Notas iniciais
Talvez tenha deixado a Ashe um tanto quanto Daenerys, mas um pouquinho de inspiração não faz mal.

Capítulo 6:

Ashe Frozenheart – Vila dos Bárbaros do Norte

Quando jovem, sua mente sempre foi envenenada com contos cruéis sobre os bárbaros. De como eles eram maus, terríveis e insensatos. Eles eram maus e brutos, mas não eram tão terríveis como a mãe de Ashe sempre dizia. Ao conhece Tryndamere, ela viu algo diferente nele, algo... novo? Talvez.

A vila dos bárbaros do norte era enorme. Não era tão “congelada” como o resto de Freljord. Ela nem demonstrava ter havido neve antes, durante o longo inverno de dez anos. Ashe a achou deslumbrante, mas tinha um tom bem selvagem.

Haviam muitas árvores e o chão era árido. O vento soprava e esvoaçava os cabelos brancos de Ashe. A brisa zumbia e podia se ouvir sons de todos os lados: sons de luta, sons de música (tambores e alguns instrumentos bárbaros), de pessoas falando, e de crianças brincando. Parecia bastante interessante.

Tirando que já era a segunda viagem de Ashe em um período de três dias, ela estava contente em ir visitar os bárbaros. Ela queria saber como os bárbaros realmente eram, pois logo ela estaria casada com o líder deles – com fins políticos, claro.

A aliança com Tryndamere daria para ela uma força à mais, e ela poderia vencer a guerra contra Sejuani muito facilmente, ainda mais agora que ela tinha uma aliança com os Praeglacius, e a princesa Lissandra. Ela não imaginava que tudo poderia ser tão rápido. Em menos de dois dias ela já teria aliança com dois exércitos. Nem com todos os Ursines, Sejuani conseguiria superá-la, e isso era bom. Bom não, ótimo.

Quanto à Tryndamere, ele não era tão ruim. Era quase um cavalheiro... pelo menos com a sua futura esposa.

Ashe tinha visto ele decapitar um invasor. O sangue jorrou da cabeça, e ela rolou morro abaixo. Foi uma visão ruim, mas os bárbaros pareciam gostar; já Ashe, ficou chocada.

Ela também vira Tryndamere lutando: ele era forte, rápido, poderoso... incrível. Nunca tinha visto alguém lutar tão bem. Não é à toa que ele é o rei dos bárbaros do norte. Ele tinha controle total da espada, e não perdeu pra ninguém. Por isso mesmo ele deixou que outros lutassem, e ele só observava, ao lado de sua noiva.

Ela teve que usar um vestido especial. Ele era feito de um tipo de couro cinza-azulado-preto – foi assim que Ashe denominou a cor. Ele era como a roupa que Tryndamere usava. Ela também recebeu alguns braceletes com joias azuis e belas, e ainda chamada de rainha pelos bárbaros – e pelas bárbaras.

Naquele dia o céu estava azul, e haviam poucas nuvens. O vento soprava, e os bárbaros festejavam com danças que eram estranhas aos olhos de Ashe, e com batalhas mortais que as vezes davam em morte.

– Está gostando? – perguntou Tryndamere, vendo o olhar assustado de Ashe com a violência usada na arena.

– Um pouco – mentiu ela.

Os dois estavam sentados no que pareciam ser tronos, de forma que todos os observassem. E ela podia ver tudo da arena; tinha uma visão privilegiada de algo que nunca iria querer ver na vida: morte e sangue. Ela sempre odiou tudo isso, e sempre preferiu evitar esse tipo de combate, por isso sempre adorou arco-e-flecha. Com uma flecha ela pode matar alguém, e evitar o derramamento de sangue – embora a pessoa morra, e o sangue escorra da mesma maneira.

– Sei que odeia ver derramamento de sangue, mas logo as neves de Freljord serão tingidas de vermelho, e você sabe disso.

Ashe assentiu, embora odiasse pensar na guerra que a esperava.

– Prefiro não pensar nisso.

– Não pense – ele disse com serenidade, mas em momento algum a sua voz perde a força e a determinação. – Deixe comigo e com meus homens.

Ela sorriu de forma delicada. Por mais que ele fosse bruto e fosse tão marombado quanto qualquer outro homem do clã, e os dois não parecessem combinar – brutalidade e delicadeza –, dava para ver nos olhos azuis de ambos a sinergia que se iniciaria com essa aliança. Por mais que fosse uma união política, e não totalmente matrimonial, podia se sentir um pouco de romantismo.

