Legolas e Tauriel - Primeiras impressões.
4 Por que eu só vivo pensando em você?
Notas iniciais

Soltaram-se daquele abraço e beijo, o olhar dele era-lhe tão profundo, e tão apaixonado como amável, extasiava-a, ela disse-lhe:
— Eu não mereço o seu amor, meu lorde, mas me permita ao menos ter sua constante companhia, eu estive tão longe por tanto tempo, percebi que eu resistiria a tudo se eu tiver você perto de mim, tê-lo por perto consola meu coração... – Ele silenciou-a, com o leve toque de suas mãos em seus lábios, enxugou a lágrima que caia, acariciou sua pele delicada, abraçou a novamente, tão forte como podia, e ela fechou os olhos sentindo melhor aquela emoção:
— Tauriel, não quero voltar a me separar de você novamente. Porque você sabe, eu sempre a amei, eu sinto a sua falta. Ter você ao meu lado para sempre é o meu maior desejo, eu sou a criatura mais plenamente feliz e realizada de saber que em algum momento tenho alguma chance de tê-la para mim, sabendo que não estará mais distante...
— Legolas... — Suspirou ela feliz, apertando-o mais em seu abraço. Contudo, por alguns momentos as pancadas e escoriações ainda resultantes da última grande batalha, assim como das que levou após a pequena luta que enfrentara, tinham debilitado seu corpo ainda que de forma silenciosa, ela estava enfraquecida embora sua determinada força de vontade não demonstrasse isso, ela sentiu-se tonta, e de uma leve vertigem amoleceu em seus braços, perdendo os sentidos.
— Tauriel? – Chamou ele com tom evidentemente aflito e preocupado, segurava-a totalmente em seus braços, seu olhar era extremamente preocupado, e muito compassivo, sentiu-se culpado pois sabia que ela veio a sua procura o mais rápido que podia. Desejava protegê-la sempre de tudo e vê-la tão frágil em seus braços o comovia ainda mais.
— Minha amada Tauriel — Suspirava ele fitando a face dela preocupado, acariciou o rosto dela, via-a mais pálida que o normal, ele aproximou-se e beijou sua fronte. Depois amarrou um cavalo ao outro, subiu-a em seu cavalo consigo, e prendeu-a segurando seu corpo delicado nos seus braços apoiando-a totalmente em si, a cabeça dela repousava bem próximo ao seu coração, assim ele cavalgava lentamente, o caminho tomado era do reino da floresta. Os primeiros raios de sol brotavam, e Tauriel ia recobrando os sentidos. Entre os galopes suaves percebia os braços fortes dele cuidadosamente em torno de si amparando-a, e um sorriso brotou em seus lábios, estar dentro dos braços dele, era sem dúvida o lugar mais confortável do mundo.
Eles finalmente chegavam aos portões do Reino da Floresta das Trevas, foram recebidos pelos guardas, Legolas descendo de seu cavalo, pegou Tauriel apoiando-a em si, seus guardas mais uma vez surpreendiam-se com ele ao ver tamanha dedicação. O rei Thranduil deu um meio sorriso quase imperceptível ao saber da informação de que seu filho havia retornado.
Legolas segurou Tauriel em seus braços, apesar dela ter recobrado a consciência, era perceptível que sentia-se um pouco tonta, caminhou com ela até seus aposentos sob todos os olhares do reino. A medicina élfica era maravilhosa, ele bem sabia que logo ela ficaria melhor, havia elfos excelentes nisso cuidando dela a mando dele.
Assim que terminaram os cuidados, retiraram-se, Tauriel apenas estava esgotada fisicamente, ainda deitada ela sorria francamente, enquanto olhava-o, aquele olhar tanto a acalmava como sempre foi desde a infância e em todos os momentos, nunca havia percebido como eles tinham aprendido tanto um do outro juntos, e como era grande a história dos dois, nada poderia apagar tudo que já haviam vivido juntos, e todas as memórias cheias de significados, quase como olhar o brilho intenso das estrelas no Céu. Ele estava à porta e entrou sentando-se próximo a ela, que também sentou na cama.
— Tauriel como se sente? – Perguntou ele com seu olhar tão amável como sempre.
— Eu estou bem melhor, graças a você. — Disse ela com um sorriso perspicaz. Aquele sorriso tinha o dom de arrebatar-lhe e deixa-lo maravilhado.
