Leah - I See You
50 Capítulo 50 - Galáxia que somos
Notas iniciais
Derick parou ao meu lado, os olhos estatelados, a mão cheia de pipoca ainda dentro do pote enquanto o outro braço me mantinha perto, a expressão chocada. Sorri, meio inconformada, meio surpresa por perceber que falei, sim, em voz alta a última parte. E eu não me importo. Eu consegui! Eu o amo! Amo tanto que amor está explodindo por todos os lados, todas as arestas preenchidas por esse sentimento avassalador, indescritível... único. Dele. Todo dele. Meu coração é seu, Derick. Inteiro seu. Não são partes como antes pensei. Não compete por espaço como imaginei quando nos conhecemos, é um tipo diferente de amor, é singular demais para que pudesse ser comparado. O que me puxa à Terra não são os cabos de aço presos ao imprinting, não há obrigação... é um desejo profundo de cuidado, de proteção, um carinho tão profundo que transcende. É esse sentimento que me autentica, me torna planeta e não satélite.
— O que você disse? — O murmúrio hesitante alcançou meus ouvidos como uma caricia em minha tez. Pisquei meus olhos molhados, segurando sua mão e a levando para meu peito. Precisamente, em meu coração que batia enlouquecido, retumbando todo o sentimento em melodias discretas de EU-TE-AMO.
— Eu amo você, Rick. — Ele abriu um sorriso surpreso, grande. O riso escapando por entre os lábios bonitos quase como uma tosse surpresa.
— Você disse!
— Eu disse!
— Você me ama!
— É claro que amo!
A confirmação de minha fala pareceu fazê-lo brilhar mais do que tudo, capaz de iluminar a noite mais escura, aquecer a o inverno mais frio, o sorriso bonito todo aberto para mim, por mim! Derick era lindo, mas sorrindo daquele jeito... era possível a felicidade ter todo aquele tamanho? Era possível eu ser a pessoa a senti-la inteiriça daquela maneira? Era como um cobertor grosso que me aquecia toda, acolhia meu corpo inteiro.
— Eu tinha me convencido de que não precisava ouvir você dizer para saber, de que eu posso ver a profundidade do nosso sentimento, da nossa sintonia, apenas ao olhar nos seus olhos, e eu realmente posso... mas, agora... agora que ouvi com todas as letras, eu... eu preciso te beijar!
— Me beija!
Diferente do que pensei, Der não veio afobado como parecia estar no momento. Ele se aproximou devagar, suave ao meu redor, preenchendo todas as lacunas e reivindicando seu posto como minha estrela favorita naquela galáxia que éramos nós no momento, selando nossos lábios suavemente, sorrindo em minha boca, incapaz de se conter, murmurando que me amava a cada estalo que o ósculo carinhoso emitia e repetindo, repetindo, repetindo sem parar para que eu dissesse só mais uma vez que:
— Eu amo você, Der.
Nem quando a pegada em minha cintura se tornou mais forte e ele me puxou para seu colo, o movimento lento mudou. E eu gostava tanto quando ele me tocava daquele jeito, cheio de amor, carinho e apreciação. Era mútuo. Totalmente mútuo.
O vestido apertou um pouco minha cintura de um jeito desconfortável por minha posição, a barra dele também foi sutilmente levantada pouco a pouco pelas mãos leves de meu imprinting, tudo feito de uma forma tão amorosa que me deixou ainda mais caidinha por ele, suspirando a cada deslizar, a cada beijinho provocativo. Seus toques eram caricias fantasmas que me faziam arrepiar até o último fio de cabelo.
Desabotoei sua camisa social, abrindo os botões um a um, louca de vontade de sentir sua pele, seu toque quente no meu, sendo agraciada com um suspiro apreciativo dele ao tocar seu abdômen com a ponta dos dedos, contornando os músculos definidos. Queria mostrar todo meu amor, tudo o que explodia em mim, descontar todo o calor gostoso de modo carnal. Desgrudei nossos lábios com um estalo audível, admirando encantada os lábios inchados e avermelhados dele, as bochechas coradas pela temperatura elevada do momento, os olhos doces faiscando luxuria. Der se inclinou, tentando voltar a me beijar, mas me esquivei gentilmente, querendo provar de sua tez agora. Ele grunhiu, indignado como sempre ficava quando negava seus beijos de brincadeirinha, mas logo o som virou apreciação pura quando beijei, de modo singelo primeiro, todo um caminho de seu maxilar até sua orelha. O brinco de argola prateada solitário e charmoso dali ganhou atenção especial ao ter meus dentes brincando rapidamente antes que chupasse seu lóbulo. Rick embrenhou seus dedos pela abertura do vestido em minhas coxas, subindo seu toque em uma massagem excitante. Minha loba ronronou em meu peito, reconhecendo o toque, querendo mais dele.
— O filme? — Inquiriu meio a um gemido quando chupei seu pescoço forte o suficiente para deixar uma marca vermelha bem escura e temporária. Por um momento de possessividade maluca, quis que o nosso fator cura não tivesse efeito naquele tipo de hematoma apenas para que Derick pudesse sair por aí marcado com a forma de meus dentes em seu pescoço, a prova física de que ele me pertencia, de que apenas eu poderia fazer aquilo. Parecia um pensamento muito antiquado, quase animalesco, e percebi que parte dele era influência de minha loba, entorpecida tanto quanto eu pelos olhos azuis apaixonantes de meu imprinting. Ela queria reivindicá-lo.
— Pode deixar rodar.
— Mas... ah, n-não é o seu favorito?
— Nós parecemos estar bem aqui, não parecemos?
— S-sim, claro, amore.
