League of Legends: As Crônicas de Valoran
64 Capítulo 61: O Tormento
Notas iniciais
Capítulo 60:
O Tormento
Katarina liderou as tropas noxianas para o campo de combate, acompanhada de Riven, Draythe, Talon e toda sua guarda. O céu estava nublado, denunciando uma chuva que logo viria. À frente de todos os noxianos, a uns vinte metros, Jarvan III e suas tropas.
– Isso é ridículo! – exclamou Fiora, ao lado do rei. – Swain nem mesmo se apresenta para suas tropas, deixando-a sob as mãos de assassinos!
Jarvan III sentiu uma sensação estranha, como se sentisse que algo estava faltando. Não queria acreditar que sentia a falta de Swain na guerra, e até mesmo de Boram; não havia caído a ficha de sua morte, ainda. Seus maiores rivais das últimas duas décadas não estavam mais ali. Aquela guerra não parecia fazer sentido. Por que ele não veio?, perguntou a si mesmo.
– Onde ele estará? – perguntou em voz alta, porém, para si mesmo.
Xin Zhao, ao seu lado, bufou.
– Deve ter fugido de volta para Noxus. Fontes me avisaram que ele foi impedir o casamento e posse de Keiran Darkwill ao trono. Realmente, uma jogada de mestre.
O rei suspirou. Swain sempre jogava como um rei, mesmo não sendo um. Isso o importunava desde que guerreou contra ele pela primeira vez. Ele se tornar quase um rei só provava isso. Tinha certeza de que ele assumiria, matando Keiran. Sabia que Jericho não jogava a não ser que fosse para vencer.
– Um verdadeiro rei nunca olha para baixo! – corrigiu Fiora, com um tom ofensivo. Se não fosse ela, poderia ser punido de morte.
Jarvan acordou de seus devaneios, balançando a cabeça.
– Perdão, Senhorita Laurent. Estava pensando demais. Preciso me concentrar ao que realmente importa.
Já do outro lado, Katarina organizava sua estratégia de guerra com seus aliados. Podia sentir um frio na barriga, uma tremedora nas mãos. Olhou para Talon, que olhou de volta para ela, como se a repreendesse por ser fraca e ter medo.
– O que pretende fazer? – perguntou Riven.
Katarina respirou fundo.
– Darei um fim a esse ciclo ridículo de batalhas – respirou fundo. – Vou matar Jarvan III e entregar Demacia nas mãos de Swain.
Draythe se sentiu mal com essa afirmação, pois ela sugeria a clara morte de Keiran, seu irmão, para que Swain assumisse o cargo. Por mais que odiasse seu irmão mais novo, temia por ele. Só o tinha de família, e não queria perde-lo. Porém, imaginar uma Noxus governada por ele não era nada bom, tinha certeza.
– Se tivermos sucesso – ele disse –, o que faremos em seguida?
Riven suava em frio.
– A única vez em que Noxus conseguiu matar um rei demaciano foi há quatro gerações, quando o rei Jarvan I ameaçou os portões de nossa cidade.
– Naquela época nós tínhamos uma Mão de Noxus – falou Talon entredentes. – Agora não temos mais.
Katarina deu um passo à frente.
– Não precisamos de uma Mão para vencer essa guerra.
Ela nunca se lembrou de quanto tempo se passou até que a guerra se iniciasse. Seu coração batia mais rápido, sentia como se tivesse sangue nos olhos, uma fúria dentro dela, que pulsava por Jarvan III. Quando a guerra começou, os soldados de ambos os reinos foram de encontro uns com os outros, correndo e gritando, erguendo suas espadas e escudos. Não era nem metade das outras guerras, devido à falta de homens, mas era digna.
Foi quando uma nuvem-névoa verde-escura-azulada tomou conta de tudo, como uma força das trevas que tomava conta do local, cobrindo os últimos vestígios de sol, deixando tudo escuro. Pedras encrostadas da névoa começaram a cair e a atingir os homens de ambos os exércitos, desestabilizando tudo.
