League of Legends: As Crônicas de Valoran
34 Capítulo 33: Zed
Notas iniciais
Capítulo 33:
Zed – Ionia
Os sons da floresta de Ionia ecoavam nos ouvidos de Zed, alguns dando medo, outros, trazendo-lhe paz.
À noite ele se sentia tão bem quando no dia. Parecia sentir conforto nas sombras, algo bizarramente estranho. Era como se as sombras fossem sua luz. Nunca havia se sentido assim antes, era como sentir a brisa de verão zumbindo em seu ouvido, mas de uma forma completamente diferente.
A floresta era cheia de árvores, grama, bambuzais, morros, ladeiras... Zed caminhou pela floresta até se cansar e despencar no chão de terra, cansado. A dor de quase ter sido espancado e ter sido linchado veio à tona e fez com que ele gemesse de dor a cada movimento. Ficou parado no chão, olhando para o topo das árvores, para as sombras da noite que caíam e o envolviam num sono profundo. Ele não queria se deixar dormir; haviam muitos perigos nas florestas ionianas, mas ele não conseguiu impedir. Dormiu. Sonhou.
Lá estava ele, em Kinkou, novamente. Todos os ninjas de lá o rodeavam, mas havia algo estranho. Todos eles estavam pálidos, com olhos fundos e ensanguentados. Haviam sombras por todos os lados, e ele podia ouvir um sussurro sombrio, como uma gargalhada.
Completamente sozinho..., disse a voz sombria.
Zed sentiu como se ele tivesse feito aquela chacina, assassinando a todos os seus antigos companheiros. Sentiu o sangue escorrer de suas mãos e de sua manopla, e também sentiu uma energia sombria o rodeando.
Já está ficando cansado..., a voz sombria disse.
Zed tentou erguer a mão, mas ela estava doendo. Percebeu que ela estava cheia de cortes, que sangravam. Sua visão estava turva, e sua mão tremia. Completamente sozinho...
Foi quando uma pessoa apareceu à frente de Zed. Era o Chanceler Shyon. Ele estava vestindo roupas negras, assim como as dele, com uma manopla laminar. A única diferença entre ele e Zed era que o Mestre prendia seu longo cabelo num rabo de cavalo.
– Você não está sozinho, Zed – ele disse, numa voz calma.
Completamente sozinho...
– Você não está sozinho.
Completamente sozinho...
Shyon cerrou os punhos, parecendo irritado.
– Deixe-o em paz, ser das trevas.
A criatura sombria deu uma gargalhada assombrosa.
Completamente sozinho...
Zed sentiu lágrimas descerem de seus olhos. Ao limpar os olhos com as costas da mão, percebeu que chorava sangue. Ele estendeu a mão para Shyon, como se pedisse ajuda, mas, de repente, a manopla de Zed pareceu cortar a cabeça do mestre. Não, Zed cortou. Zed fez o movimento. Zed o matou.
Completamente sozinho...
– Não quero estar sozinho.
– Você escolheu estar sozinho – era Shen quem falava.
Zed ergueu a cabeça para ver Shen, que parecia resistir às sombras que tentavam envolve-lo.
– Você foi fraco. Deixou que as sombras te devorassem como um puma devora a presa. Você é fraco. Entregou a própria alma de bandeja para as trevas por causa de uma obsessão. Você é fraco.
Zed enfureceu-se.
– EU NÃO SOU FRACO! – e cortou a cabeça de Shen.
Completamente sozinho...
– Não quero estar sozinho.
Zed caiu, sozinho na escuridão. Escuridão... Tentava subir, mas caía mais ainda. Sentia as sombras o envolvendo, a sua humanidade desaparecendo, morrendo, sendo cortada pela raiz. A voz na escuridão ria, gargalhava, parecendo se deliciar com tudo isso.
Seu mestre lhe preparou o tempo todo para isso...
Zed queria falar, mas nenhum som saía. Era tudo um pesadelo, mas ele parecia sentir prazer nisso. Era como se deliciar num sonho. Talvez fosse sadomasoquismo mental, quem sabe, mas quanto mais ele permanecia adormecido, mais e mais as sombras o devoravam.
...como um bovino para o abate.
Logo, o próprio Zed ria, gargalhava, se deliciava nas sombras. Como um louco, ele tremia. Mas tudo não passava de um sonho... ou um pesadelo, quem sabe. Corte-lhes o último suspiro...
Zed parou de rir quando se lembrou de algo. Se lembrou que estava completamente sozinho.
Completamente sozinho...
Quando acordou, notou que não estava tão sozinho. Ouviu som de passos, o som de uma adaga que cortava o mato no caminho. Devia ser algum explorador, ou algum andarilho, assim como ele, quem sabe.
