Notas iniciais
"Quanto melhor te dispões para padecer, tanto mais paciente serás em tuas ações e maiores merecimentos ganharás; com a resignação e a prática torna-se também mais suave o sofrimento. Não digas: não posso sofrer isto daquele homem, nem estou para aturar tais coisas, pois me fez grave injúria e me acusa de coisas que jamais imaginei; de outros sofreria facilmente, quanto julgasse que devia sofrer. Insensato é semelhante pensar, pois não considera a virtude da paciência nem olha àquele que há de coroá-la, mas só atende às pessoas e às ofensas recebidas. Não é verdadeiro sofredor quem só quer sofrer quanto lhe parece e de quem lhe apraz. O verdadeiro paciente também não repara em quem exercita a paciência; se for seu superior, ou igual, ou inferior, se for homem bom e santo, ou mau e perverso. Mas, sem diferença de pessoa, sempre que lhe sucede qualquer adversidade, aceita-a gratamente da mão de Deus e a considera um grande lucro para sua alma. Porque aos olhos de Deus qualquer coisa, por insignificante que seja, que soframos por amor dele terá seu merecimento. Aparelha-te, pois, para o combate, se queres a vitória.Se não queres sofrer, renuncia à coroa; mas, se desejas ser coroado, luta varonilmente e sofre com paciência. Sem trabalho não se consegue o descanso e sem combate não se alcança a vitória". (Tomás de Kempis - Imitação de Cristo). "Aquela pessoa com quem decidimos casar é a "escolhida" entre todos os homens ou mulheres que conhecemos; e portanto, como a(a) eleito(a), devemos ter-lhe em alta conta, como a pessoa "especial" da nossa vida, merecedora portanto de toda atenção e respeito". Prof. Felipe de Aquino Família: santuário da vida "O amor conjugal coloca o outro em primeiro e aceita o outro como a pessoa mais importante em sua vida. Aceita organizar toda a sua vida em função dessa pessoa. É a isso que o casal é levado, quando é levado pelo amor e pela caridade que vem de Deus. É aliança de vida, de toda a vida, por toda a vida". Pe. Flávio Castro "O amor é o desejo de eternidade do ser amado." {Santo Tomás de Aquino} ♥ Boa leitura! ^.^ Em itálico pensamentos!

Assim que Legolas se retirou, Tauriel tomava seu vinho, enquanto fitava o príncipe até perdê-lo de vista entre as pessoas que estavam por perto, suspirou profundamente vendo-o sair, Morwen posicionou-se diante dela e olhava-a fixamente havia certa firmeza em seu semblante:

— Deve fazer ideia do que por que estou aqui não é Tauriel? – A voz dela soou-lhe irritantemente prepotente, em seu olhar havia uma expressão muito séria ao qual não era possível perceber as intenções. Tauriel olhou–a confusa por fim respondeu-lhe.

— Está enganada! Eu desconheço totalmente o motivo que a trouxe até aqui... – Disse-lhe simplesmente.

— Ora deixe de frivolidades, não estou aqui para perder o meu tempo. Chegou até mim um rumor ridículo sobre suas intenções de se unir ao meu primo, um futuro grande senhor élfico, o Lorde Legolas. Isso me parece um absurdo sem tamanho de uma grande falsidade é claro, e apenas esses relatos já o ultrajam, por isso mesmo vim imediatamente aqui tomar parte desses acontecimentos. – Foi muito grande a confusão de ideias que aquelas palavras causaram em Tauriel, em face do espanto que sentiu, apesar do aborrecimento repentino que a pegava de surpresa, ela não perdeu tempo, com a mesma firmeza de sempre lhe respondeu:

— Eu não a compreendo se de fato te parece que a noticia seja um absurdo e uma inverdade por que viria então até aqui?

— Apenas para desmentir tal rumor escandaloso, meu primo não merece passar por algo assim! Isso acaso não seria fruto de alguma de suas maquinações? – Ela era bem direta naquilo que pretendia dizer e parecia não medir as palavras.

— Como é? – Respondeu-lhe Tauriel perplexa, que criatura irritante e soberba estava diante de si mesma, entretanto ela não perdia de lado toda a sua sagacidade e grande força interior, fitou-a ainda um pouco incrédula com tal situação.

— Parece bastante surpresa com minhas palavras, acaso pretendia confirmar tais relatos?

— Me diga uma coisa, por que deseja ouvir de mim a todo custo uma resposta quando acaba de afirmar com tanta certeza que isso não seria possível?

