Learning To Love - Aprendendo a Amar

11 Baby Close Your Eyes ( parte I)


Notas iniciais
Antes de mais nada, não. Isso aqui não é uma miragem. Definitivamente...Não!! *Só espero ainda ter leitores*

Desculpem pela demora estou passando por um momento muito complicado em minha vida. Tive que me abdicar de algumas coisas para me dedicar a outras, mas enfim...São minhas prioridades sempre.
Mas não vou me aprofundar no quanto minha vida esta horrível e cheia de problemas não. Não quero começar a chorar. rs

PS: ¹ Não estou entrando no nyah! Apesar que algumas pessoas afirmam isso, através de mp. Provavelmente alguém que tem minha senha esta entrando. Não entro aqui a eras...mas vou responder a todos.

² O meu twitter foi suspenso. Acabei de ver, e nem sei pq car***** foi.

Enfim...Se alguém ler LTL me deixem saber.

=}

Baby Close Your Eyes ( parte I)

“Saudade é não saber. Não saber o que fazer com os dias que ficaram mais compridos, não saber como encontrar tarefas que lhe cessem o pensamento, não saber como frear as lágrimas diante de uma música, não saber como vencer a dor de um silêncio que nada preenche.”

(Martha Medeiros)

Eu tinha plena consciência de que estava em um sonho- ou talvez eu tivesse morrido e assim como os que passaram por essa experiência tenha visto como seria o outro lado- mas esse não era como nos filmes em que sempre tem nuvens de fumaça e luzes que piscavam.

-Bella?! Bella querida… — procurei pelo som de sua voz, mas não estava em nenhum lugar.

Olhei em volta e me dei conta da campina em que estava.

Eu estava deitada em algum campo. Parecia à clareira que a minha mãe sempre me falava. Ela dizia que namorava ali com meu pai.

Estava ali sozinha deitada com as mãos cruzadas na barriga. À relva verde me servia de colchão, o sol estava em seu ponto alto e uma brisa refrescante rondava o lugar. Sentia-me tão bem ali, me trazia uma paz tão grande, que por um momento não existia mais dor e sofrimento em minha vida. Era como se nada tivesse acontecido, ou como se aquela calmaria aplacasse minha tristeza.

-Princesa?! – Ouvir a voz que tanto conhecia, enchia meu coração de alegria.

-Meu bebê é uma mulher!

A voz estava cada vez mais perto de mim, só que eu não conseguia vê-la.

-Mamãe é você?! Estou sentido a sua falta, aparece para mim, por favor!

Minha voz saia estrangulada, tinha um enorme nó em minha garganta.

-Por favor, princesa não chore, eu estou aqui. – e na expectativa de vê-la,

Corri pela relva verde que tocava os meus pés descalços fazendo-me cócegas por onde quer que eu caminhasse – consequentemente me dando vontade de rir, e só esse ato, o de rir minha própria risada me parecia tão diferente aos meus ouvidos — o vento tocava em minha pele me trazendo o frescor da calmaria.

-Oh filha...Por que você fez isso? –mamãe olhava para mim piedosamente. Os seus lindos orbes azuis me encaravam com ternura e dor.

Eu causei dor a minha mãe? Oh... Eu não quero causar-lhe dor. Eu odiava vê-la tão triste.

-Mamãe... – chamei-a exultante.

O que quer que eu tenha feito para ter lhe infligido àquela dor – em seus olhos e pelo som de sua melodiosa voz- faria qualquer coisa para se dizimá-la imediatamente.

-Mamãe?! – chamei-a desesperadamente. Será que eu estava ficando louca?

-Querida! Oh...Minha menininha. – sorriu, tristemente, mas ainda assim sorriu.

Em sua candura, mamãe vestia um vestido esvoaçante azul bebê, ela estava mais linda do que todos os outros dias.

-Você voltou mamãe... Você voltou! – corri até onde ela estava, mas tudo se desfez como uma nuvem de fumaça.

-Mamãe? – minha voz não passava de uma voz chorosa. –Sinto sua falta...

Tudo continuava em um silencio avassalador. O eco de minha voz soava por todos os lados.

-Eu me sinto sozinha. Sem você e o papai nada mais em minha vida faz sentido. Eu...Eu só queria vocês de volta, mas o que eu posso fazer?! Eu era tão feliz... Sinto como se vocês ainda estivessem ao meu lado, mas logo em seguida me dou conta que tudo não passa de ilusão de minha mente travessa.

Tudo continuava em silêncio. Andei a esmo, sem ter ao certo aonde ir. Me Senti uma insana, mas falei o que eu tinha guardado em meu peito.

-Estou sozinha! Sem rumo. Por que vocês tiveram que partir? O papai e você me prometeram nunca me abandonar, mas não é isso que fizeram.

Meu choro sentido foi levado em forma de soluço por todo o ambiente.

-Que prova é essa que tenho que cumprir?! Eu sou só uma menina, mas se de algum modo fui uma completa decepção para vocês, me perdoem, não fiz nada por mal.

Um sopro de vento chicoteou o meu rosto frio e posso até jurar que um broto de sorriso pintou em meus lábios.

-Mamãe...

- Querida na vida, todos nós temos uma missão. – longe de me assustar, sua voz doce me trouxe calma. — A missão de proteger alguém, mudar alguém, ou nascemos simplesmente para salvar alguém. No decorrer de sua trajetória, você verá anjo que nada foi em vão. Tudo o que acontece é da permissão de Deus. Portanto nenhuma folha cai de uma árvore sem que já não tenha sua missão para que seja cumprida, seja ela para enfeitar a rua que passamos — são tão adoráveis no outono- ou então para dar oportunidade a folhas novas surgirem. No decorrer do caminho da vida, passamos por coisas que nos fazem crescer. E isso é uma dádiva. Pense em que caminho seguir, siga seu coração Bella. E ai sua missão será cumprida. A mamãe te ama Bella.

-Por que, esta falando isso mamãe?!

-Escute o seu coração e saberás... Agora preciso ir. Descanse filha, o seu bebê precisa disso.

-Eu não tenho sono e nem quero que você vá. – falei fazendo birra. Isso era tão infantil que chegava a ser patético.

Isso era só um sonho. Apenas um sonho.

-Mamãe vai cantar para você dormir. Tudo bem?

E assim do nada, Renée entoou a canção que sempre cantava para que eu pudesse dormir quando estava assustada. Sem despedidas, sem toques –me parecia tão longe de minhas mãos, mas tão perto- sem palavras.

Talvez em algum lugar no silêncio

Você possa acordar e estar sozinho

Apenas grite e eu vou esta lá

Mesmo quando eu não estiver

Cada dia vai terminar

Então eu vou dizer boa noite

Até a gente se encontrar de novo...

