Legolas e Aragorn / Elrond e Gandalf - PARTE II
17 Amor, sublime amor.
Aragorn despertara numa cama macia, coberta por uma seda específica, aparentemente frágil, no entanto, bastante resistente.
– Seda élfica.
Sentou-se ali e respirou profundamente, olhando para os lados. O espadachim pôde perceber que estava num lugar novo para si, onde nunca estivera antes.
Era um quarto.
Ele se levantou aproximando de uma discreta janela e acabou por ver que nevava do lado de fora, uma neve branca, com alguns flocos negros e outros acinzentados.
– Está nevando?
Abriu a janela a qual tinha formato circular e que se assemelhava muito a um basculante, assim que aberta, entrou um vento congelante que o fez rapidamente fechá-la.
– Onde está Legolas? – Olhou para trás, na direção da porta. – Onde estou?
Só agora pareceu observar mais atentamente aquele cômodo, o qual parecia ter sido reformado, já que ao voltar suas orbes esverdeadas para fora e olhar através do vidro, pôde ver que todas as demais moradias, ao redor daquela, pareciam queimadas, destruídas, criando uma sombra externa aterrorizante, além de claro, causar barulhos específicos, como estalos e alguns tipos de sussurros.
Aragorn engoliu em seco, voltando a ver as paredes do quarto. Elas tinham uma tonalidade amarronzada, mas bem clara, se assemelhando a palha, alguns quadros com imagens naturais, como florestas ou árvores estampavam-se nas paredes, eram pinturas élficas. O moreno se aproximou de um deles e pareceu ver que as folhas da árvore do quadro pareciam realmente se mexer.
– Que coisa...
Continuou examinando aquele cômodo, olhando para a cama e vendo que era de uma madeira nobre, com um símbolo incrustado em sua cabeceira, o tal símbolo do Reino de Legolas. Olhou para um dos lados, vendo um armário de madeira maciça, aproximou-se dele e abriu suas portas e pôde ver que ali haviam túnicas élficas de todas cores e tipos, embora a maioria fosse a verde e a branca, que por sinal, era a que estava vestindo.
Ele abriu os braços e olhou para baixo, vendo-se vestido numa daquelas. Suas mangas eram compridas, embora sutilmente mais largas em sua borda, ela tinha uma espécie de cinto, uma amarra de tecido que servia como cinto na altura de seu quadril, que por sinal, estava desfeita, mas todos os botões dela estavam delicadamente abotoados. Ele levou uma das mãos aos cabelos sentindo-os macios e aproximou a mão do nariz, percebendo que eles pareciam cheirar a uma amadeirado, a alguma fruta específica.
– Legolas me deu um banho?
Pensou deixando um sorriso escancarar em seus lábios, andou até a cama e sentou-se ali, mas ao fazer isso, emitiu uma expressão de dor, sim, doera lá no fundo, por isso, apoiou ambas as mãos atrás, a fim de diminuir o peso sobre o quadril.
Respirou profundamente e soltou o ar devagar, deixando a cabeça tombar para um dos lados.
– Que loucura... como permiti que tudo acabasse assim? Que tomasse esse rumo?
Deitou seu tronco ali, mantendo os braços abertos, olhava na direção do teto, este, devidamente pintado. Aragorn olhou para um dos lados, vendo que tinha uma discreta estante e ao lado dela uma cadeira rústica, uma espécie de poltrona e sobre a mesma, um livro.
– Ele deve ficar aqui... quando está chateado com o pai.
Voltou a sentar-se e andou em direção à cadeira, pegando o livro, o folheando.
– Foi o que ele me disse antes, não?
O Título do livro era: Um conto de Gondor.
– Hum, interessante...
No entanto, ao virar o livro a fim de ler-lhe o verso, tinha uma espécie de outra história, outro título, chamado: Um conto de Valfenda.
– Que coisa.
