League of Legends: As Crônicas de Valoran
57 Capítulo 54 - Sejuani
Capítulo 54:
Sejuani Winters – Freljord
Sejuani se viu numa encruzilhada sombria. Ashe era a Bruxa... talvez o tempo todo, desde o começo da jornada. Agora onde estava a verdadeira Ashe era um mistério.
Sentiu uma dor nos pés. Virou a cabeça para ver o que havia a ferido. Estava presa ao solo por estacas de gelo negro que brotaram do nada. Um fio de sangue descia pela bota. Caso se mexesse, as estacas penetrariam em sua perna. Virou a cabeça e viu que seus aliados estavam na mesma situação.
Sentia toda a energia sombria brotar da bruxa, mas algo estava diferente. Sentia que ela não tinha maus propósitos, era estranho. Mesmo assim enfureceu-se, cortando a fala de Thaynam, que havia acabado de começar.
– O que quer conosco?! – gritou. – Você tem a rainha de Freljord, o que mais quer?
A bruxa sorriu.
– Não quero nada. Queria testá-los, agora sei que estava certa o tempo todo – sua voz etérea parecia ecoar tanto quanto as outras, como se houvessem outras bruxas falando ao mesmo tempo. – Se quiserem, posso deixar que vão.
Thaynam franziu a testa.
– Do que fala, maldita?
A bruxa riu, gargalhou. Uma risada maligna que fazia com que os ouvidos de todos parecessem querer explodir.
– A pouco você era tão preocupado comigo, o que houve? Não gosta de minha aparência? Posso mudar para o que quiser – seu sorriso sarcástico trazia-lhe um desconforto. – Mas agora vejo que fizeram uma chacina com meus queridos trolls. Por sorte posso invocar mais deles.
– Onde está a Ashe? – perguntou Nunu, tentando acalmar Willump que não parecia gostar de ficar preso. – O que fez com ela? Você não pôde ser ela o tempo todo.
– Está certo, garotinho. Eu não fui ela o tempo inteiro, fiz a troca quando o primeiro troll pulou em Ashe e a levou para o penhasco.
– Eu sabia! – exclamou Thaynam. – Percebi algo de diferente em Ashe. Você não é mesmo uma boa atriz.
Novamente a bruxa riu.
– Muito pelo contrário, sou uma ótima atriz. Por anos eu enganei os Praegla... Digo – ela pareceu cortar o que disse, como se tivesse dito algo errado –, deixei as pistas para que você descobrisse, seu tolo. Eu sei que Ashe tem flechas infinitas, haha.
Braum pareceu desconfortável naquela prisão. Tentou sair dela, mas acabou se machucando.
– Quando nos libertará, dona bruxa?
– Breve – ela respondeu. – Já tive o que queria, agora posso devolver os pergaminhos de cura da febre – ela invocou um feitiço, ventos do inverno que trouxeram os pergaminhos para as mãos de Thaynam e Sejuani. A bruxa bateu palmas e as estacas de gelo da prisão glacial saíram, permitindo o movimento.
No mesmo momento Volibear e Olaf investiram na bruxa, atacando-a com suas armas. Ela automaticamente quebrou em milhares de pedaços de gelo negro, mas uma risada maligna foi ouvida. Puderam sentir o espírito dela tomar conta do local, causando um terremoto.
– Vocês pensam que acabou – a voz dela dizia. – Vão embora daqui AGORA!
Todos se desesperaram com o terremoto, pois estacas imensas de gelo caíram no chão, quebrando-se e causando um imenso estrago. Sejuani gritou:
– Fujam! – correram para a porta, mas ela estava fechada, lacrada.
– E agora?! – perguntou Olaf.
Uma voz ecoou no salão, vindo da escada que levava ao segundo andar. Todos olharam para ver Trent, o troll amigo, que pareceu ter se escondido durante toda a batalha.
– Por aqui! – ele gritou. – Tem uma saída pelo segundo andar.
Ninguém hesitou, todos correram para a escada, esquivando das estacas de gelo que caíam do teto. Uma quase caiu encima de Nunu, que por sorte foi salvo por Braum, que o colocou perto de Willump, que começou a carrega-lo, como sempre.
Subiram rapidamente, seguindo o troll. O mesmo abriu uma porta que dava para um corredor longo.
– Tá de brincadeira, né?! – gritou Sejuani.
– Eu os levarei até o rei e rainha de Freljord!!
– Tryndamere e Ashe? – perguntou Braum.
– Não, Dany e Drogo – ironizou Sejuani. – Claro que é a Ashe e o Trynda.
Continuaram correndo pelo corredor, até o momento em que tudo que havia atrás foi destruído. Todo aquele salão de antes havia desabado em ruínas, e agora o corredor estava quase se desintegrando junto. Se não corressem mais, acabariam caindo no abismo de Howling Abyss.
