Legolas e Aragorn / Elrond e Gandalf - PARTE II
13 Radagast
Notas iniciais
Sons faziam-se presentes na floresta onde o mago aguardava a passagem do elfo, assim que Gandalf se distanciara e sumira entre as árvores, Radagast pegou seus itens básicos: Seu cajado, uma sacola de pano e seguiu para o local de onde sempre espreitava aquele elfo de Valfenda a destruir alguns orcs. Ele pensava em como era impressionante como aquele elfo se comportava, de maneira tão responsável e pontual, pois o mago tinha a impressão que ele costumava sempre visitar aquela região determinado dia da semana e em determinado horário.
E, agora, lá vinha ele, com um exército de aproximadamente quarenta homens. Radagast, no entanto não contava com um detalhe: Seu medo de elfos. Sim, de repente, todos seus músculos estavam travados, congelados, ele lembrava-se da época que ainda conseguia falar com eles, mas sempre tivera a impressão que os mesmos costumavam reparar em suas roupas e observá-lo com certo grau de arrogância e desmerecimento, apenas Gandalf e Saruman o tratavam dignamente. De resto, nunca fora entendido ou compreendido por ninguém além deles e isto incluía anões e humanos também.
E enquanto os cavalos do exército de Elrond cavalgavam na direção do solo arenoso e o perigo se aproximava cada vez mais deles, Radagast não conseguia mover um músculo sequer e foi, nesta situação um tanto incômoda que ele pensou rapidamente, num fluído de pensamentos perturbados e intensos, que pediria que as aves dali avisassem àqueles elfos que estavam seguindo para sua própria morte, a ponto de se tornarem banquete dos orcs escondidos.
Então, ele começou a assobiar, fato rapidamente percebido pelos elfos, que pararam seu percurso e começaram a notar uma enorme leva de pássaros que pareciam seguir em sua direção.
– Senhor, acho que estamos numa área de acasalamento de aves. – Comentou um subordinado a Elrond.
– Espere. – Ordenou o líder.
E aquele bando de aves se aproximavam cada vez mais e não pareciam parar mesmo estando tão próximos do grupo, então foi, neste instante que começavam a pinicar as cabeças daqueles elfos, bicando suas faces, suas mãos levantadas, puxando-lhes os fios do cabelos, arranhando seus couros cabeludos e suas faces com as garras.
– Meus amigos! Meus amigos! Tenho que tomar coragem! – Berrou o mago do alto da serra.
E um dos elfos, em desespero, acabara espremendo uma das aves na mão, ação logo repreendida por Elrond, mas Radagast ao ver aquela infeliz ação, se contorceu por dentro, fato que o liberou de seu transe de medo e ele, num ato de desespero e loucura, retirou as roupas e pôs-se a correr completamente nú, saindo detrás da moita na qual estava e descendo pela serra a passos rápidos, correndo.
– Se eles me virem pelado, verão que eu não vou atacá-los e que não estou armado! Então, vamos lááááá!!!! Gandaaaalf!!!
E começou a descer por ali, embolando-se em suas próprias pernas, acabando por descer a subida da serra rolando que nem uma bola para logo se levantar e correr na direção dos elfos com as mãos ao ar, abanando-as, balançando-as e enquanto fazia isso, berrava repetidamente:
– Não atirem! Sou amigo do Gandalf! Não atirem! Sou amigo do Gandalf!
E dava sutis saltinhos pelo fato do solo estar muito quente e queimando suas solas dos pés. Alguns elfos chegaram a tentar mirar para o mago, mas Elrond escutara o nome de Gandalf mesmo antes deste começar a descer pela serra e logo pediu que seus homens aguardassem, guardando os armamentos.
– Não ataquem! Fiquem a postos!
Berrou Elrond, finalmente vendo os pássaros se afastarem de si e de seus homens, o bando de aves seguiram até Radagast, rodeando-lhe a cabeça, voando ao redor do mago, para logo, assim que ele acenou, elas se dissipassem em variados grupos e em diversas direções.
– Ai! O solo está quente! Quente!
Elrond saltou do cavalo e pegou uma capa que sempre carregava a contrapeso se acaso chovesse e entregou-a prontamente para aquele mago, este se cobriu parcialmente e logo usou as bordas da mesma para pisar sobre, aliviando a sola de seus pés.
– Você disse que é amigo de Gandalf. – Elrond encontrava-se a dois passos de Radagast.
O mago olhava-o atencioso, parecendo perceber-lhe os detalhes da face, as orelhas.
– Hum, você é um meio-elfo... – Radagast olhava-o de cima abaixo. – Já ouvi falar de você.
Elrond franziu as sobrancelhas, passando a observá-lo em silêncio.
