Learning to love

3 Park and the idiot Michael


Notas iniciais
Me desculpe pela demora, mas eu estive bastante ocupada ultimamente, mas eu preparei um capítulo grande para compensar não ter postado ontem, espero que gostem.

Quarta-feira, 20 de Agosto, de 2014.

O despertador tocou cedo nessa manhã, vou começar as aulas hoje e não estou animada, mas preciso reverter essa situação logo. Vou tomar um banho rápido e colocar esse uniforme nada bonito em minha opinião e meu jeans não muito novo e para acompanhar essa peça clássica vou calçar meu All Star surrado, duas peças clássicas em um dia, estão tão velhos que nem lembro quando comprei, não cresço desde meus 12 anos, então deve ter bastante tempo mesmo, esse ano fiz 17.

– Lizzy se você não descer logo vai se atrasar para o seu primeiro dia de aula. – Ela gritou isso muito alto, os vizinhos que estavam dormindo provavelmente estão acordados depois dessa.

– Já estou descendo mãe. – Eu gritei enquanto calçava meu All Star, não gritei como ela, mas foi o bastante para ela escutar. – Bom dia. – Dei um beijo na bochecha dela e sentei-me a mesa, olhei no relógio e já eram 06h34, minhas aulas começam as 07h00, ainda bem que o Colégio fica a três quadras daqui de casa, assim não vou me atrasar tanto.

– Animada para o primeiro dia de aula? – Ela perguntou isso enquanto me servia uma xícara de café e torradas.

– Claro mãe, não vejo a hora de conhecer pessoas novas. – Que mentira horrível, mas eu não iria deixar ela preocupada. – Espero que eles me recebam bem. – Mentira também, não quero amigos.

– Claro que vão receber você bem Lizzy, você é muito legal e bonita, não digo isso porque sou sua mãe, digo isso porque é realmente verdade. – Ela sorriu, aquele sorriso que invejo, espero que ela esteja certa, não iria aguentar ter que passar por tudo de novo, certo, não é hora de lembrar-se do passado, preciso apagar isso do meu cérebro, se for possível e também não pretendo fazer novas amizades.

– Obrigada mãe, já vou indo se não vou me atrasar, até mais tarde. – Eu já estava saindo quando ela me puxou para um abraço.

– Boa sorte querida. – Ela separou o abraço e apertou minhas bochechas. – Até mais tarde.

E aqui estou eu, no portão do Colégio observando os grupos de adolescentes que estavam por todos os lados, vai ser bem difícil me enturmar no meio do ano letivo, a maioria das pessoas já tinham encontrado o seu lugar e eu aqui tentando me situar.

– Adivinha quem é?! – Alguém colocou as mãos sobre meus olhos, eu levei um susto e tanto, acho que devo ter dado um pulo. – Não precisa se assustar tanto Liz.

– Liz? – Como ele consegue ser tão animado de manhã? Estou parecendo um zumbi.

– Irei te chamar assim de agora para frente, quero ser o único a te chamar assim, sua mãe pode te dar apelidos, porque eu não? – Ele inflou a bochecha, coisa que eu fazia, não sabia que ele teria uma mania tão infantil também.

– Está bem Michael. – Eu virei às costas, não estava a fim de conversar com ele agora, preciso encontrar minha sala.

– Ei Liz, espere, não me ignore. – Ele colocou-se ao meu lado. – Vou te ajudar a achar sua sala, posso dar uma olhada em qual turma você está? – Ele tomou o papel da minha mão e começou a sorrir ainda mais. – Que sorte! Estamos na mesma sala, vem, vou te apresentar meus amigos. – Eu não gostei nenhum pouco do que ele disse, eu não quero estudar na mesma classe que ele e não quero conhecer ninguém.

– Mas... – Ele não me deixou terminar de falar e pegou na minha mão e saiu me puxando pelos corredores desse imenso Colégio. Eu estou ficando louca ou tem algumas meninas me fuzilando com os olhos? Meu Deus, já entendi tudo, ele é popular e se eu ficar andando com ele eu vou começar as coisas do mesmo jeito que comecei no passado.

