Legends 1 - O Início da Guerra
2 Capítulo 1 - O Gênesis
Notas iniciais
Nunca imaginei que minha vida normal mudaria tanto por causa de um encontro inusitado. A minha vida básica que eu estava acostumada talvez nunca mais voltará.
Um pesadelo, só um pesadelo. Era o que eu pensava, até descobrir a dura verdade.
Mas sabe? Eu até to feliz que minha vida normal tenha morrido (apesar de ter se tornado um caos também), pude experimentar algo novo, mudando assim, a mim mesma.
Essa é minha história, minha história de pernas para o ar.
* * *
— Muito bem mariquinhas! Vamos mexer esse corpo mole! — O professor gritou.
Eu sempre ouvia essa frase toda santa hora que tinha educação física, e quando eu falo que é "sempre" é SEMPRE mesmo, tipo, toda vez que tem, e olha, estive suportando isso por mais de 5 meses.
— Vamo vamo vamo vamo!! Mais 10 flexões! — o professor gritava mais ainda.
Acho que eu devo dizer para você como era o professor, tinha um boné vermelho enfiado na cabeça, tinha um cavanhaque ralo, com barba bem malfeita e principalmente, muito, mas MUITO suado, com a camisa branca de treinador toda fedida, dava até nojo de olhar pra ele, ele seria bem assustador se ele não tivesse 1 metro e pouco de altura.
— Senhorita Airi!! — Se aproximou de mim do nada — Porque está parada olhando para o céu?!
Me recuperando do susto, olhei para o professor com uma cara de desgosto e disse:
— Já vai professor fedi…digo, Leo…
Bufei um pouco quando ele saiu, e xinguei ele com todos os xingamentos possíveis na minha mente, se ele ouvisse isso com certeza eu seria expulsa, o que não seria nada mal, porque eu odiava essa escola.
— Esse não é meu lugar. — Falei baixo pra mim mesma.
Amarrei meu cabelo, e antes de começar a morrer, fiz algo que pode ter mudado a minha vida.
Olhei para o garoto transferido que veio nessa semana pra minha sala de aula, que estava tranquilo na arquibancada, vendo todos sofrerem pelo treinamento de exército do professor. Não me lembrava do nome dele, só sabia que ele tinha 17 anos, um ano a mais que todos na sala, ele tinha uma descendência japonesa, igual a minha, porém mais nítida do que minha, por causa dos olhos asiáticos. Era alto, estava sempre com a jaqueta aberta, com o uniforme branco a mostra e calça, mesmo em dias com a temperatura escaldante desses dias. Sempre dormia nas primeiras aulas, tendo até dias que ele conseguia dormir em todas as partes do dia, com exceção sempre no lanche e na Educação Física (ou como eu gosto de chamar: O castigo de sexta. Já que na maioria das sextas, os alunos que mais causam nas aulas ficam mais doidos do que são, atrapalhando em todas santas aulas e tendo que mandar a maioria deles pra fora, sendo a Educação Física a punição da sala pelas idiotices que os outros fizeram.). O único porém disso que eu tentei fazer o mesmo que ele, mas o professor sempre gritava comigo só de encostar minha cara no chão pra tentar pegar minha caneta caída, enquanto nem ligava para o garoto transferido, que babava na mesa. Tinha um cabelo negro espetado, uma pele tão pálida que dava até pena quando ele fosse pra praia, uma face de uma criança de 7 anos, sendo impossível de primeira saber que ele tem 17. Alem disso, ele possuía no pescoço um colar de magatama branco, sendo uma joia em forma de gancho, olhos negros como a noite e...acho que estou sendo muito romantista pro meu gosto.
Eu não entendia o porquê dele não participar de nenhuma atividade que use o corpo, nunca explicaram isso, sendo uma incrível injustiça para os alunos e a mim, que derretiam no solo quente que a escola se recusava reformar igual as outras, sendo algo que devia ser esquecido desde que foi construído um campo de futebol na cidade em que a tecnologia atual de 2041 era usada, em vez de algo de sei lá... de 10 anos atrás.
Não sei quanto tempo eu fiquei parada olhando para ele, só sei que o professor Leo estava na minha cola com ira nos olhos.
