Notas iniciais
" O preço para aquele que mente, é o sofrimento eterno" (O modo Alentejo de falar foi alterado para normal, para as pessoas que não entendem.)

Sofia a olha a irmã de baixo pra cima. Da uma volta ao seu redor, segura em suas mãos e olha em seu rosto.

– Olá querida. Há quanto tempo. – responde Sofia completamente surpresa.

– É verdade. – Sorri simpática. – Eu não a procurei antes por que as condições não permitiam já tu, podias muito bem ter vindo a minha procura, se te importavas mesmo comigo como dizia na carta que mandas-te hoje.

– Eu realmente peço perdão. Estive mal durante algum tempo. Você sabe. Depois teve os estudos, a faculdade. Não tinha tempo. Mais você estava na minha cabeça o tempo inteiro.

– Esqueces-te os momentos ruins que passamos juntas?

– Éramos crianças. Esqueci todas as nossas brigas. Aquela parte da nossa história eu apaguei completamente da minha memória. Não é a toa que eu decidi te procurar. Vamos virar está página.

Julia a olha nos olhos e sorri, apertando-lhe carinhosamente as mãos.

– Minha querida. Vamos sim. – responde enquanto que lágrimas descem do seu rosto. – Este nosso reencontro será o inicio da amizade que nunca tivemos.

As duas se abraçam. Por fora, Julia sorri, já que Gi as observava satisfeitas com o vosso reencontro. Mais por dentro, a rapariga sentia certa raiva compulsiva e ódio infinito de Sofia.

– Bom. – afasta-se Sofia de Julia — Reservei uma mesa especial pra você, mais... Não sabia que ia trazer companhia. – Refere-se a Patrício

– Ah, sim, eu já tinha me esquecido. Este aqui é o Patrício, meu namorado.

Patrício olha pra Julia surpreso, ao mesmo tempo em que cumprimenta Sofia.

– Mu-muito prazer. – Gagueja. – É um prazer conhecê-la.

Sofia acompanha-os até a mesa, e afasta-se. Julia e Patrício arrumam o guardanapo no colo.

– Mais que merda é essa? Eu realmente não sabia que você tinha uma irmã. – cochicha.

– Esta é uma longa história. Um dia você descobre. Mais por agora, só o que posso adiantar, é que está idiota vai pagar caro por tudo que eu não tive. Ela sempre teve tudo. A prova disto é este restaurante. Os estudos, os psicólogos e ate psiquiatras que ela pagou durante a vida inteira com dinheiro que também deveria ter sido gastado comigo.

– Eu... Estou pasmo com a sua frieza Julia. – afirma boquiaberto. – É por que... Uma hora tu estás toda emocionada, aos beijos e abraços depois de anos sem ver a tua irmã como tu própria me disseste, e agora me diz que a tua única intenção é vingar-se?

– Não quero me vingar de ninguém. Quero apenas fazer justiça, e recuperar aquilo que deveria ser meu por direito. Escuta bem o que vou te dizer Patrício. Este restaurante, ainda vai ser meu. Podes ter a certeza disto. – Conclui fria.

No Alentejo, em seu sítio vive Lucas com a mãe Felipa, uma camponesa que sempre trabalhou na lavoura, mais que depois da morte do marido, resolveu cuidar de sua empresa, famosa pela produção de azeite. Lucas é um garoto bom. Nunca saiu do campo, nem mesmo pra ir à escola. Sempre foi ensinado pela mãe em casa. O passado de Felipa foi humilde. Ela ia pra escola, chegou a concluir o ensino médio, mais seu pai acabou morrendo logo cedo, a fazendo parar a faculdade para trabalhar, e sustentar a mãe e mais quatro irmãos menores. Lucas chega a casa depois de um dia cansativo no Gregário, verificando a colheita do azeite. Felipe está na cozinha a preparar uma panela de sopa.

– Olá mãe. – A cumprimenta com um beijo na testa.

– Olá meu querido. Como foi no Gregário? – Lhe retribui o carinho.