Sejuani ficou para trás em um momento, acabando pisando em falso e caindo. No último segundo uma mão a segurou: a mão de Thaynam. O avarosiano a puxou para cima, mas infelizmente o capacete de Sejuani caiu no abismo, deixando-a irritada. Eles conseguiram chegar até o fim do corredor, dando de cara para outra porta imensa. Podia ver claramente o abismo de onde estavam, viam também as ruínas do castelo indo de encontro a uma queda sem fim.
– O que será que tem lá? – perguntou Nunu.
– Não queria saber – respondeu Trent, como se soubesse.
Todos ofegavam com a corrida, o desespero de quase morrer era mútuo. Respiravam com dificuldade, os corações batendo com uma velocidade surpreendente.
Depois de respirar bem, Sejuani se lembrou de uma situação que a enfureceu.
– Volibear e Olaf – seus cabelos curtos e brancos davam a aparência de que ela fosse uma pessoa louca –, me expliquem o que foi aquilo. Quem deu a maldita permissão de vocês atacarem vorazmente a bruxa dos infernos gélidos que havia nos deixado ir embora?!
– É que... – Volibear tentou se desculpar, mas foi interrompido por Olaf.
– Nós pensamos que... – que foi interrompido por Sejuani.
– PENSARAM PORCARIA NENHUMA!! – gritou loucamente, capaz de formar uma avalanche. – SE TIVESSEM PENSADO NÃO TERIAM ATACADO AQUELA DESGRAÇA. ELA É UMA BRUXA, PENSARAM QUE PODERIAM MATÁ-LA ASSIM, NA PORRADA?
Os dois ficaram envergonhados e em silêncio. Com certeza ela era a única que poderia falar com eles daquela maneira, sem dúvidas. Braum se sentiu desconfortável mais com o palavrão que Sejuani havia dito: porrada.
– Já descontei a raiva de ter perdido meu capacete – ela completou. – Podemos continuar.
Foi então que Trent abriu as portas, fazendo com que eles se deparassem com uma visão horripilante. Não pensem que será fácil sair daqui, agora, a bruxa disse na mente de cada um deles. À frente eles viam um labirinto de paredes de gelo negro, um labirinto enorme, com exatas sete entradas, uma para cada um deles, contando com Trent.
– Aguarde o que te espera, Trent – disse a voz etérea da bruxa. – Sua traição não será impune.
Trent começou a tremer de medo.
– Fique calmo – disse Braum, dando-lhe uns tapinhas nas costas –, Braum não deixará que nada aconteça com você.
O troll sorriu, mais calmo.
– Obrigado.
Novamente a voz da bruxa soou na mente deles.
– Existem sete entradas para o labirinto, mas apenas uma saída. O labirinto é tão grande quanto o castelo e toda a ponte Howling Abyss, é uma criação minha. Ao fim dele vocês encontrarão os reis coroados de Freljord e a porta para a casa de cada um, mas cuidado, não se sabe o que se pode esperar dentro desse labirinto. Boa sorte a todos.
Thaynam bufou.
– É isso aí – deu dois passos à frente –, precisamos entrar nesse labirinto.
– Não sabemos o que pode nos encontrar lá, ela mesma disse – retrucou Nunu.
Sejuani virou-se para o garoto com uma cara feia.
– Deixe de ser covarde, garoto. Estamos presos nessa missão ridícula faz quase três dias. Não como faz um dia, só ando, ando, ando. E estou aqui para vencer, para sair daqui e introduzir essa merda de pergaminho mágico no meu exército e curado todos. Aposto que deve ter morrido o dobro de pessoas desde que saímos, então para de frescura e enfrente essa porcaria de labirinto. Pelo menos os trolls não machucaram seu Willump como machucaram meu Bristle – dava para ver em seus olhos a preocupação que ela tinha com seu porco gigante. – Entre nessa merda de labirinto e lute contra o que quer que queira te enfrentar.
– Depois desse discurso é impossível ficar aqui e esperar – respondeu o garoto. – Você tá certa, tia, vamos quebrar tudo!
Tia?, Sejuani perguntou para si mesma. Mas ignorou tal pensamento e se voltou para o troll Trent.
– Você está sem arma, quer que eu vá com você?
Ele balançou a cabeça.
– Desde jovem fui mestre em fugir de lutas e me esgueirar pelos cantos sem ser visto – disse. – Finalmente posso usar essa minha habilidade para alguma coisa.
– Ótimo! – ela sorriu. Virou-se para o labirinto à frente e gritou: – Vamos!
[...]
Sejuani percebeu que o labirinto não era uma coisa fácil de se lidar. Falar era fácil, já agir... Era mais complicado.