— O-oi professor…
Mas algo aconteceu, eu esperava ficar surda por causa do famoso grito furioso do professor Leo, mas, ele olhou também pro garoto, depois pra mim e do nada, se acalmou e foi ver outros alunos, dando broncas para cada um que estiverem “vadiando como eu””, como ele sempre falava. Nem preciso dizer o quanto eu fiquei boquiaberta com a ação dele.
Só não ficaria mais tempo parada surpresa ainda com a atitude do professor, já que do nada…
O muro da escola havia sido destruído, eu tinha ouvido o estrondo, mas achei que foi algo aqui perto da escola, mas não dentro dela.
Mas o mais apavorante não foi isso, da poeira, aparecia uma figura gigante, fui percebendo com o tempo que a sujeira feita pela destruição do muro foi saindo: Pele amarela, uma pança de bêbado bem suja, existia…não sei, cataporas laranjas? Não sei… Era bem grande (começando a esquisitices em 3…2…1) ele possuía…um olho, um porrete gigante rústico de madeira…e um chifre na testa. Como se chamava mesmo? Ah sim, um Ciclope.
Pude ver que os outros alunos se assustaram com o barulho, mas só olharam feio para o monstro e o ignoraram desde então, não sei como não tinham medo daquilo. Eu não estava mais entendendo nada, meu cérebro parecia confuso, talvez me pregando peças nessa hora...
Foi então que:
— Mariquinhas! Hoje estão dispensados da educação física, podem ir para casa! — Disse o professor, e quando eu olhei pra ele, parecia que estava assustado, com os olhos arregalados, ele tinha visto aquilo.
Os alunos saíram com emoção, eu sairia também, mas eu tava…tremendo? Minhas pernas não respondiam aos meus comandos, eu estava logo sozinha, na frente daquilo.
Um rugido, um rugido ensurdecedor capaz de quebrar todas as janelas da escola e me deixando ouvir aquele "piiiiiiiiiii" de tão forte o barulho.
Eu ainda estava paralisada de medo.
— Mova-se! Você vai morrer aqui! – Meu instinto gritou pra mim.
Foi quando eu vi algo mais estranho do que um golfinho ganhando uma corrida contra o Usain Bolt (eu tive um sonho disso, não me julgue), o Professor Leo apareceu com uma armadura de bronze, com uma lança e um escudo nas mãos. Eu dei uma resposta perfeita pra essa situação:
— Hein?
O professor avançou no monstro, e cada ataque eu via que bicho gritava de dor, e eu ficava cada vez mais confusa.
O monstro acabou lançando o professor pra longe, fazendo ele também gemer de dor.
Foi então, que o único olho dele me olhou, e sorriu diabolicamente com seus dentes amarelos para mim, e avançou com seu porrete nas mãos.
— É... esse é meu fim… — Pensei, esperando minha dolorosa morte, fechei os olhos, para acordar no céu. Porém…eu ainda sentia que estava viva, e abri meus olhos.
Era ele, o garoto transferido, ele estava me protegendo…com uma espada? Sim…era uma espada estranha, a lâmina era feita de um metal negro, dentes de animais apodrecidos na guarda da espada, o punhal também com esse metal negro e uma caveira no pomo, era de fato uma espada assustadora.
A espada estava segurando o ataque de porrete do Ciclope, o garoto recuou e atacou novamente, quebrando o porrete.
— O que…? — Eu ainda estava confusa com o que tava acontecendo aqui, um garoto me defendeu de um Ciclope e o professor Leo com uma armadura e uma lança, era muita informação pra minha cabeça.
— Você está me enxergando? — Disse o garoto para mim.
— Hã? Sim…
— Isso é mal. Muito. Mal.
Eu não entendi o que ele disse, na verdade, eu não tava mais entendendo nada.
— Fique aqui. — Disse o garoto, que logo foi em direção do ciclope, demorei uns 10 segundos para perceber a loucura que ele fez.
— Tá doido?! — Mas ele já tinha ido.
Quando vi o monstro erguendo seu punho gigante e sujo para o garoto, já pensei que ia ver uma morte na minha frente.
Porém…ele desviou calmamente, como se não tivesse esforço nenhum, e fez um corte na perna esquerda do Ciclope, fazendo ele gritar tão forte que eu achei que ficaria surda de vez.