Franziu os celhos virando a capa na parte que ficava atrás do Conto de Gondor. Parecia ser uma espécie de crônica, a mesma não era muito longa ou tinha muitas páginas, então ele começou a ler, voltando-se a sentar na cama.
– Mas... espera aí... – Retrucou, fechando o livro. — Eu pretendo mesmo passar meu tempo... meu curto tempo... lendo ao invés de dar atenção ao meu elfo?
E o cavaleiro lembrou-se da dor que sentira a pouco, dentro de si, uma fisgada agonizante e dolorida.
– É... acho que é uma boa ideia, hahaha...
E voltou a abrir o livro, este começava assim:
Era uma vez um jovem humano que almejava ser rei, seu nome será ocultado, por se tratar de um conto proibido, em respeito às tradições. Este jovem se envolvera com um elfo em campo de batalha, quando os dois povos se uniram em prol de uma vitória em comum, contra as Trevas, as forças do mal, que se tornavam cada vez mais forte e pareciam tomar toda a terra-media para si, ameaçando a existência de todos os seres viventes.
Os anões se recusaram a compartilhar sua força com os demais, se fecharam em seu reino sem manifestar-se, os hobbits temiam a guerra, por isso, apenas os humanos e os elfos uniram suas forças. Força essa que estava completamente diluía pelas perdas e mortes em campo de batalha, pois foram travadas muitas mesmo antes de chagarem aos arredores de Mordor.
– Será que esta é a guerra que Elrond mencionara, antes a Gandalf... ? A tentativa de destruição do anel antes da nossa Sociedade?
Aragorn levantou as orbes verdes quando ouviu a maçaneta da porta girar, Legolas colocou a cabeça para dentro do quarto, sorriu gentil, ao ver que o outro despertara, entrou pondo-se ao seu lado, tocando-lhe um dos ombros.
– Parece que amas dormir, depois... do... – O elfo levantou uma das sobrancelhas, olhando para o moreno desconfiado- Você sabe.
Aragorn sorriu-lhe, marcando a página com uma dobradura pequena na ponta da folha.
– Não sabia que gostava de ler.
– É um conto de Gondor... achei interessante. – Disse o moreno olhando para baixo, parecendo realmente curioso de saber a história.
– Este livro não fala sobre o nome do espadachim de Gondor, mas tenho fortes crenças que seja seu avô ou pai. – O elfo olhou para frente, entrelaçando os dedos e logo continuou- Pois esta obra não faz muito tempo que foi escrita... a achei por acaso numa livraria em seu reino. – Soltou um longo suspiro, voltando a olhar o cavaleiro.
– Entendo.
Aragorn olhou-o com um sorriso ameno, parecia admirar a face do outro, este sorria-lhe também, o momento era de uma paz enorme, presente no coração de ambos e foi do moreno, que partiu a ação, ele pegou uma das mãos do elfo e entrelaçou os dedos nela, apertando-os ali.
– Obrigado pelo banho.
Legolas sorriu, levantando a mão do moreno e dando um beijo demorado ali, feito isso, voltou a colocá-la sobre uma de suas pernas.
– Dormiu bem?
– Sim. – Aragorn engolira em seco- Está nevando? Já é de noite?
– Na verdade, ainda é de tarde... quase noite.
– Mas... está um breu lá fora.
– O clima está estranho, acredito que tenha haver com Rohan. – O elfo olhava na direção da janela, levantou-se se aproximando dela, olhando através. – O céu, está sem estrelas, como uma grande nuvem de fumaça cinza.
– Que droga. – Retrucou preocupado o outro.
Aragorn só agora percebera a sutil cinturinha e o quadril do elfo, aquela túnica por ser frágil, branca, sutilmente transparente, permitiu-lhe que visse os contornos do corpo do outro, sua pele, as abas de sua bunda. Aragorn engolira em seco, respirando profundamente e olhando para um dos lados, tentando resgatar seu controle.