Rick sorriu, concordando, mas logo voltou a me puxar para atacar minha boca, beijando com intensidade, tirando uma mão de minha coxa para tocar minha lombar, perigosamente perto da minha bunda, de um jeito que despertou toda aquela vontade dele novamente. Sua outra mão prendeu os cabelos soltos em minha nuca numa pegada firme que me deixou fraca. Se já não estivesse sentada, teria, literalmente, derretido em seus braços, enrolada em uma bolha de amor, carinho e tesão. Tão confortável quanto necessitada. Parecia que quanto mais me apaixonava por sua delicadeza, quanto mais apreciava seus toques tão ternos, mais me sentia fervendo em desejo, em necessidade. Suspirei, rendida, deixando que o controle ficasse para ele no momento.
— Sabe... — Precisei respirar fundo para conseguir organizar meus pensamentos, os lábios dele salpicando beijinhos estalados, que de inocentes não tinham nada, por todo meu colo, aprofundando o decote. — Estar com você aqui assim depois dessa noite, sentir tudo o que estou sentindo, faz... faz toda essa confusão valer a pena.
Não fazia muito sentido revelar aquilo, mas não tinha muito filtro entre meu cérebro e minha boca, no momento. Estava ocupada demais me sentindo excitada.
— Sei como se sente. Via de mão dupla, sabe. — Ele concordou. Ri, sabia que não precisava me preocupar. — Você tá gostosa demais nesse vestido, dio mio.
Escorreu a mão de minha lombar para minha bunda, finalmente, apertando com as duas mãos cheias. Seu toque bruto me fez deslizar em seu colo, bem para cima do volume que já começava a dar indícios de vida embaixo de mim. Mordi o lábio inferior, segurando um sorriso.
— Você que tava gostoso pra caramba andando por aí com esses botões abertos. Essas clavículas são lindas demais pra mostrar assim.
— Ah, é?
— É.
Sua mão subiu novamente por minha coxa, agora sendo mais ousado, tocando mais e mais para cima, o tecido pesado do vestido forçou querendo desacelerar o movimento. Fiz uma careta rápida porque incomodou um pouco, mas não rápida o bastante para passar despercebida por Rick. Ele recuou o toque, quase me fazendo reclamar, e beijou minha bochecha com amor, sempre me olhando nos olhos.
— Você não está confortável assim. — Não era uma pergunta, então apenas o encarei, curiosa. — Posso abrir o zíper do seu vestido, Principessa? Quero poder me agarrar com você, mas te quero tendo o mesmo prazer que eu.
Suas palavras eram tão doces quanto mel e escorriam junto com os dedos que acarinhavam a lateral de meu corpo. Quando assenti, consentindo ao seu pedido, a peça pesada afrouxou o aperto e o ar saiu em um suspiro fraco de meus pulmões, porque o contato direto de sua mão espalmada contra a pele de minhas costas me fez arrepiar inteira.
O zíper não me forçava mais a manter a postura, então eu podia me curvar contra seu peito, garantindo ainda mais contato entre nossos corpos. Não era a primeira vez que ficava seminua em sua frente, mas era a primeira vez depois do “eu te amo”. Então, quando o rubor me esquentou o colo todo e parte do pescoço, não me surpreendi tanto assim. Me irritei. Parecia uma adolescente idiota, corando tal qual uma humana de quinze anos.
A alça do vestido deslizou devagar por meu ombro pela sustentação frouxa, Der seguiu o movimento com os lábios, não com a intensão de beijar, só arrastando a boca por minha pele, sentindo e cheirando.
— Por que ficou vermelha de repente? Tá com vergonha de mim?
Grunhi, nervosa por ele ter percebido, escondendo meu rosto em seu pescoço e aproveitando para voltar a tentar matar aquela necessidade gostosinha de sentir sua pele a todo momento. O perfume masculino me inebriava, tinha cheiro de lar, aconchego.
— Em? — Insistiu ao ver que tentava me esquivar de sua gracinha. — Bene mio, olha para mim.
— Me beija. Para de querer me envergonhar!
Ele riu, todo frouxo, se amolecendo inteiro para cima do encosto do sofá. Não consegui segurar a indignação. O som da sua risada era tão bom, mexia tanto comigo.
— Eu não tô fazendo nada, Principessa! Mas, aceito sua sugestão. Beijo, sim. Beijo muito! — Disse cheio de gracinha, me puxando para perto pelo queixo, acarinhando minha bochecha. — Feliz seis meses, amore. Ti amo. — O sussurro quase sem som, carinhoso e verdadeiro pertinho de meus lábios em sua língua materna me fez suspirar. Meu coração, já tão apaixonado, tão exposto, apenas se deixou afundar mais naquela loucura azul. — Diz de novo, diz, por favor. Só mais essa vez. É a última, juro.
Ri, encurtando a distância mínima, roubando um selinho demorado.
— Hm... feliz seis meses.
— Leah... — Reclamou, apelando para o beicinho. Derick era impossível e não era como se eu pudesse negar qualquer coisa àqueles olhinhos.
— Eu te amo tanto, Rick.
Como em um rompante de adrenalina, ele segurou minhas coxas e nos virou no sofá, colocando-me de costas para o estofado, deitada, enquanto ficava por cima. A meia luz acinzentada da televisão dava ao seu perfil um brilho a mais que mexia com meus hormônios e meu coração. Os olhos azuis sorriram sacanas para mim antes mesmo da boca e se ele não estivesse entre as minhas pernas minha reação automática seria apertá-las uma contra a outra para aliviar a excitação que sentia.
Sua mão subiu de minha coxa para cima, acariciando a pele e subindo devagar o tecido agora não tão justo. Seu olhar sempre em mim, confirmando se não fazia nada contra a minha vontade. A saia do vestido se amontoou em meu quadril, libertando meus movimentos e fazendo minhas orelhas ferverem pelos olhos dele estarem focados naquela parte de meu corpo.
Der se aproximou, a feição perdidinha pelo calor que nos acometia. Automaticamente abri minhas pernas para que ele se acomodasse ali. Não queria nenhum espaço entre nós, nenhuma fagulha de ar. Queria roubar seu folego.