— Deixe-me ser bem clara Tauriel, meu primo, o Lorde Legolas, não é apenas um príncipe, como também um dos grandes em poder e em sabedoria, eu o conheço desde sempre, conheço suas muitas virtudes heroicas e sua nobreza e classe, sei que ele ainda há de se tornar muito maior do que tem sido até agora, eu o vejo caminhar para isso, nos conhecemos há muito mais do que seiscentas primaveras. — Disse ela com tom naturalmente arrogante, enquanto andava ao redor de Tauriel olhou-a por um momento em sua aparência e por fim continuou: __ E eu não o verei manchar sua nobreza unindo-se a uma elfa como você, de origem inferior, e sem nenhuma relevância em qualquer parte desse reino. Você só o atrasaria e causaria um grande retrocesso no futuro promissor que ele tem. Ele é bom demais para você. Capitã da guarda? Nunca ouvi nada mais ridículo! Sempre foi esperado pela união dos nossos reinos para formação de um ainda mais poderoso no momento apropriado, e não será uma reles elfa da floresta como você que vai impedir isso. Eu não pretendo permitir que interfira nesses planos. – Disse parando por fim diante dela com um olhar bastante sombrio. Tauriel em sua expressão demonstrou um evidente aborrecimento, as palavras haviam cumprido bem seu papel de atingi-la em cheio. Ela, contudo elevou um pouco mais seu tom de voz:

— Agora eu compreendo, sua vaidade e arrogância a trouxeram até aqui, quando percebeu que o Legolas me amava, não podendo acreditar que ele se casaria comigo e não com você como você esperava, veio ver com os próprios olhos? – Disse ela, com o mesmo sorriso perspicaz de sempre como quem havia desvendado um mistério. Morwen ficou totalmente séria e não apenas isso, demonstrou-lhe um grande desconforto com tais palavras:

— Como você é tola! Movida por sentimentos baixos que revelam bem sua origem inferior. Acha mesmo que essa história chegaria ao fim? Acha que meu primo realmente à ama? Ele está apenas cometendo uma loucura, um ato impensado. Em algum momento meu primo cairia em si mesmo. Veria quão absurdo tudo isso é. Não seja atrevida menina, você não pode entender o coração de um valoroso príncipe como ele. Coloque-se em seu lugar, como o ser inferior e desprovido de nobreza e sabedoria que você é.

— Mas o que você está dizendo? Você não pode falar sobre os nossos sentimentos quando não os conhece. Eu realmente o amo, eu sei o quanto ele é nobre e precioso, você não é a única que o conhece, eu tenho meus próprios momentos vividos ao lado do Legolas.

— Eu tenho que admitir! Dá a sua opinião de forma decidida para uma elfa tão jovem, entretanto... Se realmente o ama, por certo deve saber que estar ao seu lado não é o melhor para ele, mas eu duvido que uma criatura tão estupidamente baixa possa compreender o significado disso.

— Agora chega! Já me insultou de todas as formas que pretendia. Eu não tenho que ouvi-la.

— Eu ainda não terminei, eu não permitirei sua intrusão...

— Ótimo, continue falando, mas não para mim. – Disse ela retirando-se dali. Sua vontade era estar munida de seu arco e flecha e atirar com toda força nela, entretanto em tom bastante decido ela retirou-se dali. A bela elfa de cabelos negros cessou as palavras e olhava-a com olhar ainda mais sombrio do que anteriormente.

Tauriel retirou-se dali, a passos largos, sua taça colocou bruscamente sobre uma pequena mesa, isso chamou a atenção de Thranduil, que a vendo retirar-se desse modo, voltou o olhar imediatamente para Morwen que estava num outro canto do salão, ela não via o rei, porém mantinha sua atenção ainda voltada para Tauriel que ia se afastando, Thranduil olhava-a seriamente.

***

Tauriel cruzou uns dos caminhos de saída, que levava até lá fora, onde ela pôde observar a bela lua no Céu, e a luz da estrela mais brilhante e querida. Em seus pensamentos estava tudo que havia lhe acontecido momentos atrás.

— Que direito ela pensa ter! Uma grande inconveniente isso sim! – Dizia ela consigo mesma.

Pensava na dureza daquelas palavras com o tom evidente de não apenas insulta-la como também persuadi-la, como se fosse possível assim fazê-la desistir do seu amor, logo ela que se lamentava ainda tanto por ter desconsiderado por longo tempo os nobres sentimentos que sempre recebeu do Legolas.

