Legolas pôs-se prontamente a seguir para o reino de seu fiel amigo, e agora, companheiro? O elfo pensava consigo mesmo o que afinal de contas, aquele tipo de interação lhe causaria ou teria haver. Este fato nunca fora explicado em nenhum livro ou passado pelos ancestrais, digno de se encontrar debaixo de uma coberta felpuda e grossa, a homossexualidade era engolida a altas doses de bebida, das mais fortes e espessas.

O mesmo medo que abalava o espadachim, embalava num pesadelo eterno aquele jovem elfo, que prostado em suas próprias conspirações particulares, decidiu nem sequer entrar na cidade, entregando a informação de que tudo estava bem em Valfenda a um soldado o qual se encontrava na entrada do reino.

Entregue a notícia, o loiro prosseguiu viagem até seu próprio Reino, o qual ainda estava sobre o onipotente comando de Thranduil. Logo que chegou à fronteira do mesmo, saltou do cavalo e seguiu a passos ligeiros e muito rápidos na direção do castelo dali. Adentrou apressado pelos grandes portais da entrada, nem sequer cumprimentando os soldados, afinal de contas o único que gostava um pouquinho mais era Tauriel, mas este fator era fortemente influenciado pela sua adolescência élfica posterior, agora, neste momento, em seus pensamentos e coração apenas dançava uma pessoa: Aragorn.

Posto diante do trono de seu pai, ajoelhou-se ali, começando um discurso que não se afetaria se o seu progenitor interviesse o interrompendo. Legolas sentia o sangue ferver de raiva pela intromissão dele, e agora, a venda que estava em seus olhos, havia caído completamente.

Levantou-se, voltando a encarar Thranduil com uma face rude, endurecida, ameaçadora.

– Pai.

– Hum...

Thranduil nem respondera, pois havia percebido o clima com o qual seu filho adentrara ali, ele fedia ao mais puro ódio. O mais velho continuou sentado, com as pernas cruzadas e ambas as mãos acomodadas calmamente sobre os braços de seu enorme trono de madeira rústica.

– Diga, Legolas, o que vos oprime?

– Onde esta Tauriel?

O mais velho “deu de ombros” fazendo uma cara de asco, como se pouco se importasse, depois desse infeliz gesto, continuou com uma voz extremamente calma, imparcial:

– Vejo que não trouxe as flores que pedi.

– Depois virei falar com o senhor, com licença.

Legolas andou realmente zangado e extremamente irritadiço na direção da saída dali, seguiu por uma singela ponte que conectava aquele enorme castelo à floresta, seguiu por um caminho que dava para uma serra mais alta, onde ele e Tauriel costumavam ficar de vigília, pois dava-se para ver toda a fronteira dali, era como um ponto forte de fiscalização.

Ao chegar aonde queria, Tauriel, estava lá, sentada sobre uma rocha e assim que o viu, sorriu docemente. Legolas apertou os lábios parando de andar, ficando a encarar o chão por um tempo parecendo tomar coragem para o que iria fazer, depois de tomada, seguiu até ela, parando ao lado da rocha.

– Bem vinda.

Comentou o elfo com uma voz dura, rude, voltando-se a olhar para a paisagem, mantendo as mãos na própria cintura.

– Obrigada.

Tauriel deu uma longa olhada no loiro, percebendo-lhe a sutileza das mudanças, os elfos mudavam muito pouco mesmo com o passar de longos anos e séculos, mas ela admitira para si, que Legolas parecia muito mais atraente, com um leve ar de superioridade, o que não a surpreendia, já que era filho de Thranduil. Ela não julgava essa postura negativamente, para ela, era ate sutilmente sensual.

– Sentiu minha falta, Legolas?

Ele voltou a olhá-la, continuando com sua fisionomia séria.

– Sentia falta de sua despedida, você simplesmente sumiu.

– Seu pai não me deixou alternativas...

E ela voltou a olhar a paisagem, permitindo que um discreto sorriso lapidasse seus lábios.

– Mas agora, ele mudou de idéia. — Comentou animada.