Vi veias de raiva no único olho do Ciclope, mas dava pra ver que o garoto estava calmo, e eu tava com muito, mas muito medo.
O Ciclope ficou socando feito um louco, com esperança de acabar acertando, mas o garoto simplesmente desviava, ele parecia uma ilusão perto do monstro.
Finalmente, o monstro conseguiu acertar ele, que saiu voando, e em seguida, nem pensou direito, o Ciclope pulou em cima dele. Então fechei os olhos, e esperei meu fim.
Foi quando eu presenciei algo que supera as estranhezas que acabei de ver, uma sombra enorme estava caindo como um meteoro perto de mim, e finalmente, consegui enfim me mexer para não ser esmagada a tempo, e quando caiu, o barulho e o impacto com o chão foi tão grande que quase me fez cair. Era o ciclope, porém, ele estava diferente. Seu único olho, estava furado, saindo um sangue interminável nojento que quase me fez vomitar.
Em seguida, uma outra sombra avançou, mas era o garoto, que surpreendentemente, não estava machucado, nem sujo, nada. Ele pulou na barriga do monstro, e...(fracos de coração, me perdoem) enfiou a espada bem na barriga, jorrando tanto sangue que pareceu uma cachoeira invertida escarlate. Não pude mais ver o que aconteceu, mas quando eu enfim consegui enxergar algo, eu vi, o ciclope estava decapitado, também havia perdido os braços, saindo um sangue quase infinito.
Eu estava sentindo medo, confusão, horror, enfim, inúmeros sentimentos ruins, o que levou pra eu ser testemunha disso tudo?
O garoto estava cheio de sangue, mas ainda, com olhar frio e sereno. Bem, foi a última coisa que eu lembro antes de desmaiar.
* * *
Quando acordei, percebi que estava no meu quarto, deitada na minha cama, eu tinha vagas lembranças do que aconteceu na escola, só sabia que tinha visto um Ciclope ser massacrado…por aquele garoto.
Eu não sabia o que era, e nem acreditava o que tinha visto.
— Um pesadelo, era só um pesadelo. — Disse pra mim mesma, com as mãos na cabeça.
— Infelizmente não. — Ouvi uma voz familiar à minha esquerda, e quando virei, era ele, o garoto estranho da minha escola sentado na cadeira do computador.
— H-hein?! — Pulei da cama e peguei minha katana de madeira, feita pelo meu avô, e apontei pro garoto.
— Ei ei, vamos com calma! — Ele falou.
— O que você quer de mim? — Perguntei, ainda com medo dele.
— Nada, só quero que esteja pronta pelas coisas que virão te caçar.
— Do que está falando?
— Você conseguiu me ver lutando contra aquele monstro, com uma espada.
— Sim…
— Pessoas normais normalmente não me viriam em combate, por causa da Névoa.
— Por causa do que? — Já fiquei totalmente confusa.
Ele suspirou, e se sentou ao meu lado na cama.
— Bem, pelo jeito vou ter que te explicar muita coisa. — Ele sorriu pra mim, com uma cara infantil, porém séria.
Do que ele estava falando das coisas que iam me caçar? Eu não tava entendendo coisa nenhuma.
A gente ficou se olhando por um tempo, sem dizer nada. Eu ainda tava tentando organizar aquela bagunça que estava na minha mente, é como se estivesse num teatro ou talvez um filme, ou estava paranoica desde que assisti o Show de Truman.
Depois de um tempo em silêncio, ouço alguém batendo na porta.
— Está aberta. — O garoto disse.
A porta se abre, e de lá, surge o professor Leo comendo o meu sanduíche que eu guardei pra comer mais tarde.
— Professor Leo?! — Gritei.
O que diabos ele tá fazendo na minha casa, no meu quarto e comendo meu sanduíche de mortadela com queijo (meu favorito)?!
— Olá, senhorita Airi. Dormiu bem? — O professor respondeu, com a boca cheia.
— …O que diabos vocês dois estão fazendo na minha casa…? — Perguntei.
— Te protegendo. — O garoto disse.
— Me protegendo? Do que você está falando?
— Lembra do que você viu na escola antes de desmaiar? — O professor começou a explicar.
— …aquele Ciclope. — Respondi, engolindo seco em seguida.
— Você viu aquilo, então quer dizer que consegue ver além da Névoa. — O garoto concluiu.