As paredes do labirinto eram de puro Gelo, emanando um frio que penetrava em sua roupa de forma nunca vista. A adrenalina havia diminuído, trazendo o cansaço de não dormir e mal comer por três terríveis dias. Cada passo era de uma dor insuportável, Sejuani pensou que não conseguiria. Deu graças à Serylda por ter menstruado dias antes, pois dor de cólica e sangue extra saindo naquele momento não seria nada fácil.
Houve um momento em que ela desabou, caiu ali mesmo, no chão de gelo. Já não aguentava mais fingir ser inquebrável, ser forte em todos os momentos. Olhando para aquelas paredes ela pensou em si mesma, na personalidade que criou por tanto tempo. Por tanto tempo se gabou por ter sobrevivido ao inverno de dez anos por ser forte, mas fora pelos esforços de sua família, de seu irmão mais velho, de sua querida mãe, de seu forte pai. Todos morreram congelados, menos ela.
Você é forte.
– Não, eu não sou – uma lágrima desceu do rosto de Sejuani.
A bruxa quer que você se quebre. Não deixe que isso aconteça, minha querida.
– Pare, Serylda... – Sejuani caía aos prantos, ainda caída no chão, estirada ali mesmo, sem conseguir se mover; a dor instalara-se em seus ossos e músculos. – Não sou isso tudo que dizem. Isso é só uma casca, você bem sabe.
Não faça isso consigo mesma. Seu exército precisa de você. Esse pergaminho que carrega no bolso trará a alegria a muitos. Pense no Mestre Reed, que tanto te ajudou. Ele é velho, sofre tanto com a febre. Poderá nunca mais andar caso aquela pedra de gelo atinja sua coluna.
Sejuani pareceu ter acordado, o poder da preocupação.
– Como é?
Todos precisam de você, principalmente ele.
Mestre Reed havia cuidado de Sejuani desde que ela tinha dez anos e havia acabado de perder os pais e irmão para a febre gélida. Ele cuidou dela e a treinou para que ela fosse forte, não poderia deixar que ele morresse ou que ficasse fraco, debilitado numa cama. O lugar dele era na guerra, na estratégia, um homem inteligentíssimo, devoto à verdadeira força dos Guerreiros da Garra.
– Não posso deixar que ele venha a sucumbir.
Esse é o espírito, minha querida. Lembre-se que os fortes têm sim seus momentos de crise. A dor é inevitável. Os verdadeiros covardes são aqueles que fogem da dor, dos problemas, e não tentam muda-lo. A partir do momento em que você encarar seus problemas e suas dores psicológicas, aí sim você será forte.
Sejuani se levantou, cambaleante. Encarou a neblina gélida à frente, respirou fundo, sentindo a adrenalina voltar. Cerrou os punhos, colocou-se em posição de batalha e sacou se mangual.
– Essa é a hora de enfrentar minhas dores – ela correu, correu, correu, ignorando tudo que lhe doía. Virou numa esquina do labirinto, depois outra. Apareceu-lhe três entradas, entrou na do meio.
Vá para a esquerda, siga reto, agora direita, vire na próxima direita, continue a correr, não pare!
E ela não parou. Não precisou nem mais ouvir as palavras de Serylda para saber aonde seguir. Vencer estava em seu sangue. Iria conseguir sair dali com vida, e por sorte não havia enfrentado nada de diferente até o momento... Até o momento.
Pare!, Serylda gritou em sua mente. Sinto uma presença sombria.
Sejuani parou numa esquina que dava para outras três passagens paralelas. Foi quando começou a ouvir um bizarro som de pegadas pesadas, como se um gigante estivesse caminhando. Era um som mais destrutivo, como se fosse uma coisa grande, mas não tão grande, porém com a mesma força. Deixou seu mangual pronto, não poderia hesitar em momento algum.
Foi quando avistou uma forma imensa. Era como um golem, um ser grande de pedra, mas ele tinha algo de diferente: seus braços de pedra redonda pareciam orbitar, pois não eram ligados ao corpo, simplesmente flutuavam. Em seu corpo haviam glóbulos azuis em várias partes, e uma carapaça de pura energia azulada.
É um Azuporã.
– É o que?
Um Azuporã. É um estranho golem das florestas da antiga Summoner’s Rift. Ele é muito poderoso, não o subestime.
Summoner’s Rift. Tá aí um nome que Sejuani nunca ouvira falar.
O monstro rugiu para Sejuani e partiu para cima, correndo numa velocidade incrível, tudo por correr nas quatro patas. Ela calculou o tempo no qual o monstro iria colidir consigo, e na hora exata saltou para o lado e rolou. Sacou seu mangual e atacou-o até o máximo de seu alcance, quebrando a pata do monstro, fazendo-o deslizar rapidamente pelo chão do labirinto.
Boa jogada.
– Obrigada.
