Legolas e Aragorn / Elrond e Gandalf - PARTE II
2 Éomer e Thranduil.
O cavaleiro voltara para Gondor, chegando lá, despachou os homens, desceu de seu cavalo, aproximou-se do local onde os espadachins ficavam, retirou as vestimentas de guerra, seus armamentos, seguiu até o castelo, aproximando-se da sala de reuniões.
Éomer se surpreendeu um pouco ao ver que Faramir, Aragorn e outros governantes estavam ali, reunidos e que ele acabara interrompendo a reunião.
– Perdão, meu rei.
Disse se inclinando, mas quando foi sair, Aragorn o chamou.
– Entre, Éomer.
Lá estavam todos reunidos, o cavaleiro sentou-se completamente sem jeito, pois achara que só encontraria Faramir ali, como costumava acontecer.
– Lamento não tê-lo avisado antes, mas como estava fazendo a ronda... iria comentar a posteriori contigo. – Disse gentilmente Aragorn, Éomer apenas consentiu com a cabeça. – Podemos continuar.
E a reunião seguira durante três horas seguidas, Finalmente ele conseguira a atenção de Faramir, aproximando-se dele num momento que o mesmo se encontrava sozinho.
– Ei, psiu...
– Éomer, diga, meu caro.
– Quero te dizer uma coisa... perguntar, na verdade.
– Claro, o que deseja saber?
– Ia conversar com o rei, mas... ficaria muito explícito o que eu sei dele.
– Sobre aquilo denovo? – Retrucou Faramir dando de ombros, já ligeiramente impaciente.
– Conheci o pai de Legolas, aliás, Legolas me salvou...
– Como assim?
Faramir se voltou para o outro, mantendo uma face preocupada.
– O pai dele me prendeu numa masmorra, ele é cruel, sabe... – Aproximou-se mais do outro, falando mais baixo- Sádico... parecia que ia me violentar dentro de uma jaula lá.
– Mesmo? Por que não comentou isso na reunião?
– Aí que tá... aí que tá... eu queria revê-lo, queria acertar as contas...
– Éomer, está louco? – Faramir deu uma pausa, tomando ar, estava realmente preocupado, sentia a respiração dificultada- Você disse que ele parecia querer violentá-lo.
– Preciso vê-lo... não sei como farei isso.
– Então... — Faramir permitiu-se sorrir – Gostou do elfo pai? Hahaha!
– Porra, isso é sério.
– Aham, quer dar uns pega nele, é? – Disse o jovem pegando alguns mapas e os guardando num móvel ali perto.
– Como eu faço?
– Por que ele te prendeu?
– Porque invadi a fronteira do reino.
– Simples, invada denovo e sozinho, assim fica bem nítida sua intenção.
Éomer, consentiu, cruzando os braços, olhando para frente.
– Se ele me matar, fale com o rei, se por acaso eu não voltar amanhã... ok?
– Olha o que você vai aprontar... uma guerra entre reinos?
– Ao menos não vou sumir sem ninguém saber, entendeu? – Deu uma pausa e continuou com uma voz mais alta- O avise. – Disse em tom de ordem. – Ao menos se eu morrer, aquele Legolas vai vazar daqui... e merecidamente.
– Mas deixa ver se entendi... você quer criar uma confusão com o Senhor Thranduil e quer uma guerra? Você que esta procurando problemas, Éomer!
– Vou lá, não esqueça, se amanhã eu não voltar... Adeus.
E saiu dali, passou no estábulo, pegou um cavalo e prosseguiu para as Florestas das Trevas.
– Merda! Merda!
Parou no meio do caminho.
– Não, pera... é isso mesmo... Legolas estava na reunião... é... ele ainda está em Gondor.
Prosseguiu por um tempo dando algumas cavalgadas, mas logo parou denovo.
– Legolas me salvou... e se ele não estiver lá... droga! O pai dele pode me matar... droga, droga!
O medo parecia tomar conta de todo seu corpo, lembrou-se daquele elfo, alto, forte, com uma voz potente que parecia ecoar por todo reino, assertiva e séria.
– Mas infinitamente sádico e arrogante... – Ele permitiu um sorriso brotar. – Que se dane.
E voltou a cavalgar, adentrou a Floresta, ao ver que haviam muitos galhos e que o cavalo tinha dificuldades de entrar ali, desceu dele, afundando-se naquela escuridão. Seguiu durante um bom trechos sem ser incomodado.
