Learning to love
1 Resuming
Notas iniciais
Segunda-feira, 18 de Agosto, de 2014.
O despertador tocou antes mesmo que eu pudesse descansar meu corpo, eu passei a maior parte do meu final de semana arrumando as malas e sendo ignorada por todos, meu pai e minha irmã pareciam não se importar com o que eu andava fazendo ou o quê eu iria fazer, eu estou me sentindo um daqueles insetos irritantes que todos querem se livrar o mais rápido possível. Bem, minha mãe virá me buscar daqui a uns 15 minutos e não estou me sentindo muito alegre ou esperançosa com essa mudança, não que eu não quisesse sair daqui, mas eu me sinto meio deslocada tendo que me mudar no meio do ano letivo e estou meio receosa com o que irei encontrar em meu novo Colégio, minha mãe e meu pai se separaram a muitos anos e ele acabou se casando novamente e acabou por nascer minha irmã nada adorável, a esposa dele morreu em 2012, o motivo de eu ter que ficar com o meu pai foi porque minha mãe não tinha emprego fixo, coisa que ela adquiriu a pouco menos que 2 meses.
- Lizzy? – Escutei a voz da minha mãe na porta da frente e desci as escadas o mais rápido que eu consegui com essa mala gigante, não é para menos, estou levando tudo, até mesmo o Teddy, meu urso de pelúcia e meu fiel companheiro desde meus sete anos.
— Estou aqui mãe. – Eu estava feliz, pela primeira vez em dois anos eu estava realmente dando um sorriso sincero.
- Olá querida. – Ela me abraçou, eu não esperava por isso, já que todos mantinham distância de mim depois do ocorrido, eu fiquei realmente surpresa e demorei um pouco para retribuir o gesto.
- Senti sua falta mãe. – Foi quase inaudível, mas ela escutou mesmo assim e apertou o abraço como se aquilo fosse um “Adeus” e não um “Olá”, me senti aconchegada ali naqueles braços e percebi que minha vida iria mudar para melhor.
E aqui estou eu, dentro do carro esperando minha mãe terminar as suas frases nada educativas para o meu pai, digamos que ela está tão irritada que está ficando roxa, bem, para uma pessoa branca igual ela é fácil mudar de cor. Eu não era muito parecida com ela, ela é branca igual neve, ok, isso foi exagero, mas não tem com o quê comparar ela a não ser à neve, cabelos pretos e compridos e olhos azuis, magra e usava roupas que desvalorizavam o corpo dela, e eu puxei o lado do meu pai, infelizmente, eu não queria ter que me lembrar dele ao olhar no espelho, sou ruiva e tenho olhos verdes, tenho um pouquinho a mais de sardas que eu deveria ter, e sou magra e baixa, nada demais e acrescentando um fato, eu também não gosto de usar roupas normais por assim se dizer, acho que estou meio fora de moda.
Depois da pequena avaliação que fiz minha mãe parece ter desistido de falar com o meu pai e entrou no carro com uma expressão de poucos amigos, vou tentar ficar calada o máximo possível, não quero que ela desconte suas frustações em mim. E foi assim que seguimos viagem até chegarmos à Nova York, uma pessoa muito frustrada no banco do motorista e eu tentando camuflar minha presença para não ser um alvo dessa pessoa. Eu ainda não entendo porque ela não me pagou uma passagem de avião ao invés de vir pessoalmente me buscar, mas eu não entendo minha mãe, na verdade, ninguém entende ela.
- Lizzy? – Acho que adormeci no caminho, acordei com a minha mãe me chamando. – Chegamos querida, olha como eu consegui decorar a casa do meu jeito, você vai amar seu quarto, comprei tantas coisas... – Parei de prestar atenção quando ela começou a contar os detalhes, não que eu não goste de falar com ela, mas ela não precisa perder tempo me contando isso, pude perceber que a casa estava realmente legal, tinha flores de todos os tipos na parte da frente e tinha uma calçada de pedra levando até a porta, eu não sei que flores são essas, nunca fui de gostar de flores, e a casa estava realmente calorosa e aconchegante, não esperava menos da Dona Mary, minha mãe.
- Mãe, vou subir e descansar, estou cansada da viagem. – Foi à única coisa que me veio em mente para fazer com que ela parasse com aquilo e eu pudesse ficar em silêncio novamente, acho que acabei me habituando à solidão, se é que isso é possível.
- Claro querida, segunda porta à esquerda, tenha uma boa noite de sono, amanhã irei te apresentar meus amigos. – Eu não queria conhecer ninguém, mas não iria contrariar ela, eu não sou maluca de fazer isso, ela odeia a palavra “não”, parece uma criança.
- Certo mãe, eu tentarei ter a melhor noite de sono da minha vida. – Dei um sorriso, o melhor que pude, mesmo que não seja verdadeiro eu não posso magoar ela só porque estou magoada. Carreguei minhas coisas para o quarto que ela tinha me dito e acho que nem reparei tanto no quarto, ele estava incrível, mas eu não queria reparar nisso agora. Desfiz minhas malas e deitei, mas eu não dormi, eu não consigo dormir, essa insônia está me matando, tanto por dentro quanto por fora, eu só queria esquecer tudo e ter paz, mas eu não consigo pregar os olhos. E mais uma vez eu sinto essa dor angustiante no meu peito, e as lágrimas vieram junto como sempre, lá se vai mais uma noite chorando e remoendo o passado nem tão distante assim.
~x~
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