Levantou-se rapidamente e se escondeu atrás de uma árvore. Ainda vestia as roupas sombrias que usara contra Shen; tais roupas estavam ensanguentadas, ainda. O sangue estava seco, mas já denunciava que ele era algo próximo de um assassino.
– Tem alguém aí? – disse uma voz masculina e grossa.
Zed arriscou dar uma espiada em quem poderia ser, e quase foi atingido por uma lâmina rápida que quase o cortou, acertando a lateral da árvore. Seu coração disparou, pois quem poderia atirar uma lâmina daquele jeito?
O homem começou a rir.
– Pode correr, mas não pode se esconder, Zed.
O homem era alto e forte, usava uma armadura ioniana vermelha e tinha cabelos negros e curtos. Ao seu redor flutuavam três lâminas bonitas e afiadas, que giravam ao seu redor com telecinese.
– Estou aqui para erradica-lo do mundo, praga – ele disse.
Andou lentamente em direção à árvore de Zed, que engolia em seco, com medo do homem.
Você é fraco.
Eu não sou fraco!
– Te achei! – Zelos avançou em direção a Zed, mas quando brandiu suas quatro lâminas combinadas, elas atingiram o solo com impacto. No lugar de Zed havia uma sombra.
Zed, já em cima de uma árvore atirou duas shurikens, que foram rapidamente defendidas por Zelos.
– Não pode fugir! – ele saltou vários metros na direção de Zed, depois lhe deu um chute que fez com que ele caísse da árvore, com as costas no chão.
Zelos colocou as quatro lâminas no pescoço de Zed, ameaçando cortá-lo, e pisou com os dois pés nas mãos dele, impedindo-o de agir. Se suas pernas mexessem, ele teria uma garganta cortada.
– Sabe por que estou atrás de você? – Zelos perguntou.
Zed engoliu em seco; queria balançar a cabeça, negativamente, mas poderia se cortar.
– Anciã Karma te quer ver morto – ele fez uma cara sádica. – Pelo que sei, você andou utilizando técnicas proibidas, não foi? Vou te fazer se arrepender por isso em poucos segundos – e sorriu sarcasticamente.
Zed avistou a sua sombra viva parada em frente à árvore. Se pudesse manipulá-la...
– Vou contar até três, e quando terminar a contagem, farei com que minhas lâminas o cortem. Se você conseguir fugir nesse meio tempo, talvez eu te deixe viver um pouco mais de tempo. E aí, gostou da oportunidade de viver?
Zed fez uma cara feia.
– Ótimo – Zelos sorriu –, vamos começar.
Zed se concentrou na sombra...
– Um...
A sombra começou a se mexer...
– Dois...
Zed já podia sentir a energia sombria percorrendo suas veias...
– Três... – FINC!
Zed já não estava ali, e tudo o que restara dele fora uma sombra viva que se desfez como fumaça. Zelos se virou, sorrindo. Parecia ter apreciado a fuga de sua presa... por enquanto.
Zelos avançou pela floresta, seguindo o invisível. Pulou e socou o ar, mas, de algum jeito conseguiu atingir Zed no rosto com toda a força. Parecia impossível tê-lo detectado, já que ele se moveu pelas sombras, mas Zelos viu, e o deixou no chão com um só soco. Continuou chutando-o na barriga, como se gostasse disso. Com o tempo, Zed começou a cuspir sangue.
– Me desculpe – Zelos falou, quase como se realmente se desculpasse –, mas só estou seguindo ordens.
Uniu as quatro lâminas e começou a girá-las no ar muito rapidamente, se tornando um ciclone mortal que cortaria a cabeça de Zed com o simples toque.
Zed começou a sentir um peso na consciência. Ele morreria ali? Seria esse o caminho que escolheu para sua vida? Não queria acreditar que as sombras, que tanto haviam o acolhido, agora haviam o esquecido. Ele morreria ali, não tendo sua vingança, nem a glória que tanto quis.
Zelos desceu seu tornado mortal lentamente, somente para que Zed visse sua vida em poucos segundos antes de morrer, e cá entre nós, ela era chata.
– Morra, ninja das somb... Guah! – o tornado de lâminas desacelerou até parar, e Zelos parecia ter sido apunhalado. Zed abriu os olhos e viu uma figura sombria, feita de pura escuridão golpeando-o numa parte lateral da barriga – não tão fatal – com uma lâmina vermelha que saía de seu braço. Uma lâmina bizarra, mas não tão bizarra quanto o ser de sombras e ódio que a usava.
Completamente sozinho...
E então Zed percebeu que a solidão que o ser de sombras tanto falava não tinha nada a ver com ele, mas sim com outra pessoa. Alguém que tentara se livrar das sombras de qualquer maneira, e por isso se tornou alguém amargo e terrível. Agora, Zed havia libertado essa coisa, e talvez ela fosse ajuda-lo, quem sabe.
– Completamente sozinho, é? – Zed perguntou. – Veremos...
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