– Bom sábio da terra-media.
– Sim. Conhece Gandalf?
– Sim, ele veio e passou por aqui a pouco... – O mago apontou para onde havia descido- Ele seguiu para as Florestas das Trevas.
– O QUÊ? – Berrou Elrond arregalando os olhos, pressionando uma das mãos na própria boca, tentando conter outro berro, já que um saiu sem que nem percebesse.
– Mas antes, pediu que lhes avisasse, ele foi pedir ao tal... qual nome mesmo...? – Radagast apertava o próprio queixo, lamentava em silêncio sua memória não ser muito boa. – Ah! Legolas... avisar a Aragorn e... a... aos anões, isso!
– Mas o que Gandalf quer com tantos homens?
– Olhe.
Radagast sinalizou para o norte, na direção de onde provinha aquele caminho de solo arenoso.
– Veja com seus olhos élficos.
Elrond engoliu em seco e realmente pareceu observar aquela mata mais adiante estava cortada ao meio, praticamente dividida em duas partes por um extenso solo arenoso, como se ali tivesse se formando um deserto.
– Este solo estranho que brotou de repente ali, está cheio de orcs, eles se encontram debaixo do solo. – Radagast visualizou uma águia, assobiou, a mesma seguiu para o norte. – Consegue vê-la?
– Sim.
– Lá que começa o terreno arenoso, contabilizei milhares de orcs...
– Mas matamos... – Elrond voltou a olhá-lo. — Mas matamos uns cinquenta e...
– Provavelmente, meu caro... – O mago tocou-lhe um dos ombros, passando a olhar para o norte. – Foram os despertados pela chuva torrencial que caiu ontem, a água força com que os que estão mais acima do solo acordem...
– Entendo, faz sentindo. – Comentou Elrond olhando para o mago desconfiado, encarando a mão dele sobre si, ligeiramente incomodado. Fato que fez Radagast retirar logo a mão.
– Ops! Hehe... bem... – O mago respirou profundamente até que sua própria capa caiu, deixando-o nu novamente, fato que fez os subordinados de Elrond cochicharem baixinho, o próprio Líder, Senhor de Valfenda pareceu ter se assustado com a visão inesperada. – Opa! – Radagast voltou a se cobrir e continuou falando — Pois bem, como a chuva de ontem foi mais forte, ela despertou alguns... uns cinquenta, mas em geral, vinte ou trinta que costumam despertar após uma chuva... e acredite, eles estão devorando o solo... as nascentes da minha floresta... onde moro... estão nascendo escuras... eles estão devorando tudo... por debaixo da terra, todas as raízes, muitas árvores estão morrendo, secando... e olhe... – Apontou para leste- Para lá fica a Floresta das Trevas, por onde Gandalf seguiu... lá também, algumas árvores da fronteira estão mortas.
– Então... – Elrond deu alguns passos para frente, olhava para aquela imensidão arenosa com as mãos na cintura. — Não darei conta com meu exército.
– Exato, por isso... Gandalf foi solicitar...
Elrond o interrompeu, virando-se para ele.
– Vista-se adequadamente. Seguirá para Valfenda com meu exército.
– E você?
– Irei atrás de Gandalf, temo pelo que Thranduil possa lhe fazer. — Disse o elfo olhando na direção da Floresta das Trevas.
Radagast tremeu-se todo, sentindo uma forte pontada de medo, sentindo seu corpo suar frio.
Os subordinados de Elrond se entreolharam e pareciam desejar que nenhum deles fosse escolhido para levar aquele mago, a seu ver, insano.
– Escolha um dos meus cavaleiros e siga com eles. – Elrond aproximou-se do exército, segurando a amarra de seu cavalo numa das mãos. – Atenção homens, seguirão para Valfenda e aguardarão meu retorno e ordens. Deverão levar este mago, aqui não é seguro para ele. Entendido?
– Sim senhor! – Responderam em coro.
Radagast temia se aproximar daqueles elfos e foi um deles, um menor, mais jovem e mais gentil, ligeiramente mais andrógino, que desceu de seu cavalo e se ofereceu para levá-lo. Radagast corou, nunca fora tratado com tamanha gentileza.
– Por favor, senhor, permita-me levá-lo.
Elrond sorriu para o tal elfo, dando um consentimento com a cabeça, ele estava treinando aquele elfo para ser o novo substituto e ocupar o lugar de Lindir.
Ao ver seus subordinados seguirem viagem para Valfenda, com o inusitado e inesperado mago, Elrond subiu em seu cavalo e colocou-se a seguir por onde Gandalf havia ido, pretendia alcançá-lo antes mesmo que ele adentrasse as Florestas das Trevas, por isso cavalgava o mais rápido que conseguia.
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