Ashe fixou seus olhos na luta. Os bárbaros eram fortes e rápidos. Não tanto quanto Tryndamere, mas eram incríveis. Eles conseguiam permanecer em combate após receberem golpes, aparentemente fatais. Sangue escorria, aço batia com aço, aço fincava-se em pele, e eles permaneciam na luta com gritos, gemidos de fúria, e expressões furiosas. Ashe parecia que estava perdida ali; uma garota gentil, delicada, de cabelos brancos, numa vila de bárbaros brutos e com cabelos negros. Se ela viesse à ter um filho com Tryndamere, à quem ele puxaria? Teria cabelos brancos, pretos, ou híbridos? Seria pacífico, ou bruto? Preferiria o arco-e-flecha, ou a espada? Tantas perguntas apareciam à mente de Ashe. Perguntas que nem deveriam ser respondidas naquele momento. A verdade era que ela queria fugir daquela luta; sua mente não se fixava naquilo. Ela queria fugir, mas não queria demonstrar ser uma fraca à Tryndamere.

Ela olhou para o seu futuro marido, e pôde ver o prazer em seus olhos. Ele parecia gostar daquilo, e gostava. Ver lutas era um belo passatempo para reis. Ashe já fora em alguns eventos realizados pelo rei Jarvan III, onde homens lutavam com armaduras, escudos, espadas, e outras em que eles saíam galopando em cavalos velozes, e se chocavam com lanças. O nome? Justa, se a memória de Ashe não falhava. Não foi muito divertido.

Teve vezes em que ela torceu para o lutador mais bonito – um jovem de cabelos negros aparados, sem camisa, ombros largos, peitoral forte, abdômen definido, braços com músculos potentes, saiote como o de Tryndamere, e uma espada longa e cinza-preto-azulado. Pena que beleza não ganha lutas, e o garoto teve o abdômen aberto pela espada do oponente – um cara feio, que Ashe não ligou muito. As tripas dele caíram em campo; o sangue jorrava, e pôde se ouvir o último grito do jovem. Somente os fortes sobrevivem, dissera Sejuani uma vez à Ashe.

Ashe levou as mãos à boca quando viu a cena de terror, e o público aplaudiu.

Ela se virou para Tryndamere, que aplaudia e sorria.

– Ele... ele...

Tryndamere se virou para ela.

– Ele morreu... assim como todos os guerreiros fracos. Somente os fortes podem lutar.

Pelo menos ele não disse nada sobre sobrevivência dos mais fortes, e sim a vitória dos mais fortes, pensou Ashe, tentando evitar pensamentos ruins sobre o futuro marido, e de como ele poderia ser parecido com Sejuani.

– Não se engane, Ashe – disse. – A morte é necessária em uma guerra em ascensão. A piedade não pode ser plantada em todos os cantos.

Ashe engoliu em seco. Ver aquele garoto morrer lhe dava ânsias de vômito.

Ela se perguntava quando que seria a sua apresentação aos bárbaros. Eles já haviam a conhecido, mas toda rainha deve ser apresentada, ainda mais quando ela vêm de fora. Mesmo que tudo isso fosse Freljord, a divisão fazia o reino parecer maior; vila dos bárbaros, vila dos Praeglacius, vila da Garra do Inverno, vila dos Ursine, a capital... Tudo poderia voltar à ser uma única Freljord, e uma Freljord unida.

Uma serviçal foi até Ashe com uma bandeja com cálices com algo que parecia vinho. Tryndamere pegou uma taça, então Ashe também pegou. Mas antes de beber, ela pôde notar que a serviçal a encarava fascinada; não parecia que encarava seu rosto, mas seu corpo. Talvez por que a serviçal tinha cabeços pretos e era morena, enquanto Ashe tinha cabelos brancos, e pele clara... muito clara. Ficar naquele sol do norte iria deixa-la vermelha.

Ashe deu um gole no líquido do cálice, e se surpreendeu com o gosto.

– É bom.

Tryndamere sorriu.

– É Graggy Ice.

Ashe engoliu e franziu a testa.

Graggy o quê?

Tryndamere revirou os olhos com diversão.

– Alguns xamãs e os antigos reis dos bárbaros preferem puro vinho, mas eu gosto desse tipo de vinho, feito por um amigo meu, um baderneiro. Ele apelidou a bebida de Graggy Ice. É uma delícia.

Ashe permaneceu calada, e bebeu mais um gole do vinho, que era delicioso. Ela sentiu que se bebesse mais uma taça, ficaria bêbada. Também chegou à conclusão de que aquilo mais parecia cerveja do que vinho, pelo gosto, embora fosse bom, e muitas cervejas fossem terríveis. Thaynam adoraria essa bebida, pensou.

– Quando que esse torneio termina? – perguntou.

– Logo...

– E o que acontece a seguir?

Tryndamere fez um sorriso malicioso.

– De acordo com as tradições bárbaras, o rei deve levar sua nova rainha até a tenda, e lá eles terão que iniciar o processo de casamento.

Ashe franziu a testa.

– Então... está acabado?