Sua cintura se encaixou enquanto ele me puxava para ainda mais perto, fazendo pressão em meu ponto que mais carecia de atenção. Mordi o lábio, enfeitiçada pela atmosfera de tesão. Podia senti-lo duro contra mim. Seus olhos pareciam mais o mar turvo quando chovia, cheio de estrias escuras, intensos demais.
— Não olha assim para mim, não faz essa cara enquanto me deixa ficar em cima de você, eu perco a linha totalmente... Dio mio... — Sua respiração quente em minha orelha fez com que um arrepio forte descesse por todo meu corpo e se alojasse bem no meu centro. — Mi eccita troppo! (Meu Deus, me excita demais!)
Influenciada por seu sussurro safado, rebolei contra sua calça jeans, experimentando o movimento e suspirando pela sensação gostosa. Ele respirou fundo em meu pescoço, acarinhando com o nariz minha pele, abracei seu pescoço. Meu rosto se avermelhou de vergonha porque era claro como o dia saber que ele sentia o perfume da minha excitação no ar, mas isso não me incitou a parar de puxá-lo para mais perto. Era mais que instinto sentir mais de seu contato, sempre mais, mais, nunca o bastante.
Vamos lá, Der, me toque. Estou aqui, quero tanto os seus apertos, por favor, me toque. Me beije inteira. Sou sua.
— O seu cheiro mexe comigo de um jeito que eu não controlo. — Murmurinhou em minha clavícula, espalhando beijos molhados. Abri a boca em um gemido mudo, entrecortado por prazer, quando seus dentes morderam forte na junção entre meu pescoço e meu ombro. Naquele ponto em especial era dolorido, mas também tinha um que de sedução que me deixou toda mole. Minha loba também se mostrou afetadíssima. Era como... como se ele tivesse feito de propósito, como se fosse algo importante e nossos lobos entendiam. Der levantou a minha perna e a entrelaçou em sua cintura. Em um movimento rápido investiu contra meu quadril, esfregando, criando uma fricção incrível, firme. A calça jeans estilosa fazendo pouco trabalho em esconder a ereção marcada e apertada. Arqueei as costas, gemendo pela emoção que explodiu. Isso! — Mas, nós precisamos parar um pouco. Os meninos estão chegando. Consegue ouvi-los?
O que? Que mané os ouvir! Eu quero mais! Quero mais da sua boca me beijando, dos seus dedos me tocando, da sensação que recai meu corpo sempre que seu calor encontra com o meu!
— Hm, amore, me ouviu? — Inquiriu, mas não parou seus movimentos, continuou lentamente, esfregando-se, como em uma provocação infernal.
— Oh, continua, não para assim. — Mais gemi que mandei, o tom da ordem se perdendo na cadência de satisfação, presa às sensações de suas investidas brutas contra o tecido fino de minha calcinha.
— Você é tão linda. Vê como me deixa? — Assenti meio atrapalhada, uma gota de suor escorreu por minhas costas, mas prestei mais atenção à distância que ele impôs entre nós de repente. O cabelo desarrumado e a blusa aberta em quase todos os botões era uma imagem selvagem, podia enxergar o lobo por trás de seus olhos. — Precisamos sair daqui, Principessa.
— Não, Rick. — Tentei puxá-lo de volta para minhas pernas, mas meus movimentos mal calculados o fez se desequilibrar e despencar em cima de mim. E não foi do jeito bom. Resmunguei e ri de nosso desastre e ele me acompanhou, a nuvem de tesão amansando, mas não se afastando.
— Vem para o meu quarto, vem. Quero continuar a beijar essa sua boca gostosa. Quero te sentir. — Passou o dedão por meu lábio inferior, mordendo o seu próprio. — Aqueles moleques não podem ver esse rostinho vermelho de tesão desse jeito, não é? É um segredo nosso, só para nós dois.
Assenti, hipnotizada por seu olhar intenso e ele me puxou para seu colo, a mão bem presa na minha bunda para dar muito mais que apoio. Aproveitei a chance para pintar seu pescoço com minha arte e enche-lo de marcas vermelhinhas e rosas. Era bonitinho vê-las desaparecerem em segundos. Era bonitinho também vê-lo tremelicar com cada beijinho desproposital ou chupão de desejo.
Parecendo cronometrado, assim que trancamos a porta de seu quarto e ele me deitou delicadamente na cama, ouvimos a porta da sala bater e a baderna já tão costumeira encher a casa. Ri, um tanto aliviada por pelo menos um de nós estar um pouquinho são naquela nuvem de prazer mútuo.
— Quer tomar um banho, bene mio? — Inquiriu, salpicando beijinhos carinhosos por meu rosto todo. Dois em cada bochecha, um no nariz, três por meu maxilar, quatro selinhos molhados em meu lábio inferior, um demorado em minha testa. Não pela primeira vez, senti cada partícula de amor explodir em mais milhares de partículas.
— Nós dois... juntos? — Inquiri inocentemente, aproveitando de seu afago. Der se afastou um tanto para me olhar melhor nos olhos.
— Hm, sim, mas a gente não precisa fazer nada. Se você quiser tomar um banho, a gente só toma um banho. Se você quiser tomar o seu banho sozinha, eu saio e você...
Interrompi seu pequeno descontrole com uma mordidinha em seu queixo anguloso. Não estava incomodada nem com seu nervosismo, nem com sua proposta.
— Der, não é como se eu não tivesse rebolado contra você a cinco minutos atrás. Eu quero você comigo.
De preferência entre as minhas pernas de novo, por favor.
Ele sorriu aquele seu sorriso matador, rendendo completamente meu coração já em frangalhos.
— Então, vem comigo, Principessa.
Tudo foi feito com uma vagareza impressionante, a atribulação de antes esquecida e trocada pela leveza da descoberta, das primeiras vezes da noite.
O jeito com que ele tirou sua roupa, peça por peça, menos a cueca, como forma de me deixar mais confortável me esquentou o coração. O modo como ele me olhou nos olhos enquanto descia meu vestido já frouxo e suspirou, os olhos brilhando amor e desejo enrolados em uma camada boa, deus, tão boa, de carinho, conseguiu me deixar mais mole do que já estava. Completamente caidinha por ele.
