Legados de Lórien: Promessas
1 Capítulo 1 - Promessas e Presságios
Notas iniciais
OITO
Eu realmente não sabia onde estava, não sabia quem estava naquele lugar e tudo estava desfocado. Entretanto o que aconteceu em seguida é que realmente foi esquisito: uma lamina estranha atingia meu peito de forma certeira, ao passo que sentia minha vida se desfazer de meu corpo, o grito de Marina ao sentir mais uma cicatriz se desenhar em sua canela enquanto minha visão dela simplesmente apagava como um televisor se desligando. Minha voz não saia, eu não conseguia mais vê-la ou sentir sua presença, por que?
Me levantei abruptamente da cama, meus cabelos negros e ondulados estavam molhados pelo suor frio. O quarto estava escuro e eu mal conseguia enxergar um palmo a minha frente, e isso pouco importava já que sentia cada fibra de músculo de meu corpo tremer. Eu havia morrido. Não importava a forma ou circunstância, eu morri.
O que significava este sonho? Já havia-mos passado desta profecia, Marina havia me salvo quando a Seis, digo, Sétrakus Há me apunhalou com uma adaga enquanto disfarçado de Seis. Então, por que?
Quando senti algo rolar pela minha face, achei que fosse suor, mas me deparei com lagrimas jorrando de meus olhos de forma descontrolada. Por que agora? E, mais importante quem eram aqueles em meu sonho, digo, a Marina eu conseguia discernir uma vez que a ouvi gritando, e os demais?
Eu sou o numero Oito, sou de uma raça vinda de um planeta muito semelhante ao que a terra já foi. Sou fisicamente parecido com um humano, tal qual todos os de minha raça, mas temos diferenças fundamentais e uma delas é o que pode chamar de Legados.
Nosso planeta foi alvo de um ataque de uma raça destrutiva chamada Mog(Mogadorianos).
Desde que isso aconteceu, 9 crianças incluído Marina e eu, fomos enviados a Terra com guardiões chamados Cêpans. E antes que deixasse-mos Lórien os Anciões colocaram um encanto sobre nós e nos deram números, sendo assim mesmo que os Mog chegassem a terra, e chegaram, e no encontrassem só poderiam nos matar na seqüência numérica.
Os Cêpans por sua vez eram mais velhos, são Lorianos assim como eu, mas pertencem a uma outra vertente de minha raça. Não possuem os Legados mas sim algo imperativo e fundamental: Experiência e Informação. Estas duas aliadas foram transferidas para nós os números e assim podíamos entender o pouco que lembrávamos de nosso planeta e também sobre os Legados que desenvolveríamos.
Contudo a maoria dos Cêpans que nos acompanharam morreram, muito embora não saibamos se o numero 5 e seu Cêpan continuam juntos e seguros. Isso mesmo, todos nos encontramos finalmente ao menos os que restam vivos de nós.
Em Chicago havíamos encontrado um ótimo esconderijo, ou melhor, o Cêpan do Nove havia encontrado algo que pudesse servir muito bem e que até aquele momento havia mantido todos nós seguros.
Me levantei sem reparar que os cobertores de minha cama estavam espalhados, eu realmente não estava lidando bem com aquela situação. Isso mesmo não é fácil ser um Loriano sabendo que uma raça rival esta te caçando em um planeta que você não conhece e claro, tem a pintura. Alguém profetizou minha morte e a desenhou em um antigo esconderijo Loriano na Índia, e bem... Eu a vi... Mas até o momento eu havia pensado que esta profecia havia sido quebrada, uma vez que fui salvo por número Sete na batalha anterior.
Trôpego e ainda tremendo alcancei a maçaneta da porta do quarto e, no momento em que a abri levei um susto ainda maior. Em pé de frente a minha porta estava ela. Olhos castanhos e puros agora avermelhados e marejados que derramava cristais em forma de lagrimas. Sua pele branca e pálida estava corada como quem tentava conter a vergonha de bater a porta do meu quarto naquela hora da noite. Cabelos castanhos soltos e bagunçados, mas ainda assim alcançavam a altura de seus ombros e lhe faziam ainda mais linda. Ela estava muda, apenas conseguia ouvir seus soluços enquanto chorava desesperadamente. Sete, ou melhor... Marina.
MARINA
Tudo estava sem foco, eu realmente não estava entendendo a razão de tal sonho aquela altura. Estava reunidos, ficando poderosos, conseguimos vencer uma batalha contra o líder Mog, e, havia evitado a profecia que testemunhamos descritas nas paredes na Índia. Ao menos eu achava.
As figuras presentes em meu sonho não eram possíveis de serem descritas tudo era um borrão de inúmeras cores que se misturavam como pinturas disformes. Contudo, um deles eu podia reconhecer mesmo que apenas por sua voz. Oito.
Em um momento tudo estava mudo, no segundo algo atingia o peito de Oito e no segundo seguinte eu estava encurvada sobre o chão aos prantos e gritando. Mais um de nós caiu, mais uma cicatriz recortava-se por minha pele de forma a me lembrar sempre daquele momento, roubavam a vida de mais um Lorieno. Este era o Oito.
Apesar de disforme conseguia ver seus olhos que fixavam-se em mim como que descrentes e repletos de uma surpresa que acompanhava a dor. Não pelo ferimento. Um ferimento comum poderia ser curado por mim rapidamente, mas não aquele. Oito me olhava de forma triste e suas mãos tateavam o ar como se quisessem me alcançar, então seu corpo caiu com um baque surdo sobre o chão disforme.