Caminhou de um lado para o outro, tentando sofrer com paciência, o que não podia de bom grado, sabia que grandes adversidades produziam paciência, e da paciência brotava a experiência, por isso o que fazia era tentar ser paciente, contudo, ainda um pouco nervosa estava refletindo sobre o assunto daquela conversa, impressionante era como sentia um grande desgaste emocional, e uma grande confusão interna por causa de tudo aquilo. Mas em si mesma havia uma convicção: Tudo que vivera até hoje em sua vida, lhe mostrava que sem a peleja não se chega à coroa da vitória, e em tudo havia um constante combate, seu coração era forte e lhe mostrava isso, até nas coisas mais insignificantes do dia a dia havia uma luta a se travar pelo que era certo, e o certo quase sempre era o mais difícil, sem o trabalho não haveria o descanso e sem o combate não chegaria à vitória, percebia que isso se aplicava também ao seu amor pelo seu precioso príncipe elfo, ela deveria se preparar para aprender a sofrer com paciência, e a confrontar com determinação e coragem nessas adversidades que viriam muitas e muitas vezes, para poder passar por todas elas, entretanto algo a animava e deixava-a cheia de esperança entre esses pensamentos, era desejável sofrer qualquer prova e aflição por ele, e por seu amor, já que sabia que no final de tudo ele estaria lá para si, o amor dele valia qualquer sacrifício e qualquer luta sempre, possivelmente haveria ainda muitas outras contrariedades em seu caminho, e ela não abriria mão de seu amor por nada disso: “pode vir o que for, pode acontecer o que for, mas eu não desisto de você Legolas”. – Pensava ela, chegado a todas aquelas conclusões enfrentaria tudo e lutaria até o fim para estar com ele sempre, ainda que não merecesse aquele amor, ela recebia intensamente dele e não iria perdê-lo.

E certo consolo foi tomando o lugar da angústia anterior, ela voltou o olhar novamente para o Céu, e para as estrelas, e seu consolo aumentava. Sentou-se um pouco em um banco ali próximo às belas árvores, e levemente deu um breve sorriso, qualquer um que a visse, não poderia jamais supor que há poucos minutos atrás em seu rosto havia apenas uma expressão confusa e aborrecida. Ela sorria, sobretudo ao ver o brilho das estrelas, ao olhar o Céu à noite pensando em seu amor, era exatamente como se houvessem milhões de estrelas a lhe sorrir. E como era lindo pensar nele, mais uma vez ela podia perceber que apenas a lembrança e o pensamento nele era o suficiente para lhe fazer bem, vinha-lhe não apenas um consolo e uma espécie de alegria, como também grande paz e coragem de passar fosse o que fosse para estar sempre junto a ele, e era isso que tantas vezes o vira fazer por si mesma, não importa onde ela estivesse ou o que lhe acontecesse ele sempre estava lá, pensamento encorajador e que muito a fortalecia, passava a descobrir o quanto o amor real podia fortalecer e a levava a se tornar ainda mais forte e determinada, e a sacrificar-se por aquele que amava, era a isso que se referia o Rei Thranduil quando a indagou sobre saber o que realmente era amor, era esse o amor que ficaria no final, aquele pela qual valeria sempre a pena sofrer o que fosse, era o amor precioso que cada vez mais ela se dava conta de que o Legolas possuía por ela assim como ela por ele.

***

Legolas voltava para o salão e avidamente procurava por Tauriel, mas antes que se aproximasse do local em que havia a deixado com Morwen, seu pai parou-o:

— Legolas, eu observei uma cena curiosa, que acredito que não deva ser ignorada, Tauriel saiu contrariada após conversar com Morwen, e o motivo disso você deve entender...

— O que? – Ele demonstrou evidente surpresa em seu tom, e ao mesmo tempo uma grande seriedade, estreitou o olhar, seu humor não parecia dos melhores ao voltar-se para a direção que estava sua prima, ele sabiamente já compreendia tudo, olhando para o rei perguntou-lhe: __ Para onde a Tauriel foi?

— Eu a vi sair naquela direção. – Disse-lhe Thranduil, tomando tranquilamente seu vinho. Legolas fez-lhe um sinal afirmativo, e dirigiu-se para lá, ignorando totalmente a presença de Morwen

Notas finais
Nosso querido Pai Rei não é malvado como parece viram? Dessa vez ele é inocente hehehe "Um grande amor num susto se confirma" - e as adversidades nunca deixam de vir... E não é fácil lidar com elas... Essa Morwen imagino a cara de olhar mortal do Legolas para ela depois disso... Se cuida heim!