– Se planejou para ficar comigo quantos dias?
Perguntou o elfo voltando-se para ele, apoiando os cotovelos no peitoril da janela.
– Dois... contando a partir de amanhã. – Aragorn finalmente voltou a olhá-lo, mas seus olhos foram abaixando-se, seguindo pelo tronco do elfo, os quais estavam parcialmente cobertos pelos fios dourados, os quais estavam completamente soltos, sem as tranças que Legolas costumava fazer, eles simplesmente encontravam-se caindo pelas laterais da cabeça, mantendo-se presos apenas por detrás das orelhas, logo lhe descendo pelos ombros.
As orbes continuaram seguindo, descendo na direção do umbigo, acabando por ver um pontinho escuro, sim, só podia ser o umbigo, foi descendo pelo quadril do elfo, até que se localizou entre as pernas dele, uma discreta sombra de seu membro masculino, ali, descansado e relaxado. Aragorn engoliu em seco novamente e seguiu descendo pelas coxas, joelhos, pés, os pés com suas unhas cálidas, bem cortadas, sutilmente brilhantes, limpas.
Legolas apenas observava seu homem ali, deleitando-se em vê-lo, excitando-se com isso.
– Vejo que recuperou as forças. – Disse o elfo se distanciando dali, andando até o moreno, com as mãos na própria cintura, ficando a um passo dele, olhando-o de cima.
Aragorn entoou um longo suspiro, erguendo as orbes, deixando um sorriso inocente brotar ali.
– Sim... Legolas, não vou mentir, seu corpo sempre me foi um convite... por incrível que pareça, mesmo sendo de um mach...
– Shiu. – Tocou o meu dos lábios do moreno com o indicador. – O elfo se inclinou para frente, forçando a pontinha do dedo ali, deixando-a entrar nos lábios, os afastando lentamente.
Aragorn sentiu uma fisgada lá embaixo e virou a face para um dos lados, afastando sua face um pouco, soltando um gemido dolorido.
– Acho que não me recuperei tão bem assim... – Sorriu sem jeito, ainda encarando algum ponto ao lado.
– Entendo.
O elfo colocou-se de pé denovo, sorrindo-lhe meigo.
– E olha que passei até pomadinha, tá pensando o quê? Tenho que cuidar do meu... queridinho. – Deixou uma risadinha jocosa sair dali.
– Heh... imagino. – Disse o moreno encabulado.
O elfo voltou a sentar ao lado de Aragorn, pegando o livro para si, olhando-o calmamente, parecendo admirar a capa.
– Já li umas cem vezes...
O moreno arregalou os olhos, o encarando levemente aterrorizado.
– Mesmo?
– Sim. – Sorriu novamente. – Se quiser eu conto.
– Pode ser então.
– Mas antes... – Legolas se levantou voltando a guardar o livro na estante, aproximou-se do moreno pegando-lhe as mãos puxando-o para si. – Deves comer alguma coisa. – Disse o abraçando, cochichando num dos ouvidos. – Para demais eu contar-lhe a história todinha.
– Si..sim... – Aragorn ofegou, mordendo o lábio inferior. – Vamos, então.
E puxou o elfo por uma das mãos, saindo do quarto. Quando finalmente saiu dali, permitiu-se olhar para os lados, era uma sala enorme, com uma mesa de jantar, poltronas, sofás, uma lareira com um tapete de urso branco diante dela, bem felpudo. Ele andou até ali, lembrando-se de seus sonhos, de ver seu amor sobre um daqueles, os dois, olhando o madeira queimar, estalar tornando-se carvão. Legolas completamente nu, ao seu lado, pedindo carinho, acolhido em seu peito, em seu corpo, ele engoliu em seco e virou-se parcialmente para o outro, perguntando baixo:
– Como soube que eu amo esse tipo de tapete?
O elfo sorriu, aproximando-se de Aragorn, segurando-lhe pela cintura, cochichando lascivo num dos ouvidos.