– Imagina, logo eu, atrás de um elfo... mas, ao menos, ele parecia parecido comigo, ganancioso, raivoso... – Parou por uns instantes, encostando uma das mãos num tronco de alguma árvore- Droga, eu não tenho reino... nem poder... e o que eu tenho agora, diminuiu bastante... que vantagem ele teria?
Subiu algumas rochas, parando numa altura considerável, dava para ver toda a serra abaixo, a sua fronteira nitidamente.
– Nossa, que visão!
Olhou para os lados, parecia procurar algum elfo, qualquer que fosse, mas o local parecia abandonado.
– Estranho, quando eu estava com os cavaleiros, eles me prenderam rapidamente...
Continuou olhando para os lados, para trás e não viu nenhum sinal de vida.
– Droga! Droga!
Disse pegando um pedaço de pedra e jogando adiante, com toda força que tinha.
– DROGA!!!
Pegou outra e jogou, mais outra, depois pegou uns galhos e os quebrou.
– Ele vai me ignorar, como uma mosca? Como um rato?
Voltou-se para a Floresta, dando um grande berro:
– THRANDUILLL!!!!
Desceu dali, voltando a entrar na Floresta, seguia numa direção incerta, ele já percebera que estava perdido.
– Aquela flecha deve ter mexido com meu raciocínio... devo estar louco! Dentro de uma floresta, sozinho! Atrás de um elfo de merda! Que raiva!!!!!!!!!!
E desceu até um local onde dava para um pântano, ele lamentou que a região ali dentro fosse tão problemática, ele teve a impressão de ver uma aranha gigante passar, a sua sombra e logo começou a correr numa direção mais clara, era impressionante como o sol tinha dificuldades de entrar ali.
Já se sentia cansado, sentou-se numa pedra, tomando ar, sentia sede, mas o lugar era tão inóspito que nem havia água potável ali, ele suava, nem havia levado mantimentos e foi, neste instante, que ouviu um grunhido agoniado de seu cavalo, provavelmente algum animal faminto o devorava, ele seguiu receoso na direção e viu três aranhas gigantes devorando o cavalo, o mesmo já estava envolto numa rede gigante.
– Nossa...
Logo pôs-se a tentar sair daquela floresta, mas não conseguia achar a saída, a impressão que tinha era que se perdia mais e mais ali dentro.
– Vou morrer... vou morrer...
Dizia baixo, morrendo de sede, perdera as contas de quanto tempo andava por ali, agora, o frio lhe acompanhava, pois o sol já havia se posto.
– Por que... ninguém aparece...
E seguiu cambaleante, até que caiu ali, desacordado, sentindo um cansaço enorme, ele não se dera conta, mas havia sido mordido por um inseto, o qual acabara de voar de sua nuca. Éomer acabou por adormecer ali, inebriado num sono perturbado, seu corpo tentava reagir, estava mais frio, agora ele se contorcia, seu corpo algumas vezes sentava-se ali, dando sutis espasmos, voltando a deitar, seus olhos encontravam-se revirados.
– Thran...
Éomer estava quase perdendo os sentidos quando ouviu passos ao seu lado, sentiu-se ser levado e logo se encontrava sobre uma cama. Sua vista estava um tanto embaçada, mas conseguiu ver que era alguém loiro, ele sorriu, falando baixo:
– Thranduil...
A sombra pareceu se levantar, espera, mesmo com a vista comprometida, pode ver que parecia ser alguém bem mais baixo, não era Thranduil. A voz parecia responder-lhe:
– Não, meu pai seguiu para o norte, ele não se encontra, está numa Campanha.
Sentiu algo molhado afagar-lhe a testa, logo ele levou a mão ali e pôde ver que era um pano.
– Penso no que tinha na cabeça para entrar aqui sozinho, sorte não ter sido devorado vivo. Agradeça ao inseto que o deixou semimorto e consequentemente, as aranhas não sentiram a quentura do seu sangue.
Éomer deixou uma risadinha cínica e debochada sair dali:
– Mas que Reino de merda você tem, hein, elfo.
Legolas sorriu, recolocando o pano na testa do outro.
– Tente não se mexer muito, tome isso.
E aproximou um copo dos lábios do espadachim, que tossiu algumas vezes, por ter se engasgado. Sua própria garganta parecia entupida, ele voltou a deitar-se.
– Obrigado.
Éomer acabou por fechar os olhos, já que sua visão agora, era totalmente escurecida, apagada.
– É normal perder a visão? É temporário?
– Eu não sei, nunca ninguém mostrou estes sintomas.