Sejuani pensou em recuar e entrar nas outras rotas nas quais ignorara, mas um barulho acabou estragando sua felicidade. Todo o percurso que percorrera até o momento estava se desfazendo, o gelo quebrando e caindo no abismo. Viu a destruição chegar a si mesma e pôs-se a correr. Lembrou-se de quando correram pelo corredor e quase caiu. Teria morrido se não fosse por Thaynam Frozenheart, o tio de sua inimiga de trono.
Passou pelo monstro Azuporã que parecia querer lhe atirar no penhasco, mas Sejuani foi mais experta e saltou por cima dele, pegando impulso ao pisar em uma parte do monstro. Foi um salto sensacional, e ver o monstro cair no abismo foi uma boa sensação.
Continuou a correr reto por um corredor que não parecia ter fim. Pensou que por ter pego a primeira entrada, poderia ter pego um caminho mais reto que o dos outros. Trent deveria estar correndo pela mesma reta na última entrada.
Houve um momento em que Serylda gritou algo tão alto na mente de Sejuani, que a mesma tropeçou em algo e caiu no chão. Para sua surpresa, a destruição do labirinto parou a um metro dela. Pôs-se apoiada nas mãos ao olhar para baixo, para um vazio de escuridão sem fim.
– Que diabos foi isso? – perguntou.
Senti uma energia terrível.
– Por isso gritou na minha cabeça? Eu poderia ter morrido, você sabe.
Serylda se silenciou por um tempo, deixando que Sejuani pensasse enquanto andava. Percebeu que o rastro de destruição seguia seus passos, ficando a exatos dois metros de seus pés. Caso se jogasse para trás – o que certamente não faria –, cairia no precipício. Chegou à conclusão de que aquilo era uma estratégia da bruxa para impedir a volta, fazendo seu caminho ser incorrigível.
Logo a reta dissipou-se dando início à uma curva. Correu pela curva e voltou a seguir reto. Passou por uma esquina, seguiu reto, virou à esquerda, à direita, seguiu reto novamente.
Cuidado. Foi tudo o que Serylda disse.
Sejuani ouviu e sentiu um estrondo poderoso. Tão forte que a fez cair para trás, quase indo de encontro ao abismo. Olhou para cima e se viu numa sombra, a sombra de um imenso dragão, um dragão de gelo. Ele deveria ser o dobro do tamanho de Bristle, era branco com partes azuis e algumas escuras. Tinha olhos negros e uma boca enorme.
Ele rugiu para Sejuani, que se levantou rapidamente e se colocou a correr dele. Uma baforada de um vendaval congelante soprou-se às suas costas, congelando todo o percurso. Por algum motivo a destruição não a seguiu, talvez por que sempre que o percurso de destruía, as paredes iam junto, e naquele momento as paredes eram grandes amigas do dragão.
Ele abriu as asas e pôs-se a voar na direção dela. De sua boca saíram estacas de gelo que voaram até ela, mas não foram tão precisas, batendo no chão. Numa rasante, o dragão lançou um raio de gelo que, por sorte, atingiu cinco metros à frente de Sejuani, fazendo com que ela freasse bruscamente e derrapasse no rastro de gelo.
O dragão voltou e prendeu-a em uma de suas imensas patas, deixando-a presa entre suas unhas escuras. Ela se debateu, tentando se soltar, sem sucesso. Grunhia e gemia, tentava de tudo. Sabia que Bristle poderia salvá-la naquele momento, se ele estivesse ali. Talvez o porco pudesse arrancar alguma parte dele dragão com suas presas afiadíssimas, mas não iria pôr em risco a vida de seu amigo.
O dragão a olhou com uma cara de deboche, foi quando ele falou:
– Não é tão forte agora, é, Líder da Garra? – a voz era da Bruxa Gélida.
– Maldita seja! – gritou Sejuani. – Solte-me agora!
O dragão pareceu sorrir.
– Eu disse que no labirinto vocês todos teriam provações – respondeu. – Neste exato momento, Nunu luta contra vários filhotes de Azuporã junto de seu yeti. São pequenos mas astutos. Thaynam luta contra um homem do gelo de dois metros, ele é forte e rápido. Vejo o tio da rainha sangrando terrivelmente. Braum está correndo, conseguiu derrotar seus inimigos, dois Azuporãs, enquanto que você teve dificuldades com um só.
– Não quero saber do desempenho dos outros – disse. – Confio em meus aliados, sei que são fortes, até mesmo os avarosianos. Por mais incrível que isso seja difícil de admitir.
O dragão soltou uma gargalhada estrondosa que causou arrepios em Sejuani.
– Você não tem jeito, Sejuani. Por anos eu estudei você e Ashe, e matá-las foi realmente difícil – Sejuani se lembrou de todas as vezes em que quase morreu, seja por conspiração, seja pelo clima. – Você sempre sobrevivia às mudanças climáticas, mais até do que os seus outros familiares.
Foi quando tudo veio à tona.
– Foi você – Sejuani tremia. – Foi você que trouxe aquela frente fria que congelou minha família.