Acordei sentindo o cheiro forte que o éter exercia em minhas narinas. Tentei levantar, mas uma fisgada em meu braço não permitiu.

Senti meus pesados olhos focando-se no acesso de minha veia e fiz uma careta de desgosto olhando ao meu redor.

-Finalmente a Bella adormecida acordou. – murmurou Esme ao meu lado da cama de hospital cheia de sarcasmo. Seu rosto estava inchado, assim como os seus olhos. Com certeza ela chorara e eu fui à única causadora disso. -Sabia bem onde estava, lembrava-me do desespero que Edward me carregou trazendo-me para o hospital e gritando com Deus e o mundo para que eu fosse imediatamente atendida. — pelo seu tom de voz e o olhar inquiridor ela já sabia de tudo. Senti uma leve pontada de desespero – por estar ali sozinha com ela- e por ela saber de minha atual ou antiga situação.

Instintivamente levei minha mão- livre do acesso- até meu ventre, sem saber ao certo porque.

- Como esta se sentindo? – perguntou, mas parecia não querer saber realmente. Seu rosto estava terrivelmente sério, como nunca vira antes. Esme sempre estava com um sorriso estampado no rosto, mas dessa vez seu sorriso nunca viria, porque eu ferir de algum modo seu orgulho.

-Oi vovó. Eu...Eu não sei como me sinto. – sussurrei fracamente. Minha garganta estava seca e os meus olhos pesados. Todo o meu corpo doía.

Eu queria dormir mais um pouco, sentia que minha mente pedia por descanso. Meus olhos fechavam sem minha ordem, até ouvir a voz dura de, Esme.

-Grávida, Bella...Grávida! Por Deus! – levantou as mãos e as levaram para a boca, como se estivesse proferido ou invocando demônios.

-Pois é... – murmurei amarga.

-Por que escondeu algo tão grande de nós e fez uma barbárie dessas, Isabella? Meu filho deve estar sofrendo onde quer que esteja. Por que ser estúpida desse jeito? Que decepção, Isabella, você não sabe a vergonha que eu estou sentindo. Minha ÚNICA neta que eu tinha planos para seu futuro promissor, foi estúpida o suficiente para querer matar um ser inocente, eu sempre tive orgulho de falar para as minhas amigas da paróquia que a minha neta era uma menina responsável e agora isso. Ah, Isabella... – se lamuriou.

-Vó eu não tive culpa. – me defendi.

-COMO NÃO...- respirou fundo tentando se acalmar. A carranca que ela estava era de descontrolada. –Como você diz que não tem culpa? Isabella é uma vida.

Fiquei calada sentindo as famosas náuseas me tomando por completo. Meus olhos se encheram de lágrimas e minha vontade era gritar por Edward.

Eu o queria. Ele deveria estar com muita raiva de mim por não estar ao meu lado, mas eu precisava dele. Por Deus, eu não podia perdê-lo também, eu já perdi tudo o que mais amava na vida se não o mais tivesse, qual meu motivo para viver?!

-O Edward foi ajeitar umas coisas na casa de seus pais. – ela lia mentes?! – Você vai comigo para, Forks amanhã.

-Mas... – eu tentei argumentar, mas não me foi permitido.

-Sem mas, ou meio mas, você não tem mais ninguém aqui. Seu tio esta de férias e vai conosco, mas ele poderá voltar para Montesano quando quiser, contudo a senhorita ficara conosco na fazenda.

-Eu não quero ir para Forks. Não quero sair da casa de meus pais. – sabia que de certo modo estava agindo como uma menininha mimada a qual o doce não era lhe permitido antes do jantar, contudo aquela era a minha vida, ou o restante dela que estávamos falando.

Mais uma vez, não me era permitindo o poder da escolha.

Duas batidas na porta avisaram que alguém entraria e, Esme por educação, parou de falar e sorriu discretamente para o homem de jaleco branco que sorria em minha direção.

-E então Isabella, como se sente? Sou Alec o ginecologista que te atendeu quando você foi encaminhada à emergência.

Ele sorriu escrevendo algo em sua prancheta e averiguando o meu soro.

-Bem. – lhe respondi.

-O bebê não sofreu nenhum dano grave. Como eu já havia explicado. – ele olhou para, Esme e ela assentiu então conclui, que ele já havia detalhado tudo sobre meu estado a ela. — mas você precisa muito de repouso, perdeu sangue, me parecia no limite, então lhe sedamos e você dormiu pouco mais de vinte quatro horas. Precisamos ainda fazer alguns exames para saber se o feto não teve nenhuma lesão, mas o saco gestacional esta intacto. – continuou, olhando para os exames. – Bom...Já estamos perto da hora do almoço. –Falou averiguando o relógio. – A senhora pode solicitar. Garanto que sua neta deve estar morta de fome.

Doutor Alec sorriu gentilmente e eu o retribui. Esme saiu do quarto me deixando sozinha com aquele homem, embora eu soubesse que ele não tentaria nada, foi inevitável não ficar temerosa.

Meu corpo se retesou com sua aproximação e o jovem médico pareceu confuso ao ver meu olhar de pânico.

-Isabella...

-Bella.

-Como? – perguntou encarando-me em confusão.

-Pode me chamar de Bella... Todos me chamam assim. – sussurrei, mas foi o suficiente para que ele ouvisse.

O meu médico sorriu minimamente e assentiu entendendo como eu gostaria de ser chamada.

-Você tem quinze anos não é?! Pelo menos é isso que sua ficha me diz.

Assenti.

-Muito menina...- sussurrou baixinho, apenas para ele, mas meus ouvidos estavam aguçados e o silêncio era tão violento que eu mesmo assim consegui ouvir. –Sabe quantos riscos correu? Você tentou cometer um aborto em casa. Sabe o quanto isso é ariscado? – aquela palavra – aborto- nunca me parecera tão pesada como agora. – Você poderia ter morrido.

E eu pedi baixinho para o que ele dissera tivesse acontecido.

-Você poderia ter uma grave hemorragia, se não fosse por seu tio que chegou aqui desesperado... Endometrite, Histerectomia entre outras coisas que poderia ter acontecido com você... Ou poderia até ter morrido por uma inconsequência e falta de diálogo.

Assustei-me um pouco pelo jeito que ele estava falando comigo, mas logo em seguida seus olhos se suavizaram.

-Bom, Bella. Sei que o que eu vou perguntar não é de minha conta, mas como SEU médico, pelo menos no momento, eu tenho que perguntar. – ele coçou a barba rala me olhando sem jeito.

Puxei o lençol que cobria minhas pernas para os meus seios, tentando não me deixar mais constrangida com a fina vestimenta do hospital.

-Bella, perdoe-me por perguntar, mas isso é de suma importância, sim? – assenti. – Você sofreu algum tipo de abuso?- perguntou em um único fôlego.

