Notas iniciais
Olá, caso você não me conheça: muito prazer, eu sou a Polaris! Legacy é um projeto o qual possuo grande apego. Eu o comecei há um bom tempo, durante minhas noites insones na pandemia. No entanto, devido à fatores que estavam além de minha alçada, tive de abandoná-la antes de terminar, o que na época — e ainda hoje — partiu meu coração, afinal, essa foi uma de minhas primeiras histórias e a sensação deixá-la inacabada é horrível. Contudo, há pouco tempo, revisitei o site e decidi que a terminaria, não por ninguém, mas para mim mesma. E por isso ao ler e reler percebi que havia uma cerca de aspectos nela que já não se encaixavam comigo ou minha escrita. Por esse motivo, comecei a reescrevê-la do meu jeito. Devagar e sem pressão. E, depois de muito tempo trabalhando, lendo, relendo e revisando finalmente estou prestes a finalizar o suficiente dela para me sentir confortável em compartilhá-la outra vez. A história está praticamente concluída no que se refere a escrita, serão cerca de 50 capítulos, os quais pretendo postar com certa frequência até que a história se esgote. Aos que leram a primeira versão — se é que existe alguém — peço desculpas pela demora. Aos que estão curiosos, dou as boas vindas ao meu perfil e esse projeto! A todos, boa leitura! De uma grande fã das histórias da Marvel, Excelsior!

Final do campeonato Nacional Universitário de Ginástica Artística,

Centro poliesportivo da Universidade de Nova Iorque,

Ilha de Manhattan, NYC

2018


SERENA VALENTE SEMPRE QUIS SER GINASTA.

Sim, desde a infância.

A pequena Serena sempre teve motivos para amar tudo que envolvia esportes acrobáticos, especialmente porque — modéstia parte — era muito boa naquilo. E, também, porque era basicamente a única coisa em que Serena conseguia se destacar na escola.

A bem da verdade, ela não era do tipo talentosa.

Não gostava de nada relacionado a artes, ou música, tampouco se interessava pelo clube de xadrez ou pelas aulas extracurriculares de informática ou robótica. Mas, como era uma criança agitada e incapaz de ficar parada no mesmo lugar por mais de cinco minutos, sua avó decidira que seria bom para ela praticar algum esporte.

A ginástica artística não fora a primeira opção. Natação e artes marciais eram opções igualmente viáveis, mas sua avó desaprovara a ideia de ver Serena lutando e, segundo ela, manter a menina tão perto da água... não, não funcionaria. Contudo, quando a pequena viu aquela trave, no auge de seus onze anos, ficou encantada.

Havia algumas garotas de sua idade treinando naquela tarde. Era lindo. Os movimentos eram suaves e delicados, como se estivessem dançando em cima daquele espaço minúsculo. E, enquanto assistia aquelas meninas, sentiu algo em seu coraçãozinho infantil e cheio de sonhos. Serena queria ser como aquelas meninas. Queria subir naquela trave e dançar como elas dançavam.

E foi naquele instante que a fez a pergunta que mudaria todo o curso de sua vida.

— Isabel — disse para a avó — acha que eu consigo subir naquela trave?

No entanto, Isabel Valente apenas a olhou daquela forma indecifrável que só adultos cheios de segredos olham.

— Claro, que sim querida — dissera a avó na ocasião, sorrindo — você pode fazer o que quiser.

Naquele instante, Serena viu seu mundo infantil se iluminar.

De repente, ela tinha um propósito, um objetivo a ser alcançado. Era o sonho de qualquer menina — pelo menos na opinião dela—. Um dia, com certeza seria uma ginasta tão graciosa quanto aquelas garotas da academia. Um dia, Serena seria uma pessoa tão extraordinária quanto sua avó era.

Isso porque Isabel Valente era o centro do seu universo.

Ela era o mais perto que Serena teve de família em toda a vida. Uma avó doce e do tipo superprotetora, que tratava Serena como se ela pudesse se partir a qualquer instante. Seria essa uma daquelas coisas de avós, que demoravam para entender que seus netos já não eram mais aquelas criancinhas que corriam para o colo ao ralar os joelhos? Ou seria porque eram apenas as duas sozinhas desde...bom, desde sempre.

E Isabel... como poderia começar a descrevê-la?

Aquela mulher incrível era alta e esguia — ao contrário de Serena, que mesmo na fase adulta, mal passara da marca de um metro e cinquenta e seis — tinha a pele alva, macia e jovial, ao ponto de aparentar uns bons anos a menos de sua idade verdadeira. Além disso, era extremamente inteligente. Sabia ler as pessoas como ninguém. Era impossível mentir ou esconder algo de seus olhos acinzentados penetrantes.

Ainda assim, era a pessoa mais bondosa que tinha conhecido na vida.

