LEVOU POUCO MAIS DE DEZ MINUTOS ATÉ QUE SERENA explicasse a situação para o síndico, que não ficou nem um pouco contente pelas acusações de negligência por parte dela.

Contudo, embora o homem tivesse concordado em consertar a porta do banheiro, o registro e os canos do chuveiro no fim da história — logo depois de uma ameaça jurídica explícita, na verdade — ela ainda pagaria pelo conserto do carpete encharcado que, ao que parecia, não estaria pronto antes do dia seguinte.

Era por esse motivo, concluiu Bucky, que aquela coisinha usava seu banheiro enquanto o gato demoníaco de pelos escuros o encarava na sala, sibilando para o pobre filhote de pelagem branca em seu colo. Ele suspirou. Talvez não tivesse pensado direito quando sugeriu que ela passasse o resto da tarde em seu apartamento, já que o dela estava inacessível até segunda ordem. E, por Deus, aquela era uma péssima ideia por mais motivos que poderia elencar.

Mesmo que não conseguisse pensar em nenhum em específico naquele momento. Quer dizer, ao menos não enquanto ainda sentia o calor da pele dela queimando em seus dedos; não enquanto a lembrança daquele maldito roupão, daquelas coxas diabolicamente esculturais e da textura macia e perfeita de sua pele o incendiava por dentro.

Sabia que não deveria estar pensando naquilo, mas merda, não era um monge — apesar do período de celibato o qual se submetera desde... mais tempo que o saudável para um homem da idade dele quase o tornasse um — muito menos santo. Claro que uma mulher seminua, praticamente colada nele mexeria com as partes menos racionais de seu corpo. Especialmente quando a mulher em questão era tão cheirosa e encantadora quanto a coisinha. E, quando ela o encarou com aqueles olhos brilhantes e a boca entreaberta... porra. Aquilo com certeza o atormentaria mais tarde.

O sargento respirou fundo e ligou a televisão. Precisava de uma distração; precisava se acalmar. O noticiário local, com a voz arrastada do repórter deveria bastar.

E, enquanto isso, bem, ao menos poderia finalmente terminar a lasanha.

— Tem certeza de que não estou incomodando? — disse a coisinha, aparecendo pela reentrância do corredor, a voz doce e o cheiro de banho recém-tomado o atingindo feito um soco; uma parte muito específica de seu corpo latejou em resposta. Merda.

Bucky então deu uma garfada forte demais na lasanha e negou com a cabeça. Não era mentira, apesar de tudo.

— Acho que seu gato está tentando nos matar — Bucky desconversou, enquanto levava outra garfada à boca, evitando fazer contato visual direto com ela — deve estar com fome.

Dito isso, ele cortou um pequeno pedaço da massa e dividiu com a bolinha de pelos repousada em suas pernas cruzadas, que pegou a comida em pleno ar.

Serena torceu o nariz.

— Não de essa porcaria para o filhote. Vai envenená-lo.

Bucky deu um olhar jocoso para a coisinha, como se ela tivesse dito um absurdo. Ele ao menos acreditava que sim.

— Mas o pobrezinho está com fome também — devolveu, encarando o gatinho, que miou em resposta, quase como se estivesse concordando — viu só?

Ela deu um sorriso enervado.

— Não faça as vontades dele, sargento. Especialmente as que podem fazer mal.

Ele não disse nada. Nem o gato. Serena revirou os olhos.

— Trouxe um pouco da ração de James comigo, deve ser suficiente para os dois — ela anunciou, atravessando a sala — tenho certeza de que o filhote vai gostar mais de comida balanceada para gatos. Além disso, não corre o risco de ficar doente.

Bucky sequer reparara na pequena mochila preta que estava escondida no canto da sala até então, mas Serena tirou de lá duas vasilhas prateadas e um pote de ração. O gato preto dela imediatamente reagiu, desviando o olhar predatório de Bucky e desfilou com a altivez de um imperador até as pernas da coisinha.

O filhote que jazia no colo dele também reagiu a movimentação, com curiosidade. Ao notar aquilo, ela começou a sacolejar a segunda vasilha — cheia de ração felina — enquanto caminhava até o lado oposto da sala. E, como se aquele fosse um canto de sereia, o gato a seguiu.