Senti minha mente girar e o meu peito se contrair, a simples alusão ao que eu passei, me doía e me roubava o ar. Todas as desgraças de minha vida começaram naquele maldito dia.

Ninguém nesse mundo merece ter o seu corpo violado. Ninguém merece tal humilhação. Ninguém merece ter todos os seus sonhos reduzidos a pó. Ninguém merece se sentir sozinho – porque simplesmente não dar para se confiar de uma hora para a outra. Ninguém merece guarda mágoas quando no fundo você é apenas uma menina assustada, que no final da noite quer correr para os braços de seus pais apenas para se sentir segura, protegida e amada. Eu odiava lembrar que eu não tinha mais ninguém, que apesar de ter o Edward ao meu lado eu me sentia só e insegura – já que ele não sabia da verdade-. A única que sabia, com toda a certeza do mundo deve ter entrado na maior fria por ter me ajudado, Alice.

Mais cedo ou mais tarde ele descobriria que eu não era uma boa garota. Que afinal, o Mike abusou de mim porque eu dei margem para seu ato sujo e grotesco. Se eu não o tivesse acompanhado até o carro... Deus como eu sou uma idiota.

Assenti, com os olhos embaçados, querendo transbordar a água que ali se acumulava. Baixei os olhos encarando o lençol branco que me cobria e eu não queria que ele me visse tão vulnerável e quebrada. Eu queria expulsar os fatos de minha mente, mas simplesmente não conseguia.

O lençol me era atrativo naquele momento.

-Hm...Eu suponho que você e sua família o denunciaram. Você o denunciou não é Bella? – sua voz era firme, quase beirando à apreensão. Vi quando seus pés saíram do lugar e se aproximaram, não fiz menção de levantar a cabeça e encará-lo, me sentia o pior dos seres humanos. Eu me sentia suja.

-Oh...Entendi tudo. – falou com pesar. Não vi sua expressão, não tive coragem o suficiente para isso. – Depois do seu almoço eu passo aqui para mais um exame e dependendo do resultado a liberarei. Mas antes terei que comunicar o ocorrido ao conselho do hospital.

Assenti sem saber ao certo se ele me olhava.

-Ah... Uma psicóloga ou assistente social virá falar com você.

Só levantei o rosto depois que vi seus pés seguirem até a porta e ela bater.

Suspirei de alívio –apesar de não gostar mais de ficar sozinha. Era triste saber que outra pessoa sabia – fora Alice- de algo que matou meus sentimentos e me sufocava dia após dia e me enegrecia por dentro.

-Bella, seu almoço. – Entrou Esme acompanhada de uma enfermeira que empurrava um carrinho.

Obriguei-me a comer tudo o que havia ali – de ensosso e ralo – mas eu estava faminta. Não sabia precisar as horas e quanto tempo eu fiquei sem me alimentar, mas eu me sentia estranhamente faminta. Talvez toda a aquela coisa que mamãe sempre dizia sobre grávidas – a tia, Rose – sentir fome, porque além de estar se alimentando por dois a ansiedade e os hormônios controlavam uma gestação.

-O médico disse que você e o bebê estão bem. Talvez ele te dê alta hoje, então amanhã partiremos para Forks. – disse depois de minutos ou horas intermináveis de silêncio desconfortável.

-Por que eu não posso ficar? – murmurei desesperadamente. Eu não queria ir.

-Por que você não pode ficar? – perguntou retoricamente, fuzilando-me com o olhar. – Porque, você esta grávida e já tentou um aborto e Deus sabe-se lá o que você tentará novamente. Porque o seus pais infelizmente morreram em um acidente abruptamente, porque você ainda vai fazer 16 anos, porque eu sou a sua tutora legal, porque você é uma adolescente inconsequente. Tenho várias coisas para acrescentar a lista vai querer ouvir ainda Isabella?

Esme não era uma pessoa muito amorosa, mas ela podia pelo menos me dar um pouco de carinho, ao invés de acusar-me de coisas que ela não sabe.

-Quem é o pai? Algum namoradinho seu? Renée te dava muita liberdade.

Senti meu rosto queimar, não de vergonha e sim de raiva. Ninguém nesse mundo tinha o direito de falar mal de Renée que sempre foi uma mãe carinhosa e extremamente cuidadosa.

-Eu...Eu... – eu queria contar-lhe sobre esse ‘pai’ desta criança, mas não era justo contar logo a quem estava me julgando e falando mal de quem nem presente estava mais.

Eu queria livrar-me do fardo que é manter um segredo tão aterrorizante para mim, só que ao mesmo tempo o medo de ser apontada na rua por pessoas diferentes e por diversas formas – culpada ou não culpada- me enlouquecia e só esse simples fato para somar na equação fazia-me cada vez mais aceitar o que me era destinado e levar isso comigo até o túmulo à única coisa em que eu tinha certeza era que eu não queria aquela criança comigo. Fazer um aborto estava fora de questão e de certa forma eu estava aliviada que o meu ato não o prejudicou. Isso era contundente.

Só em pensar no ‘pai’ da criança, náuseas violentas me tomavam, fazendo-me respirar um par de vezes para não vomitar nos pés de Esme que me encarava com seriedade.

-Eu o que, Bella?

-Nada Vó, só estou cansada. – olhei para os lados procurando meu celular querendo me distrair com algo e me comunicar com Edward – que deveria estar muito chateado comigo- e Alice.

-O que esta procurando? – Esme seguiu meu olhar com o seu.

-Meu ...celular.

Elegantemente – como sempre – vovó abaixou-se um pouco, abrindo a gaveta de meu criado-mudo e me entregou o aparelho com o case chamativo.

-Vou até a lanchonete tomar um café e comer alguma coisa. – murmurou em um tom cansado e eu me amaldiçoei por trazer mais um transtorno na vida de minha família. -Volto logo, você tem outra ultrassonografia para logo mais.

-Eu já...Tinha feito alguma? – franzi o cenho. Eu não me lembrava de absolutamente nada desde que dera entrada no hospital.

-Sim. – Esme sorriu, um sorriso que a muito não via. Parecia até contente por ter um bisneto, se eu não a conhecesse o suficiente para saber que a decepção estava mais do que estampada em seu olhar. – esta tudo em perfeita ordem ai dentro e espero que permaneça assim. Volto logo.

Assenti.

~Bella, estou me sentindo tão culpada! Por favor, assim que receber essa mensagem me ligue~ AB.

Li a mensagem assim que liguei o meu celular, fora as inúmeras chamadas perdidas de Jacob e Alice.

