Legenda de Fogo
1 O desafio do lago
Notas iniciais
Espero que gostem da estória, não levo muito jeito para escrever não, mas quem vive tenta.
Não sei ainda como vai ser o desenrolar da fic, o que sei é que caso não tenha comentários não vou continuar escrevendo, então por pavor comentem, porque preciso saber se vale a pena continuar tentando.
Não poderia eu me esquivar daquele desafio, não poderia desistir tão facilmente, não quando tudo que eu mais queria era jogar na cara de todas aquelas pessoas que eu era sim capaz de conseguir. Confesso que estava com medo, durante toda a minha vida o medo sempre me acompanhou, era capaz de lembrar vários momentos em que senti essa mesma dor no estômago e que os pensamentos correram por meu cérebro em profusão.
Inúmeras vezes desisti de continuar, incontáveis vezes fui embora porque me julguei incapaz e totalmente inferior a tudo e a todos. Mas dessa vez, embora o medo me sufocasse aos poucos, fazendo com que a dor no meu estômago aumentasse cada vez mais, eu sabia que não poderia fugir, não havia escolha, ou talvez eu não fosse capaz de enxergar, não sei, tudo que sentia no momento era medo, medo de falhar mais uma vez, medo de ser humilhada e machucada mais uma vez. Porque minhas lembranças até aqui eram marcadas por frustações e decepções, toda às vezes que coloquei minhas expectativas em alguém elas foram frustradas, aprendi da pior forma que confiar nas pessoas é entregar seu coração para que ele seja despedaçado.
Não havia como correr, não sobraria dignidade em mim se eu não fizesse o que me foi imposto, me desafiaram a pular naquele lago porque sabiam que eu não sei nadar, porque queriam ver a expressão de pavor em meu rosto, e uma negativa de minha parte seria meu fim, embora me sentisse aterrorizada não deixaria eles saberem de graça, esconderia o máximo que pudesse meu terror, eu sabia que se dissesse não ou tentasse fugir eles me jogariam naquele lago à força, talvez a única escolha que me cabia fazer era pular naquele lago ou ser jogada nele à força.
Inspirei ar como se tivesse acabado de ter uma crise de asma, e em meio aos gritos, tomei impulso e me joguei no lago, mas antes pedi à Deus que se ele existisse me ouvisse pelo menos uma vez, e não me deixasse morrer.
Sinceramente, não sei o que senti, sei que sentia, mas não consigo descrever com exatidão, a água estava congelante, e conforme meu corpo afundava cortava minha carne como se minúsculas giletes estivessem me perfurando, o medo ainda estava lá, a dor de estômago era excruciante, não sei se eu estava plenamente consciente, perdi a noção de tempo e espaço, não sei se foram minutos ou horas em que meu corpo afundava cada vez mais naquela água que antes me parecia verde, mas agora me lembrava o negror da morte.
Não sei quanto tempo fiquei naquele lago, na verdade nem sequer sei como saí dele, por mais improvável que pareça acordei numa praia de águas azuis e céu límpido, inicialmente, julguei ter morrido e está em outro plano, depois isso me pareceu muito tolo e impossível, passei a acreditar que tudo não tivesse passado de um sonho e ainda estivesse dormindo, o barulho das ondas acalmava minha alma, foi com muito custo que levantei da areia.
Ao levantar, aos poucos o estado de sonolência e letargia foi indo embora, mas não foi a claridade que me colocou em alerta, pois já estava a algum tempo de olhos abertos, o que me deixou chocada foi relancear um olhar para o lugar em que me encontrava e perceber que eu não estava dormindo, e o pior de tudo é que não havia uma explicação para eu estar ali.
Minha cabeça começou a doer, por mais que tentasse entender o que acontecia, era impossível, pulei em um lago profundo em alto inverno, que estava parcialmente congelado e acordei em uma praia sendo que na cidade em que moro não há praias, talvez estivesse louca, de todo jeito caso não estivesse ainda provavelmente acabaria ficando, porque ao olhar em direção aos coqueiros e palmeiras, vi que além da floresta numa espécie de platô havia o que parecia ser uma cidade, não uma cidade comum, pela distância não saberia dizer deque eram feitas aquelas estruturas, mas afirmaria com certeza de que não eram com materiais de construções comumente usados.
Minha mente insistia em tentar compreender onde eu estava, como fui parar ali e principalmente porque eu estava ali, mas não conseguia sequer formular hipóteses do que tinha acontecido, não poderia permanecer naquele estado de choque, porque era assustador e muito perigoso estar em um lugar desconhecido, precisava arrumar um jeito de sair dali, tinha que conseguir comida, porque minha barriga exigia comida por estar aguentado tanta tensão.
Tentei raciocinar, meu raciocínio lógico é tão ruim em situações normais, que poderia ser considerado inexistente, por não ter respostas somente perguntas, me perguntei mentalmente: se eu estivesse em um lugar estranho sem saber como fui parar lá e muito menos como sair o que eu faria? Obviamente não cheguei a uma resposta que fosse racional, eu só queria deitar na areia em posição fetal e chorar, pela situação em que me encontrava, por não ver uma saída, por estar perdida não como ocorria na maioria das vezes somente emocionalmente, mas realmente perdida.
Algumas lágrimas desceram pela minha face, juro que tentei engoli o choro, mas não é fácil segurar lágrimas, não quando parece que a vida faz tudo para que você desista, pensei em quantas vezes desejei morrer por me sentir solta no espaço, por não ser compreendida, por não ser amada, por estar a cada dia mais só.
Mais uma vez constatei que não deveria ter nascido, mais uma vez constatei o quanto eu era fraca diante da vida, o quão insignificante eu era, me joguei no chão, deitei em posição fetal, e deixei a dor a tanto tempo guardada sair junto com as lágrimas que banhavam minha face.
Aos poucos a dor e as lágrimas cessaram, levantei do chão e decidir que enfrentaria o desafio que a sorte ou azar me impunha, se fui capaz de entrar no lago não seria um lugar estranho que me faria temer, iria ao que parecia ser a cidade e independente do que encontrasse não mais me esconderia ou temeria.
Notas finais
Bom Carnaval à todos e juízo!!!!
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