E, neste momento, Thranduil adentrou ali, tocando gentilmente os ombros de seu filho, colocando-se detrás dele.
– Ora, ora, quem voltou para o seu reino...
Disse gentilmente, levemente brincalhão, Legolas sorriu-lhe por cima de um dos ombros e o mais jovem, pôde ver a fisionomia de seu pai fixar-se naquele espadachim, seus olhos arregalados, sem ao menos piscar.
– Filho...
Thranduil foi se levantando e sentou na borda onde estava o humano, suas orbes claras pareceram seguir de sua face agonizante, descer-lhe pelo tronco, seguir para seus quadris e pés.
– O que aconteceu, aqui?
– Ele invadiu a floresta, ficou perdido durante bastante tempo... parecia procurá-lo.
– Mesmo?- Voltou a olhar para o seu filho, por um tempo, para logo voltar a encarar Éomer.- Ele se arriscou... para me procurar? Trouxe alguma frota?
– Não, nenhuma... acho que ele deve está delirando, pai. Este humano é bem imprevisível.
Thranduil deixou um sorriso brotar-lhe nos lábios.
– Igual a mim?
Voltou a encarar Legolas, este comentou baixo:
– Ele só cria problemas para Aragorn, é impressionante... ele não pensa no que faz, fator que o fez perder grande parte de seu poder e homens... ele age por emoções e impulso, somente.
– Hum... sinceramente...
Thranduil se levantou dali, mantendo as mãos detrás do corpo, seus dedos entrelaçados.
– Um humano sem valor...
– Literalmente sim, sem poder.
– Consiga que ele seja meu escravo, que Aragorn o libere.
– Como?
Legolas se levantou, encarando seu pai.
– Antigamente, isto era bem comum, ter escravos...
Disse calmamente Thranduil, que voltou a olhar para o cavaleiro, deixando um sorriso malicioso brotar ali.
– Mas...
– Filho.
– Pai, devo recusar, mesmo que ele seja apenas um subordinado, Aragorn nunca concordaria, ele gosta do Éomer, ele o tem como um dos seus principais governantes...
– Elfos malditos. – Retrucou Éomer sentando-se ali, retirando o pano, ainda com a visão enegrecida, mas encarando-os.
Thranduil e Legolas o olharam, em silêncio.
– Ainda não acredito que vim atrás de um... maldito elfo! Todos vocês deveriam morrer.
Thranduil voltou-se para o cavaleiro, se inclinou ali, parando com a face a poucos milímetros da dele, permitiu que seus lábios se entreabrissem, sua respiração tocasse a boca do outro, que olhava em sua direção, embora não enxergasse nada.
– Estava com saudades?- O elfo sussurrou baixinho, tocando-lhe gentilmente o queixo.
O cavaleiro virou a face numa direção qualquer.
– Escravo é a puta que pariu, sua travesti loira... haha... você que será meu escravo...
Thranduil segurou-lhe forte pelo pescoço. Legolas olhava atordoado para os dois. Éomer segurou firme o pulso que apertava a mão em seu pescoço, o esganando.
– Travesti loira!
Thranduil forçou com o pescoço dele para trás, forçando-o a deitar na cama, sentou-se sobre o quadril do espadachim, foi sutilmente inclinando-se para frente, soltando um pouco o apertão, fato que fez o humano tomar grandes golfadas de ar.
– Não abuse de minha hospitalidade e gentileza... – Disse o rei lentamente, com uma voz rouca.
– Acha que me intimida com essa voz? Você só tem a voz!
O espadachim mantinha os olhos arregalados, até que finalmente sua visão começava a voltar. Suas orbes castanho mel, agora viam finalmente aquela face, que tanto o intimidava, mas o atraía como uma armadilha. Thranduil percebeu que o outro parecia observá-lo mais atentamente, permitiu franzir os celhos, olhá-lo mais atentamente.
Os lábios estavam próximos e a ação partiu do humano, ele o beijou. Puxando Thranduil para si, abraçando-o pelo pescoço, as bocas colaram-se, as línguas tocaram-se. Legolas engoliu em seco e saiu dali fechando a porta, tinha uma das mãos sobre o próprio peito, sua própria respiração afobara-se, acabando por lembrar-se de Aragorn.
– Af.. af...
Levou uma das mãos à própria testa, fazendo uma fisionomia de dor, encostou-se na porta, ainda ofegando, lembrando-se da carta que deixou.
– ... — Depois de um tempo, comentou — Ele nem falou nada a respeito.
Levou uma das mãos à boca, parecendo que ia começar a chorar.
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