Resolvi lhe responder e tirá-la do calvário da culpa. Alice estava isenta de qualquer dolo, a única coisa que Alice queria fazer era me ajudar. Eu sabia disso. Por esse motivo senti uma pontada em meu peito sabendo que agora, minha melhor amiga estava se sentindo culpada por algo que ela fora contra desde o começo.

~Eu n estou nada bem. Esme quer me levar pra, Forks. O q eu posso fazer? Te amo, Lice ~ BC.

Joguei minha cabeça no travesseiro e suspirei. A solidão não era algo que eu gostava, a solidão te arrasta, massacra e destroça. A solidão te dar a nítida consciência de que você esta sozinho. Não de um modo figurado, mas sozinho...O quarto cria quilômetros de distancia, o vento assopra mais forte, a escuridão é mais intensa... E a única voz que você consegue ouvir é a sua consciência dizendo-lhe que você esta sozinho. Que você não tem mais ninguém no mundo, de que as únicas pessoas que te restam, provavelmente estão, ou te odiando ou decepcionadas demais. E de certo modo era verdade...

~Bellota, n posso ir até o hospital. Senhora Brandon me proibiu sair de casa ;/. Estou preocupada e com o

~Talvez eu tenha alta hoje, qualquer coisa te ligo e vc me encontra lá. Bjs... ~BC.

Logo em seguida o celular vibrou em minhas mãos. Outra mensagem de, Alice.

~Manda uma mensagem pro, Jake. Ele já esta parindo gêmeos de tanta preocupação. Te Amo. ~AB.

Rolei os olhos e sorri. Como eu amava aqueles dois loucos e exagerados amigos.

Desisti de enviar mensagem para Jacob quando Esme chegou ao quarto com um enorme sorriso no rosto.

E quando o doutor Alec chegou em meu campo de visão eu entendi o que era. Fui encaminhada para uma sala de ultrassonografia para ver como está o feto.

No começo ela ficou rígida como uma estátua, mas ao ver a mancha no aparelho chorou. Chorava e sorria ao mesmo tempo, bom... Eu não conseguia olhar para o aparelho, mas o sorriso de Esme denunciava o quanto à mancha estava bem.

-Dá para acreditar que serei bisavó? – perguntou ao doutor Alec com euforia.

-Não! Se a senhora não me dissesse que era avó de Bella eu diria que era sua mãe.

O sorriso de minha vó se ampliou. Era verdade! Esme não tinha cara de avó e quiçá bisavó, ela era jovem continha em seu rosto, poucas linhas de expressão. Ela sempre dizia para todos que o segredo de sua juventude era o clima de forks. Mamãe dizia o mesmo.

O médico falava todos os parâmetros do feto enquanto eu admirava a parede excessivamente branca. O jeito que ele apertava o aparelhinho em minha barriga incomodava, mas preferi me abster.

-O feto tem 1.6 cm e um pouco mais de 1 grama. – comentou ainda com os olhos na tela.

Olhei para o meu dedo da mão direito mecanicamente imaginando se o feto teria o tamanho do meu polegar.

Só me dei conta que o médico olhava para mim, quando sua voz polida soou em meus ouvidos.

-Como o seu polegar é pequeno...Sim, ele é desse tamanho. – assenti.

-E o coração? Podemos ouvir? – Esme quase dava pulinhos próximo a maca, fazendo o médico sorrir.

-Sim, Dona Esme. Vovó e mamãe querem ouvir?

Não respondi.

-Claro. – ela respondeu por mim, com um entusiasmo desconhecido.

Mais uma vez um aparelho estranho posou em minha barriga. Dessa vez um barulho descompassado e muito alto ecoou pelo ambiente deixando-me sobressaltada.

-É normal? – perguntei. E até eu mesma me assustei com minha pergunta, porque desde então eu me mantinha apática e sem querer saber da pequena mancha.

-Sim, é normal o coração ser acelerado.

-Por quê? – Esme, perguntou por mim. – quando tive meus três filhos não tinha toda essa tecnologia. – falou atropeladamente.

-Isso acontece porque o pulmão do bebê só começa a funcionar e a oxigenar o sangue depois do nascimento. Por esse motivo bombeia rápido. Para ter uma ideia, seu coração Bella, bate mais ou menos 70 ou 80 vezes por minuto enquanto do feto bate em cerca de 120 a 190 vezes por minutos. Isso daria quase o dobro.

Isso era estranho, mas dei de ombros, aquela conversa não me interessava.

Para mim, não me dizia respeito. Eu era uma mera espectadora naquele momento.

...

Enquanto esperava a psicóloga em meu quarto lia o resultado da ultrassonografia e encarava a cópia de sua “foto” para tentar entender algo ali, para mim ali não passavam de manchas cinza. Apenas isso.

Saco gestacional — 27mm x 17mm x 29mm — média 24,3 mm

Batimentos cardíacos — 160 bpm

Comprimento cabeça-nádega — 15mm

Vesícula vitelina normal — 5,3mm

Placenta — provável sitio corporal posterior

Okay, eu não entendia nada daquilo, mas antes ler o que não me interessava e o que não entendia a ver os olhos interrogativos e acusadores de minha avó.

Quando a doutora Brianna veio até minha sala conversar comigo, me retrai muito no começo, mas sua conversa leve e entusiasmada quase me fez dizer tudo o que houve em minha vida. Disse sobre tudo o que estava passando, mas não confirmei o caso de abuso.

Ela me explicou que se eu quisesse fazer o aborto teria que fazer da maneira correta, indo até os meus responsáveis e ido até o hospital. Mas claro que meus loucos hormônios responderam por mim e comecei a chorar que nem uma louca.

Depois de mais uma hora de conversa me sentir mais calma, com um peso mais leve em meus ombros. Pensei em lhe contar sobre o meu “namoro” com Edward, mas o medo falou mais alto. Ele era meu tio e eu uma sobrinha problema, não queria que ele tivesse qualquer tipo de dissabor e problemas com a justiça, porque se ela soubesse certamente lhe denunciaria. Eu morreria caso ele viesse sofrer as consequências de nosso amor.

E pensar nele fazia meu coração se contrair. Desde que eu acordara nem sinal dele, por certo neste momento ele estaria me odiando e encontrando conforto nos braços da ruiva. Sem a minha permissão as lágrimas pinicaram meus olhos, estava sendo tudo tão difícil para mim.

-Está sentindo algo Bella? – perguntou vovó entrando de mansinho no quarto. – pensei que estivesse dormindo já que doutora Brianna me disse que estava descansando.

-Nada. Eu estou cansada, mas não consigo dormir.

-Se não fossemos sair daqui eu pediria algum remédio para você, mas se estiver sentindo algo eu corro agora para as enfermeiras e digo. – a preocupação dela era palpável.

-Eu estou bem, vó.