Legolas soltou um longo suspiro, subindo na rocha, ficando ao lado dela, olhando-a “de cima”, ainda mantendo as mãos na cintura, a elfa encarava-o atenciosa.

– Quero lhe dizer que não vamos nos unir.

– Como?

Ela se levantou prontamente, olhava-o atordoada, com os olhos esbugalhados.

– Encontrei uma pessoa, sinto muito. Eu mudei Tauriel, não a amo mais.

A elfa sentiu as pernas fraquejarem e quase caiu dali, neste instante, o elfo a pegou em seus braços, as faces ficaram próximas, dando para ver sutis lágrimas brotarem dos olhos esverdeados da jovem.

– Le..Legolas... por quê?

– Sinto muito.

Os olhos azuis do elfo enfrentavam os verdes, e por uns instantes, ele lembrou-se de seu espadachim. O elfo sentiu o peito apertar, fazendo uma fisionomia de dor, acabando por dar um passo para trás, descendo da rocha, mantendo-se de costas para a jovem.

– E eu... não consigo...gostar de mais ninguém.

E saiu dali, Tauriel olhava-o ainda com os olhos arregalados, ficando estática, ainda desnorteada com a notícia repentina, vendo Legolas sumir de vista.

Legolas Greenleaf entrou no castelo e foi até o trono onde deveria estar seu pai, mas o mesmo não se encontrava mais ali, foi aí que então entoou um xingamento baixo, ficando cada vez mais raivoso. Ele o procuraria por todo reino se necessário, mas isto não ocorreu, mal saiu dali para poder ver seu pai próximo de uma prisão, parecia se deliciar com algum prisioneiro definhando ali dentro.

– Hum... já esta quase lá... morto.

Legolas se aproximou parando a uns três passos de seu único parente, olhava-o raivoso e este, ao sentir sua presença, comentou deleitoso virando-se calmamente, mantendo ambas mãos detrás da cintura, os dedos entrelaçados.

– Amado filho.

E deixou a cabeça tombar para um dos lados, mantendo um sorriso discreto nos lábios.

– Pai.

– Queres me contar alguma novidade?

– Não quero mais ficar com Tauriel.

– Entendi. – Disse o Thranduil fingindo um amargor na voz, para logo sorrir docemente — No fundo és como eu... gosta de machos. Eu tentei estar com sua mãe, mas...

Ele andou numa direção, gesticulava harmonicamente no ar e até tocou o próprio peito sinalizando uma aparente aflição, mas logo se virou para o filho tão rapidamente que seus fios levemente prateados voaram no ar, ele parou diante de seu pequeno elfo, encarando-o olho a olho.

– Não se compara quando estou nos braços daquele que desejo.

– Você o machucou. – Disse Legolas sério, com uma voz tão fria que surpreendeu o pai.

– Machuquei apenas superficialmente...

Thranduil andou até outra prisão, tocando a grade a massageando lentamente, sentindo seu relevo, para logo continuar:

– Quase lá... – Um sorriso sádico brotou novamente ali — Está quase fedendo a podre já... consegue sentir, filho? – Depois de uma pausa e olhar deleitosamente para dentro da prisão, voltou seu rosto para Legolas, continuando seu terrível discurso. – Não se compara ao que ele já me fez, ele fere dentro de mim... pois bem, queres ficar com aquele, Aragorn?

Tauriel os escutava escondida ali, nas sombras.

– Sim, o amo.

Neste instante, a elfa tocou os lábios com ambas as mãos, mantendo uma expressão horrorizada.

– Ao menos o deixe viver por uns dez anos, a ponto de ter um filho. Ele durará tão pouco. Se você marcar tão em cima dele, o coitado não deixará herdeiros.

Legolas apertou os pulsos, estes tremiam.

– Eu... eu sei!

– Como disse...

Thranduil andou até o filho, segurando-lhe delicadamente o queixo, o olhando com a face bem próxima da dele.

– És... exatamente... como eu.

Uma gargalhada deleitosa ecoou por toda caverna.