Legalmente Eu
1 A Problemática
Tenho 16 anos e uns dizem por ai que sou estourada, os outros que sou isso ou aquilo, mas muitos desses também não são tão certinhos. Tenho problemas e vícios como todos. Me considero uma pessoa normal, mas quando aconteceu o inesperado, pode-se dizer que não sou mais tão normal assim. Virei rockeira, drogada, bebo até desmaiar, durmo com qualquer homem. O meu maior medo aconteceu, tornou-se realidade, o que eu tanto amava foi embora, me deixou. Mas vamos ao que interessa...
Há muito tempo quando minha mãe morreu, eu, Margareth, era muito feliz, era ajuizada, passava em todas as materias, notas? Todo mundo desejava ter igual, mas foi por causa de um trágico acidente que eu fiquei assim, eu perdi o meu grande amor. Nós passeávamos, cantávamos, conversávamos sobre tudo, tudo era com ela. Hoje sou uma pessoa feia, não tenho pra onde ir, grávida e não sei quem é o pai, cheia de tatuagens, piercings e sou drogada. Não me lembro de ter ninguém, nem avó nem nada por causa das drogas, das bebidas estou assim.
Um dia quando eu estava sentada fumando na beira da praça, aparece uma senhora que não lembrava quem era, poderia ser uma ladra, uma psicopata, sei lá, naquele momento não me importava com nada. Ela chegou em mim espantada:
- Margareth, minha neta, o que aconteceu com você? Como está diferente, quase não a reconhecia! Você está morando onde, com quem?
- Pow velha, eu não tenho ninguém, nem sei quem é você. Mas de uma coisa tenha a certeza, eu mudei e minha vida agora é um inferno.
- Deixa eu te ajudar, vamos embora comigo, te darei a vida que merece, cuidarei junto com você do seu filho.
- Não preciso que ninguém cuide de mim, sei me cuidar sozinha, não quero que sintam pena de mim e só te peço uma coisa: vá embora.
- Você precisa sim, você não sabe se cuidar sozinha, se soubesse mesmo não estaria nesse estado de estrema calamidade, digna de pena mesmo. Eu não vou embora, você é minha neta, vou cuidar de você quer você queira ou não e você vai vir comigo agora, nem que eu tenha que gastar todas as forças que ainda me restam levando você arrastada.
- Mais eu não...
- Cale a boca, você não tem querer, você vai agora.
Então, a tal velha me levou a força. Pela primeira vez na minha vida, não tive escolha, gritei, gritei, mas não adiantou.
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