— Linda... La mia dea, Leah mia. (Minha deusa, minha Leah) — Murmurinhou, a ponta dos dedos em uma caricia nos meus ombros, descendo por minha clavícula marcada por resquícios de seus dentes. Estava tão perto que podia ver toda sua pele com exatidão, as marcas e cicatrizes mínimas, a tatuagem em seu braço, os músculos predominantes e sua excitação ereta, mas não tanto quanto meu desejo queria.
Der parecia hesitar, não sabendo como ou se podia me tocar, acredito eu. Pensando demais em um momento que não precisava tanto de cabeça. Ele não se aproximaria mais, percebi. Estava esperando por minhas reações. Então, eu tomei a iniciativa. Andei em direção ao chuveiro e o liguei, olhando-o pelo ombro, rindo um pouco travessa pelo olhar longo que ele deu em minha bunda.
— Vem, Rick. A água tá tão gostosa. — Chamei sob o folego, ouvindo com perfeição sua respiração se estagnar e voltar depois com rapidez. Fechei os olhos enquanto mergulhava a cabeça no jato de água morna, a temperatura relaxando todos os meus músculos tensionados, pressentindo com arrepios em minha derme a aproximação sedutora de Derick.
Seus braços me puxaram contra seu corpo, em um abraço apertado por trás. Suspirei, pendendo a cabeça para o outro lado quando ele começou a depositar beijos calmos e estimulantes em meu pescoço, a pegada firme me fazendo arfar.
— Gostosa é você, amore. Me deixa louco com tão pouco. — Sussurrou em meu ouvido, lambendo toda a cartilagem da minha orelha, chupando meu lóbulo com sensualidade. Seu pau se esfregou em minha bunda, como se para provar seu ponto. Apertei uma coxa na outra, querendo aliviar nem que só um pouco a excitação em meu centro.
Rick me virou de uma vez, apressado de repente, me pressionando contra o azulejo e se esfregando em mim.
— Der...
— Sonhei tantas vezes com essa visão que estou tendo agora, fico com medo dessa noite ser só um sonho maluco. — Revelou, a respiração entrecortada em reação as minhas unhas em seus ombros. Sua perna procurava um modo de se enfiar entre as minhas, permiti com um suspiro deleitoso.
— Não sou um sonho, alfa. Pode me pegar para se certificar. — Pisquei, maldosa, levando sua mão livre até meu seio e a outra até minha boca, beijando seus dedos devagar. A imagem pareceu prender Der em uma hipnose, forçando seu digito para dentro de minha boca e massageando meu seio com gentileza, o dedão acariciando meu mamilo em círculos de pressão. Gemi com a boca ocupada, achando tão quente o combo de olhar nos olhos dele enquanto sentia todos aqueles outros estímulos.
Meu imprinting trocou seu dedo por sua língua, me beijando sensualmente, demorado, chupando e mordendo meus lábios. O toque agora livre por todo meu corpo. O vapor começou a tomar o cômodo pequeno, deixando o clima ainda mais quente, úmido.
— Eu posso? — Inquiriu contra minha boca, as mãos paradas lado a lado da carne de meu quadril. Os dedos fazendo carinho em circunferências provocantes por cima das tiras finas da calcinha. — Posso te fazer se sentir bem? Quero tanto te tocar, amore.
Assenti fervorosamente, excitada como nunca. Sua coxa musculosa fazendo uma pressão gostosa contra minha intimidade. Der mordeu a pontinha de minha orelha, numa provocação que surtiu o efeito desejado ao me fazer quase desfalecer em seus braços. O piso gelado em minhas costas era um contraste gritante com o fogo de seu corpo colado ao meu.
— Você pode. Me toca, Rick!
Então, com a minha permissão ele começou. O tato lento e curioso, passando seus dígitos por minha pele e apertando todos os lugares certos, como se tivesse um mapa, como se soubesse exatamente onde e como eu gostava. Sua mão espalmou meu ventre, o mindinho acariciando de leve a virilha, passando de modo sorrateiro pelo tecido da calcinha. Um espasmo me fez contrair o abdômen, ansiosa pelo próximo passo.
— Bom? — Só para confirmar, ele inquiriu. Sempre preocupado, sempre atento. Sorri, entalada de paixão.
— Bom, sempre bom, Der. — Assenti, confirmando minha fala, já perdida em sensações.
Seu toque se aprofundou, passando pela calcinha e me surpreendendo ao me massagear por cima do tecido. O toque exato em meu clitóris. Ofeguei, sentindo-me pulsar. Imaginando, só imaginando, seu toque cru em mim, sem barreira nenhuma, seus dedos entrando com aquela vagareza gostosa.
Com a mão livre ele apertou a parte interna da minha coxa, esfregando em movimentos constantes, ganhando mais e mais arfares meus. Seus lábios chuparam de leve minha boca, salpicando beijos indecentes e leves por minha pele, como asas de borboleta.
— Gostosa! — Quase rosnou pertinho de meu rosto, o som de sua respiração tão atrapalhada quanto a minha.
— Rick, pode não... Ah! Não fazer assim... assim não. — Toquei em sua mão, parando seus movimentos. Na verdade, não estava machucando, estava muito gostoso a fricção do tecido fino da calcinha em meu clitóris lubrificado. Mas, eu sabia como iria arder depois e seria desconfortável, além do mais eu só queria que ele enfiasse os dedos mais rápido mesmo.
Ele parou os movimentos, me fazendo resmungar pela falta de estímulo.
— Machucou, amore? Doeu? Me desculpa. — Der sussurrou, ainda apertando minha coxa, ainda roçando em meu corpo. Seu tom de voz me deixou tão alterada que o cheiro da minha excitação tomou o banheiro. Peguei sua mão, criando coragem, movida pelo tesão, e colocando-a por dentro da calcinha. Ele sorriu soprado. Vi pela visão periférica seu pau marcado demais na cueca molhada.
