League of Legends: As Crônicas de Valoran 2ª Temp.
13 Capítulo 12: Freljord
Notas iniciais
Capítulo 12:
Freljord
Ashe caminhou com seu cavalo branco pela neve tão descolorida ainda. O vento frio já não importava mais, pois ela tinha uma missão a cumprir. Fez um caminho semelhante ao que fizera ao templo de Udyr meses atrás. Chegara à fortaleza d’A Liga, o local onde a mãe de Ashe morrera.
Visitaram aquele local durante a peregrinação em busca da cura da epidemia de Rakelstake, que foram os dias mais agonizantes da vida de Ashe. Nunca sentira tanto frio e tanta impotência. Agora, pelo menos, estava a cavalo. Antes caminhara dias a pé. Avarosa deveria tê-la abençoado, pois sozinha jamais conseguiria.
Haviam guarda à frente do imenso portão. Haviam um L dourado na armadura deles, um símbolo inconfundível. Lembrou-se não só de quando foi ali na primeira vez, mas de quando votou por ir até lá como uma aliada e procurar ajuda contra a ameaça Aatrox. Precisava tomar medidas drásticas contra o que poderia vir a acontecer.
Atrás dela vinham Thaynam, Braum com seu imenso escudo, Tryndamere e uma trupe de guardas avarosianos. Não poderia abaixar a guarda. Se A Liga decidisse por retaliação, ela precisaria de reforços. Tinha Tryndamere e Braum, que já eram o suficiente para uma fuga perfeita.
Chegou cavalgando lentamente. Os guardas fizeram carrancas e obstruíram o caminho.
– Quem pensam que são para chegar perto da fortaleza?! – exclamaram. – Deem a volta e vão embora.
– De forma alguma – bradou Ashe. – Eu mandei um corvo para cá avisando de minha vinda. Ryze deve estar me esperando. Se não perceberam ainda, sou a Rainha Ashe.
– Você governa Freljord, não nós.
O portão abriu subitamente, surpreendendo os homens.
De dentro da fortaleza surgiram alguns homens encapuzados de roxo. O do meio era negro com uma barbicha escura. Tinha algumas runas desenhadas no rosto e mãos. Ele sorriu para Ashe; os guardas abriram caminho, como se o temessem.
– Rainha Ashe – ele falou com extrema calma. – É ótimo vê-la aqui. Estávamos te esperando, venha.
E ela foi.
[...]
Deixou seu cavalo no estábulo d’A Liga, seguindo Ryze e seus invocadores logo depois. Seu coração batia rápido; podia sentir a energia emanar do líder dos magos, coberto por runas de poder. Mesmo assim sentia que ele era um bom homem. Thaynam não parecia pensar assim, pois parecia totalmente desconfiado.
Braum teve de deixar seu escudo nos estábulos, e mesmo assim os invocadores não pareciam gostar da presença dele. Tryndamere já era grande o suficiente, já Braum era o dobro dele.
– Não poderia deixar seu guarda-costas mitológico com os cavalos? – perguntou Ryze seriamente, enquanto olhava para Braum como se ele fosse uma aberração.
Ashe fez uma cara feia; Braum continuou a sorrir.
– Braum é um aliado, não um animal... muito menos um mito. Ele vem conosco!
Ryze deu de ombros.
– Me perdoe, não quis ofender. Pensei que ele poderia cuidar dos outros guarda avarosianos. Mil perdões – fez-se um silêncio curto. – Tudo certo então. Agora vamos lá.
Continuaram a andar por um corredor extenso. Thaynam cutucou Ashe com o cotovelo, que virou o rosto para ver o tio sorrindo em aprovação. Mandou bem, ele murmurou.
Ryze parou à frente de uma porta dupla e, com um movimento, elas se abriram sozinhas.