Quando Katarina estava prestes a saltar em Jarvan III e cortar sua garganta, sentiu uma nuvem atingi-la nas costas, e atirá-la para longe, para uma direção da qual ela não reconheceu.
– O que diabos está acontecendo? – gritou Jarvan III.
– Deuses!! – gritou Draythe.
Uma tempestade de almas começou a cair sobre todos, podendo-se ouvir gritos de homens e de seres sobrenaturais. Os cavalos de todos os homens demacianos se assustaram e derrubaram seus cavaleiros, incluindo Jarvan III, que, ao cair, e seu cavalo fugir, viu um corpo de pessoa se formar de almas da névoa.
– O que...? – a névoa tomou conta da forma de um homem alto, sobretudo preto, cabelos escuros para trás, bengala, um corvo no ombro... – Swain?!
[...]
Tudo aconteceu tão rápido que Garen teve dificuldades para processar. Primeiro descobriu que tudo que ocorreram em Kalamandra não passou de uma grande farsa, talvez uma trama armada pelo destino, ou por outra pessoa. Atrás dele, uma névoa escura, verde e azul parecia devorar tudo. Podia ver almas em sofrimento sendo carregadas eternamente por aquela força da natureza.
À sua frente, seu primo morto se reerguia dos mortos. Não, não seu primo, não Jaime, mas um andarilho atormentado. Outras formas sinistras, como Ghouls, se formavam da névoa, ao lado de Jaime.
O vento esvoaçava os cabelos loiros de Ezreal e Luxanna. Ela exclamou:
– O que faremos, Garen?! – ela parecia desesperada.
Estavam encurralados. De um lado, a névoa sombria, de outra, os zumbis e ghouls. Garen não sabia o que fazer, mas pareceu ganhar tempo, pois a névoa pareceu caminhar mais devagar.
– Vocês são magos! – gritou. – Retardem os inimigos que eu penso em algo.
– Ok! – concordou Ezreal.
Lux sacou sua varinha, e Ez concentrou mana no pulso. Ela a balançou e atirou uma singularidade luzente contra os monstros, que começaram a caminhar mais devagar. Garen percebeu que um carregava uma espada de uma forma muito “bamba”, podendo cair facilmente. Havia uma abertura em seu lado, então se virou para Ez e gritou:
– Atire na mão daquele zumbi!
Ezreal assentiu e com um gesto de mãos, atirou um disparo místico no braço apodrecido do monstro, que deixou a espada cair no chão. Garen disparou em direção da espada, e quando Jaime quase o golpeou pelos lados, ele se jogou no chão, deslizando até o ponto de pegar a espada, se levantar, girar, e terminar de matar o zumbi inicial.
Jaime saltou em Garen, e os dois iniciaram um duelo. Aço contra aço, os dois lados das espadas, tomando giros e mais giros. Garen já lutara contra o primo diversas vezes, mas dessa vez parecia mais difícil, pois ele parecia dezenas de vezes mais forte, com a força do tormento.
– Ele parece estar mais forte! – gritou.
Lux atirou um raio de luz em um dos ghouls e Ezreal socou um esqueleto, logo após atirando um disparo, porém, errou.
– Droga! – praguejou.
Ele chegou à conclusão de que sua magia não estava tão boa, pois mirava em um lado e ia para mais longe. Rangeu os dentes, irritado. Queria, de alguma forma, impressionar Luxanna, que eliminava todos aqueles espíritos com feitiços poderosos, e também Garen, que por mais que parecesse ocupado demais lutando contra seu primo morto-vivo, lutava tão bem quanto qualquer por aí.
Garen rodou, se defendendo de Jaime. Não, ele não é o Jaime, pensou. Queria acreditar naquilo, mas sempre que olhava para o corpo ressuscitado do primo, não sabia o que pensar. Lembrou-se dos momentos mais divertidos em que passaram juntos na infância, quando corriam pelas ruas de Demacia, ignorando todo o guarda ou carroça que passava, fingindo serem crianças comuns, não da realeza. Lembrou-se do brilho vívido que tinha nos olhos do primo. Aquele brilho de agora não era nada vívido. Era algo morto, sem vida. Aquele não era Jaime Crownguard.