— Não doeu, continua. Você faz tão gostoso.
Ele movimentou os dedos tranquilamente, contornando minha vulva, os lábios menores, até acariciar meu clitóris de leve, me torturando. Meu instinto foi fechar as pernas, porque o choque de prazer que seu toque me trazia era muito para assimilar, mas ele calmamente as abriu de novo, apertando minha coxa com força suficiente para sentir a carne se moldar envolta de sua mão. Seu toque bruto me deixava mole, implorando por mais.
— Você tá tão molhada... — Seus dedos voltaram a acarinhar com mais força dessa vez, com uma pressão tão gostosa em movimentos repetitivos que me faziam arquear contra o azulejo. Quando ele fez círculos em meu ponto, não consegui evitar o instinto de revirar os olhos, sentindo a textura de seus dedos rudes na pele sensível. Abri a boca, arfando de modo contínuo. Não para, não para, por favor, não para! — Quero sentir seu gosto.
Gemi, ansiosa por aquilo, por alívio. Sim, por favor, por favor!
— A gente não tem muito tempo e os garotos estão na sala ao lado, mas eu não posso deixar minha Principessa na mão, posso?
Neguei, incapaz de murmurar alguma coisa com nexo quando ele trabalhava tão bem em mim. Tão bom, tão bom!
— Rick! — Arquejei, erguendo-me na ponta dos pés como reação do espasmo bruto que me acometeu.
— Não vamos até o fim hoje, mas quando acontecer, amore, eu quero te comer a noite toda. — A fala bruta, indecente, me deixou mais molhada do que eu pensava. — Quero apreciar cada pedaço de você.
Contrai, sem conseguir controlar minhas reações. Sua voz sussurrada era tão boa, me deixava tão derretida. Só queria sentir sua boca, sua língua em mim. Por favor, não fale comigo assim. Por favor, não diga nada com esse tom. Por favor, continue falando. Por favor, diga mais o que quer fazer comigo.
— Mas...
— Shii, aproveita agora, bene mio.
Ele se abaixou no chão molhado, os cabelos escorrendo água e o pau duro aprisionado pela cueca, ajoelhado entre minhas pernas, puxando meus calcanhares de modo delicado para que eu desse mais abertura e ele se encaixasse ali com facilidade. Vergonha pintou meu rosto, mas não o impedi de continuar. Der salpicou beijos leves, molhados, demorados, pela pele da minha virilha, respirando o cheiro da pele exposta. Era uma cena tão apelativa, me deixava tão molhada. Os dedos bandidos, úmidos pela água e a minha própria excitação, acarinhando a parte interna da minha coxa só para me fazer arrepiar. Segurei firme em seus cabelos quando senti um beijo sendo depositado especialmente em cima da minha intimidade.
— Logo, Der! Por favor...
— Eu vou te fazer sentir coisas que ele nunca teve a capacidade de fazer, vou te tocar em cada pedaço de pele que ele ousou tocar... Eu vou te fazer gozar para mim, Principessa, do jeito que ele nunca saberia fazer.
Era claro a quem ele se referia.
Abri a boca para fazer alguma gracinha sobre sua competitividade idiota, mas perdi o fio da meada em seu primeiro movimento. Tentei ao menos rolar os olhos para mostrar que sua implicância realmente não importava no momento, mas acabei por rolá-los de prazer, na verdade. Minha mente ficou em branco, banhada pelo prazer de sua língua se aventurando enquanto seus dedos acarinhavam minha entrada com carinho e um toque de brutalidade que me deixava bamba, apenas ameaçando entrar, me fazendo refém. Apertei seus cabelos em minha mão, buscando apoio e ao mesmo tempo indicando para que ele permanecesse ali. Era claro que Der sabia muito bem o que estava fazendo, o ar confiante o deixava mais sexy, sempre me encarando com olhares promíscuos ou fechando os olhos, como se saboreasse tudo o que fazíamos ali. Gostoso demais!
— È così che ti piace, amore mio? (É assim que você gosta, meu amor?) — Sussurrou, enquanto chupava de modo fraco a parte interna das minhas coxas, respirando fundo.
— Sim, sim, isso, Der. Continua, por favor, continua! — Supliquei, em uma nuvem de excitação tão forte que me turvava a visão.
Minha loba estava ansiosa, agitada, completamente domada pela aura dominante de Der, ao dispor do alfa, à espera dele.
Um espasmo forte fez com que minhas pernas tremessem de um jeito que alertou Rick, que subiu uma mão forte em minha barriga, arrepiando todo o rastro de pele que tocava, como se quisesse me promover mais segurança. Agarrei sua mão, mordendo os lábios e abrindo a boca em um gemido mudo ao sentir as conhecidas sensações em meu baixo ventre. Sua outra mão enfiou logo dois dedos em mim, estocando com brutalidade. Rick gemeu gostoso, abafado, trazendo uma vibração prazerosa por toda minha intimidade. Tudo era intenso, sentimento demais aluído ao desejo reprimido por tanto tempo. Libertá-lo agora trazia alívio e, ao mesmo tempo, uma ansiedade nova e boa.
— Você tá pulsando tanto nos meus dedos, amore. Fico imaginando meu pau dentro de você, gostoso assim. É uma delícia, principessa.
E foi isso. Apenas sua fala arrastada pelo sotaque forte junto a seus dedos esfregando com uma delicadeza enlouquecedora num pontinho certo dentro de mim para que tudo explodisse e eu desabasse. A sensação de torpor tão boa, intensa e carregada que vi estrelas, pontinhos de brilho pelo ambiente. Mesmo apoiada por seu corpo entre a parede, segura entre seus braços, ainda sentia a adrenalina parecida com a de cair de um precipício correndo por minhas artérias, sugando minhas forças.