-Que bom querida. Ah... Seu avô ligou, ele e Rose já estão preparando o seu quarto. – caminhou até a poltrona e sentou-se confortavelmente folheando uma revista qualquer sobre famosos. -Mandou imensos beijos, e apesar de decepcionando- ressaltou.- disse quer a bonequinha dele logo por perto. — rolou os olhos.

Assenti sem saber ao certo o que dizer.

-Vó?

-Sim, meu bem? – seus olhos eram tão lindos quanto os de Edward.

-Por que, o meu tio não veio me ver? – perguntei magoada.

Ajeitei-me melhor na cama e voltei a encará-la.

-Bella, seu tio esteve com você todo esse tempo. Não o critique.

-Não estou fazendo isso. É só...É só que ele nem me ligou.

-Edward esteve aqui até hoje pela amanhã, Bella. Preocupado com você, mas ele teve que resolver alguns problemas na escola, arrumar algumas coisas para a nossa viagem e pendências com a casa.

-Que pendências? – exclamei curiosa.

-São três meses de férias de verão querida. A casa não pode ficar abandonada.

-Mas...Mas vocês não vão vender minha casa não é? – eu estava visivelmente com medo da resposta. Aquela casa era tudo o que eu tinha, era muito mais do que dinheiro, eram as lembranças que estavam impregnadas em cada canto.

-Nunca. – Vovó fungou um pouco, talvez sentindo o mesmo que eu. – Aquela casa para mim é intocável. Foi o esforço de seus pais que ainda jovens lutaram por ela. Você não sabe o orgulho que senti quando o seu pai, nos ligou dizendo que tinha comprando uma casa e quando eu a vi soube o quanto honrado era meu filho, por ser tão jovem e assumir uma responsabilidade tão grandiosa que é ser esposo e pai com tão pouca idade.

-Papai uma vez me disse que a senhora não tinha gostado dele ter casado tão jovem. – murmurei.

-É verdade! Quando eu fiquei grávida do Charlie eu tinha pouco mais do que a idade de Renée quando engravidara. Eu tinha 19 anos recém-completos, Carlisle quando soube imediatamente me pediu em casamento, mas meus pais não queriam porque, Carlisle não tinha posses e nada para me oferecer, mas eu nunca me importei com isso.

Esme aproximou-se de minha cama e sentou ao meu lado. Eu nunca tinha ouvido vovó contar sobre sua vida.

-Em uma noite seu avô me propôs uma coisa e eu aceitei. Fugir. Nós já estávamos saindo de Forks quando seu bisavô nos achou. – seus olhos brilhavam e eu supus que ela estivesse chorando.

Eu nunca soube nada sobre a vida de meus avós, talvez por não gostarem de falar sobre coisas amargas ou por pensarem que eu era jovem demais para ouvi-la. Fiquei em silêncio esperando que ela continuasse.

-Quando meu pai me achou, nos arrastou até em casa. Meu mundo parecia rui de vez. Os homens que trabalhavam para ele na época bateram tanto em Carlisle. E bom...Meu pai também me bateu, por eu não ser mais virgem, esta grávida e estar fugindo com um bastardo de merda como ele dizia. Fiquei prostrada em uma cama, pensando que perderia meu bebê, sangrei tanto, mas tanto, Bella que me desesperei. Gritei por ajuda, mas ninguém me ajudou. Nem minha própria mãe, mas no dia seguinte eu fiz algo que eu nunca pensei na vida, mas seria isso ou meu bebê morreria. Seu avô estava sentando em seu escritório eu o golpeei com uma tora de madeira, não sei como tive força.

Olhei chocada para minha vó.

-Não me olhe assim querida. –riu um pouco. –quando você encontrar alguém que ame verdadeiramente, você se arriscara por essa pessoa... Então eu fugi, com a roupa que estava toda manchada de sangue e sem um tostão no bolso. Procurei Carlisle por toda parte, até descobri onde ele realmente estava na fazenda. Corri atrás dos irmãos de Carl e eles me ajudaram a resgatá-lo. Quis morrer quando vi seu avô todo machucado e com um braço quebrado. Mas mesmo assim enfrentamos todas as dificuldades, ele tinha parentes em Forks então fomos para lá. Tive uma gravidez conturbada, onde os médicos me disseram que eram quase nulas as chances de sobrevivência do meu bebê, mas eu nunca desistir.

Era difícil ver os olhares de pena que faziam, já que estava quase certo que meu filho nasceria morto. Todos achavam que eu estava quase perturbada por aquilo, mas não. Eu não estava! Continuei a fazer o enxoval de meu bebê. Quando eu estava com pouco mais de sete meses, entrei em trabalho de parto. Sozinha, já que Carlisle teve que viajar para vender algumas cabeças de gado e numa chuva tremenda. Mal sabia dirigir na época, mas sem pensar duas vezes entrei na caminhonete e corri para o hospital. Charlie nasceu naquela madrugada com dois quilos e seiscentos gramas. Mal vi meu filho e já o encaminharam para a CTI. Sentia-me dia após dia a mulher mais impotente do mundo ao ver meu pequeno sopro de vida cheio de aparelhos, foram mais de três meses assim, seus pulmões tiveram várias complicações.

Ela me encarou entre as lágrimas e eu as limpei. Embora não quisesse que vovó chorasse, eu queria muito saber da historia de meu pai.

-Quando ele saiu do hospital foi uma festa. Eu pensei que meu peito não aguentaria de felicidade. Nós três vivíamos plenamente bem, em puro êxtase. Os negócios de seu avô prosperando e seu pai progredido bem. Mas isso não durou mais do que cinco meses. Quando, Charlie tinha oito meses, fui ao seu quarto como todas as manhãs amamentá-lo, ele era um menininho um tanto genioso, quando não mamava na hora abria o berreiro. Só que quando cheguei ao quarto, meu bebê estava todo roxinho e mal respirava, gritei por ajuda. Tanto eu, quanto Carlisle nos desesperamos. Corremos para o hospital e depois de horas aflitas um cardiologista nos disse que uma válvula de seu coração estava comprometida. Dias depois ele foi operado e vivíamos de casa para o hospital, deste jeito durante dois anos. Era horrível ver meu filho sofrer e eu não poder fazer nada, mas ele nunca deixou de ser uma criança feliz, mesmo cheio de aparelhos em todo o seu corpinho ele sorria e isso me motivava e não me deixava esmorecer. Amo todos os meus três filhos, Emmett, Edward, mas Charlie sempre foi o meu bebê especial. Sempre tive mais ligação com ele. No dia do acidente, eu senti o dia inteiro um enorme peso em meu peito e de alguma forma eu sabia que algo de ruim estava para acontecer com um deles. Quando o Edward ligou de certa forma eu já sabia. Ver meu filho morto é uma coisa que jamais vou esquecer. — lágrimas gordas caiam incontroláveis por todo o seu rosto e pelo meu também. Eu jamais imaginara que a vida deles tivesse sido tão sofrida.