– Eu trouxe o inverno de dez anos, sua tola! – exclamou o dragão-bruxa. – E também fui eu quem contratou os homens que tentaram matar Ashe quando ela assumiu, aos quinze anos.
– Foda-se Ashe, estou pouco me lixando para ela! – o jeito com o qual Sejuani respondeu surpreendeu até mesmo a bruxa. – VOCÊ MATOU MINHA FAMÍLIA!!
O dragão riu.
– Dezenas de vezes tentei matar vocês duas, mas pelo visto vocês são mesmo as escolhidas.
– Sim, nós somos. Monge Udyr nos deu a resposta!
– Interessante... – o dragão abriu a boca no máximo que pôde, juntando energia gélida, pronto para baforar gelo e congelar a líder da Garra. – Quais são suas últimas palavras?!
Sejuani pensou muito em suas últimas palavras, pensou em chamar por Serylda, mas sabia que se até o momento a rainha não tinha respondido, não responderia naquele momento. Estava enganada.
Você vai viver.
– Você vai morrer! – foram as últimas palavras de Sejuani...
...até o momento.
Ouviram um guincho de porco altíssimo, um guincho no qual Sejuani estava acostumada a ouvir. Da neblina do percurso vinha Bristle correndo a uma velocidade poderosa, aproveitando o gelo para melhor a velocidade. Montado nele estava Udyr, que parecia possesso para assassinar a bruxa.
O dragão estava pronto para matar Sejuani quando Bristle saltou sobre ele e o derrubou com toda a força. No mesmo instante Udyr saltou, e num rugido de tigre soltou sua fúria animal encima do dragão, cortando sua pele escamosa com suas garras mágicas de animal numa velocidade furiosa. Bristle aproveitou para devorar as partes mais sensíveis do dragão, que não teve tempo de se erguer, caído de costas, as asas espremidas nas paredes do labirinto.
– MORRA, MORRA, MORRA, MORRA!! – gritava Udyr, enchendo-se de sangue draconiano, um sangue vermelho-alaranjado e espesso. Todos os dragões tinham essa espécie de sangue, desde os de fogo até os gélidos. – MORRA SUA BRUXA DESGRAÇADA!!
Sejuani se levantou, ainda cambaleante. Surpresa por rever Bristle e o monge que foram deixados no tempo do alto da montanha. Os dois pareciam cansados, mas ainda estavam em forma.
– Pare! – Sejuani gritou para Udyr, que virou a cabeça à ela quase que de imediato. Seus olhos estavam brilhando numa energia laranja, em suas mãos haviam garras de tigre bastante afiadas e compridas, que poderiam desaparecer a qualquer momento devido ao seu poder. Ele respirava rápida e ofegantemente. – Este dragão não é a verdadeira bruxa.
Sua respiração começou a se acalmar, as garras se retraíram para a pele e seus olhos voltaram ao normal. Ele saltou de cima da carcaça do dragão que começava a derreter.
Bristle se virou para Sejuani, que sorriu para ele. Ela abriu os braços e o imenso javali correu até ela, derrubando-a e começando a lambê-la, feliz em vê-la.
– Também estou feliz em vê-lo, seu Porcão! – ela se levantou e o abraçou. O porco parecia feliz em vê-la novamente. Ela se virou para Udyr. – Obrigado. Mas primeiramente quero saber como chegaram até aqui.
– Quando o porco melhorou eu decidi que viria até aqui para ajuda-los – ele respondeu. – Eu encontrei o castelo em ruínas e à frente dele, no penhasco, um imenso labirinto. Foi então que eu ouvi uma voz na minha cabeça, que pareceu criar um caminho imaginário. Segui por ele montado no porco até chegar ao caminho real. Foi mágica.
– Serylda... – Sejuani murmurou.
– O que disse?
– Nada. Só sei que precisamos completar esse labirinto se quisermos salvar nossos amigos. Será mais fácil com o Porcão ao nosso lado – começou a fazer carinho no pelo do javali, sorrindo. – Vamos?
Sejuani montou no javali, sacou seu mangual, e esperou que Udyr subisse atrás dela.
– Se segura em mim – ela disse.
Um tanto quanto hesitante, Udyr segurou-se nela, colocando suas imensas mãos na barriga dela. Sentiu-se um pouco envergonhado, mas soube que era necessário. O javali corria muito rápido, ele não iria querer cair para trás.
Sejuani fez um sinal e então Bristle avançou à toda velocidade, Udyr quase caiu para trás por hesitar em segurar forte no corpo de Sejuani, que tinha toda a atenção no caminho. Assustou-se quando o caminho atrás dele começou a se despedaçar, o chão e as paredes caindo no abismo.
Houve um momento em que um imenso Azuporã apareceu no caminho. Com Bristle, Sejuani se sentiu mais segura. Sacou seu mangual e brandiu-o para a frente, atravessando a pele de pedra do monstro, e após isso o imenso javali colidiu com ele, terminando o trabalho.
