Leah - I See You
14 Capitulo 14 - Sebastian Trizolli
Notas iniciais
—Mãe, eu e Derick vamos... Hm, andar por aí. — Avisei, empurrando Derick discretamente. Ele me olhou sem entender. -Rápido, Abbado. Antes que eles comecem a... — Não pude terminar de sussurrar, porque Embry, como sempre, começou a implicar:
—Então, os dois vão sair sozinhos no meio da floresta de noite? Interessante.
—Interessante o quê, moleque? — Rosnei, sem paciência.
—Vocês dois, floresta, escurinho... O que será que vai acontecer? — Paul provocou, sorrindo juntamente com os outros.
—Nada que venha a te interessar! — Retruquei, irritada. -Vamos, Derick. Para de enrolar! — Disse, empurrando-o novamente. Ele sorriu para mim e deixou-se ser guiado.
Os idiotas ainda implicaram mais um pouco enquanto nos afastávamos, nada que o meu dedo do meio não tenha resolvido. Derick gargalhou com aquilo e lentamente juntou nossas mãos enquanto caminhávamos. Era uma sensação estranhamente boa estar de mãos dadas com ele, um sentimento diferente e tão certo. Era apaziguador, calmo, como se nenhum sentimento ruim pudesse nos atingir. Nenhum de nós dois parecia prestar atenção ao caminho que estávamos pegando.
—O que queria me contar? — Perguntei, depois de alguns segundos de silencio.
—Na verdade, eu queria te perguntar uma coisa.
—Ora, então pergunte. — Exclamei, a curiosidade borbulhando.
—Antes de nos conhecermos, você, alguma vez, teve algum tipo de pressentimento estranho? Quanto a mim, quero dizer.
—Talvez. — Disse cautelosa, lembrando de como o cheiro dele era forte na praia, os olhos brilhando para mim em meu sonho. -Por quê?
Ele soltou um suspiro aliviado, me fazendo encará-lo confusa.
—Pensei que tivesse sido o único. — Explicou, sorrindo carinhoso.
—Você também? Sério? Pensei que estava ficando louca! Um dia, estava sentada na praia quando senti o seu perfume. Na época, eu não sabia que ele era seu, mas sentia que o conhecia de algum lugar... Ele era, de alguma forma, atrativo para mim. Depois, eu sonhei com você, só que não vi teu rosto nem sua forma humana. Apenas seu lobo e seus olhos. — Tagarelei, empolgada. -E você? O que aconteceu?
—Bom... Eu também senti seu perfume em Lupi Luna. Fiquei igual um idiota tentando segui-lo e saber de onde ele vinha, mas, como você sabe, não consegui encontrá-lo. E eu sonhei com você, Principessa. Sonhei apenas uma vez e meu mundo todo mudou. Aliás, foi graças a você e a internet que consegui achar La Push. Santa Clearwater! — Ele falou com tanto carinho que minhas bochechas coraram.
—Como pude te ajudar? — Indaguei, desconversando e tentando disfarçar meu constrangimento. Odiava aquele dom estranho dele de poder me envergonhar com qualquer coisinha.
—Você me disse o nome de Sam no sonho, me disse para procurar por você e eu o fiz. Claro que a recompensa foi muito melhor do que eu poderia sequer imaginar. — Gracejou, piscando para mim. Senti-me corar novamente. -Olha só, ela ficou envergonhada. Devo me preocupar com o fato de que você só cora quando está comigo? — Provocou-me, o sorriso cafajeste dançando nos lábios. Fui impedida de dar-lhe uma boa resposta pelo toque de seu celular. Ele se atrapalhou um pouco, tateando os bolsos procurando-o, e sorriu quando viu o nome no visor.
—E aí, Vecchiaccio? — Exclamou, a voz debochada. -Saudades?
—Sonhe, Lobinho. Você não me ligou como disse que ligaria. Pensei que pudesse ter acontecido alguma coisa. — O homem do outro lado ralhou em um tom leve.