– Pessoal essa é minha mais nova amiga, Elizabeth. – Ele me colocou a frente de dois garotos e uma garota, os garotos eram bastante parecidos, são gêmeos e a garota se parece com Michael, os garotos são idênticos, altos e olhos castanhos, a única coisa que os diferencia são os cabelos, um tem o cabelo preto e o outro loiro, já a garota é um pouco mais alta que eu e tem cabelo curto e preto, olhos da mesma cor que o Michael. – Essa é minha irmã Alicie e esses são os gêmeos, Leo. – Ele apontou para o gêmeo com o cabelo preto. – E esse é Luke. – Ele apontou para o loiro.

– Prazer em te conhecer Elizabeth. – Alicie me abraçou e me deu um beijo no rosto, logo retribui o gesto. – Minha mãe falou bastante de você. – Eu imagino, já que a mãe dela parece falar demais.

– Seja bem vinda ao Colégio baixinha. – Eu não gostei desse apelido, “baixinha”, eu sei que sou, mas não precisa ficar jogando na cara. – Eu sou Leo e espero nos dar bem. – Ele deu um sorriso malicioso, que medo, não gostei desse Leo.

– Bem... Eu sou Luke, prazer em te conhecer Elizabeth. – Ele parece ser bem tímido, ao contrário do irmão.

– Prazer em conhecer todos vocês. – Eu disse depois de todos se apresentarem. – Agora preciso ir se me derem licença. – Eu tentei parecer educada, acho que não funcionou, não quero papo com ninguém e essa frase minha soou um tanto quanto ignorante.

– Já disse para não me ignorar Liz. – Lá vem ele de novo atrás de mim, ele não cansa não? – Vamos juntos para a sala. – Eu suspirei, ele realmente não cansa.

– Olha, não quero parecer ser ignorante, mas já sendo, eu não quero amigos, só quero ficar sozinha, está bem? – Eu virei para ele e ele parece não ter entendido já que começou a sorrir.

–Não está nada bem, eu já te considero minha amiga e não vou parar de te seguir, então é melhor você parar de tentar me afastar. – Ele apertou minha bochecha e me puxou para a sala, esse garoto não bate bem da cabeça, só pode.

– Idiota. – Eu sussurrei e ele parece não ter escutado já que continua a sorrir.

– Eu sei, mas um idiota do bem. – Ele escutou e não ficou chateado, ele não é normal.

Já está quase no horário do intervalo e o Michael fez questão de sentar ao meu lado, ele ficou me fazendo perguntas estúpidas o tempo todo, e claro, ele levava bastante bronca dos professores por não ficar quieto e não prestar atenção na aula. O sinal bateu, ainda bem, não aguento mais escutar o Michael.

– Venha Liz. – De novo não, ele me puxou e me levou para perto dos amigos que me apresentou no horário da entrada. – Olá pessoal. – Ele se sentou e me puxou para sentar ao lado dele, mesmo contra a minha vontade, eu não podia fazer nada, ele era mais forte que eu. – Não se sintam intimidados pela personalidade da Liz, ela é bastante marrenta e ignorante, mas ela tem um bom coração e sei que vocês se darão bem com ela. – Ele nem me conhece e já está falando coisas sobre mim, menino estranho.

– Tudo bem, eu gostei desse jeitinho dela. – Leo deu uma piscada para mim, ele me assusta.

– Não assuste ela desse jeito seu idiota. – Luke deu uma cotovelada nele. – Não precisa ficar com medo dele Elizabeth, ele é desse tamanho e parece assustador, mas na verdade ele não mata nem uma mosca.

– É verdade, ele não mata, mas cuidado com essas cantadas fajutas. – Alicie começou a me aconselhar para tomar bastante cuidado, ela me falou várias coisas enquanto Leo tentava a fazer parar e o Michael e o Luke só riam da reação dele e das caretas que eu fazia a escutar certas coisas.

Depois de me contarem tudo sobre o Leo eu fiquei mais calma, ele não era tão ruim, mas eu vou tomar mais cuidado de agora em diante, a fama dele de que pega todas não me deixou tão calma assim. O sinal indicando o fim do intervalo logo tocou e eu voltei para a sala com um Michael rindo logo atrás de mim, não é para menos, eu praticamente virei o Flash quando o sinal tocou me levantei rápido e fui em direção à sala, ele deve estar pensando que estou com medo do Leo, mas na verdade eu queria ficar sozinha, tentei ser mais rápida que ele, mas ele sempre me alcançava, até então que eu desisti.