Superou a velocidade do primo e o golpeou no peito, erguendo-o no ar com a espada. Por um momento ele pôde ver a vida do primo passar pelo seu rosto. Ele parecia mais humano, só que morto pelas mãos de Garen.
– G-Garen... – ele disse. – Porque?
Garen hesitou. Havia matado seu primo? Havia uma chance de salvá-lo e ele havia tirado isso? Não sabia o que fazer, estava desesperado. Podia ver o sangue descendo pelo peito dele, seu pai e familiares ao lado, chorando e o condenando por ter feito aquilo.
– Seu monstro! – gritou o pai de Jaime.
– Meu bebê! – gritou a mãe.
– Você não é meu filho! – gritou Evan Crownguard.
Garen quase chorou, quando Lux gritou:
– São só ilusões, Garen! Não acredite nelas.
Não havia funcionado. Do lado de fora, Lux e Ez viram as almas e a névoa começarem a cobrir Garen, o envolvendo. Ele precisava vencer aquilo, ou estaria perdido. O seu maior medo era a desonra, o mal julgo dos outros, principalmente da família. Estar fora da lei e fazer coisas ruins era algo que o corroía por dentro. Toda aquela culpa estava o matando. Podia sentir sua alma se esvair.
– Ele vai morrer! – gritou Lux para Ezreal. – Precisamos fazer algo.
Ez segurava Lux, pois o vento estava muito forte, como se um tornado de almas se formasse ao redor de Garen. A névoa estava se concentrando nele, por isso eles ainda tinham algum tempo, mas só ele poderia salvá-los, caso vencesse seu maior medo.
– Essas almas mostram nossos maiores medos! – gritou Ezreal, mais alto que a tempestade. – Acho que Garen tem medo de ser um assassino.
– Não é só isso!
– Como não?!
Lux engoliu em seco, tentando pensar. Conhecia seu irmão mais profundamente que qualquer um, então por que era tão difícil pensar no maior medo dele? Ele tinha medo de aranhas, de dragões e de azuporãs, fora seu medo adolescente de garotas. Mas e agora?
Foi quando entendeu tudo aquilo.
Ela largou-se de Ezreal, tentando se levantar ao vento forte, mesmo que fosse difícil ela prosseguiu. Concentrou uma bomba de luz em sua mão e atirou no tornado de almas ao redor de Garen, abrindo um buraco. Foi quando ela soube que poderia ajudá-lo.
– Garen! – ela gritou; pôde vê-lo virar um pouco o rosto, mergulhado em lágrimas. Foi a primeira vez que viu o irmão chorar. – Quem matou o Jaime foi o Darius, não você!
Foi quando todo o tornado se concentrou em um único ponto, em Jaime. Ele explodiu em uma fumaça verde e preta formando um rosto sombrio e risonho, uma risada demoníaca e poderosa. Garen foi projetado para trás, caindo em cima de Ezreal.
A tempestade parara e a névoa começou a se deslocar para a zona da guerra. Lux sorriu.
Garen se levantou de cima de Ez, que parecia atordoado.
– Obrigado por me amortecer.
Ele ainda tremia.
Lux se levantou e Garen ajudou Ez a se levantar.
– Vamos – ela disse. – Precisamos impedir a guerra.
[...]
Katarina acordou se perguntando o que havia ocorrido. Estava em uma carruagem que galopava ritmicamente. Estava coberta com uma espécie de coberta, e parecia haver outras pessoas dormindo na carruagem. Lembrava-se de pouca coisa do que havia acontecido, só de flashes.
Podia se lembrar do momento em que as almas percorriam o campo de batalha, atormentando vários homens, demacianos e noxianos. Aquela visão a atormentava. Ela lembrou-se de ter ajudado seus aliados, Talon, Riven e Draythe a derrotarem as almas que os atormentavam. Eles diziam ver coisas que lhe davam real medo.