Névoa...lembrei na hora que eu já tinha ouvido isso antes do garoto me falar agora. Foi em Percy Jackson...mas é uma historia fictícia...não tão real assim!
— Desculpa, mas o que é essa…Névoa? — Perguntei.
Os dois se entreolharam.
— Então Leônidas, eu falo ou você fala? — O garoto perguntou para o Professor Leo.
— Eu falo. — Leônidas respondeu.
— Leônidas? — Perguntei. — É…seu nome?
— Sim! — Disse com orgulho. — Não reconhece esse belo nome?!
O garoto fez um facepalm.
— Aí vamos nós de novo… — O garoto suspirou.
Ele olhou pra mim, com pena.
— Não que eu lembre…
— Ah não…você falou a frase proibida… — O garoto disse, ainda com a palma da mão na cara.
— O que?
Nota mental: Nunca diga isso para o Leônidas novamente.
Leônidas olhou pra mim, com fogo nos olhos.
— COMO RAIOS VOCÊ NAO ME CONHECE?! EU SOU LEÔNIDAS DOS 300 DE ESPARTA!! AQUELE QUE ENFRENTOU O EXÉRCITO PERSA SÓ COM 300 HOMENS!! — Leônidas grita com toda sua ira e fúria na minha cara, voando baba e fazendo meus cabelos voarem.
Só quase morri de ataque cardíaco após isso.
— Leônidas…não assuste a garota… — O garoto pediu para Leônidas.
Leônidas deu um resmungo, e eu ainda estava traumatizada com o que eu acabei de ver.
— Melhor eu explicar mesmo… — O garoto se sentou na minha frente, e começou a explicar:
— Como posso começar…A Névoa é como uma barreira, que esconde seres que não deviam ser vistos por pessoas normais. Ela esconde coisas como deuses, monstros, etc. Mas...você conseguiu ver através dela...o que é estranho.
Confirmado, eu estava numa história de Percy Jackson, só que de pobre.
Eram poucas palavras, mas cada uma dela fazia minha cabeça doer de tanta informação nova. Deuses? Monstros? Que diabos eles estavam falando?!
— Por que…por que vocês estão me falando isso? — Perguntei.
— Porque desde hoje, você vai estar em apuros.
Eu ia perguntar novamente, mas Leônidas olhou feio pra mim, sinalizando silêncio com aquela cara rabugenta.
Só olhei o garoto olhando um pouco irritado para ele. Ele suspirou, e olhou para mim.
— Bem, Leônidas está certo, então vamos só pelas apresentações, já que vamos morar com você agora.
— É o que?! Aqui não é a casa da mãe Joana não, alto lá!
— …A gente já te disse, você está correndo perigo agora, a gente tem que ficar com você para você não morrer! – O garoto insistiu.
— Não ligo se estou em perigo! Eu sei me cuidar! – Me levantei da cama. – Viu!?
Mas senti minha visão conturbar, meus sentidos se fecharem, e eu caindo na cama novamente, exausta, e com a cabeça doendo.
"Não se esforce muito, idiota!" Minha mente gritou com a voz do meu avô, que sempre dizia isso.
— Ei, vai com calma, você tava desmaiada até agora, vai ser difícil ficar muito em pé.
Olhei pra baixo, e pensei: O que eu fiz pra acabar assim…?
— Bem, aceita então? – O garoto insistiu mais uma vez.
Demorei uns 2 minutos para decidir, eu realmente não queria, principalmente porque eu não confio em Leônidas. Mas no garoto...eu sinto que ele está falando a verdade de um jeito, eu não sei porque...então suspirei, e olhei para os dois.
— …Fazer o que né? Não posso fazer nada agora mesmo.
Leônidas começou:
— Certo! Eu sou Leônidas de Esparta, o filho do leão! — Ele disse, com tanto orgulho enquanto falava que quase me fez morrer de rir.
— E eu sou Sora Owari, mas pode só me chamar de Sora, é um prazer! — Sora sorriu para mim.
Olhei para os dois, mas não tinha pensado o que estava me aguardando quando disse o meu nome a eles.
— Meu nome é Hikari Airi. — Sorri.
Eu nunca esperava que esse início estranho, porém feliz pudesse terminar numa guerra caótica.
Fale com o autor