Ashe ficou boquiaberta, sem saber o que dizer diante da cena que estava vendo. Estava diante da maior livraria de todos os tempos, com uma extensão tão grande quanto o campo de batalha do dia anterior, talvez maior até que a vila de Bjornidius, destruída recentemente. Viu vários invocadores voando para lá e para cá, pegando livros, descendo, alguns liam em mesas e alguns até recebiam aulas ali mesmo por homens barbudos e mais velhos.
– Sejam bem-vindos à Biblioteca – Ryze fez um sorriso bobo, quase orgulhoso. – Não é uma biblioteca, é A Biblioteca. Uma das maiores de todo o mundo, só perdendo para nossa instalação perto de Noxus.
– Existe uma maior que essa? – perguntou Thaynam, perplexo. – E por que em Noxus?
Ryze caminhou mais um pouco com eles, abrindo os braços. Ele se apoiou em uma ribanceira. Braum correu para olhar uma espécie de abertura no centro do local, onde se podia ver andares anteriores no subsolo. Ele deu uma risada.
– Tem outros andares e muito mais livros.
Ryze assentiu.
– Sim, Braum, agora afaste-se daí. Não quer ter uma queda de mais de cinquenta metros, quer? – deu uma risada e se virou para Thaynam. – Sim, lorde Frozenheart, existe. A nossa em Noxus, era maior. Infelizmente foi destruída pelos próprios noxianos há alguns séculos.
– A Rosa Negra, você quis dizer – a resposta de Thaynam fez Ryze gelar. Ele não parecia gostar de ouvir aquele nome. – Meu pai biológico era contra as atitudes d’A Rosa. Nisso eu me orgulho de minha descendência mestiça.
Ashe às vezes quase se esquecia de que seu tio era noxiano e freljordiano. Tinha sangue Frozenheart e Du Couteau, dois nomes poderosos, duas famílias poderosas. Seu cabelo não era nem branco e nem vermelho, era escuro, agora grisalho. Mesmo tendo trinta e tantos anos ele ainda era rápido e poderoso.
– Preferimos não mencionar A Rosa – prosseguiu Ryze.
Tryndamere assumiu a frente.
– É claro, não viemos discutir sobre Noxus, mas sobre nossa guerra contra Aatrox. Você deve conhece-lo. Deve haver algum livro nessa espelunca que conte sobre ele.
– Prefiro que não mencione A Biblioteca com expressões do tipo.
Ashe olhou para o marido com uma expressão repreensiva.
– O que meu marido quis dizer, senhor Ryze, é que estamos numa situação crítica. Acontece que há dois dias encontramos uma família chacinada por ele.
– Como sabem que foi ele?
Ashe engoliu em seco. Lembrava-se da cena: os corpos mortos no chão, pálidos, sem uma gota sequer de sangue no corpo, embora o local estivesse repleto de vermelho. Haviam corpos decepados, tripas e órgãos para fora. Uma visão grotesca que ela jamais se esqueceria.
– Só sabemos.
Ryze pareceu gostar da resposta.
– Assim como a magia, cara rainha, existem coisas que devemos apenas sentir e ter certeza. Piltover procurou encontrar respostas lógicas para tudo; conseguiram, por hora, mas graças a nós. Nós impedimos que guerras desnecessárias fossem travadas há alguns séculos atrás até hoje. Infelizmente o equilíbrio sempre busca ser quebrado – ele fez uma pausa. – Prefiro conversar melhor num local mais apropriado.
Ashe se virou para Thaynam.
– Você vem?
Ele olhou ao redor.
– Acho que prefiro ficar por aqui e procurar algum livro sobre Aatrox e os guerreiros Darkin – disse isso olhando para cima e ao redor.
Um invocador do lado de Ryze sorriu maliciosamente para Thaynam. Ele tinha um cabelo castanho e ralo por baixo do capuz e era mais alto e parrudo que o próprio Ryze. Ele disse:
– Eu posso te ajudar a encontrar o que precisa.
Thaynam sorriu de volta.
– Eu adoraria a sua ajuda.
O invocador pegou-o pela cintura com firmeza e alçou voo.
Ashe franziu a testa.