– Não pensem que será fácil!! – gritou a voz da bruxa.
Será fácil, contradisse Serylda.
Uma alcateia de lobos apareceu, mas não eram lobos comuns, eram lobos gigantes, com três cabeças. Bristle se assustou com eles e freou bruscamente, deslizando em direção deles.
– Droga, Bristle! – Sejuani gritou.
Foi quando um lobo mordeu a pata de Bristle e ele capotou, lançando Sejuani e Udyr para longe, deslizando no chão de gelo.
Eu não contava com essa, desculpou-se Serylda.
Um lobo mordeu a perna de Sejuani, que gritou. Outro saltou sobre ela, mas foi interceptado por Udyr, que bramiu como um urso e o socou bem na cara, quebrando seu crânio e lançando-o para longe. Ele agarrou o lobo que mordeu Sejuani e atirou e outros dois. Bristle se levantou com dificuldades e pareceu chorar.
– O idiota do Bristle tem medo de lobos gigantes – reclamou Sejuani, ainda gemendo por sua perna. Levantou-se com dor.
– Não há problemas! – a voz de Udyr estava diferente, estava selvagem e mais grossa. Ele assassinou outros lobos gigantes que não tiveram nem chance: foram jogados ao penhasco.
Sejuani ajudou brandindo seu mangual e atingindo um lobo em cheio. Mesmo com três cabeças, nocautear uma era o suficiente para desestabilizar totalmente o corpo do lobo. Udyr também era rápido, avançava num lobo e espremia as três cabeças com as duas mãos. Sejuani dava cobertura atacando com o mangual, enquanto Bristle se escondia entre as patas, com medo dos lobos.
– Esse porco gigante avança num dragão gélido mas tem medo de lobinhos, francamente – exclamou Sejuani.
Udyr matou o último lobo dando um gancho de direita que o lançou tão alto que ele não foi mais visto, só se sabe que ele se juntou a todos os monstros atirados no abismo, juntou-se à sua alcateia.
Udyr voltou ao normal e se virou para Sejuani, que tinha a perna machucada, mordida pelo lobo gigante. Foi até ela, preocupado.
– Você está bem?
Ela assentiu.
– Dói um pouco, mas nada que eu não possa suportar. Não foi tão profundo devido à minha roupa e à minha bota, por sorte.
– O que houve com seu capacete?
Sejuani fez uma cara feia.
– Deve estar junto aos malditos lobos nesse momento.
Os dois foram até o javali que já se punha de pé, feliz pelas ameaças terem todas sido jogadas no abismo.
– Encontrei esse porco ainda jovem, sozinho pronto para ser devorado por lobos gigantes filhotes – começou a dizer. – Ele estava machucado demais, eles brincaram com ele antes de devorar, mas eu intervi e matei cada um deles com uma faca. Claro, eu saí feridíssima. Minha mãe quase morreu de preocupação por isso, mas me deixou ficar com ele. Desde então tem esse trauma.
– Incrível como os animais têm semelhanças com humanos, não? – perguntou Udyr. – Tenho um amigo que ficou cego após se penitenciar por ter matado um garoto, sem querer.
– E daí?
Udyr não soube continuar, se sentia estranhamente nervoso naquele momento. Não era de sua autoria falar coisas sem sentido, era um monge, ora, sempre dizia coisas filosóficas, centradas e conservadoras, mas era diferente quando estava ao lado de uma pessoa estranha, de uma mulher, mesmo ela sendo masculinizada do jeito que era.
Estão quase, disse Serylda.
– Estamos quase chegando lá – repetiu Sejuani.
– Como sabe?
Sejuani hesitou, semicerrou os olhos e respondeu:
– Intuição feminina.
[...]
Seguiram por mais algumas esquinas e por mais alguns caminhos retos, curvas, viradas e mataram mais alguns monstros. Foi fácil com Udyr ao lado, pensou. Ele poderia terminar aquele labirinto sozinho, ela, não. Sem ele seria impossível passar. Teria morrido para o dragão, senão pelos lobos, já que Bristle tinha medo. Isso a deprimia. Não era tão forte quanto pensava. A dor da mordida deixava isso claro.
Você é forte, Serylda tentava animá-la.
Eu ficaria feliz se você não ficasse invadindo meus pensamentos.
Não invado, eu estou nos seus pensamentos. É inevitável, ora.
Só tente me dar alguma privacidade.
Conversando com Serylda, Sejuani quase conduziu Bristle de encontro à uma parede. Ele precisou dar uma patada na superfície gélida e pegar impulso, continuando a correr com suas quatro patas. Udyr parecia enjoado.
Viu só? Quase me fez bater.
A culpa não é minha se você quer bater um papo.
Não quero bater papo, só quero sair dessa merda de labirinto.