— Traidor — Bucky murmurou.

Serena deu uma risadinha e colocou o potinho no chão, como se tivesse ganho na loteria.

— Não fique tão emburrado, sargento — disse — é melhor assim.

Bucky pode ou não ter murmurado algo como "não estou emburrado" enquanto encarava o gato insidioso devorando a ração como se fosse um verdadeiro banquete.

— Vai ficar com ela? — Serena perguntou depois de um tempo.

Ele, para o bem da própria sanidade, se forçou a olhar diretamente no rosto dela, ignorando o fato de que Serena usava apenas uma camiseta cinza que mal cobria as pernas e algo que deveria ser uma bermuda por baixo, os inseparáveis sapatos de palhaço nos pés, e perguntou:

— Quem?

Uma pergunta desnecessária, o sargento sabia, mas a informação o pegara desprevenido.

— A gata, ora — ela respondeu, ciente disso — é uma fêmea.

Bucky piscou.

Em momento algum se incomodou em tentar descobrir o gênero do bicho, mas também não questionaria a Serena sobre como tinha tanta certeza sobre o assunto, porque... bem, aquilo o deixou pensativo. Nunca em sua vida tivera animais de estimação, embora desde muito jovem nutrisse certa afeição por gatos.

Ainda se lembrava das poucas vezes em que havia alimentado um gato branco que costumava ficar no beco atrás de sua antiga casa, junto com Rebecca*, sua irmã mais nova, durante a infância. Ele quase sorriu com a lembrança. Sua mãe ficava enervada quando faziam aquilo, ela dizia que aquele gato selvagem arrancaria os dedos deles e os encheriam de doenças, mas nada disso os impedia de acariciá-lo. Rebecca, principalmente. Se lembrava com clareza da irmã comentando que os pelos daquele gato em específico eram macios e fofinhos como a neve das montanhas da Suíça que via nas fotos das enciclopédias da biblioteca da escola (não que ela soubesse como era Suíça para início de conversa, mas crianças podiam se dar ao luxo de sonhar às vezes).

Becca. Fazia tanto tempo, uma vida toda desde a última vez que se viram. Será que ela se lembrava do rosto dele? Será que ainda pensava nele?

Era melhor nem pensar muito à respeito.

— A gata parece gostar da sua companhia, sargento — Serena comentou despretensiosamente ao se virar, enquanto Bucky, de novo, olhou para o bicho (ainda que os pensamentos estivessem longe daquele animal) — você bem que poderia ficar com ela, pelo menos por enquanto. Eu até ficaria, mas acho que James não vai se adaptar com outro felino no território dele.

O gato balançou a cauda. Parecia o jeito dele desafiar a gata a se aproximar de seus domínios. Bucky torceu o nariz.

— Não sei como cuidar de gatos, ao que parece.

— Erro de principiante, sargento — Serena replicou, piscando — ninguém é perfeito.

Ele esticou os lábios e refletiu sobre o assunto.

Não voltaria totalmente a ativa, pelo menos não tão cedo. Talvez pudesse sim cuidar da gata por alguns dias, até que a coisinha encontrasse um lar adequado. Mas..., mas...

— Poderia dar um nome legal pra ela — Serena continuou falando, como se estivesse tentando persuadi-lo — como floquinho, amora ou risonha...

Alpine** — Bucky sugeriu, para a própria surpresa, a voz de Rebecca Barnes em sua mente — gosto de Alpine.

Serena ergueu uma sobrancelha.

— Alpine? E isso lá é um nome de gato?

— É melhor que risonha — ele observou.

Ela levou uma mão ao peito, como se estivesse profundamente ofendida.

— Não é não — retorquiu — risonha é criativo. Vai me dizer que nunca leu Alice no país das maravilhas?

— Claro que li — ele respondeu, indolente — quando tinha onze anos de idade. E risonha continua sendo um nome horrível.

Em resposta, a coisinha deu um olhar mortificante para ele, mas não devolveu a provocação.

— Então... vai ser Alpine? — ela murmurou, ao invés disso, com a mão no queixo — até que é bonitinho. Diferente, mas bonitinho.

