Lei de Murphy
1 Fui esquecido?
Notas iniciais
Shaka POV
Parecia impossível mas todos haviam esquecido dele, seu aniversário passara, os dias passaram e nada... nem uma palavra, nem uma lembrança, o simples e grande nada. Certo, eu realmente não era dos mais populares ou extrovertidos, mas até mesmo Ele! Mas eu o entendia, ele me conhecia, sabia que eu não gostava de exageros, não ligava para festas e comemorações... Quer saber de uma coisa, chegava de me enganar, estava mesmo é muito puto com todo mundo e principalmente com ele, como simplesmente ignoraram o aniversário do Cavaleiro mais próximo de Deus? Estavam todos perdidos comigo.
Fim Shaka POV
Shaka deu asas a sua revolta, juntou algumas peças de roupa e simplesmente sumiu do Santuário. Não se deu ao trabalho nem mesmo de avisar a Athena. Sabia que estava quebrando algumas dezenas de regras do Santuário, mas realmente não estava se importando. Estava magoado com o descaso. Não de todos e sim dele. Estiveram juntos, conversado e até mesmo feito sexo e ele simplesmente esquecera, se ele era tão pouco importante assim, então não iria perceber a sua ausência, quem sabe até mesmo definitiva.
Duas lágrimas furtivas caíram e foram secadas rapidamente com o dorso das mãos. Olhou novamente para o aposento verificando se tudo estava em seu devido lugar, colocou a bolsa nos ombros fechou a porta e saiu. Utilizou-se da passagem secreta, não queria ser visto por ninguém. Em pouco tempo já se encontrava no porto a espera de um navio para sua terra natal. Não queria pensar em nada, não queria se lembrar de nada. Precisava encontrar novamente a perdida paz espiritual. Desde que se apaixonara, desde que se entregara a esse sentimento afastava-se cada vez mais de seu passado, de sua iluminação. Não que isso fosse ruim, o amor era bom, não, o amor era maravilhoso, mas o sofrimento e as decepções que vinham junto eram terríveis. Virou as costas para o continente e fixou seus olhos no mar, adiante, a frente, o futuro estaria em outro lugar, longe dali, longe dele.
Mu caminhava pelas florestas asiáticas preocupado, não havia esquecido o aniversário de Shaka, mas queria um momento especial com ele, uma comemoração digna dele. Estava preparando tudo quando fora chamado por Athena – às vezes parecia que ela não tinha um pingo de senso de ridículo – e sido enviado as escondidas para algumas investigações, a seu ver, tolas. Não sabia como Shaka reagiria, mas na volta teria tempo de contar todo o ocorrido. Tentava trabalhar o mais rápido possível, mas parece que tudo conspirava contra. Estava tão absorto em seus pensamentos que nem se deu conta dos cosmos hostis que estavam a sua volta. Sem que percebesse foi atingido por um forte golpe pelas costas e caiu desacordado. Ao recobrar a consciência Mu se viu em um estranho lugar, tentou levantar e ver onde estava mas sentiu uma enorme vertigem sentando-se novamente.
— Nobre Cavaleiro de Áries, estás em um lugar onde sua força o abandona. Seu cosmo foi devidamente enfraquecido. Nós sabemos de sua força e sabemos que se pudesse utilizar seus poderes não conseguiríamos mantê-lo aqui por nem mesmo 10 segundos.
— Quem são vocês afinal, o que eu estou fazendo aqui? – Mu já estava ficando irado. Não gostava de estar fraco, não gostava de não ter respostas, não gostava de estar longe de seu amor e decididamente não gostava daquele lugar.
— Se eu fosse você eu ficava calmo, tentava encontrar a tão comentada serenidade do Cavaleiro Mu de Jamiel. A fúria ariana não te fará bem agora. Creio já ter falado demais. Você está sob o domínio de entidades místicas que habitam as florestas orientais. Os deuses Ocidentais não deveriam se meter nos nossos assuntos, principalmente a enxerida da Athena e seus malas, digo e seus cavaleiros. E por isso irão pagar. Você será o primeiro, mas não agora. Se eu fosse você guardaria forças para seu futuro próximo, irá precisar delas.
Mu sentiu um arrepio na espinha, estava sozinho, sem sua armadura, pois estava trabalhando a paisana, seu cosmo reduzido praticamente a zero, não sabia como fazer. Tentou se concentrar, se pudesse falar telepaticamente com Shaka, talvez ele pudesse ajudar. Tentou com a pouca energia que tinha, mas o amado não respondia, o que poderia estar bloqueando até mesmo sua telepatia? Esgotou-se nesta última tentativa e acabou desmaiando novamente.
Shaka estava dentro do navio quando sentiu algo estranho, uma tontura como se alguém estivesse em perigo tentando se comunicar, mas era uma sensação tão distante e tão confusa, deveria estar sendo causada pela sua cabeça fora de foco. Sacudiu os longos cabelos espantando a sensação e selecionou um livro para se distrair durante a longa viagem. Desde seu aniversário já haviam se passado três dias e Mu simplesmente sumira. Perguntara a Aldebaram por ele e este disse que a casa de Áries estava vazia, e que não sabia nada acerca do vizinho. Seu orgulho não permitiu pesquisas mais aprofundadas, achando apenas que era descaso do amado, resolvendo então partir. Quando chegara a Índia, Shaka partira para uma pequena vila, hospedara-se em um mosteiro e entrara em meditação profunda. Seu cosmo reduziu-se propositalmente para que não fosse achado e para que pudesse concentrar-se em busca do equilíbrio perdido.
De volta ao Santuário, o primeiro a perceber a falta dos Cavaleiros de Áries e de Virgem foi Aiólia, o cavaleiro de Leão. Não sentia o cheiro característico do incenso de Sândalo usado por Shaka, não via Mu passando sorrateiramente, não ouvia os sons do amor dos dois. O que havia acontecido com eles? Será que haviam ido namorar em Jamiel? Durante uns três dias, o cavaleiro de Leão achou isso, porém a ausência já estava por demais estranha. Resolveu conversar com Saori.
— Athena, tenho estranhado a ausência de Mu e Shaka, tem notícias deles, minha senhora?
— Bom, Mu já deveria ter me mandado notícias a respeito da missão a ele confiada, já estava até um pouco preocupada com ele, não sinto seu cosmo, mas Shaka, eu nem mesmo sabia que ele estava ausente do Santuário. Precisamos encontrá-los. Reúna por favor os demais cavaleiros para que possamos decidir o que fazer.
— Comunicarei a todos que aqui estão para que nos reunamos após o almoço.
— Perfeito. Aguardarei a todos para dar maiores detalhes acerca da missão de Mu e juntos decidiremos o que fazer.
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