-Perder um filho é como se morrêssemos ainda em vida. Eu posso rir, cantar, dançar, chorar, sorrir, mas tudo isso é por fora. Por dentro eu estou morta, Bella. Nada jamais ira substitui-lo. Nada jamais fará essa dor que sinto. — levou a mão ao peito.- parar de pulsar.

-É tudo tão difícil, vó. É horrível não tê-los comigo. – solucei.

-Eu sei querida, eu sei...

Pela primeira vez vi um ato de carinho de Esme. Seus braços rodearam meu corpo em forma de abraço, era tão reconfortante que eu não sei quanto tempo ficamos dessa maneira.

Depois do meu choro descontrolado adormeci. Só acordei com mãos delicadas em meus ombros.

-Querida, a assistente social veio vê-la.

Abri os olhos vagarosamente.

-Olá, Isabella. – disse a mulher com a voz grave.

-Oi. – murmurei com a garganta ardendo.

-Vou ficar um tempinho lá fora, querida. – Vovó pegou sua bolsa e me sentir intimidade pelo áspero olhar da mulher.

-Isabella, meu nome é Erin Miller e sou a assistente social deste hospital. Como você está? – inquiriu olhando para os papeis.

-Bem...

-Você tentou um aborto não é isso? – apenas assenti. – Você tem no máximo mais um mês para fazer isso da maneira correta. Existia uma maneira correta de cometer um aborto?! Pensei.

-Isabella você é menor de idade, mas você poderá falar com seus responsáveis. Quem são eles? – me perguntou novamente sem me olhar.

-Minha avó. – respondi.

-Okay...E seus pais?

-Eles faleceram.

-Se não quiser continuar com a gravidez o estado arca com o interrupção. Você o quer? – encarou-me seria.

Maneei com a cabeça. Não, eu não queria. Ou talvez eu só não soubesse o que fazer.

-Okay... Você poderá optar pela adoção. Estaria realizando um sonho de uma família, claro se não optar pelo bebê. O que pensa em fazer?

-Não sei.

-Tudo bem. Quero que pense na adoção. Você ainda estaria dando a vida a uma criança, sem se preocupar mais tarde com um aborto e as consequências físicas e emocionais que isso acarretaria, mas assim que o bebê nascer, se você optar pela adoção, nem contato com ele você precisara ter. Aqui estão os folders e informativos para que você possa tirar todas as suas duvidas. Estamos aqui para fazer o melhor por você Isabella.

-Obrigada.

A conversa ainda demorou alguns minutos, doutora Erin ainda conversou com Esme antes de me liberar daquela conversa, mas não sem antes dizer que eu seria acompanhada por ela e doutora Brianna mensalmente. Eu não tinha muito o que contestar, então preferi ficar quieta.

Adoção. Dar aquela criança me parecia uma ideia a se pensar, era incontestável que eu não a queria em minha vida. Por que, pensar assim me entristecia?!

Por que, simplesmente eu não conseguia lhe amar? Tantas mulheres passaram por isso, e amam seus filhos, por que não posso ser assim também?

-Por que eu não consigo gostar nem um pouco de você? – murmurei olhando para a manchinha cinza em sua “foto”. –Sei que você é um inocente, mas não consigo sentir nada, nem amor, carinho, afeição e até pena de você eu não tenho. Desculpe-me por isso.

(...)

Depois de tanta burocracia e papeladas no hospital, o médico plantonista me deu alta. Não me animei muito em ir para casa, porque sabia que no dia seguinte eu teria que partir.

Esme arrumou minhas coisas bem rápido. Tomei um banho- o que fez com que eu me sentisse uma humana- com a sua ajuda e me vestir sozinha. Um vestido azul solto e um tênis da mesma cor. Meu cabelo estava horrível, opaco e sem brilho, penteei-o como pude e o amarrei-o em um rabo de cavalo. Meus braços tinham marcas roxas, desconfiei que foram dos cateteres e de minha estadia ali, marcas arroxeadas e bolsas marcavam meus olhos. Eu poderia ser facilmente confundida com um zumbi.

-Vamos querida? – disse ajudando-me a vestir o casaco.

-Sim.

Desnecessariamente fui conduzida até uma cadeira de rodas- mesmo com os meus protestos, uma enfermeira de forma doce, me aconselhou a ir até o táxi daquela forma para evitar qualquer desconforto que eu pudesse vir a sentir. Com certa relutância aceitei. Quanto mais rápido eu saísse daquele hospital, mas rápido veria Edward.

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Cold

A casa estava silenciosa. Era estranho vê-la assim. Uma dor se apoderava de meu peito. Provavelmente a essa hora o pequeno rádio que mamãe tinha na cozinha estaria tocando suas antigas músicas. Por Deus como até isso me faz falta. Porém, o que mais me doeu foi a saudade exacerbada que eu sentia de Edward. Por um mísero momento esperei vê-lo ali, mas ledo engano. Ele não estava lá. Talvez ele quisesse me pregar um castigo.

-Esta com fome Bella? — Esme perguntou largando a mochila no sofá.

-Estou sem fome, vovó.

-Sabe que precisa se alimentar Bella. Vou preparar uma sopinha e quando estiver pronta levo lá no quarto.

Assenti. Não tinha como contestá-la.

Subi as escadas lentamente, sentia meu peito arrebentar, eu ouvia nitidamente os zunidos em meus ouvidos, deixando-me desnorteada. E se ele não estivesse lá? Ou ...Se ele foi buscar conforto- pela decepção com a sobrinha idiota- comVictoria? Merda, mil vezes merda.

Eu não aguentaria perdê-lo também.

Fechei meus olhos com força, tentando não visualizar a cena que queria penetrar minha mente. Respirei fundo tentando conter a ânsia de vomito, que vinha com força total, já podia sentir o amargor em minha língua.

Por favor, Edward esteja no quarto!

Por favor, esteja ai.

Minha mão tocou na maçaneta e eu a girei pedindo aos céus para que eu não pudesse ver a dor que vi em seus olhos quando ele me viu no quarto contraindo de dor.

Lá estava ele, andando do guarda-roupas para a cama. Sem que pudesse me controlar um sorriso brotou em meu rosto. Meu, Edward estava ali.

-Edward?! – chamei-o na porta de seu quarto. . – Posso entrar?! – pedi assim que ele encarou-me.

-Entre. – falou com uma frieza desconhecida por mim. Minha vontade era fechar a porta e correr para o meu quarto e trancar-me ali, até que tudo voltasse ao normal. Que eu voltasse a ser a menina idiota que se preocupava com que roupa vestiria no outro dia no colégio e que o maior problema que tinha era os pais botá-la de castigo e confiscarem seu celular. Eu daria tudo para ser a menina idiota, mas ao invés disso respirei fundo e ignorei as batidas fortes do meu coração. Parecia martelar alem do normal.