Se você fosse esperta, veria além dessa neblina.
Sejuani obedeceu ao que Serylda lhe disse e observou a neblina da reta em que corriam. Percebeu que além dela havia um salão de gelo, o final do labirinto. Finalmente, pensou.
Quando chegaram ao fim, encontraram Braum, Thaynam, Nunu, Olaf e Volibear, todos cansados e feridos. Braum tinha cortes pelo corpo e uma mordida na cabeça, mas continuava a sorrir. Nunu e Willump tinham cortes no rosto e mordidas nos pés, ele parecia que choraria de dor, mas se segurou. Thaynam tinha um arranhão imenso no rosto e parte da roupa rasgada. Olaf tinha perdido seu capacete e tinha machucados por todo o braço. Volibear tinha feridas não tão visíveis por causa do pelo, que estava vermelho de sangue.
– Sejuani! – exclamou o Ursine. – Finalmente você voltou!
– E pelo visto recebeu uma ajudinha – disse Thaynam, sombrio. – Como chegastes até aqui, monge?
Udyr saltou de cima do javali com uma cara estranha. Abriu a boca para responder, mas se virou rapidamente e pôs tudo para fora. Vomitou. Sejuani fez uma cara feia e se afastou.
– Ele veio com o Bristle por uma espécie de ponte mágica invisível – respondeu. – Se não fosse por ele, eu teria morrido.
Olaf riu.
– Parece que ele não aguenta um passeiozinho com nosso porquinho, hahaha!!
Sejuani varreu o local com os olhos. Percebeu que era um salão de gelo com um portão imenso encima de uma escadaria, um portão que lembrava o escudo de Braum. Percebeu também que Trent ainda não havia voltado.
– Onde está o troll? – perguntou.
Olaf deu de ombros.
– Ele ainda não voltou – respondeu Nunu. – Temo que ele tenha empacado no labirinto.
– E por que não foram busca-lo?
– Pelo mesmo motivo de não termos ido te buscar! – irritou-se Thaynam. – A maldita bruxa não permite que voltemos ao labirinto. Ele está sozinho nessa.
Braum fez uma cara feia.
– Mas Braum prometeu que o ajudaria.
– Talvez seja impossível – continuou Thaynam. – Aquela maldita porta só abrirá se todos estivermos aqui.
Sejuani cerrou os punhos.
Udyr levantou-se, um pouco grogue.
– Eu conheço a bruxa, sei que a magia que me colocou aqui me permitiu burlar as regras do jogo – limpou a boca com as costas da mão. – Talvez eu possa entrar lá e ajudá-lo.
Thaynam revirou os olhos e cruzou os braços.
– Tente, já fizemos de tudo.
O monge foi até a última entrada, a única que não havia se tornado ruínas. Podia ver a neblina que impedia a melhor visão, podia também sentir uma energia brotar de lá. Ouviram um grito, o grito ecoado de Trent. Udyr se concentrou na entrada e deu alguns passos à frente. Funcionou, ele conseguiu entrar, enquanto que os outros ficavam presos numa espécie de barreira mágica.
– Ache-o rapidamente! – exclamou Thaynam enquanto ele entrava na neblina, correndo numa velocidade surpreendente. A postura do urso.
[...]
Não demorou mais do que dez minutos e Udyr voltou, com o troll Trent no colo. Ele parecia machucado e traumatizado. O monge ofegava, tinha sangue nas mãos, sangue de monstros.
Sejuani foi até ele junto de todos.
– Você conseguiu!
Ele respirou fundo e colocou o troll no chão, que cambaleou e quase caiu no chão.
– Quando a bruxa disse que iria me ferrar – ele disse –, estava certa.
– Encontrei uma trilha de monstros de todos os tipos passando, os mais diabólicos monstros gélidos que você possa ver – ele limpou a testa suada com as costas da mão. – Matei todos e depois eu o encontrei invisível.
Trent fez uma posição na qual erguia o manto que utilizava.
– Capa da invisibilidade, meu irmão – ainda cobriu-se com ela e parte de si desapareceu. – Essa coisinha limpa me salvou de ser estuprado.
Sejuani revirou os olhos.
– Ótimo – ela disse. – Agora estão todos aqui.
– AHAHAHAHAHA! – todos se sobressaltaram ao ouvir a risada maligna da bruxa. – Vejo que conseguiram, mas não foram justos usando Udyr para burlar as regras.
– Você não foi justa colocando tantos monstros na cola de Trent! – exclamou Thaynam. – Ele poderia ter morrido.
– Querido, essa foi a intenção – novamente ela gargalhou. – Mas já perdi tempo demais com vocês, seus tolos. A porta já está aberta, podem sair. Se encontraram com seus governadores debilitados, de uma forma que só a trapaça de vocês possa salvar.