– Isso foi estranho – virou-se para Ryze. – Eles sempre podem voar?
Ryze balançou a cabeça.
– Existe uma aura ao redor dessa fortaleza que amplifica nossos poderes e nos permite desafiar as leis da gravidade – os pés dele saíram do chão por alguns centímetros, permitindo que ele flutuasse levemente. Ele sorriu. – Vamos para uma sala mais aconchegante?
Ashe se virou para Braum.
– Fique aqui até eu e o Trynda voltarmos, ok?
– Sim, senhora! – exclamou Braum, animado.
– E permaneça de olho em Thaynam.
[...]
Sejuani acordou no meio do nada: confere. Havia recebido um aviso de Serylda: confere. Vários homens vinham em sua direção com armas e com caras de mal: confere. Mas como tudo isso havia acontecido? Tentou se lembrar.
Tudo começou alguns dias após a visita de Sterkmere, o irmão mais velho de Tryndamere e líder dos bárbaros do sul. O desgraçado havia irritado Sejuani, mas ele havia saído de lá mais enfurecido ainda. Queria destronar o irmão e Ashe, após descobrir sobre a união, e ainda queria a ajuda dela.
De fato, Sejuani queria o trono, queria ser rainha, mas não ter aquele homem como rei. Sabia do que aqueles bárbaros eram capazes, por mais que os homens de Trynda fossem mais selvagens, pareciam se comportar melhor na Capital – o que parecia impossível.
Sabia, também, que Sterk iria fazer dela uma escrava sexual. Aqueles homens eram depravados, tão quanto os do norte, que havia mudado muito desde o genocídio feito por Aatrox. Os do Sul, não.
Durante uma manhã, Udyr adentrou o acampamento. Sejuani havia mandado Olaf e alguns vikings para procurar por ele, porém o monge voltou antes. Ela imaginava que ele voltaria com notícias sobre o ataque em Bjornidius, mas ele voltou sozinho.
Ele caiu à frente dela, de joelhos e pálido. Até para um monge ele parecia estar moribundo. Estava um pouco mais magro e fraco.
– Rainha Sejuani... – ele respirou fundo, a névoa se dispersando em seu hálito feito fumaça. – O ser vermelho... o demônio... ele matou a todos...
Sejuani suspirou tristemente. Imaginava que aquilo teria ocorrido.
Virou-se para o Mestre Reed.
– Mestre, preciso que cuide dele na enfermaria.
O mestre analisou a situação, coçando a barba branca.
– Precisarei de alguns homens para leva-lo. Ele é um saco de músculos pesado.
Udyr, mesmo que cansado, disse:
– Um monge nunca é só músculos.
Sejuani assentiu e apoiou um dos braços dele em seu ombro.
– Vamos, então. Você precisa de um trato.
Sejuani e mais um outro guarda o levaram para a sala do Mestre Reed, na ala hospitalar. Ele foi medicado com uma poção do mestre que era extremamente quente, mas o monge a bebeu sem qualquer tipo de problemas. Enrolaram no em uma coberta quente e colocaram seus pés num balde de água quente. Logo a cor voltou para sua pele.
– Como está se sentindo agora? – ela perguntou. – Passaram-se quase uma semana, eu já estava ficando preocupada. Olaf e Volibear estão lá fora te procurando.
Udyr respirou fundo, ainda trêmulo.
– Aquela energia ancestral... – Udyr estava acostumado a se encontrar com entidades daquele tipo. Já havia visto Anivia, a lendária criofênix e a pior de todas: a Bruxa Gélida. Havia tido uma experiência ruim com ela quando jovem, por isso procurava eliminar todas as trevas do mundo. Via em Sejuani uma força demolidora que poderia exterminar o mal de Freljord. Via nela uma luz diferente da de Ashe. – A figura vermelha e diabólica... eliminou a todos os guerreiros de Bjornidius. Não restou nenhum.
Sejuani olhou para Reed, que parecia preocupado.
Se virou para Udyr novamente.