Agora foi a vez dele de franzir a testa.

– Como assim “está acabado”?

– Sabe... já nos casamos? Já teremos que ter a noite de núpcias?

Ele riu.

– Ashe, Ashe... você é tão inocente. Mas é claro. Essa noite você será minha, e eu serei seu. Assim até o fim de nossas vidas.

Ashe respirou fundo, e tentou não imaginar como seria essa noite.

Noxus

Jericho Swain– Sala do Trono

Boram Darkwill era um homem gordo e barbudo com roupas de pele e couro. Pronto, só isso já basta para resumir sua aparência. Quanto à sua personalidade, saiba que ele é arrogante, as vezes hipócrita, beberrão, e mulherengo. Existem certos boatos que dizem que ele já foi amigo de bebedeira do rei Jarvan II, o Rei Bêbado.

Alguns dizem que Boram plagiou a sala do trono dos Jarvan... Mas a verdade é que ele idealizou esse local. Logo, Noxus foi original quanto à decoração do lugar.

Dessa vez, quem se sentava no trono sombrio era Boram Darkwill, e não os eu filho, Keiran. O velho e gordo Alto Comandante estava sentado ali, e seus conselheiros, ao lado, como na corte Demaciana. A diferença era que nem todos os conselheiros eram de casas nobres, e alguns nem “nome” tinham. Os conselheiros eram o general Du Couteau, Emília LeBlanc, Jericho Swain e Elise Darkwidow.

Boram assumia a posição do rei em Noxus, e mesmo sendo só o Alto Comandante, ele podia assumir tal posição. Coitado daquele que tente remover o posto de grão-geral de Darkwill, pois o gordo-barbudo já “reina” por quatro gerações. Dizem que ele utiliza necromancia, e assim se mantêm “jovem” por tanto tempo, embora ele envelheça, mesmo que seja bem lentamente.

– Por que estamos reunidos aqui mesmo? – perguntou Swain à LeBlanc, bem silenciosamente, evitando que sua pergunta ecoasse pelo imenso salão.

A mulher observava Boram friamente, e havia um estranho sorriso em seu rosto. Um sorriso maléfico, ao mesmo tempo que sensual. Ela respondeu:

– Katarina será nomeada a representante de Noxus nas escavações de Kalamandra. Peço que não se faça de bobo, seu do que você fez com a carta do rei Jarvan III. Você sabia disso muito antes de qualquer um.

Swain sorriu sarcasticamente.

– Muito esperta você, LeBlanc.

– Fico imaginando quantas vezes você se sentiu tentado a destruir aquela carta.

– Aí que está. – Swain dirigiu seu olhar para o Alto Comandante, e para Katarina Du Couteau, que entrava na sala. Boram disse algumas coisas, como algumas apresentações, e prosseguiu num discurso que Swain não dava a mínima. – Eu poderia ter deixado Demacia de fora, mas não seria o certo... e não seria nada interessante.

LeBlanc riu bem baixinho.

– O que você está planejando, hein?

– Por que eu planejaria algo? Geralmente é você quem planeja as coisas.

LeBlanc semicerrou os olhos, ainda olhando para Boram que dava as honras à Katarina Du Couteau.

– O que está insinuando?

– Estou insinuando que de todos os membros do conselho, Boram só ouve os seus conselhos. Eu só tenho utilidade em estratégias de guerra, e olhe lá.

LeBlanc adquiriu uma expressão mais alegre, com um sorriso sarcástico.

– Acha que eu estou por trás do trono?

– Todos acham. Você é a “descendente da primeira matrona da Rosa Negra”.

– E isso me faz ser corrupta?

– Não te chamei de corrupta.

Beatrice, o corvo, pousou no ombro direito de Swain, bem ao lado de LeBlanc.

De repente todos da corte começaram a aplaudir, e Katarina se levantou, e recebeu a “benção” de Boram.

– Você, Katarina Du Couteau, representará nossa cidade-estado nas escavações de Kalamandra – disse Boram. – A cavalaria está quase pronta. Você viajará por algumas horas, talvez um ou dois dias... – Ele fez uma pausa. – Que a sabedoria lhe guie, senhorita.

Ela sorriu de um jeito feroz; se virou e foi andando-rebolando até o fim da sala do trono. Todos os olhares a acompanharam até o final do percurso. Olhares ferozes, olhares felizes.

– E é agora que tudo começará – disse Emília LeBlanc para si mesma.

Jericho sentiu uma dúvida bater à sua mente devido ao comentário de LeBlanc. Ele sabia quem ela era; ardilosa, manipuladora... falsa. Todos sabiam quem ela era, mas fingiam não saber, ignoravam. Mas ele sabia que ela estava armando algo, mas ele não era nem louco de atravessar o seu caminho. Ele apenas iria observar enquanto as coisas acontecem.