—Preocupação, ãhn? Fiquei emocionado. — Sorri com sua fala, provocativa. -Desculpe, Vecchiaccio, mas aconteceram tantas coisas depois que chegamos.
—Más notícias? — O homem perguntou, a preocupação precariamente disfarçada. Seu tom mais parecia a de um pai não querendo demonstrar os sentimentos.
—Não, ao contrário. Notícias boas, muito boas.
—Você a encontrou, não foi? Sua Single. Eu sabia que iria achá-la. Ela é tão bonita quanto no sonho?
—Dio, você não sabe o quanto. Ela é tão linda, tão maravilhosa, tão estressadinha, você precisa vê-la para entender. — Sua fala maravilhada ao me descrever deixou-me desconcertada. A quanto tempo não era elogiada, ainda mais daquela forma?
—Então o apelido da "Deusa dos olhos amendoados" ainda está de pé?
—Oh, isso com certeza é verdade, mas procure não a chamar desse jeito quando ela estiver por perto, tudo bem? Isso é meio constrangedor. — Concluiu, sorrindo encabulado para mim. Não pude evitar que minhas bochechas se avermelhassem novamente.
—Então, ela está aí? Quero conversar com ela, passe o telefone.
Derick bufou e resmungou, mas logo passou-me o celular. Encarei-o assustada.
—Ele quer falar com você. Fique calma, ele só quer encher o saco. Ignore tudo o que ouvir e vai ficar tudo bem. — Resmungou, a expressão carrancuda. Sorri e Perguntei:
—Quem é?
—Olá, garota. Eu sou Sebastian Trizolli. É um prazer. — Respondeu educadamente. O sotaque forte, a voz calma, profissional, como se me analisasse.
—Sou Leah. — Disse simplesmente. Um silêncio estranho caiu. Fitei Derick, inquisidora, mas ele só deu de ombros.
—Nenhum "o prazer é meu", ou "como o senhor está?". Certo, eu esperava uma recepção melhor. — Retrucou, parecendo conter o riso.
—Procure outra pessoa para lhe receber então. — Ranhetei, dando de ombros. Ele gargalhou com isso. Derick sorriu, orgulhoso.
—Gostei de você, garota. Parece que Derick encontrou alguém tão mal-educado quanto ele.
—O senhor não viu nada. — Ironizei, sorrindo divertidamente. -Fiquei sabendo que andou contando histórias sobre mim, Sr.Trizolli.
—Histórias? Eu? Como assim? — Ele perguntou, confusão transparecendo na voz.
—Pelo que Dona Stella disse, o senhor conhece mais de mim do que eu mesma. Aliás, aparentemente todos do Consigli ou do bando conhecem mais de mim do que eu.
—Eu não estou entendendo onde voc... Espera! Você é uma transmorfa? Como isso é possível?! — Indagou, impressionado.
—Pensei que o senhor era mais esperto. — Impliquei, sorrindo.
—Eu não acredito que uma transforma foi escolhida para ser a Single do Derick! Ele é muito paspalho para ganhar essa honra. — Comentou ele, ganhando dois rosnados em resposta. -Não rosnem para mim, dois sacos de pulgas! Eu sou o mais velho aqui, tenham respeito! — Brigou, embora sua voz fosse divertida.
—Honra? Como assim? — Perguntei, confusa.
—Vejo que não sabe metade de sua história, não é? Bom... Talvez eu não tenha contado todas as histórias sobre transmorfas para o bando. — Revelou, o tom misterioso. Olhei para Derick, esperando sua reação. Ele não parecia muito feliz.
—Não nos contou? Eu sempre perguntava coisas sobre as transmorfas e você sempre respondia minhas perguntas. — Derick, disse alto o suficiente para que ele pudesse ouvir. -O que escondeu de mim?
—Ora, agora seu interesse está explicado. Eu devia ter desconfiado. — Comentou ele, parecendo sorrir. -Mas, eu não contei, Derick. Sinto muito. Era "segredo de estado". Nem o alfa poderia saber. Eu deveria contar apenas se uma transmorfa aparecesse e, ainda sim, deveria dizer só para ela.