Olhou para fora da carruagem e pôde ver Kalamandra. O local que antes era uma vila com vida, pessoas e animais, agora era um cenário de filme de terror, uma cidade fantasma.
Lembrou-se de como tudo terminou. Homens estranhos encapuzados de roxo apareceram, realizando feitiços que expulsaram os espíritos para longe. Os invocadores d’A Liga, disse Talon. Eles tomaram conta do local e mandaram Noxus e Demacia de volta para suas cidades-estado.
Agora ela estava ali, naquela carruagem, esperando ser levada de volta para casa.
– Então esse é o fim? – perguntou-lhe Garen.
Ela virou o rosto, não querendo olhar para ele fixamente.
– Não sei – ela respondeu. – Agora que possivelmente Swain tenha ocupado o poder, e temos Jarvan IV em nossas mãos, duvido que essa guerra tenha terminado. Apenas começado.
Garen colocou as mãos nos bolsos e sorriu.
– Foi bom.
Katarina arregalou os olhos. Estavam sozinhos, pôde imaginá-lo comentar sobre a noite em que passaram juntos, e seu coração começou a bater tão rapidamente que ela só pôde tremer.
– O que? – permitiu-se perguntar.
Ele riu.
– Esse tempo de paz, essa busca amistosa por uma riqueza inexistente. Pensei que finalmente poderíamos trabalhar juntos.
Finalmente olhou para o rosto de Garen, porém, com uma expressão irritada.
– Como pôde ser tão idiota? – perguntou, rispidamente. – Acha mesmo que Noxus e Demacia podem ser cidades amiguinhas um dia? Se toca, engomadinho, e volta pra sua cidadezinha iluminada antes que eu te dê um pé na bunda!
A expressão no rosto dele parecia de completa surpresa, como se ele tivesse mesmo pensado que eles dois poderiam ser amigos. Mesmo lutando um contra o outro, ele realmente achava que eles poderiam ter algo.
– E-eu... eu só achei que nós poderíamos...
Ela começou a rir, gargalhar da cara dele, humilhando-o.
– Ownt, que fofo. O demaciano achou mesmo que poderia namorar uma noxiana! – ela começou a rir mais alto; virou-se para ele e fez uma cara ríspida. – Eu só me aproveitei de você e de seu corpo sarado, seu retardado. Por favor. Não pensou que poderia mesmo ter algo comigo... pensou?
Ele engoliu em seco e cruzou os braços, como se tentasse segurar um choro.
– N-não – mentiu.
Katarina respirou fundo naquele momento. Não queria demonstrar fraqueza.
– Tudo o que tivemos foi uma noite, um erro que não cometerei novamente, entendeu?
– Claro – ele deu de ombros, ainda com uma cara chorosa. – Então isso é um adeus?
Ela sorriu.
– Não – ela se aproximou dele. – Só será um adeus quando eu enfiar uma adaga em seu peito.
Sentiu lágrimas descendo de seus olhos e as limpou. Olhou ao redor, dando graças aos deuses por seus amigos estarem dormindo. Odiaria ser pega chorando, e ainda por cima chorando por um demaciano. A expressão que Garen havia feito antes... era como uma criança de coração partido. Uma criança de quase dois metros com um corpo extremamente marombado. Era engraçado como uma garota tão pequena podia fazer um cara tão grande chorar. O tamanho não importa quando as palavras são rudes. Queria ter feito diferente. Seus lábios estavam secos. Podia fantasiar milhões de outros fins para aquele encontro, mas só o verdadeiro prevalecia. Queria voltar no tempo.
E voltou, mas bem depois.
Jarvan III estava montado em seu cavalo, encarando Katarina com uma cara feia. Ao seu lado estava Xin Zhao e Fiora Laurent, ambos olhando para a noxiana com nojo.
– Isso não acabou, Du Couteau – ele disse com total imponência. – Meu filho ainda jaz sob o controle de Jericho. Ainda o encontrarei.