Caminhei pelo cômodo sem nem encará-lo, estava difícil enfrentar toda aquela indiferença vinda de Edward. Eu poderia aguentar aquilo de qualquer um, menos dele, doía, machucava, rasgava-me, deixando-me mortalmente ferida. Aquele não era o meu Edward, ali era um bloco de gelo que encarava-me sem nenhum sinal de boa vontade.

Sentei na cama de qualquer jeito, ainda sentia algumas cólicas, mas nada forte, o médico me alertara que aquilo era apenas um pequeno desconforto. Meu corpo e útero pequenos estavam se adequando a gestação.

-Você está bem? – perguntou sem me dirigir o olhar, continuando a dobrar as roupas e guardando-as na mala.

-Humhum...

Ficamos algum tempo em silêncio até que resolvi quebrá-lo, visto que Edward não o faria.

-Eu não queria ter que ir.

-Eu sei. — falou sem mais aquela impassibilidade de antes.

-Sei que esta me odiando. – suspirei. – mas não quero que me odeie porque eu te amo. – minha voz soou embargada aos meus ouvidos e eu me amaldiçoei por esta quase chorando. -Sei que fui uma garota inconsequente, pode usar todos os adjetivos para falar do que sou, mas eu te amo. Me perdoe, sei de tudo o que passou e eu fiz a mesma coisa, eu não tenho culpa, eu não tive culpa, eu...Eu nunca quis isso...Eu... Eu ... — tudo saia atropeladamente. Apenas parei, porque Edward ajoelhou-se a minha frente e tocou meus joelhos com as pontas dos dedos. Levantei os meus olhos para os seus e vi naquele momento o gelo se derreter, talvez não por completo, mas uma boa parte dele.

-Bella... –respirou fundo. – eu não te odeio, porque também te amo. – pela primeira vez desde que chegara, Edward me olhava. Seus olhos estavam doces. Apenas aqueles olhos verdes me traziam a calma necessária.–Só estou um tanto quanto chocado e magoado com tudo e não quero despejar isso encima de você. Por Deus, você é apenas uma menina.

Edward ajeitou-se melhor e segurou minha mão direita. Com a mão livre acariciei ao seu rosto com barba por fazer.

-Eu não fiz... Fiz por mal.

-Sabe?! – seus olhos desagarraram-se dos meus e vidraram através das janelas entreabertas. – Parece que eu revivi tudo o que passei com a Tânia. – disse amargurado. — crianças são bênçãos e não fardos. Quando soube de sua gravidez desde o primeiro momento eu vi que não estava feliz, mas pensei que não pudesse fazer algo deste tipo.

-Desculpe... – sussurrei sem saber ao certo quais palavras usar.

-Não me peça desculpas, Bella. Não é para mim que precisa pedir, mais cedo ou mais tarde percebera isso. O que eu estou sentindo vai passar...–Edward levantou-se beijando minha têmpora e depois minha testa. — Eu tive tanto medo de perdê-la. Você não sabe o quanto fiquei apavorado quando a vi daquele jeito, sangrando e pálida. Bella nunca mais faça isso, okay?- seu corpo estremeceu um pouco e eu assenti mais que depressa.

-Não vou fazer mais isso. Eu prometo.

-Melhor assim, anjo. — murmurrou beijando meus olhos.

Levantei meu rosto para que ele beijasse meus lábios, mas ele não o fez. Fiquei desconcertada por alguns segundos, Edward nunca recusara meus beijos. Talvez ele não me desejasse mais ou ele ainda estaria magoado comigo.

-Não pense em besteiras Bella. – sorriu docemente, tirando alguns fios de cabelo do meu rosto. – eu quero muito. – sussurrou. – mas, Esme esta ai.

Eu entendia o seu ponto, Esme entrava em todos os cômodos sem ao menos bater. Se ela nos pegasse aos beijos morreria de desgosto.

-Vem...- segurou minha mão, arrastando-me -cuidadosamente- até o meu quarto.- você precisa descansar, amanhã partiremos cedo.

Meu sorriso morreu aos poucos.

Edward acarinhou meu rosto, com tanta delicadeza que uma vontade louca de chorar tomou conta de mim. Meus olhos se encheram de lágrimas, e o meu amor beijou cada uma que caia sem o menor esforço.

-Eu estou aqui para beijar cada lágrima sua Bella, mas quero principalmente estar aqui e ser o motivo por cada sorriso seu, princesa. Por tanto, saiba que não vou te deixar assim facilmente. Estou aqui para o que der e vier...Não tenha medo de me dizer as coisas, eu posso muito bem entendê-las. Só não me deixe no escuro, sim?!

Essa seria uma boa oportunidade de falar a verdade sobre o feto, mas com, Esme em casa não era uma boa opção.

Edward ajeitou minha cama, tirou os meus tênis e me ajudou a deitar. Como um homem pode ser tão lindo e tão carinhoso?! Eu não poderia perdê-lo. Nunca! Edward era mais do que eu poderia querer. Edward era meu tudo, minha vida.

-Agora descanse. Amo você. — me cobriu com o edredom florido.

-Não vá. — murmurrei. — Deita comigo!

-Bella... — me repreendeu.

-Por favor! Não quero ficar sozinha. — murmurrei. Eu já estava morrendo de sono, talvez pela gravidez ou meu corpo realmente estava cansado de toda aquela “agitação” do hospital.

-Tudo bem, pequena chantagista. — riu. E o som de sua risada me energizou.

Ele deitou na outra extremidade da cama, de frente para mim. Nossos olhos não se desconectaram em nenhum segundo, bom...Não antes de sua voz rouca começar a ecoar uma canção de ninar que me levou para a terra dos sonhos, mas não sem antes segurar sua mão e trazê-la para junto ao meu peito.

-Eu te amo...

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No foyer o cheiro dos meus pais ainda estava impregnado. Se eu fechasse os olhos ainda veria nitidamente as cenas protagonizadas aqui, que antes me pareciam corriqueiras, mas que agora eu daria tudo o que tinha para tê-los novamente. Nem que se fosse por um único dia.

‘’Renée querida, eu volto logo’’ ‘’Amo vocês’’ – dizia meu pai, bem ali perto da soleira da porta todas as vezes que ia pegar seu casaco e sair mais um dia para a pacata e monótona delegacia.

‘’Cuide-se querido! Eu te amo’’ mamãe dizia sempre lhe dando um sutil beijo nos lábios.

‘’Renée essa carne assada esta cheirando desde que eu parei a viatura aqui na frente, já estou salivando’’ – dizia faminto.