Todos ficaram confusos, mas finalmente a porta se abriu com um estrondo, abrindo-se sem a ajuda de nada nem ninguém, com pura magia. Ela fazia um rangido terrível que poderia ser capaz de sangrar ouvidos. Finalmente ela deixou o caminho livre, o vento de Freljord deixando a todos morrendo de frio, mas dando um incrível alívio.
Subiram as escadas correndo, sem hesitar. Atravessaram a porta e encontraram duas pessoas congeladas em uma espécie de iceberg que cobria a passagem para fora. Tryndamere e Ashe se encontravam ali, parcialmente mortos, congelados em gelo negro.
Thaynam correu até lá, animado, mas percebeu que descongelá-los não seria fácil.
– Merda! – ele pegou sua adaga e atacou o gelo várias vezes, sem sucesso. – É impossível. É Gelo Negro Verdadeiro!
– Como vamos descongelar? – perguntou Nunu. – Quero ver Ashe novamente!!
Sejuani encarou o rosto adormecido de Ashe e Tryndamere, analisando a situação.
– A bruxa disse que nossa trapaça seria a nossa salvação... – voltou-se para Udyr. – Acredito que o espírito de Serylda tenha te conduzido até aqui.
– Como é? – perguntou Thaynam.
Udyr cruzou os braços.
– Serylda e Avarosa ainda vivem dentro de Sejuani e Ashe, duas almas dividindo um corpo. É possível que uma das três irmãs tenha me conduzido até aqui, permitindo que eu entrasse no jogo como uma trapaça. Talvez eu possa descongelá-los... Só preciso que se afastem.
– Por que? – indagou Nunu. – Você tem algum poder de fogo, ou algo assim?
Ele assentiu.
– Não é só fogo. É a postura da Fênix.
Com um gesto ele pediu que todos se afastassem. Ele se concentrou no gelo à frente, abriu os braços e deixou que o espírito da Fênix o dominasse. Fogo brotou de seus braços, formando uma asa vermelha. Seus olhos flamejaram e todo o recinto se tornou quente. Ele socou o gelo com toda a força, causando uma rachadura, depois socou de novo, de novo, e quando viu que era o suficiente, libertou o espírito, explodindo em chamas.
Todos caíram no chão com a explosão, mas quando se levantaram, viram Tryndamere acordado, com Ashe ao seu lado. Os dois se levantaram juntos. Automaticamente os dois apontaram as armas para Udyr, uma espada e uma flecha, o arco pronto para atirar.
– Não ataquem! – gritou Sejuani, que correu até lá. – Ele salvou a vida de vocês.
Ashe abaixou o arco junto da espada de Tryndamere, observando tudo ao redor com uma certa desconfiança.
– Onde estamos? O que houve?
– Eu vi tudo – disse Tryndamere. – Vi a bruxa, ela matou todos meus aliados e me aprisionou nesse gelo – ele virou-se para Ashe e sorriu. – Mas felizmente estamos juntos novamente.
Sejuani começou a rir quando Nunu abraçou a mãe adotiva, de braços cruzados ela disse:
– Que coisa mais clichê.
– Cale a boca – irritou-se Thaynam.
Ashe impediu que ele continuasse a falar.
– Depois de tudo que passamos e você ainda se comporta dessa maneira? – ela parecia inconformada.
Sejuani fez uma cara debochada.
– Eu precisava de você, então fui amigável. Agora eu só preciso esperar que o gordo do Bristle suba as escadas e meter o pé para meu acampamento de guerra. Olaf e Volibear estão ao meu lado, e possivelmente Udyr também. Não preciso mais de você, sua fraca!
Tryndamere se colocou à frente da esposa, de forma imponente, deixando claro o quanto era mais alto que Sejuani. Mesmo assim ela não se abalou. Claramente tinha aliados mais poderosos.
– Não briguem – disse Ashe. – Não a ataque, Tryndamere. Eu agradeço que ainda tenha tipo o ímpeto de nos salvar, Sejuani. Não tiro sua razão de me odiar. Estamos livres desta missão. Já temos a cura, é o que importa. Agora é a hora de decidir quem irá se juntar a quem.
Udyr se voltou para o lado de Sejuani.
– Pretendo ter uma nova vida ao lado da Garra – ele disse, surpreendendo Ashe.
Trent foi para perto de Ashe.
– Prefiro ficar com os avarosianos, hehe.
Braum deu uns tapinhas nas costas de Ashe, temendo serem fortes. Não foram.
– A rainha precisará de um grande Braum ao seu lado para proteção.
– Ótimo – concluiu Sejuani. – Nossa trégua termina agora, Ashe. Nós nos veremos futuramente, na guerra. Vamos embora!
Bristle saiu de dentro das ruínas do castelo e foi até a dona. Ela e Udyr montaram nele, Olaf montado em Volibear, foram todos embora, rapidamente de encontro ao horizonte.
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