Left 4 Dead - Morte à Espreita
5 Deixada para morrer - Parte 4
Zoey engole o choro e saca sua Magnum. Ela tivera poucas aulas de tiro com o tio, mas o pouco que sabia teria que servir. A criatura começa a correr, seus passos pesados fazendo o chão tremer. Ela se move como um tanque e parece impossível de ser parada. Zoey acerta quatro tiros na criatura, mas ela nem sente. Então a árvore é atropelada e arrancada do solo, fazendo a rústica casinha de madeira cair numa piscina na casa dos fundos. Zoey se debate desesperada para emergir e nota que seu pé ficara preso num galho. A piscina tremia a cada passo dado pela criatura monstruosa. Zoey se debate cada vez mais até que consegue se livrar do galho, perdendo seu tênis no processo. Enquanto nada até a outra borda da piscina, Zoey sente seu tornozelo doendo um pouco. Repentinamente uma grande onda agita a piscina. A criatura entrara na água. Zoey sobe o beiral da piscina rezando para que aquela aberração não soubesse nadar e dá de cara com um soldado empunhando uma espingarda.
— No chão! Agora!
Sem pensar duas vezes Zoey se joga no chão levando as mãos a cabeça. A criatura emerge da água e o soldado lhe acerta um tiro em cheio na cabeça, derrubando-a de novo na piscina. Um segundo soldado ajuda Zoey a se levantar.
- Fique calma. Eu sou o tenente James Teague. Estamos recolhendo os civis sobreviventes da região. Venha conosco e a conduziremos a um acampamento seguro.
- Hey, Teague. Viu o que te disse? É só mirar na cabeça pra matar esses desgraçados de vez. O cara da CEDA estava certo.
- Ok, novato. Apenas concentre-se em fazer seu trabal...
A criatura emerge repentinamente da piscina e agarra o soldado, esmigalhando sua cabeça e arremessando-o no quintal vizinho.
— Capitão Gordon... o Tank ainda está vivo!
- Proteja a garota, Teague!
Zoey nota que havia um terceiro soldado parado na entrada dos fundos da casa. Teague puxa a garota segundos antes do Tank quase atropelá-los. A criatura acaba invadindo a casa em seu ataque irrefreável. Gordon se afasta da casa e carrega seu lança-misseis. O Tank corre novamente contra Zoey e Teague mas é feito em pedaços pelo míssil. Teague e Zoey acabam parcialmente recobertos pelo sangue e restos da criatura.
— Ah Meu Deus! Eca! Tira isso de mim!
- Calma, moça. O pior já passou... você poderá tomar um banho e conseguir roupas novas no acampamento.
- Teague...
Gordon troca a munição de sua metralhadora com mira laser após largar o lança-misseis no chão. Ele olha inquieto para os telhados vizinhos. Teague vai encaminhando Zoey para um pequeno portão de madeira ali próximo.
— A propósito... qual o seu nome?
- Zoey.
Centenas de gritos são ouvidos, interrompendo a conversa. Um homem cambaleante surge em um dos telhados e alvejado pelo capitão Gordon.
— Corra, Teague! A explosão alertou uma horda de zumbis!
Imediatamente dezenas de mortos-vivos emergem dos telhados vizinhos, famintos por carne humana. Teague puxa Zoey pelo braço e eles arrombam o portãozinho de madeira, seguidos do capitão Gordon, que está dando cobertura.
— Zoey! Tem um carro-forte na esquina com outros sobreviventes. Corra até lá. Eu e o Gordon daremos cobertura.
Zoey, então, ganha a dianteira, correndo tudo que pode e ignorando as dores no tornozelo. Gordon passa correndo atrás dela e recarregando sua metralhadora. Teague empunha sua espingarda e passa a atrasar os zumbis. Ele procura acertar a cabeça conforme o novato dissera e nota que desta maneira os zumbis não mais se levantam.
- Recarregando!
Teague volta a correr enquanto recarrega sua arma. Gordon passa a disparar contra os zumbis com sua metralhadora. Sua precisão é impressionante. Um bombeiro tem seu cérebro dilacerado por um tiro e cai no chão, fazendo com que alguns zumbis tombem. Teague tira algo de um bolso de seu uniforme.