– Foi normal. Cansativo como sempre. Mais a senhora sabe, vamos levando.

– Filho, senta-te aqui um bocadinho. Eu já contei pra si que minha vida não foi nada fácil, pois não? Sempre foi cheia de dificuldades e eu não pude terminar a faculdade que havia começado.

– Sim mãe... Mais... Por que isto agora?

– Eu me sinto culpada vendo você assim, trabalhando direto, se cansando, quando deverias estar na escola estudando.

– Mãe... – da um leve sorriso. – Não se sinta culpada. Eu trabalho por que quero ajudar nas despesas. O pai nos deixou muitas dividas na empresa, e eu estou ajudando a diminuí-las colocando as maquinas para trabalharem.

– Eu me sinto culpada! Seu pai nos deixou muitas dividas mais isso não me justifica ter tomado a decisão de você não ir às aulas. É por isso que quero... Aliás, eu estou mandando você amanhã, pra Lisboa, pra casa da sua tia, pra que comeces os teus estudos.

– Mãe, por favor, eu não quero ir. – Ajoelha-se a seus pés. – Eu quero ficar e ajudá-la.

– Você vai me ajudar sim meu querido. – Acaricia-lhe os cabelos. – Vais me ajudar me dando orgulho. Orgulho de ver um filho formado.

Os dois se emocionam, levantam-se e se abraçam. Enquanto isso no restaurante, Sofia, apresenta o Chefe Goulart, a Julia.

– Chefe Goulart, está é a minha irmã, Julia.

– Muito Prazer Julia. – A cumprimenta.

– O prazer é todo meu. – responde estendendo a mão para que ele a beije. – Gostamos muito da vossa comida. Estava espetacular.

– Obrigado. Bom... Tenho que voltar a cozinha, pois modéstia parte, sem mim, ela não vai pra frente.

– Claro, claro. Esteja a vontade.

O Chefe volta para a cozinha.

– Bom... Posso sentar a mesa com vocês? – pergunta Sofia já sentando.

– Claro minha irmã. Pode sentar.

– Gostava de saber como estás. O que andaste a fazer todo este tempo?

– Bom. Depois daquela tragédia, eu fui para a casa dos nossos avós paternos. Lá e tudo bem simples. Nenhuma extravagância, nada disto existe lá.

– Estudaste?

– Sim. Mais como eu disse, as condições não eram suficientes e eu acabei por não fazer faculdade. O ensino superior propriamente dizendo.

– Eu compreendo mais... Os nossos avós maternos, eles mandaram durante alguns anos dinheiro pra você, até o mês passado. Não recebeste?

Julia lembra-se de um momento com a mãe. Ela chega em casa do café, e a mãe lhe esconde um envelope.

– E então mãe. O que é isto? – Pergunta curiosa e ao mesmo tempo desconfiada.

– São mais e mais cobranças. – Gagueja.

– Tem certeza? É que quando cheguei tu escondeste rapidamente a carta. – aproxima-se lentamente.

– Escondi pois achei ser o seu avô. Ele não pode nem se quer sonhar que estamos para perder a casa por conta das dividas.

– Então ok... – levanta o ombro sem mais questionares.

Corta de volta para o restaurante. Sofia chama por Julia ainda voltando da lembrança, séria por fora, e em erupção por dentro.

– Julia? Julia está tudo bem?

– Sim maninha. Quer dizer... Não estou muito bem, me senti um tanto enjoada.

– Enjoada? – Levanta—se formalmente. – Eu espero que não seja nada com a comida do restaurante.

– Não... É que talvez... Eu não sei, de inicio é só uma suspeita. Mais talvez eu e o Patrício vamos ser pais.

Sofia da um sorriso ligeiramente seguido de um abraço em Julia.

– Que ótima noticia. Então eu vou ser titia?

– Talvez... ainda não é motivos pra comemorações.

Patrício olha serio pra Julia sem acreditar nas mentiras que a ex esta a contar.