—Bom... Fique sabendo que mesmo que me contasse tudo a sós, quando encontrasse Derick eu iria dizer tudo a ele. — Expliquei, dando de ombros. Meu coração saltou com o sorriso perfeito que Derick me dirigiu.
—É, eu já havia pensado nisso. Mas, essa é uma coisa que não se deve contar por telefone no meio do nada. As paredes têm ouvidos. Eu ligo de volta.
—Vou passar para o Derick. Se cuide, Sr.Trizolli.
—Você também, garota.
—Meu nome é Leah! — Briguei, irritada. Ganhando como resposta uma gargalhada.
Passei o celular de volta para Derick e esperei. Eles continuaram a conversar mais um pouco e logo começaram a implicar um com o outro novamente. Depois de alguns minutos, Derick desligou.
—Vecchiaccio, filho de uma mãe, pegou todos os meus créditos. Sabe quanto custa uma ligação internacional?! Ele vai ver só!
Gargalhei de seu jeito irritado.
—Você acha que ele estava falando sério sobre as histórias? — Perguntei, curiosa e ansiosa por respostas -Há mais lendas?
—Acho que sim, Principessa. Algumas vezes, e você não deve contar a ele em hipótese nenhuma, eu escutava umas conversas do consigli... — Derick segredou-me, o olhar malandro. Arregalei os olhos, chocada.
—Derick!
—O quê? Eu era só um adolescente bobo que tinha o dever de liderar outros adolescentes bobos. — Encarou-me com a expressão inocente. -Precisava de informações extras e, em algumas vezes, eu escutava coisas sobre as Transmorfas e algumas profecias. E, Dio, tenho certeza que é algo grande.
—Como assim "algo grande"? — Inquiri, preocupada. Seu olhar se tornou sério de repente.
—Tem alguém vindo. Depois continuamos.
Em menos de um minuto, Seth e Embry chegaram até nós.
—Ei, casalzinho, Jake está chamando. Ele e Sam querem conversar com Derick sobre os Cullens. — Embry avisou, o tom debochado demais para que pudesse resistir a lhe mostrar o dedo do meio.
—Não somos um casal. — Retruquei, passando por ele e esbarrando em seu ombro de propósito.
—Ouch! Principessa, essa bateu fundo! — Derick provocou, gargalhando junto de Seth.
—Vão se ferrar! — Exclamei, caminhando a frente deles. Não demorou muito para Derick me alcançar e sussurrar sedutoramente:
—Só vou se você for.
Não pude evitar sorrir.
—Idiota. — Xinguei-o, dando-lhe um soco de leve. Ele sorriu e passou seu braço em volta da minha cintura, me puxando para andar mais perto dele. Não me afastei. Era irritantemente difícil ficar perto dele sem tocá-lo.
—Depois diz que não são um casal. São o que então? — Embry implicou, passos atrás de nós.
—Isso não te interessa, sabia? — Resmunguei, me aconchegando mais no abraço de Derick. O perfume dele era tão gostoso que quase me fazia suspirar. Seth gargalhou e zoou Embry o caminho inteiro até a fogueira.
Jake me mandou um olhar malicioso quando me viu abraçada com Derick. Limitei-me a revirar os olhos. Aparentemente, mamãe, Dona Stella, Billy e Sr.Ateara já haviam saído, pois a conversa estava alta demais e a bagunça um pouco mais bagunçada que o normal.
—Desculpe interromper o que quer que estavam fazendo, mas é um assunto importante. — Jake começou sorrindo sapecamente para nós. -Os Cullens.
—São seus aliados vampiros, certo? — Klaus perguntou levemente incomodado.
—Sim, nós falamos deles para vocês. — Jake concordou.
—Nós queremos que vocês conheçam eles pessoalmente. — Sam informou. Senti Derick enrijecer ao meu lado.