Alpine, como se soubesse que era o tópico da conversa, voltou até as pernas de Bucky, com miados agudos e alegres.

Por longos minutos, os dois permaneceram em silêncio, observando a reação dos gatos — o gato demônio, devidamente alimentado, parecia um pouco menos irritado com a presença da filhote — assim como Serena, que estava apenas três passos de distância dele. Seus olhos amendoados corriam pelo cômodo, como se pensasse em tudo e nada ao mesmo tempo.

— Minha sala a desagrada? — Bucky resmungou, incomodado com o silêncio. Uma situação insólita, visto que costumava apreciar o silêncio e odiava puxar assunto.

Serena, contudo, não fez mais que erguer uma sobrancelha.

— Não é ruim — respondeu ela, combalida — embora falte algumas lâmpadas. E um sofá, quem sabe.

Ele olhou ao redor. Primeiro para o vazio e a escuridão que preenchia o apartamento; para as cortinas pretas, que contribuíam para aquele breu; para o chão frio onde estava sentado. Quando terminou, voltou-se para Serena.

— Por quê? — murmurou ele, com uma dose de cinismo e complacência desnecessários — acho que está perfeito desse jeito.

Ela fez um estalido com a boca.

— Com você se sentando no chão?

— Isso nunca me incomodou.

A coisinha esticou os lábios.

— Claro que não — a resposta foi tão afiada quanto as adagas que escondia no fundo do armário.

Ele apertou os olhos.

— O que isso quer dizer?

— Não é nada — Serena soltou um ruído de deboche e deu um sorrisinho para ele — de qualquer forma, preciso procurar por um hotel. Está na cara que não vou conseguir voltar para casa hoje.

— Ainda é cedo.

Ele não terminou a frase, mas a cara resignada dela deixou bem claro que não acreditava nas palavras dele nem por um instante.

— Essas coisas levam tempinho, mas agradeço seu otimismo.

— Pode passar a noite aqui — Bucky murmurou, esticando os lábios — se a ausência do sofá não for um problema para você.

Serena olhou para o corredor e depois para ele, franzindo o cenho.

— Aqui?

— Prefere desperdiçar dinheiro com um hotel chique? — Ele observou, erguendo um lábio para cima.

Ela o encarou, como se ponderasse. E não disse nada por um tempo. Até que:

— Você por acaso tem outro quarto? — A pergunta foi brutalmente direta, apesar do tom relutante em sua voz.

— Não — a resposta dele foi igualmente direta.

— Mais de um colchão? — A coisinha continuou.

— Também não.

— Foi o que eu pensei — Serena fez outra pausa — agradeço a hospitalidade, sargento. Mas não acho que seja uma boa ideia.

Ele piscou algumas vezes.

— Qual o problema?

Claramente desconfortável, ela endireitou a postura e resmungou com um crispar de lábios:

— Não acredito que tenha espaço para mim aqui.

— Bobagem — ele replicou, sabe lá por que — o apartamento é grande o bastante para nós dois. Pode ficar com meu quarto.

Serena então se calou de vez; o ruído dos carros e buzinas foi o único som durante uns bons segundos, até ela dizer:

— Não se ofenda, mas não tenho a menor intenção de dormir com você.

Bucky então percebeu a preocupação da coisinha, no que ele parecia ter insinuado e... ah, merda. Aquilo, contudo, o fez pensar.

Pensou naquele maravilhoso par de coxas ainda à mostra; em seu cheiro inebriante; no quanto gostaria de tocá-la outra vez e sentiu o rosto queimar como se fosse um adolescente desajeitado.

— Eu não... — ele forçou uma tosse, constrangido — não foi isso que quis dizer. Eu não estava pensando em... não na mesma...

Quando virou na direção dela, porém, olhos amendoados brilhavam e um sorriso lupino estampava que ela estava mexendo com ele. Maldita fosse. E não demorou muito para que Serena caísse na risada.

— Retiro o que disse — murmurou ele, desviando o olhar — passe a noite debaixo de uma ponte. Eu não me importo.

Ela riu ainda mais.