– Não corra de mim Liz, eu não mordo. – Ele correu atrás de mim enquanto ria.

O resto da aula foi resumido em Michael tentando chamar minha atenção de todas as maneiras possíveis e eu o ignorando. Ainda bem que o horário de ir embora estava bem próximo. Foi bastante difícil distrair Michael com outra coisa para eu ir embora, ele não largava do meu pé, quando consegui saí correndo e quando cheguei em casa abri a porta rapidamente e fechei com medo que ele pudesse ter me seguido.

– Lizzy? Porque está correndo? – Minha mãe apareceu na sala com uma colher de pau na mão, ela deve estar preparando o almoço.

– Eu não aguento mais escutar o Michael, como ele pode falar tanto? Amanhã vou encher meu ouvido de algodão e tentar me disfarçar de algo, ele não me deixa em paz. – Eu já estava sentada na escada reclamando do Michael.

– Ele é assim mesmo, logo você vai se acostumar, esse jeitinho dele o deixa mais encantador ainda, não concorda? – Ela começou a sorrir com os olhos brilhando, ela não é normal também, estou cercada por doidos.

– Não concordo, ele não é encantador, ele é insuportável. – Eu disse bufando indo em direção ao meu quarto.

– Você logo vai mudar de opinião, não demore a descer, o almoço já está quase pronto. – Ela disse enquanto ia mexer nas panelas, pelo grito que ela deu quando chegou à cozinha eu acho que algo deve ter queimado.

Eu coloquei um vestido rosa claro e uma sandália, eu acho que vou sair para tomar um ar e conhecer o bairro logo após o almoço. Quando cheguei na cozinha tinha uma panela bastante estranha com algo dentro que eu não quero saber, e estava fedendo queimado.

– O que aconteceu? – Eu disse enquanto me afastava daquela panela nada convidativa.

– Eu deixei o arroz torrar enquanto falava com você, e agora eu não consigo limpar minha panela favorita. – Ela parecia que iria chorar a qualquer momento, quanto exagero, é só uma panela.

– Você pode comprar uma panela igual mãe. – Eu tentei consolar ela, e funcionou.

– Certo, irei comprar outra panela hoje mesmo. – Ela se animou tanto, como ela pode ter uma panela favorita? Eu não entendo minha mãe.

Nós almoçamos enquanto ela me contava o passado da panela, esse negócio de panela está me irritando, mas não vou dizer nada. Assim que terminei meu almoço eu me despedi dela e disse que iria sair para tomar um ar, e ela gostou da ideia, quase veio junto, aí ela se lembrou de que precisava ir comprar a panela. Estou sentada em um banco do parque olhando os casais e as famílias fazendo piquenique, parece ser legal, mas eu não queria fazer algo assim.

– Max. – Eu escutei uma voz um tanto quanto familiar gritando, eu não tive tempo de olhar para ver quem era, porque um cachorro gigante pulou em cima de mim me derrubando. – Desculpe pelo Max, ele nunca fez isso antes, ele deve ter gostado de você. – O garoto me ajudou a levantar, aquele cachorro estava tentando me derrubar de novo, socorro.

– Michael? – Agora que percebi que era Michael o dono do cachorro, só pode ser brincadeira, até depois da escola eu preciso encontrar essa criatura? – O que está fazendo aqui?

– Oi Liz, não sabia que era você, eu estava passeando com o Max. – E lá vem ele com esse sorriso novamente, eu fico pensando como que a bochecha dele não dói por sorrir tanto. – E você, o que veio fazer aqui?

– Eu sai para tomar um ar e ficar em paz, até seu cachorro maluco e gigante me derrubar. – Ele achou graça do que falei e caiu na gargalhada. – O que é tão engraçado? – Eu estava com uma expressão nada boa.

– O Max não age assim naturalmente, acho que deve ser por isso que o cachorro é o melhor amigo do homem, ele gosta de você assim como eu, legal né? – “Gosta”, eu não sei o que ele viu em mim, sou toda problemática e ignorante.

– Não, não é nada legal, já basta você e agora tem esse cachorro que também vai me encher. – Eu fui bastante ignorante, mas ele nem ligou.