Gritando pela dor lancinante que lacerava minha canela, ainda assim forcei meu corpo a se arrastar até Oito. Não podia deixar ele morrer, não mais. Ele havia feito uma promessa para mim, e mais que isso eu não queria perdê-lo...
Acordo aos soluços, um choro que acompanha uma tremedeira que acomete meu corpo todo. Me sento sobre a cama com os braços cruzados a frente dos joelhos e as mãos apertando meus braços com as unhas afundando em minha carne, uma tentativa falha de me fazer notar que agora estava de volta a realidade.
Imediatamente recobro o fôlego e me levanto de forma rápida já me levando até a porta do quarto seguindo pelo corredor.
Apesar de todos estarem dormindo eu realmente queria acreditar que aquilo era apenas um sonho, um sonho ruim e nada mais.
Havia perdido meu planeta natal e os mesmo que havia destruído minha terra natal agora estavam na Terra buscando os últimos de minha raça para finalmente poderem dominar o planeta terra também. Eu havia perdido minha Cêpan, ela realmente foi uma péssima guardiã, mas não era menos merecedora de viver do que todos nós. E, na batalha anterior eu achei que ia perder mais uma pessoa cara a mim, quando Sétrakus Rá assumiu a forma de Seis e então apunhalou Oito, eu realmente achei que não conseguiria salvá-lo. Contudo diferente da batalha anterior, o sonho me mostrava que o que quer que acontecesse em seguida não me daria nem mesmo a oportunidade de tentar.
Queria acreditar que era apenas um sonho. Mas com nós, os Lóriens. Sonhos são como presságios.
Quando finalmente senti meus pés pararem eu estava de frente para uma porta de mogno e bem trabalhada. A maçaneta estava a alguns milímetros e minha mão, mas me detive.
“Marina controle-se!” — Pensei comigo, o que iriam pensar se me vissem indo até o quarto de Oito a essa hora e chorando? Pior, o que ele pensaria?
Os soluços eram inevitáveis enquanto as lagrimas rolavam por minha face.
Fiquei parada diante daquela porta por poucos segundos, mas que pareceram uma eternidade. Então levei a mão até a maçaneta e para minha surpresa ela girou sem que eu se quer mandasse. Não havia usado minha telecinese. Então ele surgiu da escuridão do quarto.
— O-o...ito? – Foi só o que consegui balbuciar.
Oito parecia como eu, apesar de pouco menos, seu rosto estava tingido como se estivesse chorando e suas expressões eram tão incrédulas quanto as minhas. Entretanto, o que mais me chamou atenção é seu olhar como se estivesse indo me procurar também, e, naquele momento notei que ambos tivemos o mesmo sonho. O que me apertou o coração ainda mais. Não me contive e meus braços alcançaram seu corpo envolvendo-o em um abraço enquanto afundava minha face em seu peito e chorava.
— M-marina ... Você... Viu o mesmo que eu, não é mesmo? – Ele falou de forma relutante.
— P-pelo jeito sim. – Eu respondi ainda chorando com a face afundada em seu peito. Não queria acreditar naquela situação, mas então eu ergui minha meu rosto e o fitei, confiante e decidida. – Você me fez uma promessa! Não pensa que eu esqueci!
OITO
Ter visto minha própria morte poderia ter sido muito pior, não fosse ter recebido uma visita como aquela quando eu mais queria vê-la. Marina. Ambos ficamos mudos até que ambos começamos a tentar trocar alguma palavra.
Eu poderia dizer que foi estranho me ver morto pela segunda vez, mas ainda mais estranho foi conseguir gargalhar quando Marina me olhou fundo nos olhos e cobrava a promessa que a fiz naquele parque em Chicago. Não pude deixar de rir mesmo, então me detive e a olhei diretamente nos olhos vendo também que um rubor tingia seu rosto.
— Não se preocupe... Eu me lembro e farei essa promessa real, e para começar iremos fugir mais uma vez hoje para desbravar Chicago? Me da essa honra? – Falei abrindo um sorriso e tentando afastar todo o medo e tremedeira que me acometeu depois daquele sonho.
— É claro! – Ela me respondeu.
Conseguia vez que minha risada amenizava a situação e até mesmo as lágrimas dela.
A noite poderia ter sido diferente do que realmente foi. Achei que iria ficar al abraçado com Marina a noite toda, mas então um Nove brutamontes apareceu acendendo todas as luzes da casa. Ele estava no fim do corredor e atrás dele surgia todos os demais.
— Ei ei ei... Mas que coisinha mais fofa esses dois pombinhos... Não acha Johnny? – Ele falava sorrindo apontando para onde Marina e eu estávamos estáticos.
— Não vejo mal algum... – Falou o John. Claro! Ele mesmo dormia com a namorada Sarah.
— Marina fiquei preocupada quando não te vi na cama, a porta aberta e as cobertas todas jogadas. Achei que tivesse acontecido alguma coisa... me desculpa? – A pequena Ella aparecia envergonhada entre Nove e John.
Marina parecia ter perdido a fala, mas recobrou a consciência e logo pulou para longe de mim ficando parada com a face tingida de escarlate.
— Ei gente não é nada demais... só tive um... Uma duvida e pensei que a marina pudesse me ajudar. – Tentei.
— Aham claro... Perguntou pra ela se queria namorar com você né? – Nove debochava.
— Nove você é um imbecil sabia? – Falava Seis que parecia de mal humor e ter acordado por que viu movimentação na casa. – Qual é gente, tem nada pra ver aqui... Vamos dormir. Vocês dois... JUÍZO... Boa noite.
Todos começavam a sair e então marina recobrou controle motor, começou a andar na direção de Seis e Ella, mas antes se virou para me dar um ultimo olhar que retribui.
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