— Não precisa queimar os circuitos, sargento. Eu entendi o que você quis dizer — respondeu a coisinha — mas ainda assim vou ter de recusar. Não me perdoaria por deixar alguém da sua idade dormindo no chão.

Bucky bufou.

— Eu costumo dormir na sala. Pode ficar com a maldita cama.

— Não minta para mim. Não vai me fazer sentir menos culpada.

— Não é mentira — ele garantiu — detesto aquela cama.

E, de fato, não era.

Desde a primeira noite, Bucky nunca conseguiu ficar por muito tempo no colchão de molas, ou apoiar a cabeça no travesseiro muito menos se cobrir com os lençóis sedosos deixados pelo antigo morador. Sempre que repousava o corpo naquela cama, sentia como se algo estivesse profundamente errado. Ele não deveria apoiar a cabeça ali e, certamente, não deveria descansar ou ficar tão confortável, não depois de tudo que havia feito.

A consciência daquilo o fez se remexer por horas e horas, até que decidiu ir até a sala, onde o forro amarelado e o chão duro de taco o cumprimentaram feito velhos conhecidos e dormiu lá mesmo, vencido pelo cansaço. Na noite seguinte, o mesmo aconteceu. E na seguinte. E na próxima. Até que desistisse de tentar dormir no quarto e se mudasse para a sala definitivamente.

Serena, por outro lado, ainda não parecia convencida, mas Bucky logo notou que seu olhar vacilava, como se estivesse em um conflito interno.

✧❄✧

Ela não conseguia acreditar nas palavras dele. Ora, era inconcebível que um ser humano feito dormisse no chão duro da sala toda noite, pensou. E, mesmo sabendo que o sargento era um ponto fora da curva — para dizer o mínimo— não seria capaz de deixá-lo fazer aquilo na própria casa.

Era grata a ele. Muito grata, na verdade. Pagar uma diária em um hotel no Brooklyn, ou em qualquer pocilga que encontrasse e aceitasse gatos — porque não iria a lugar algum sem James — naquela noite seria um golpe forte demais para sua parca poupança. Como se o rombo do carpete não fosse o bastante.

Não tinha muita escolha, percebeu. Não tinha escolha alguma, a bem da verdade. Se não aceitasse a proposta dele, era bem provável que acabasse de fato dormindo debaixo de uma ponte, como ele mesmo tinha sugerido.

Isso não significava, no entanto, que o faria dormir no chão. Não, isso seria demais. Mas poderiam chegar a um meio termo que não envolvesse dormir na mesma cama que o sargento.

Dividir a cama com Bucky. Serena quase riu da situação, de tão absurda. Era ridícula, clichê e absurda em níveis astronômicos.

Quantas vezes não debochara de mocinhas daquelas comédias românticas toscas da televisão na mesma situação em que se encontrava, enquanto se entupia de vinho barato?

No entanto, ali estava ela, no apartamento do vizinho, se corroendo em dúvidas e internamente rezando para ele não se arrependesse da oferta.

— Mas se não se sente à vontade aqui... — Bucky começou, quando o silêncio beirava o insuportável.

— Aceito — disse ela, prontamente — aceito passar a noite aqui.

Ele levantou uma sobrancelha. Serena sentiu o rosto queimar. Não gostaria de ter parecido tão desesperada. Ainda que estivesse.

— Se não for incômodo — emendou.

Faria aquilo funcionar. Não era como se precisasse — ou quisesse — dormir de conchinha com ele, pelo amor de Deus. E ela ficou pensando em como faria aquilo pelo resto do dia.

Pensou sobre o assunto durante a longa conversa com o cara do carpete no corredor; enquanto perguntava pela centésima vez se tinha como apressar o trabalho — ele disse que não, não de graça. Continuou pensando enquanto inventava uma história mirabolante sobre o apartamento que justificasse sua falta para Erika, e ainda remoía o assunto depois de voltar do mercado, seguindo direto até o apartamento de Bucky horas mais tarde, quando se ofereceu para fazer o jantar; o mínimo que poderia fazer, dadas as circunstâncias.