– Foi um prazer revê-la minha irmã. – Diz Sofia segurando-lhe as mãos. – Espero que traga boas noticias desta criança que possivelmente esteja por vir.

– Também estou muito contente.

As duas se abraçam e despedem-se. Julia vai para até o estacionamento onde parado está um táxi. Ela e Patrício entram e se vão. Gi se aproxima de Sofia olhando para o carro já a alguns metros.

– Eu fico feliz pelo reencontro de vocês as duas. Mais pela minha observação... Eu não sei não. O modo como ela olha pra si... É de suspeitar. Fui eu quem dei força pra vocês se aproximarem novamente, mais se eu fosse a si, ficava com um pé atrás com essa sua irmã. Algo me diz que ela não é flor que se cheire.

Corta para Julia e Patrício saindo do táxi.

– É impressionante porra! Como é que você pode mentir tão descaradamente assim, ainda por cima, pra sua irmã, que foi uma excelente anfitriã pra gente hoje.

– Aquela idiota, não é quem parece ser. Não ouviu o que ela disse? Não captou a essência? “Espero que traga boas noticias desta criança que possivelmente esteja por vir.” – imita quase que parecida a voz de Sofia. – Ela quer é me ver gorda.

– E agora... Como vai ser? Por que você não está grávida. Aliás, aquela história de enjoo não era verdadeira. O que foi que ouve.

– Ao fato de eu estar possivelmente grávida, eu digo que foi engano. Mais quanto as suas suspeitas, você está certo. Mais depois eu digo-te o que ouve. Agora eu tenho que acertar contas com uma certa velha maldita.

Julia sobe ao apartamento. Entra e joga as chaves sobre a mesa. Giovana liga a luz indo na direção da neta que a da um soco no rosto.

– Sua desgraçada! – monta em cima dela, a batendo várias vezes. – Sua ladra, isto é pra aprenderes a nunca mais roubar aquilo que é meu!

– Eu não fiz nada! – grita Giovana tentando se defender – Eu juro.

– Quanto mais se jura mais se mente. – Levanta-se. – Devolva o meu dinheiro agora!

– Que dinheiro você está falando? – Derrama lágrimas enquanto que sangue escorre pela sua testa.

– Você sabe! – chuta a barriga da mãe com toda a força inúmeras vezes, até que ela caí desmaiada.

– Você vai me dizer onde aquele dinheiro está, nem que eu tenha que te matar para que tu não gastes ele desgraçada!

Julia vai ao quarto da mãe e revira todas as gavetas, armários, derruba quadros, até que finalmente encontra um envelope com centenas de notas de dinheiro. Ela olha para o dinheiro sorrindo ameaçadoramente, como se tivesse achado o elo perdido. Em seguida, liga para ambulância fingindo estar desesperada para que venham atender a mãe. Alguns dias se passam. Giovana fica em estado de catatonia e é internada em um hospital psiquiátrico por Julia. Sofia sabe do ocorrido e visita a avó duas vezes por semana, mais ao questionar Julia, sobre o que ouve, ela recebe a mesma informação que Julia disse a policia: Um assalto seguido de tentativa de homicídio, isso é: Latrocínio. No Alentejo, Lucas despede-se da mãe. Os dois choram emocionados. Lucas entra no carro de aluguel e vai pra Lisboa.

Corta para, Lucas, descendo do carro de aluguel em frente ao R. T. J. Sofia aproxima-se com o carro, e não o vê, quase o atropelando. Ela então freia bruscamente.

– Desculpa, eu não o vi. – fala assustada.

– Não se preocupe. Eu estou bem.

Os dois seguram as mãos um do outro, se olhando. Um brilho surge no olhar de ambos.

Notas finais
" - Foste tu quem agrediste a tua mãe Julia? Desta vez passas-te dos limites! - Tu ainda não vistes nada. - sorri. - Hoje a imprensa vai estar presente no restaurante, e nós também. Eu tenho uma surpresinha pra minha querida irmã. "
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.