Katarina sorriu sarcasticamente.
– Claro, não te tiro o direito. Só quero que saiba que não será nada fácil.
– Ora sua, bastarda! – exclamou Fiora.
Jarvan olhou para a duelista com uma expressão de ódio, como se pedisse para que não interferisse. Tornou a olhar para aquela noxiana que transpirava vermelho, um tom antes esquecido por demacianos. Ela estava determinada e, mesmo que por baixo, parecia desafiá-lo. Não daria a ela o gostinho de um duelo, até por que sabia das qualidades daquela moça, sabia o quão mortífera ela era.
Se limitou a dizer apenas algumas palavras.
– Quando voltares para Noxus, verás uma imensa mudança. Swain não dá um passo em falso, minha donzela – tornou-se extremamente formal; a vontade de subjugar os noxianos era maior que manter sua integridade. – Sua família sempre foi contra a ditadura da Rosa Negra. Visando o desaparecimento do seu pai, lidere. Seja uma líder, um comandante. Não uma simples assassina.
O sorriso de Katarina se tornou uma expressão séria.
– Não entendo por que me dá conselhos. Sabe que não sou sua aliada.
Jarvan sorriu.
– Ora, a melhor forma de derrotar um inimigo colossal é por dentro – olhou para Fiora e depois para Xin. – E é sempre mais gostoso ser apenas a faísca que acende o fogo, e não o combustível.
– O que sugeres? – perguntou Draythe, intrometendo-se. Conhecia Swain como um irmão. Não poderia imaginá-lo sendo um mal líder.
O rei Jarvan riu.
– Sugiro que comam com Jericho, lutem Jericho, até matem por Jericho... – estreitou os olhos – mas de olho em Jericho.
Fez um gesto de mãos para seus compatriotas.
– Vamos – e foram, galopando para longe.
Fiora ainda teve tempo para se virar e olhar com desdém para Katarina, que lhe mandou um dedo do meio. A duelista se limitou a virar para a frente e seguir seu caminho.
Katarina queria dormir para que a viagem se encurtasse, mas sabia que não era tempo disso. Os seus pensamentos estavam muito abalados. Um dia, muitos acontecimentos. Tudo o que acontecera no campo de batalha ainda ecoara na mente dela, e um não lhe deixava dormir. Um. Apenas um. E era aquele um que a fazia sorrir. Tinha um trunfo.
Durante a batalha, com o vento sob seus cabelos e os espíritos rodando sobre sua cabeça, viu Jarvan III ao chão, apavorado com a imagem que se projetava à sua frente. A imagem não a abalou, mas sim a fez rir. O homem na névoa, vestido de preto, bengala, um pássaro ao ombro... Jericho Swain.
Jarvan temia o inimigo. Por algum motivo, Katarina sabia que não era só pela inteligência de Swain, mas por alguma coisa a mais. Sabia que Jarvan tinha um segredo que não compartilhava com ninguém. Queria descobrir, queria ter um passo à frente de todos. Sabia que a partir dali, ela seria inimiga não só de Demacia.
– E você, quem é? – perguntou para o homem de capuz e manto roxo que se projetava à frente.
O homem era negro, com um cabeção – Katarina se deleitou com o espírito humorístico que ainda lhe restava –, barbicha brincos e desenhos brancos na face e nas mãos. Devia ter mais nos braços e peito, mas o manto escondia.
O homem sorriu para Katarina.
– Sou Ryze, e é só isso que precisam saber.
Os homens de roxo que o acompanhavam eram estranhos, com marcas no corpo, pareciam magos, pouco corpulentos e extremamente sombrios. Invocadores, eles eram. A partir daquele momento, Katarina se envolveu em uma conversa mais sinistra com aquele homem e Jarvan. Como os dois eram os respectivos líderes, tiveram que ouvir quase que uma bronca do “negão”.
Ficaram a sós, os três, no topo da montanha.