Ele tirou seus dedos de mim, mas ainda manteve o carinho em meu clitóris, prolongando meu orgasmo. Porém, tudo estava sensível demais, cada toque era demais, tudo demais para que eu aguentasse, então segurei seu braço com mais força, em um pedido mudo para que parasse. Der atendeu no mesmo instante, se levantando e segurando minha cintura com força quando cambaleei, sem nenhum senso de orientação. Minhas pernas tremiam pelo cansaço, pela força do orgasmo, os músculos vibrando pela euforia, ainda pulsando. Sentia suas mãos tremerem um pouco em contato com a minha pele.
— Shii, Perdizione, eu te peguei, estamos juntos nessa. Respire fundo, sim? Foi bom? Você gostou? — A voz levemente falhada demonstrava o quanto aquilo tudo havia o afetado também.
Ri de leve, ainda respirando curto, ainda flutuando pelo chão, e arrastei-o de modo preguiçoso para debaixo do fluxo de água.
— Foi bom demais, Der. Gostoso demais. — Mais gemi do que sussurrei, apertando-me em seus braços. Parecendo ainda mais carente de seus abraços. Queria que ele me pegasse e não soltasse nunca mais. Nunca mais.
A água morna ajudou a desanuviar os pensamentos, amansando todo o ar sexual e deixando só o carinho. Sua mão acariciava de leve a linha de minha coluna, para cima e para baixo, relaxando. Minha calcinha jazia esquecida no chão do banheiro, porém Derick ainda mantinha sua vestimenta.
— Tira a cueca pra tomar banho direito, já passamos dessa fase, não acha? — Sugeri, presumindo que ele a mantinha apenas para o meu conforto e pudor. Não entendi quando o movimento de retirar a cueca pareceu tão envergonhado, mas vi o que o constrangia após a peça cair no piso aos nossos pés. Olhando atentamente uma linha grossa de pré-gozo se sobressaia ao ligar o tecido molhado de sua box ao seu pau ainda duro. Der se avermelhou quando seguiu meu olhar, mas fingiu normalidade. Lambi os lábios me sentindo um tanto eufórica. Queria tocá-lo também. Era injusto que só eu tenha tido meu momento.
— Se você continuar encarando assim, vou ficar com ainda mais tesão e não sairemos desse chuveiro nunca, Principessa.
Sorrindo, amolecida por sua voz, pela vontade de retribuir, e abraçando o corpo molhado enquanto o colava ao meu, sussurrei:
— Deixa eu te tocar também, deixa? Vou te fazer gozar gostoso pra mim, eu prometo.
Ele tremelicou, apertando os braços ao redor da minha cintura, rindo suavemente em meu ouvido.
— Você é perigosa, Principessa. Perigosa demais.
Desgrudei de nosso abraço espaço suficiente apenas para poder beijá-lo, descendo as mãos por seu peito, seu abdômen definido, até a linha V em seu quadril, ouvindo-o arfar meio à mordida que depositei em seus lábios gostosos.
— Deixa, Der? — Murmurei apenas para confirmar se ele realmente queria, mas sua mão guiando a minha direto para seu membro ereto era resposta suficiente.
— Faz o que quiser comigo, Principessa. Sou seu.
Ele me prensou na parede de azulejos novamente, mas agora com a intenção diferente. Der se curvava sobre mim, olhando em meus olhos enquanto seu pau em minha mão pulsava gostoso, mostrando o quanto ele gostava da atenção recebida. O azul escuro de seu olhar me prendia, me deixava excitada, me sentia importante ao poder tirar seus arfares e suspiros sedutores. Sua mão subiu para minha mandíbula, puxando-me para um beijo duro, grosseiro e, ao mesmo tempo, lento, tão lento que deixava tudo ainda mais quente. Chupei sua língua, engolindo o gemido que Der segredou a mim, guardando-o comigo.
— Não para, Principessa mia. Eu vou gozar. — Sua respiração desregulada, seu sotaque embolado e as contrações em seu abdômen e membro denunciaram o momento de seu ápice. Minha mão se sujou com seu prazer. — Eu amo você.
O beijo doce que deixou em meus lábios, em contraste gritante aos atos libidinosos que tivemos até o momento, me desmontou. Sorri, me sentindo amada, desejada, querida ali, em seus braços, ao redor de seu cheiro tão bom. Derick me amava. Ainda parecia difícil acreditar.
E quando tudo se acalmou, a letargia pós-orgasmo chegou e ele nos banhou, secou meu cabelo com uma toalha felpuda e colocou sua blusa em mim como um pijama. O ato de me vestir com carinho parecendo ainda mais íntimo que o de me despir.
Deitada em sua cama, envolta pela mistura de nossos cheiros em seu lençol, sentindo o toque de sua pele na minha com arrepios fantasmas, sabia que dormiria tão bem e relaxada como a semanas não fazia. Nenhum pesadelo me atingiria dessa vez, nada de tragédias, vampiros, guerra ou rostos meus que eu não reconhecia me atazanando. Apenas paz e felicidade, pura e sincera. Amor. Forte, intenso. Amor pra todo lado.
Encarei Derick atentamente enquanto ele me olhava com igual atenção, perdida nos detalhes. Na barba que insistia em aparecer sempre, nos cabelos lisos e loirinhos emoldurando o rosto tão bem esculpido, na bondade no olhar, no jeito de me encarar com tanto carinho.... quase adoração, que me deixava tímida.
— O que tanto olha, amore?... Está tão quietinha. É pelo que aconteceu no banheiro?
A fala com um pouquinho de insegurança me fez deslizar para mais pertinho dele, pondo a cabeça em seu ombro e abraçando sua cintura com a perna. Sua mão passou por minha coxa, segurando-a ali e acarinhando levemente com o polegar.
— O que aconteceu no banheiro foi maravilhoso, nunca me senti tão bem em toda minha vida e, sim, estou pensando muito no que aconteceu ali, mas, no momento, tudo o que estou conseguindo enxergar é você. Os seus olhos.
Ele sorriu satisfeito, a insegurança voando para longe tão rápido quanto veio.
— E por que isso de repente?