Ele aproximou-se:
— Tauriel eu... Pretendo continuar minha jornada, eu apenas esperarei sua completa melhora e então devo partir. – A força daquelas palavras causaram-lhe uma intensa apreensão, estreitou os olhos virando o rosto para outra direção, sentia-se com o coração na mão e apertado, mas ela era tão perfeitamente segura de si, que logo retornou ao seu estado habitual, e poucos teriam percebido pelas suas nuances o quanto aquilo teria lhe afetado, poucos exceto aquele que lhe conhecia tão bem, desde sempre. Legolas sentiu certa alegria em seu coração que quase poderia sorrir, entretanto manteve a postura séria de sempre, notando o quanto ela demonstrava incomodar-se apenas em saber que ele pretendia ir.
— Legolas, eu vou com você, sempre estivemos juntos nas nossas aventuras e agora não será diferente! – Disse ela determinada.
— Dessa vez eu irei sozinho Tauriel, nós nunca saímos fora das extensões do nosso reino antes, e as Terras Ermas são perigosas, você acabou de passar por momentos difíceis, e ainda está se recuperando disso tudo, dessa vez eu quero que você fique, fique servindo ao nosso rei. Além disso, tem certas coisas que preciso fazer sozinho, não será fácil localizar o guardião que procuro, essa será minha missão.
— Mas Legolas eu... – Hesitou um pouco, não sabia o que deveria dizer-lhe mais para dissuadi-lo. Ele tomou uma das mãos delas, e colocou-a perto do próprio coração, Tauriel sentiu um ligeiro arrepio, apenas aquele pequeno gesto era capaz de toca-la profundamente, sentia cada batida do coração do príncipe elfo, e ao mesmo tempo um sentimento a aquecia e acalmava seu coração.
— Fique tranquila, eu ainda estarei aqui pelos próximos dias, não a deixarei novamente sem me despedir. – Aquela voz tão macia e suave e forte ao mesmo tempo, lhe tranquilizava. Ela silenciou-se, olhando fundo em seus olhos azuis, nunca havia reparado, mas era como se eles pudessem chegar até o interior da sua alma. Legolas pegou sua mão e beijou delicadamente. Soltando-a ele deixou seus aposentos sem que mais nenhuma palavra fosse dita.
Tauriel não sabia mais o que pensar, ao mesmo tempo em que o amor a aquecia por dentro, sentia crescer em si mesma um sentimento confuso ao qual não era possível dar nome, certo desconsolo por imaginar que daí a poucos dias ele iria partir, e que ela não poderia ir junto. E dessa vez notou ela, que não seria fácil fazê-lo mudar de opinião como já fizera em outros momentos. Apenas dois dias haviam passado desde a tenebrosa batalha, mas era como se muito mais tempo tivesse se passado, algo seriamente havia mudado e isso estava claro, e ela já não tinha mais o controle que tinha antes sobre seus sentimentos, e passava a ficar desconcertada e sem saber ao certo que atitude tomar quando estava ao lado dele, logo ela que tão determinada era: “O que está acontecendo comigo? De repente eu não sei mais como agir diante dele”— suspirava profundamente pensando nele, agora Legolas já não saia mais de seus pensamentos.
***
Ele entrou na sala do trono decididamente, a passos rápidos:
— Então você retornou... — Disse-lhe o rei, quase sempre sua reação era uma surpresa, mas Legolas admirou-se, ele não estava surpreendido em vê-lo de volta, alias Thranduil parecia bem satisfeito.
— Tauriel foi até mim, precisei retornar com ela. Apesar da força que ela possui ainda não está totalmente recuperada para uma viagem assim. Encontramos um pequeno grupo de orcs no caminho, ela estava indo muito bem na luta, mas havia um que deu um pouco mais de trabalho, felizmente cheguei bem na hora.
— Você vai partir novamente agora que a trouxe?
— Eu... – Legolas parecia hesitar por um momento, seu pai estava prestando atenção a cada reação que ele demonstrava: _ Meu pai irei assim que ela estiver melhor.
— Legolas, faça conforme sua razão lhe direcionar. – Ele fez um sinal afirmativo, e preparava-se para sair, quando Thranduil lhe disse: _ É muito bom tê-lo de volta. – Legolas sorriu levemente fazendo uma respeitosa reverência para seu pai, e saiu. Precisava de um momento sozinho.
***
Tauriel sentia-se perturbada, depois do reencontro dos dois após todos aqueles acontecimentos, Legolas estava mais calado do que o normal, em sua última conversa ela sentia-o um pouco distante de si mesma, e ele não havia abandonado a decisão de deixar o reino sozinho, algo a incomodava, não sabia o que estava acontecendo e precisava confronta-lo sobre isso, mas ainda necessitava descansar melhor, seu corpo estava pedindo por isso após tantas lutas uma após a outra, ela deitou-se e instantaneamente dormiu.
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