– Vocês tiveram sorte que os espíritos que infligiram Kalamandra eram brincalhões, trapaceiros – ele afirmou –, não assassinos. Se vocês vissem a face de Hecarim, iriam ter sérios problemas.
Katarina bocejou.
– Estou nesse fim de mundo há meses, lutei durante os últimos dias, e ainda estou levando bronca? Sério?
Ryze estreitou os olhos.
– Não veja isso como uma bronca, Du Couteau, veja isso como aprendizado – ele prosseguiu. – Durante os últimos anos temos notado a aparição desses tormentos pela face de Runeterra. Tentamos contê-los, mas é difícil de prever onde cairão.
Jarvan cruzou os braços.
– Por que Kalamandra? Poderia nos explicar o que diabos aconteceu?
Ryze sorriu.
– Notamos um grande uso de magia negra sendo utilizado nessa área – ele olhou para Kat como se ela fosse culpada por aquele incidente. – E principalmente de Noxus.
Ela franziu a testa.
– Quer dizer que Noxus fez isso?
Ryze deu de ombros.
– Nunca se sabe, minha cara. Na verdade, eu deveria lhe perguntar isso. Caso não saiba, o avô de Jericho Swain, Marcus, era um dos principais magos da Rosa Negra, durante o reinado de Jarvan I – se virou para o rei. – Seu avô.
Jarvan III assentiu.
– Eu sei. Ele foi um dos que ressuscitaram o antigo Mão de Noxus que matou meu avô.
Katarina arregalou os olhos, como se não entendesse o que estava acontecendo.
– Como é?
Jarvan riu.
– Claro, Boram deve ter apagado isso das histórias. Ou vai ver você andou não fazendo o dever de casa.
Katarina fez uma cara feia e se voltou para Ryze.
– Mas vamos lá, nego. Nos dê respostas.
Ryze cruzou os braços.
– Espiões nossos conseguiram informações que incriminam A Rosa Negra por estar por trás da introdução da falsa mineração. Mas não temos certeza ainda.
– Claro, sempre culpem a nós, noxianos. Quer dizer que Swain invocou todos aqueles espíritos enganadores?
Ryze franziu a testa.
– Não coloque palavras na minha boca, senhorita!
– Não me chame de senhorita – quando viu já estava apontando uma adaga para o pescoço de Ryze.
Ryze sorriu e seus olhos se encheram de poder, que se projetou para as mãos em Katarina, que sentiu toda aquela descarga elétrica percorrer seu corpo e a atirar para trás. Ela caiu e rolou, mas se levantou parcialmente, ainda tonta e dolorida.
– Não se exalte, senhorita! – zombou. – Compreendo que é importante para a política, mas a próxima vez que me confrontar, sentirá mais do que alguns volts de potência.
Katarina bufou e se levantou, limpando as roupas com uma cara feia.
Jarvan ignorou aquilo tudo.
– Espero que você investigue isso e me mantenha informado.
– Também tenho direito a informações – retrucou Katarina.
– Claro que não!
– Eu não fiz uma pergunta. Eu afirmei. Eu tenho direito a informações.
Ela encarou a expressão irritada do rei com um sorriso sarcástico. Era mestra em tirar demacianos do sério. Adorava aquilo. Preferiu não lembrar de Garen, pois aquela lembrança não a deixava nada contente.
– Foi muito bom conhece-lo, Senhor Ryze – o rei estendeu a mão para um aperto.
Ryze o fitou com o olhar.
– Não sou senhor, sou só Ryze, um invocador que busca trazer de volta o equilíbrio a Runeterra.
– Que papo mais clichê – desdenhou Katarina. – Mas também foi muito bom conhece-lo, e também saber mais sobre sua magia. Saiba que nós ainda lutaremos, e eu irei ganhar.
Ryze sorriu.
– Sonhar não custa nada, não é?
Realmente sonhar não custava nada. Era bom. Era tudo que Katarina queria naquele momento. Sabia que suas lembranças estavam totalmente ordenadas, sabia que poderia dormir sabendo que logo estaria de volta à Noxus.
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