– Agora não estou mais sozinho na minha missão de conquistar a Liz, agora tenho você como companheiro amigão. – Ele estava falando com um cachorro, sim, um cachorro, não acredito, quero ir embora.

– Dá para você não conversar com um cachorro? Isso é ridículo. – Não era tão ridículo, mas as pessoas estavam olhando para cá, e eu odeio chamar atenção.

– Certo, certo. – Ele riu quando viu que eu estava constrangida e soltou o Max que logo se distanciou de nós. – Venha, vou te mostrar uma coisa.

– Eu não quero ir. – Ele me ignorou completamente.

– Olá Bill. – Ele cumprimentou o rapaz da sorveteria. – Me dê dois sorvetes de menta. – Ele pagou o sorvete enquanto se despedia do rapaz. – Toma, esse é seu. – Ele me deu um dos sorvetes.

– Eu não quero, mas como você já pagou eu vou aceitar. – Recusar que eu não ia, era meu sorvete favorito, mas eu não ia dar esse gostinho de aceitar numa boa ao Michael, preciso manter minha pose de malvada e ignorante.

– Ok. – Ele riu quando viu que fiquei constrangida.

– Posso ir embora agora? – Eu não quero ficar aqui no parque com o Michael.

– Não, eu te paguei um sorvete e você quer ir embora? Liz sua ingrata, me deve pelo menos um pouco de atenção. – Lá vem ele de novo inflando a bochecha de modo infantil.

– Eu não te devo nada, você comprou o sorvete por livre e espontânea vontade, eu quer... – Ele não deixou eu terminar de falar, eu não acredito que ele fez isso, vou matar o Michael, ele esfregou sorvete no meu nariz. – Não acredito que você fez isso. – O desgraçado só ria da minha careta, que ódio do Michael, mas não vou deixar isso passar assim sem nem descontar. – Michael. – Quando ele olhou para mim eu esfreguei meu sorvete na testa dele.

– Você é bastante vingativa. – Ele continuava rindo, como ele não ficou com raiva? Eu estou com tanta raiva que vou explodir a qualquer momento.

– Sim, eu sou e agora vou embora. – Engano meu, ele me pegou no colo e foi em direção à fonte do parque. – Você não seria capaz de fazer isso. – Eu não deveria duvidar desse maluco, estou ensopada. – Idiota. – Eu gritei e puxei-o, eu não iria o deixar sair ileso, agora estávamos os dois adolescentes idiotas ensopados no meio do parque.

– Você tinha que ter visto sua cara quando te derrubei na fonte. – Ele não parava de rir. – Eu não sabia que você tinha expressões tão legais, acho que vou me divertir muito esse ano. – Ele me olhou enquanto falava aquilo, estou tão corada, acho que ele percebeu. – Não fique corada, foi no sentido inocente sua pervertida.

– Eu não sou pervertida. – Porque eu fui gritar isso mesmo? Estão todos me olhando, agora sim eu vou ser taxada de pervertida.

– Certo, não vou te chamar de pervertida mais. – Ele estava quase engasgando de rir por causa do meu constrangimento.

– Obrigada, agora preciso ir, tchau. – Porque eu estava sendo educada? Eu não sei.

– Certo, até amanhã Liz. – Ele me abraçou e foi embora e eu aqui parada que nem uma estatua observando ele ir embora.

Cheguei em casa dez minutos depois morrendo de vergonha, no caminho para casa estavam todos me olhando, não é para menos né, eu estava ensopada e hoje nem choveu.

– O que aconteceu com você Lizzy? – Minha mãe estava com uma careta de espanto.

– Michael aconteceu mamãe, eu irei matar aquele garoto. – Eu subi as escadas e deixei minha mãe para trás enquanto ela rolava de rir de mim.

Quando era 20h00 minha mãe me chamou para jantar, mas eu não quis comer e fiquei no meu quarto, eu estou planejando o meu disfarce para não ser reconhecida pelo Michael amanhã. Enquanto pensava nisso eu dormi, pelo menos não chorei e não me lembrei de coisas que quero esquecer, mas os pesadelos não me abandonaram.

~x~

Notas finais
Gostaram? ;3; Espero que continuem acompanhando a Lizzy e o Michael, vai ter bastante coisas acontecendo entre eles daqui pra frente.