— Só me perguntando o que eu fiz de bom assim na minha outra vida para ter você comigo, pra te ter assim, desse jeito. Não consigo entender o que você viu em mim para te fazer ficar, mas agradeço tanto por ter ficado.
Um beijo delicado foi deixado em minha testa.
— Você não se vê muito claramente, sabia? Eu já te disse isso uma vez. Pelo menos, não se vê do jeito que eu vejo. E não é só por causa do imprinting. Acho que nunca te disse isso com todas as letras. Quando eu te vi, quando a nossa magia aconteceu, nossa, foi uma explosão e você é linda, claro que houve uma atração imediata. Mas, depois... depois que a magia desanuviou a mente, depois que nos conhecemos melhor, depois que conheci seus defeitos e vi suas imperfeições, quando eu vi a verdadeira Leah... eu... eu te amei tanto ali, Principessa. A atração, a paixão, foram rápidos e quase como uma força da gravidade. Só que o amor... ele foi um sentimento construído, não imediato. Todas as brigas que tivemos e que ainda teremos, todas as nuances que ainda serão descobertas, tudo faz com que eu ame você e ame estar com você. Sou feliz com você e quero te fazer feliz na mesma proporção. E te garanto que a visão distorcida que você tem sobre você mesma, amore, não é nada perto da realidade, da pessoa maravilhosa que você é, da pessoa que eu enxergo.
Ainda não acreditava piamente em todas as qualidades que ele via em mim, mas ouvir aquilo dele fez meu coração já entregado, se aquecer totalmente. Era tão bom se sentir amada daquele jeito.
— Com todos os defeitos?
— Eles são parte da maravilha, Principessa. Só partes de quem você é... e eu amo você.
Não consegui responder, banhada em pensamentos introspectivos, mas Derick sabia o que transbordava de meu coração. Por isso, ele me aceitou em seus braços e acarinhou meus cabelos até cairmos no sono. Juntos, como um.
Acordei sentindo o cheiro de sua nuca, os cabelos grandinhos fazendo cocegas em meu rosto. Seus lençóis tinham seu perfume e o meu misturados, deixando tudo tão confortável. Sorri, apertando o enlace de meus braços ao redor do dorso de meu imprinting. Derick estava todo encolhido em mim, de costas, eu sendo a conchinha maior, o sono tranquilo e regular.
Beijei a nuca exposta, trilhando beijinhos em seus ombros largos, querendo dar tanto carinho a Der até que ele explodisse. Passei a perna por sua cintura, ouvindo-o resmungar e segurar minha coxa. Levantei um pouco mais na cama, alcançando sua orelha e beijando ali também, chupando de leve a hélice e deixando bitocas molhadas pela pele sensível atrás. Rick apertou minha coxa, puxando-me para ainda mais perto, quase me fazendo ficar por cima de si.
— Hm, desse ataque de surpresa eu gosto muito, amore mio. Faça sempre, por favor.
Sorri, deixando um último cheiro em seu pescoço antes de dar espaço para que ele se virasse.
— Bom dia, Rick.
O rosto todo amassado sorriu para mim como pode, os olhinhos inchados e ainda um tanto fechados. A visão mais fofa do mundo. Minha loba se desmanchou inteira, derretida por meu imprinting. Quase rolei os olhos. Desde quando eu era tão piegas assim?
— Levanta, temos treino antes do aniversário surpresa do Jake, lembra? Vamos, vamos. Vou fazer nosso café.
Fiz menção de levantar, mas ele foi mais rápido, agarrando-me e me mantendo presa entre seu corpo e a cama, o rosto pertinho do meu, a intenção clara nos orbes arteiros.
— A gente ainda nem escovou os dentes, seu idiota! — Ranhetei, mas o tom perdia toda a imperatividade pelo sorriso em meus lábios. Ele rolou os olhos.
— Ah, qual é! Já fizemos isso antes. Agora, vem aqui, sonhei com você essa noite e acordei louco pra te beijar, continua na vibe do carinho de quando me acordou, tô carente de você.
Ri de maneira alta, enrolando os braços ao redor de seu pescoço.
— Meu Rick está carente? Como posso deixar meu bebê sem carinho desse jeito? Que imprinting horrível eu sou.
Der riu, entrando no jogo, mirando-me com um olhar sacana.
— Exatamente, Principessa. Não pode deixar seu bebê assim, ele vai ficar muito triste. Bota ele pra mamar, vai.
Arregalei os olhos, surpresa por onde sua mente caminhou do nada. Empurrei-o de cima de mim, gargalhando tanto que minha barriga doeu. Derick conseguia arrancar cada gargalhada com uma facilidade impressionante, nunca me acostumaria.
— Alexander! — Só fingi repreender, a voz risonha e engasgada.
— O que? Chamou de bebê tem que dar de mamar, é a regra.
Ainda rindo, roubei um selinho rápido, afastei as cobertas e me levantei depressa antes que ele conseguisse me segurar novamente, apertando os olhos para o alfa engraçadinho espalhado na cama, todo gostoso com aquelas coxas musculosas, os braços fortes, o sorriso provocante e o peitoral definido... Cristo, que distração! Se concentre, Leah!
— Vou te pôr pra encerar esse chão, seu idiota. Fica de gracinha que a única coisa que eu vou te dar vai ser uma vassourada. Espera só pra ver!
— Ai, isso, Leah. Manda em mim, me dá uma vassourada, me usa de empregado, me pisa igual pano de chão, quanto mais me degrada, mais eu gamo, Principessa. — Fez uma voz afetada, cheio de entonação. Ri mais, desacreditada pela cena a minha frente.
Recoloquei meu short de pijama que estava ali jogado, deixei a blusa folgada de Derick mesmo e me dirigi a porta, abrindo-a.
— Ei. — Derick chamou, sorrindo pra mim enquanto colocava as mãos atrás da cabeça. Desse modo, os músculos bíceps de seus braços saltaram, deixando-os em evidência. Suspirei, afetada e esperei para ouvir qual piadinha agora teria que engolir. — Eu amo você.