Isabel cuidou de Serena. A acolheu em sua vida e ensinou-lhe tudo que sabia, desde sua receita favorita de bolo de frutas vermelhas — com um crumble deliciosamente crocante — até os mais deliciosos chás — matcha era seu favorito. Isabel também era a pessoa que a protegia do mundo e sempre estava junto com ela, assistindo os treinos, religiosamente às terças-feiras e sábados. Nove horas. Em ponto.

Jamais se esqueceria dos gritos de incentivo dela na arquibancada enquanto estava em sua primeira competição aos treze anos. E, ao vê-la lançar um olhar temoroso para a plateia, Isabel a chamou para uma breve conversa, onde garantiu, como se soubesse de tudo, que se sairia bem.

E, bom, saiu.

Serena não tinha dúvidas disso, afinal, Isabel jamais mentiria para ela. Aquela havia sido sua primeira vitória em uma competição. Naquele momento, ela soube o que tinha nascido para fazer. E jamais poderia aceitar menos que aquilo. E, mesmo agora, quando Serena estava a um passo de dar mais um passo em sua carreira, sabia que ainda podia contar com o apoio de sua matriarca.

— Serena — chamou Isabel, entrando no vestiário sem pudor algum — finalmente achei você.

Serena, que tinha acabado de terminar de passar o delineador azul ciano — e que combinava perfeitamente com o collant da apresentação — esticou os lábios.

— Vó, o que faz aqui? Deveria estar na arquibancada com Íris.

Isabel, contudo, esticou os lábios.

— Já estou indo, querida. Só passei para ver como estava.

Serena franziu o rosto. Havia algo de errado. Isabel parecia inquieta, olhando ao redor volta e meia, como se estive procurando por alguém. Ou alguma coisa.

— O que foi?

— É bobagem — ela respondeu, forçando um sorriso — mas estou preocupada com você.

— Comigo?

— Íris me disse que não dormiu a noite toda.

Serena revirou os olhos.

— Isso não é verdade — era sim. Mas Íris não precisava ter aberto a maldita boca, para a avó ainda por cima, que era a pessoa mais paranoica que conhecera em toda sua vida.

— Ela também disse que você não comeu pela manhã — tornou Isabel.

Puta merda — praguejou — vou passar uma fita na boca dela.

— Serena! Olhe a língua.

Serena deu uma risadinha.

— Se a faz se sentir melhor, vovó, comeremos em breve — disse — logo depois que eu vencer o campeonato.

Isabel, no entanto, segurou o medalhão que pendia em seu pescoço, como se estivesse profundamente angustiada.

— Claro — disse ela — isso seria ótimo.

Serena abriu a boca, mas algo a deteve.

Senhoras e senhores, em instantes daremos início a cerimônia de abertura da trigésima sétima edição do campeonato universitário nacional de ginástica. Por favor tomem seus lugares e...

— É sua hora — Isabel a lembrou — vá.

— Mas...

Sem abrir margem para discussões, Isabel a abraçou. Era tão bom. Serena queria poder morar naquele abraço.

— Eu amo você querida — Isabel ciciou em seu ouvido — nunca se esqueça disso.

Serena sentiu o coração aquecer.

— Eu também — ela respondeu apertando-a de volta.

— Vá. Estão esperando por você.

Serena aquiesceu. E saiu do vestiário.


Notas finais
Bucky Barnes: Linha do tempo resumida 1917-1943: James Buchannan Barnes tem uma vida comum no Brooklyn. 1942-1943 (aproximadamente): Ingressa para o exército, pouco antes de Steve Rogers se tornar o Capitão América. 1943: Bucky é capturado pela Hidra pela primeira vez; após o resgate por Steve Rogers (Capitão América), é formado o Comando Selvagem, grupo de soldados o qual Bucky integrou durante a guerra para combater a Hidra. 1945: Ao descobrir a localização de Arnim Zola, o Capitão América e o Comando Selvagem organizam uma emboscada em um trem. Durante essa emboscada, Bucky despenca em uma geleira e é dado como morto. 1945-2014: O corpo de Bucky é resgatado pela Hidra e ele se torna o Soldado Invernal, onde sofre lavagem cerebral e perde todas as memórias de sua vida anterior. 2014: Durante uma missão para eliminar Nick Fury, o Soldado Invernal e o Capitão América se encontram. 2014-2015: A Hidra caí, Bucky foge e se esconde enquanto recupera suas memórias. 2015: Helmut Zemo incrimina Bucky por um ataque em uma conferência da ONU; os Vingadores vão atrás de Bucky e é descoberto que o Soldado Invernal matou Howard Stark, pai de Tony Stark, em 1991, o que gera o "racha" entre os Vingadores. 2015-2018: Bucky fica em Wakanda. 2018: Thanos invade a terra; acontece o estalo; Bucky "morre". 2023: Os Vingadores revertem o estalo e derrotam Thanos. 2024: Bucky é perdoado por seus crimes. Início da Fic.