—Acho que isso não é uma boa ideia. — Derick murmurou. -Nós e vampiros não é uma combinação muito animadora.
—Vocês têm que conhecê-los. Sabem que eles não são como os outros vampiros, afinal, somos próximos, certo? Eles são bons... Reneesme é a prova disso. — Jake disse, suspirando bobamente ao final do nome da garota.
—Sei que ela é sua single, Jake, e que vocês todos são bons amigos, mas... As coisas são complicadas e... Alguns de nós tem problemas sérios em se controlar perto do cheiro nojento deles. — Derick falou, colocando-me a sua frente, encaixando sua cabeça no vão do meu pescoço. Um arrepio subiu por meu corpo quando ele suspirou pesadamente. -Depois de tanto tempo relacionando o cheiro enjoativo à perigo mortal... Bem... As coisas começam a ficar meio automáticas.
—Qual é? Nós temos um esquentadinho também. Paul só começou se controlar mais com a chegada da Rachel. — Sam argumentou, ganhando um olhar nada amistoso de Paul. -Fiquem calmos. Nada vai acontecer.
—Digamos que Allan ainda não encontrou sua Single. — Joseph provocou, gargalhando com a expressão raivosa de Allan. -Então, não podemos garantir nada.
—Eu não sou tão pavio curto assim, tudo bem?! Só que algumas pessoas me enchem demais, às vezes. — Allan se defendeu, olhando para Derick sugestivamente. Sorri com aquilo.
—O negócio é que pode ser meio difícil esse encontro todo. — Derick avisou, a voz cansada.
—Difícil ou não, vocês têm que conhecê-los. Amanhã, às duas? — Sam perguntou, o tom alfa transparecendo consideravelmente no final. Derick trincou os dentes com aquilo, mas apenas acenou afirmativamente. Eu entendia mais ou menos o que ele sentiu, Jake já havia conversado conosco sobre como era ouvir o tom alfa de alguém sendo que você também era um alfa. Segundo ele, era difícil controlar o lobo em situações como aquela. Me preocupei. Uma briga entre eles não seria muito legal. -Nós já vamos. Vocês vão ficar aqui ainda? — Indagou, olhando-nos maliciosamente. Senti Derick sorrir e instantaneamente relaxei.
—Oh, eu amaria ficar aqui por mais tempo, mas...
Interrompi-o, me afastando de seu abraço e encarando-o com repreensão fingida.
—Mas não vai ficar. Você precisa dormir. Aliás, todos vocês, idiotas, deveriam dormir. — Decretei, tentando segurar o sorriso que queria sair pela cara devastada dele. -Amanhã temos um grande dia visitando os sanguessugas vegetarianos.
—Mal posso esperar. — Allan cantarolou ironicamente. Rolei os olhos para ele.
—Não seja tão rabugento, Allan. Onde está a sua animação? — Impliquei, sorrindo maleficamente. -Vai conhecer vampiros bonzinhos que caçam animais indefesos na floresta. Isso não é divertido?
—Leah... — Jake chamou-me, o tom de aviso. Revirei os olhos novamente.
—Não estou dizendo nada demais, então, não venha me encher. — Retruquei, grossa. Foi a vez de ele rolar os olhos.
Depois de mais algumas conversas entre Derick, Sam e Jake, todos nos despedimos e saímos em direção a nossas casas. Seth insistia em fazer perguntas e mais perguntas sobre o que Derick e eu ficamos fazendo, sobre o que havíamos conversado, e só parou quando prometi lhe contar amanhã se ele não me enchesse demais. Quando cheguei em casa e me deitei em minha cama, notei que um largo sorriso se fixara em meus lábios, que um sentimento estranho e diferente se solidificara em meu peito. Respirei fundo, sentindo o perfume dele em minhas roupas e suspirei, me sentindo leve, como se finalmente pudesse respirar direito novamente. Fechei os olhos, sorrindo ainda mais com a lembrança de um par de olhos azuis intensos piscando cafajestemente para mim.
Merda de imprinting!
Fale com o autor