Mas verdadeiramente, mamãe cozinhava divinamente.

“Charlie olha a Bella’’ mamãe sempre ralhava quando ele a agarrava e eu estava por perto. Sorri.

Os dois dançando em meio à cozinha. O namorico que eu sempre pegava no flagra. Era como se os papeis tivessem se invertido, meus pais coravam como dois adolescentes sendo pegos pela mãe por estarem se agarrando no sofá da sala.

Era como se eu estivesse vendo-os ali, a minha frente. Podia até sentir o cheiro de pinho da casa ou a lavanda que Renée botava nas roupas limpas todas as manhãs.

“’Sabe, Bella?! Cada menina nasceu para ter seu príncipe encantado e o seu conto de fadas’’ mamãe falou em uma daquelas tardes das muitas que passávamos juntas. Ela assistindo a um filme qualquer – suponho da Disney- e eu minhas tarefas escolares.

‘Ah, mamãe’ murmurei sem paciência para seus delírios de juventude. Sabia bem, porque ela dizia isso. Afinal tinha o meu pai, o homem que ela amava com loucura e devoção.

“ Um dia você também vai encontrá-lo e só ter um pouco de paciência.’’ “Porém, filha. O príncipe não precisa vir de um reino distante, lhe oferecendo ouro ou diamante, vindo em um cavalo branco.’’ Ela sorriu sonhadora. Acho que foi o sorriso mais lindo que já tinha visto em minha vida. “O príncipe é aquele que rouba o nosso coração. Que nos faz suspirar, transpirar e o coração acelerar. Ah!! Bella um dia você terá o seu príncipe encantado filha e me dará muitos netinhos lindos. Os quais irei mimar muito’’

Ela não estava mais aqui.

“Nah’’ papai que chegou na hora e a viu sonhadora, estalou a língua, nos fazendo sobressaltar. ‘’ Não bote caraminholas na cabeça de minha menina.’’ Beijou-me a cabeça; sorrir.

Era tão bom o aconchego de ter meus pais tão pertinho de mim. Eu me sentia protegida e segura. E desejava um casamento tão feliz e próspero como o dos meus pais. Duradouro e apaixonante.

‘’Isabella prometa-me que chutara a bunda desse príncipe’’ falou sério me fazendo rir e pular para abraçá-lo. “Nada de príncipes antes dos trinta e cinco’’ mamãe lançou lhe O Olhar e ele se redimiu “Okay...Nada de príncipes antes dos trinta e quatro’’.

Eu sabia que ele estava brincando. Como eu queria que tudo aquilo voltasse...

O que eu não daria por apenas alguns minutos para poder abraçá-los e ter uma tarde rindo, brincando ou chorando por algum filme bobo.

Foi inevitável não sorrir para aquelas memórias perfeitas em meio a névoa que era minha visão.

Aquela famosa frase “A vida é feita de momentos’’ é mais do que verdade. Uns bons, outros ruins, alguns definitivos, outros passageiros. Mas todos marcantes e eternos.

-Eu não queria ir... – disse chorando. Era horrível não poder me despedir pelos menos de meus amigos. E eu poderia jurar que vovó fez Alice se encrencar. Por Deus...

-Não estamos discutindo isso, Bella. – Vovó olhou para a casa e garanto que assim como eu, ela estava envolta de pensamentos saudosos. -Já chega querida. Vamos!

-Por que esta fazendo isso comigo, Vovó? Minha vida é aqui! Não posso deixar minha casa, meus amigos.

-Eu estou fazendo isso, porque te amo, Bella. Só quero cuidar de você, querida!

Encarei Edward com a porta do motorista aberta. Ele esteve me ignorando desde depois do jantar — já que vovó não me dava sossego-,mas mesmo em meu silêncio tenho certeza que ele sabia que eu estava implorando para que ele me ajudasse. Mas nada veio. Nenhuma palavra, ação, apenas um olhar que eu não sabia identificar.

Então quando ele virou as costas e entrou no carro, percebi o quanto é inútil você esperar por algo que você sabe que não vai acontecer.

Eu não era dona do meu próprio futuro. Entrei no carro sentindo todo o meu corpo convulsionar. Entretanto nenhuma lágrima mais caia, não adiantava. Apesar de estar doendo muito.

Observei o olhar apiedado que Edward me lançara e isso me doera mais do que tudo que eu vinha suportando aqueles dias. Ele me olhava, não só com amor, mas sim com pena. Só desgrudei meu olhar do dele quando Edward voltou sua atenção para a ignição.

Esme sorriu para o filho, passando a mão por todo o seu rosto e depois o beijando. Percebi que eu também estava negligenciando o homem que eu amava. Fiz exatamente a mesma coisa que no passado o machuco muito.

Uma dor descomunal acometeu meu peito. Ficou tudo preso dentro de mim. Por fora, não esbocei nenhuma emoção, mas por dentro haviam tremores e gritos, soluços, pranto e muita, muita dor. Meu coração sofria uma agonia idêntica à de quem esta passando por uma terrível e dolorosa transformação, era como se o meu corpo estivesse em chamas aterrorizantes e eu nada pudesse fazer para aplacar a dor torturante que estava sentindo em meu peito. Eu mais parecia uma espectadora de minha própria dor. E de certo modo eu era.

Era como se eu estivesse caindo e nada pudesse me segurar.

Esme estava distraída olhando a paisagem por onde passávamos. Edward vez ou outra me encarava pelo retrovisor.

Não me importei se Esme visse mas assim que ele me olhou mais uma vez. Sustentei meu olhar no seu.

‘’Eu te amo. Muito’’ – sibilei. Mas não tinha certeza se ele tinha visto.

Entretanto, logo em seguida, Edward sorriu um pouco. Olhou para Esme que parecia alheia a tudo o que se passava ali, sibilando pausadamente ‘’Eu. Também. Te. Amo. Muito’’

Um sorriso franco surgiu em meus lábios. Meu coração se aqueceu.

Edward sem duvidas era a minha salvação. Queria naquele momento avançar sobre ele e enche-lo de beijos, mas me contive.

‘’Sempre’’ sibilei novamente.

‘’Sempre’’ a resposta veio instantaneamente não apenas para a minha pergunta, mas também para o meu íntimo; para toda a minha vida.

E pela primeira vez em dias, me senti feliz. Ele ainda me amava e isso, apenas isso, me bastava.

Eu não estava só.

Notas finais
Gente, esse capitulo na realidade esta escrito a meses (Obrigada Nattie, por ter betado isso aqui), mas só agora que tive disposição de sentar em frente a um note e postar. Desculpem.

Comentem, se acharem que estória merece recomende.
Apenas me deixem saber que não foi em vão o tempo que me dediquei a escrever.

Até breve!! Espero!
Bjs
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.