Capítulo 2:

Emília LeBlanc – ­Noxus – Sala do Trono

Alguns pedreiros estavam realizando uma obra na sala do trono Noxiano. Eles iriam deixá-lo mais sombrio do que já era, a pedido de Boram. À frente deles havia algo que parecia um trono, mas era um pouco diferente – em poucos aspectos, como o fato de que o trono eram feitos de mármore negro, e pareciam mais um trono demoníaco do que um trono real. Haviam alguns degraus à frente do trono, que o deixava mais alto que os outros que estavam embaixo, e quem quisesse ver o “rei”, teria que ficar abaixo dele.

Sentado no trono estava Keiran Darkwill, o filho único de Boram Darkwill. Ele vestia um tipo de armadura que um príncipe usaria, só que um príncipe das trevas. A armadura era pequena, porém bela e tinha uma imensa capa preta de um lado e verde de outro. Seus cabelos negros e curtos estavam bem penteados, e ele usava um tipo de coroa negra. Ele se sentava no trono como se fosse dele.

Uma voz conhecida ecoou pelo salão. Era uma voz feminina conhecida, e era bem suave e adocicada, embora tivesse um tom de alerta na voz.

– Você sabe que nunca se sentará aí, não sabe?

Keiran abriu seus olhos rapidamente, e avistou uma mulher da corte. Uma conselheira.

– Emília LeBlanc... – sussurrou Keiran. – Eu já estou sentado nele. E como ousa falar assim na presença do seu...

– Não diga rei, por favor. – Ela fez um movimento com a mão direita e desviou o olhar do jovem. Ela voltou à olha-lo com um olhar penetrante e mortal, como uma serpente que quer devorar sua presa. Teria sido uma cena bem mais assustadora se não houvessem tantos homens trabalhando na região. – Não se esqueça de que esse é o lugar do seu pai sentar... E você entendeu muito bem o que eu quis dizer – sorriu.

Keiran fez uma cara irritada, e quase se levantou da cadeira com pura raiva.

– EU NÃO LIGO! – gritou. – Um dia esse trono será meu, juntamente com toda Noxus.

LeBlanc deu uma risada curta e sem emoção.

– Todos os outros filhos de Boram morreram com o mesmo pensamento.

Foi só uma frase; uma frase capaz de quebrar Keiran de dentro pra fora, e fazer com que ele sentisse um profundo medo. Ele sabia que o pai era imortal por necromancia, e que desde o reinado de Jarvan I em Demacia (hoje em dia o rei da cidade é Jarvan III, e o seu filho de 30 anos, próximo herdeiro, se chama Jarvan IV), ele estava vivo, e lutando por Noxus.

– Isso é uma ameaça?!

– Você sabe que não é, Keiran. Só quero que entenda que, se vestir de “reizinho”, sentar-se no trono de seu pai, e relaxar-se, não vai te trazer nada mais do que falsas esperanças. É a ve-ver-verdade.

LeBlanc, de vez em quando, gaguejava quando tentava dizer verdade. Somente nessas vezes, se podia ver que ela era uma pessoa como todas as outras, e não uma mulher fria e sem sentimentos pelos outros. Embora ela fosse sempre assim, e evitava falar verdades.

Ela pigarreou, e continuou:

– Bom, é só isso que eu ia dizer.

Ela se virou para ir embora, mas foi interrompida por um grito de Keiran:

– Espere! – Ela se virou, e ele continuou: – É possível que meu pai morra algum dia?

– Claro – ela respondeu com a maior naturalidade do mundo. – Se ele for assassinado, ele morre. Mas quem iria querer conspirar contra o Alto Comandante Noxiano?

Ele tornou a se sentar naturalmente em seu trono, com uma cara pensativa. Antes que LeBlanc pudesse ir embora da sala do trono – que era um tantinho parecida com a de Demacia em questões arquitetônicas –, ele disse algo bem baixinho, mas que ela pôde ouvir.

– É – ele disse. – Quem conspiraria contra meu pai?