E enquanto cozinhavam, juntos, porque ele se recusou a ficar sentado na sala vendo-a trabalhar — o teimoso — Serena não pode deixar de se perguntar a razão que o levava a ter tanta aversão a própria cama.

Estaria ele inventando a coisa toda?

Ela não achava que fosse o caso. A forma como dissera aquilo parecia convicta demais. Não, não era mentira. As palavras estavam cheias de raiva e rancor. De ninguém em específico, também percebeu, mas de si mesmo, como se odiasse a si mesmo.

De costas, Serena olhou de esguelha para o homem que fatiava a carne com a precisão de um cirurgião e desejou poder entrar na cabeça dele; entender o que passava ali e o que o atormentava ao ponto de não o deixar dormir a noite, embora, verdade fosse dita, ela tivesse sim uma noção do que poderia ser.

Hidra, Soldado Invernal e todas aquelas merdas. Mas..., mas...

— Assim está bom? — A voz preguiçosa dele a despertou dos devaneios.

Serena quase pulou.

Estavam tanto tempo em silêncio que o único som audível era da faca contra a tábua de madeira e o crispar da gordura na panela enquanto grelhava os legumes na manteiga.

— Está perfeito.

Dito isso, Serena pegou a tábua e jogou os cubinhos perfeitamente fatiados na panela. O aroma delicioso da carne se espalhou pelo apartamento tão rápido que quase despertou o interesse de James. Quase. Alpine por outro lado, se agitou nas pernas de Bucky, como se tentasse convencê-lo a dividir o jantar.

Serena fingiu que não reparou quando o sargento jogou discretamente um único — e especialmente gordo — cubinho de carne para o gato, que engoliu em uma única mordida.

— Você está incomodada — ele declarou, um momento depois.

Ela ergueu uma sobrancelha.

— Com você dando carne de porco crua e cheia de gordura para o gato? Perto da lasanha, acredito que seja um avanço.

Mesmo de costas, ela percebeu a sombra de um sorriso aparecendo no rosto dele.

— Ainda remoendo o assunto da cama? — Bucky perguntou. Direto ao ponto.

Serena virou a chave do fogão, diminuindo a chama e virou-se para seus olhos, que faiscavam em um tom de cobalto tão intenso quanto o fogo que esquentava as panelas.

— Por quê? — Qual a sua história? O que o atormenta tanto assim? Era o que gostaria de ter dito.

Não precisou, no entanto.

—O chão é mais confortável — as palavras de Bucky soaram inexpressivas, embora Serena imediatamente tivesse notado a hesitação em sua voz.

O olhar dela passou para o braço de metal, completamente exposto pela regata branca. Ela então virou-se para o fogão outra vez.

— Sabe — começou, baixinho, concentrada na panela fumegante — se quiser conversar com alguém, sou toda ouvidos. Juro que sei guardar segredo.

Mesmo de costas, Serena sentiu os ombros dele tensionando.

— Não tenho nada a dizer. Para ninguém.

Ela torceu o nariz.

— Não tem?

Ele ficou em silêncio por um bom tempo, a expressão plácida. Serena chegou a refletir se tinha cruzado algum tipo de limite com o sargento — era bem possível que sim. Até que ele disse:

— Me lembrei que tenho um colchonete guardado em um dos armários. Vou usá-lo essa noite. — Apenas para que não se sinta culpada; apenas para que esqueça essa história toda.

Ela abriu a boca, mas ele não deixou que ela começasse a falar.

— Posso cortar as batatas agora? — Uma clara mensagem em seus olhos tempestuosos.

Não quero falar sobre esse assunto agora. Ou depois. Ou nunca.

Serena então concordou com a cabeça e eles voltaram a cozinhar, cada um perdido em seu próprio universo, com seus próprios pensamentos.

Nenhum dos dois se atreveu a falar durante um longo tempo.


Notas finais
Funfacts: *Canonicamente Bucky tem uma irmã chamada Rebecca. São poucas as aparições dela nas HQs e no MCU ela é apenas mencionada brevemente em Falcão e o Soldado Invernal. ** Essa é batida, mas nas HQs o Bucky é tutor de uma gata branca chamada Alpine (às vezes fica traduzido como Alpina).