— Dinamite!
Tratava-se de uma dinamite com uma pilha e uma lâmpada minúscula presas a ela com uma fita. Ao apertar um botão, uma luz começa a piscar na bomba. Teague acende o pavio da dinamite e a arremessa com a força de um arremessador de beisebol. A dinamite vai parar no meio da horda. Os zumbis param de correr e ficam olhando admirados para a luz a piscar.
— Continuem correndo!
O pavio termina e a dinamite explode, destroçando toda a horda ao seu redor. Teague e Gordon alcançam Zoey, que os aguardava diante do carro-forte.
— O que foi aquilo?
— Eles, por algum motivo, se sentem atraídos por luzes, Zoey. Gordon teve a idéia de amarrar lâmpadas de pisca-piscas natalinos nas dinamites para atrair os mortos-vivos para a explosão.
— Fofoquem depois, meninas. Para dentro do carro-forte. Já!
Teague e Zoey entram no carro-forte pela porta traseira enquanto Gordon assume a direção. O veículo acelera bruscamente pelas ruas do distrito.
Outras pessoas haviam sido resgatadas pela equipe de militares antes de Zoey. Havia um padre negro com dezenas de crucifixos enrolados nos pulsos e rezando em línguas estranhas. Seu nome era Marvin. Ao lado dele havia uma senhora obesa usando uniforme de manutenção de uma cadeia de lojas conhecida da região. Ela se chamava Judith. Havia também um enfermeiro de boa aparência com o braço esquerdo fraturado e imobilizado. Ele atendia pelo nome Michael e não parava de olhar para o trio sentado diretamente a sua frente. Carlos era um cafetão latino e vigarista sem escrúpulos e andava sempre com suas duas vadias preferidas Kadie e Natasha. Eram da pior estirpe de pessoas, mas os militares tinham ordem de salvar todos os que encontrassem. Até os que não mereciam.
— Finalmente trouxe uma gostosa pra essa carroça, hein? Bom trabalho, Teague.
— Cala a boca, Carlos.
— Ei, guria, quer sentar no colo do papai aqui não? Sempre tem espaço pra mais uma...
— Vêm, colega... faz muito tempo que não fazemos a quatro...
— Grande Kadie. Essa é a minha garota. O que me diz, guria?
— Eu passo. Não sou vadia.
— Nem elas são, querida. Estamos apenas querendo brincar um pouquinho e provar algo novo... e você parece bem apetitosa...
Teague se levanta repentinamente e aponta uma pistola P220 para Carlos.
- Eu já mandei calar a porra da boca, Carlos! Não vou mandar uma terceira vez!
— Wooow. Calma ai, cowboy. Pega leve. Já parei, já parei.
Teague guarda a pistola e senta-se novamente. Ele começa a recarregar sua espingarda. O padre Marvin olha de maneira desaprovadora para Carlos.
- Deus está julgando a todos nós com essa provação e você segue se orgulhando de seu pecado, rapaz? Sua alma tem destino certo.
— Se o lugar tiver cheio de vadias, padre, vou para lá agora mesmo.
— Que Deus tenha piedade de você. De minha irmã. De meu filho. De todos nós.
O padre beija o crucifixo marcado com fogo no dorso de sua mão direita. Michael se ajeita no banco e olha para Teague.
- E para onde vamos agora, tenente Teague?
— Vamos para o acampamento agora, Michael. Vamos deixar vocês lá, pegar mais munição e voltar as ruas à procura de sobreviventes.
— O que diabos está acontecendo?
— Ninguém sabe ao certo como começou, Zoey. Começaram a surgir casos de canibalismo isolados... de pessoas mordendo pessoas, comendo sua carne... e foram se tornando freqüentes. De repente a coisa toda tinha se transformado numa epidemia. A Judith ali viu um homem devorar o rosto de um maquinista numa estação de metrô.
— Acredite, amiga. Eu não quero ver aquilo de novo. Foi horrível.
— Precisamos ficar todos calmos para que tudo corra bem. Descansem.
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