– Temos gostos parecidos, meu rei.
E apertou seu quadril ali, jogando-o sutilmente para frente, descendo as mãos da cintura as suas pernas, massageando as coxas, uma região próxima do sexo do outro, no entanto, sem tocá-lo ainda, a seda por ser frágil e extremamente fina, permitia um contato tão elevado que dava-se a impressão de que estavam nus, Aragorn pareceu sentir o membro do elfo cutucar-lhe as nádegas, mas ainda sendo uma amostra discreta, fato que o fez respirar aliviado e andar para a frente, agachando-se próximo da lareira, disfarçando ao parecer mexer na madeira a ser queimada com um pedaço de ferro.
– Esta noite deve esfriar, não?
Sorriu olhando para o elfo por cima de um dos ombros, Legolas consentiu com a cabeça sorrindo-lhe meigo, mas ele bem que adoraria admitir que tivesse ainda muita energia para gastar. E foi então que resolveu ir até a cozinha e começar a colocar alguns alimentos sobre a mesa, como licores, frutas, saladas, alguns peixes grelhados, fazia isso tudo em silêncio e quando estava pronta a arrumação, ele sentou ali, ficando a olhar o moreno, com as pernas cruzadas, batucando de leve na mesa com as pontas dos dedos.
Aragorn percebeu a sutil irritação do outro, levantou-se cambaleando e sentou ali, devagar, com toda cautela, numa outra cadeira. O elfo percebera a ferida do outro deixando um sorriso amargo brotar em seus lábios.
– Que banquete!
E o moreno pegou alguns legumes cozidos colocando-os num prato, amassando as batatas e cenouras, criando uma espécie de pasta. Legolas apenas o olhava ainda na mesma posição, este permitiu apoiar a face numa das mãos fechadas, fato que fez o rei perguntar:
– Já comeu, não sente fome?
– Sim, já comi. – As orbes azuis encaravam aquele homem, admirando-o, adorando-o em silêncio, devotando-se em observá-lo.
O moreno encheu o prato sem delongas e pôs-se a devorar tudo rapidamente, era impressionante como aquela salada verde estava saborosa, parecia temperada com licor ou algum óleo ou vinagre natural, o moreno não sabia explicar, só sabia que nunca experimentara aquele gosto antes, nem em Valfenda.
– Cuidado com essa pasta esverdeada, é de raiz forte.
– Ah. O que é raiz forte?
– Um tempero muito picante... muito, muito mesmo.
– Ah sim, nem vou tocá-la então. – Sorriu o rei voltando a devorar e agora ele engolia o peixe, feito isso, parou levando uma das mãos à barriga, encostando-se na cadeira, fazendo novamente uma fisionomia de dor ao sentir a fisgada denovo.
Legolas percebeu e se culpou por aquilo ter acontecido, deveria ter sido mais cauteloso, afinal de contas, por causa de seu descuido, ele nem poderia mais encostar no outro? Ou deveria ceder-lhe o corpo, fato que causou arrepios por toda sua pele e que o fez levantar-se e sentar diante da lareira, encabulado, quieto.
O moreno ficou um tempo sentado ali, ainda sem perceber o distanciamento do elfo, sentia a barriga estufada e deixou a cabeça jogada para trás com os olhos fechados.
– Hum...
Respirou profundamente e quando abriu os olhos viu que o elfo não estava mais ali, foi aí que se virou vendo-o quieto diante da lareira, percebido isso, levantou-se devagar e sentou ao lado do loiro ali, apoiando um de seus braços sobre seus ombros, o puxando para perto, para si. Legolas permitiu que sua cabeça encostasse num dos ombros de seu homem, o elfo engolira em seco fazendo uma face de dor, fechou os olhos apático segurando a lateral da cintura do rei com uma das mãos.
O único som presente ali era o estalar da madeira queimando.
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