A declaração me pegou desprevenida, então corei como uma idiota e não soube reagir à frase carinhosa, embora aquela não fosse a primeira vez que a ouvia. Atrapalhei-me toda e corri dali, envergonhada por me lembrar de todo o mel de ontem à noite. Escovei os dentes no banheiro do corredor e, da cozinha, consegui ouvi-lo ainda gargalhar por minha reação exagerada.
Klaus já tinha se levantado e mexia em seu celular encostado no balcão. Murmurou um “bom dia” engasgado por um bocejo quando passei por ele e bati de leve em suas costas como cumprimento.
— Vai fazer o café? — Inquiriu quando me viu pegar os ingredientes para panquecas e ovos com bacon. — Quer que eu busque alguma coisa? Ou te ajude com algo?
Assenti, acenando para que batesse a massa da panqueca na tigela.
— Hoje vocês vão comer um legitimo café da manhã americano.
— E café... Joe e Derick gostam muito de manhã.
Ri do jeito fofo com que ele falou, batendo a massa com mais força do que o necessário.
— Claro que vamos fazer também, Nik.
— Quer que eu faça? Posso fazer sem problemas.
— Pode deixar, eu faço.
— Ah, mas não é problema nenhum, eu posso fazer, Leah.
Tirei os olhos da frigideira, estreitando-os para o seu lado.
— Por que está insistindo tanto, seu farsante? O que tem contra o meu café? — Fingi um nervosismo inexistente, arqueando uma sobrancelha. Klaus tremeu.
— N-nada, Leah. Nada contra, mas... hm... ele é um pouco aguado demais para o nosso paladar, entende? Gostamos mais forte. Aqui o preparo é... meio... diferente.
Fiz uma careta com a descoberta.
— Derick não gosta do meu café?
Ele nunca tinha dito nada sobre esse detalhe em específico, mas se Klaus sabia então queria dizer que ele já havia falado alguma coisa ou pensado enquanto lobo. Mas, como nunca tinha reparado? Não era grande coisa, mas me surpreendeu.
— Não é isso! Só... gostamos mais... olha, quer saber, faça do seu jeito. Estará gostoso do mesmo jeito. — Todo atrapalhado, ele articulou, deixando a massa maltratada no balcão e fugindo de meu olhar. Seu combo de ações desajeitadas me fez ter dó de o assustar assim. Parecia uma criancinha acanhada. Minha loba se agitou, querendo ver seu filhotinho postiço sem aquele desconforto sem razão.
— Tô enchendo seu saco, Niklaus. Não ligo realmente pra isso, pode fazer tranquilo. Estou terminando os ovos, me passe a tigela de panquecas e coloque o mel na mesa. Vai querer cereal de novo?
— Sim, por favor. — Murmurou, já mais leve, tomando seu posto ao meu lado e auxiliando na confecção de nosso café.
Estava distraída tentando virar a panqueca sem que ela quebrasse quando braços fortes me enlaçaram pela cintura, pegando-me de surpresa.
— Que cheiro bom, amore. — Elogiou em meu pescoço, o nariz passando suavemente pela minha pele, arrepiando toda a tez.
Ri, virando a cabeça e beijando sua bochecha como podia. A frigideira chiou com a manteiga derretendo, exigindo minha atenção de volta.
— Está falando de mim ou desse banquete?
Ele sorriu contra meu pescoço e apertou o enlace apenas mais um pouco antes de ir para a mesa, arrumando algumas xicaras e se sentando na cabeceira.
— Adivinhe, Principessa.
Finalmente, terminei a pilha de panquecas e a coloquei em um prato no centro da mesa. Ovos e bacon muito bem organizados em outro prato. A quantidade suficiente para alimentar um batalhão de lobos famintos. Klaus organizou o restante do café da manhã, trazendo os pães, o café com cheiro forte, seu leite e cereal.
Allan e Joe, hipnotizados pelo cheiro que corria pela casa, logo acordaram e se sentaram à mesa, juntando-se a nós para a refeição com as caras amassadas de sono e baba seca.
Minha barriga roncou e agradeceu quando comecei a mastigar a panqueca adoçada com mel. Suspirei em contentamento. Estava do jeitinho como eu gostava. Quente e doce com o toque mínimo de sal da manteiga recém derretida.
Allan com a boca cheia de ovos se levantou de repente, dizendo entre o montante de comida:
— Vou pegar chá de camomila, fiquei com vontade. Alguém quer? Tomei um ontem à noite e sobrou, me acalmou como um bebê.
Neguei com a cabeça, entretida com meu prato.
— Ah não, eu passo. Tomei um chá ontem à noite que me deixou todo sonolento, adeus insônia. — Derick se pronunciou, a voz calma e risonha.
— Ontem? Mas você não tomou chá no nosso jantar, quando que v... — Parei, raciocinando o que ele disse e encarando sua expressão sem vergonha, claramente me provocando. Arfei, ultrajada por sua ousadia, dando um chute em sua perna embaixo da mesa. Infelizmente, acabei acertando Joe, que grunhiu em seu lugar, ofendido pela agressão gratuita. — Seu idiota, para com isso!
— Eu não fiz nada!
— Joe, você não. Estava falando com seu alfa ridículo!
— E o que a minha canela tem a ver com a discussão de vocês?! — Resmungou dolorido, esfregando a mão na canela vítima.
— Foi sem querer, garoto! Estava tentando acertar Derick! — Me defendi, empinando o nariz.
— Mas me acertou! — Fez biquinho, enfiando um pedaço grande de panqueca melada em mel e ovos na boca. Era uma mistura estranhíssima, mas não contestei seu gosto peculiar, apenas revirei os olhos pelo drama em plena manhã.
— Se você abrir essa boca para alguma outra gracinha, Derick Abbado, vou acabar com a sua raça e não, não será da forma boa.
Derick riu safado, mas não ouvi um pio seu durante todo o restante do café e do treinamento.
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