parar a cremação. Vampiros pegam fogo com muita facilidade – tagarelou Elijah, seguindo pela floresta até a saída da mesma.
A chuva ainda caia, mas era tão fraca que quase não era sentida pelos irmãos. Ao alcançarem a estrada, avistaram o carro, onde, encostados, estava Rebekah e Kol. Eles riam de alguma coisa, e quando os irmãos mais velhos se aproximaram, apenas diminuíram.

Elijah fez apenas um pequeno sinal para que ambos entrassem no carro. O silêncio se tornou miserável entre eles. Kol tomou a direção, em pleno silêncio, embora, o que quisesse era rir de toda a situação. Tal como era de seu típico.

– Hey, Nik. O que esteve fazendo? Tentando se matar em nome do amor? Isso soa tão romântico... Eu me pergunto em como ela estaria feliz em encontrar com você, nesse instante. – embora estivesse preocupada, Rebekah não perdera a oportunidade de tripudiar em seu irmão mais velho. Se não fosse pelo irmão mais velho, Elijah, nem estaria ali. Tudo o que desejava era que Niklaus explodisse. Não se importava. O silêncio pesou, e então, ela continuou. – Sabe, Nick... Você já foi menos molenga. Primeiro se apaixonado por alguém que só estava com você por interesse... Depois, deixando o amante dela sobreviver e a deixando morrer por sua culpa. E agora, tentando matar-se por um amor e ainda falhando miseravelmente. Você é mesmo um bastardo inútil, Niklaus.

O silêncio fúnebre pesou dentro do automóvel. E então, sem que ninguém esperasse, Niklaus que estava encostado contra a janela no banco de passageiro, tirou a estaca de carvalho branco de dentro de seu blazer e a tinha contra as costas da irmã.

Elijah se arrependeu profundamente por ter deixado a estaca ao alcance do irmão.

– Eu vou acabar com você, sua vadiazinha nojenta! Eu vou fazer questão de mandá-la para o inferno, para arder lá – sussurrou rispidamente contra a orelha da irmã. A estaca havia perfurado o banco e sua proteção.

– Niklaus! Solte isso! – exclamou Elijah cauteloso. Sabia que qualquer movimento errado poderia custar-lhe a vida de Rebekah. – Ainda é a Bekah, Nick... Sua irmã. Nossa irmãzinha. Lembra-se? Nós juramos protegê-la... Sempre e eternamente...

– Ela não é minha irmã! – gritou Klaus, perfurando ainda mais a pele da loira. Uma mão ele mantinha na garganta da mesma, pressionando-a contra o encosto do banco.

– Nick... Por favor... – suplicou ela, amedrontada.

– Niklaus! Escute-me! Solte a estaca! Ordenou Elijah tentando persuadir o hibrido.

– Solte-a! – exclamou Kol, procurando por alguma forma de livrar sua irmã sem outros maiores danos. Parecia que todos ali iriam explodir.

– Continue dirigindo, Kol! – alertou o híbrido, ao notar seu irmão mais novo se posicionar para livrar a mais nova. – Se você parar esse maldito carro, eu a mato!

Rebekah, com ânimos quase explodindo, se pôs a chorar.

– Acalme-se! – criticou Elijah para ela. – Niklaus! Por favor!

Elijah jogou-se contra o mais novo, segurando-o pelo pescoço e com a outra mão, segurando a estaca, enquanto Rebekah se afastava. Foi quando aconteceu. Em espaços de segundos, o controle do carro fora perdido, em meio a gritos e súplicas.

O carro atingira alguma coisa, alguém, para melhor precisão. O corpo fora jogado por cima do capô, caindo com um baque surdo contra o asfalto. Dentro do carro, Elijah conseguiu por fim tirar a estaca da posse do híbrido.
Com a estrada ainda molhada pela chuva, o carro fizera alguma manobra que fizera Rebekah cair por cima do banco do motorista. Kol a protegeu contra o impacto. O automóvel saiu da estrada, acertando uma árvore em cheio.
Após algum longo instante, Elijah empurrou a porta do carro, arrancando-a. Puxando, em seguida, Klaus para fora. Jogando-o num canto. Voltou, arrancou a porta do motorista, arrancando de lá Rebekah e em seguida, Kol. Assim que os quatro estavam fora do carro, Elijah enfiou a estaca em seu paletó.

Seus irmãos estavam bem. Bem o suficiente para que, logo, Klaus levantar-se e fosse em direção a Rebekah, que ainda estava um tanto que atordoada. Elijah tomou-lhe a frente, suas mãos pressionando Klaus no mesmo lugar.

– Acabou, Niklaus! Pare com isso! – repreendeu, empurrando o irmão para longe da mais nova. – Kol, você atropelou alguém! Vá ver... – Kol não se mexera. Apenas esperando para que o híbrido atacasse. – Agora! Rebekah, vá com ele! – a mesma abriu a boca, em discordância, mas antes que concluísse, o mais velho a repreendeu. – Vá e não discuta!

Assentindo, os dois irmãos mais novos caminharam para longe, em direção ao corpo. Assim que estavam fora de vista, Elijah voltou-se para Klaus.

– O que pensa que está fazendo? Você quase matou a Rebekah! – Klaus não respondeu, apenas travou os dentes, e encarou ao irmão mais velho enfurecido. – Eu sinto muito pela sua perda, mas você simplesmente não pode culpar todo mundo por seus erros. Você tem tanta culpa ou mais do que Rebekah nessa história. Então pare com isso, Niklaus, ou eu pego meus irmãos desapareço da sua vida. Aí, sim, você vai saber o que é estar sozinho!

Klaus, ainda travando sua mandíbula, encarou o irmão mais velho, fuzilando-o com os olhos repletos de fúria e dor. E quando abriu sua boca para retrucar as palavras de seu irmão, um grito soou.Rebekah.

Elijah, sem muito mais, correu até onde ambos se encontravam. Klaus em seu encalço, ainda enfurecido. Rebekah pressionava seu rosto contra o peito do irmão, Kol.


De bruços, não era possível ver o corpo, mas estava lá, estendido. Assim que Rebekah avistou os mais velhos, ela segurou sua própria boca, sem conseguir encarar nada.


– É Caroline, Elijah! É a Caroline!

Notas finais
Larissa ainda em coma, não vai acordar enquanto as emoções pós Beijo, (não beijo) Klaroline não passarem.Mas mandou dizer-lhes que amou as recomendações novas e que o próximo cap. só sai quando o inferno congelar.Brincadeira. OMG, Snow White amei sua recomendação, perfeitas são vocês, demais. Muito obrigada mesmo. *-*