– Mas você sobreviveu. Como?
– Eu lutei contra ele, mas... eu perdi, mas consegui me proteger com a Postura da Tartaruga. Não sei descrever em palavras como eu sobrevivi – suspirou. – Quando acordei estavam todos mortos.
Sejuani engoliu em seco.
– Quer me dizer que esse demônio está à solta por aí?
Mestre Reed tomou à frente de Udyr.
– Devo dizer que sim, minha rainha. Ele está observando os dois lados da guerra. Foi sábio ter salvo Ashe, pois se ela tivesse morrido, ele teria dizimado nossos exércitos.
Sejuani arregalou os olhos.
– Como sabe tanto dele, Mestre?
Reed se sentou.
– Tudo que caminha por Runeterra tem uma história e normas a seguir. Esses monstros só atacam em tempos certos, em situações certas... varia muito, mas existem padrões. Para Aatrox, bem, ele é um ser consciente. Um psicopata com poderes ilimitados, mas que segue regras.
Sejuani cruzou os braços.
– Que tipo de regras?
Udyr estremeceu.
– Por que um demônio seguiria regras?
Reed tentou se lembrar.
– Bem... eu disse que tudo segue normas, mas o porquê de seguir, bem, eu não faço ideia. São coisas que nunca entendi quando servi à... – ele hesitou e se calou. Mudou de assunto. – Eu já li muitos livros e nunca encontrei uma solução. Mas existem relatos que dizem que Aatrox segue o caminho da guerra; ele se une ao lado mais forte e dizima os oponentes. Também é dito que ele cria possui seus “aliados” fazendo com que eles se tornem selvagens com a fome de sangue. Quando eles se acordam e veem o que fizeram... se apavoram.
– Foi o que aconteceu com os Bárbaros do Norte? – perguntou Sejuani.
– Mais ou menos. A verdade era que eles guerrearam contra os sulistas ao lado de Aatrox, claro, foi um massacre. Mas para o ser sombrio não foi o suficiente, ele queria mais. Temos sorte, também, que ele parece ter uma afixação por Tryndamere.
Udyr franziu a testa juntamente de Sejuani. Os dois se entreolharam, desconfiados.
– Como sabe disso, mestre? – perguntou Sejuani.
O mestre deu uma risada fraca.
– Eu sei de muita coisa, minha querida. E sei, também, que tem alguém por trás de Aatrox. Ele pode ser um ser imortal e poderoso, mas está por aí, em Freljord. Por que aqui, se Demacia e Noxus se guerreiam cada dia mais? Acho que ele fez um pacto com algum feiticeiro poderoso que tem alguma espécie de ressentimento com nosso reino.
Sejuani achou a resposta convincente. Não iria desconfiar do mestre por ele saber de mais. Ele fizera dela sua filha, cuidara dela e era seu melhor conselheiro. Não iria deixá-lo por nada nesse mundo. Aquele velho era seu segundo pai.
Um homem adentrou na tenda, ofegante. Ele vestia a armadura viking e parecia menos armado que os outros. Era um batedor.
– Rainha – ele disse. – Temos problemas.
Sejuani o seguiu, caminhando pela neve de seu extenso acampamento. Ele a levou para o topo de uma montanha, o que para ela foi extremamente estranho. Olhou para trás e viu vários de seus homens a seguindo, como que em procissão. Seus pelos se arrepiaram; sentiu como se estivesse sendo levada ao abate. Respirou fundo e tateou seu cinto: seu mangual estava ali.
Olhou de novo para trás e percebeu que seus homens viraram o rosto dela, como se não quisesse que ela os olhasse nos olhos.
Voltou a olhar o batedor; estavam cada vez mais perto do topo da colina. Ele a estava levando para um precipício.
– Exijo que você me diga, homem, aonde está me levando!
Ele se virou para ela e sorriu. Sejuani nunca se sentiu tão apavorada na vida, não medo de morrer, mas de perder. Era como se estivesse escrito “fim de jogo” acima dos olhos vermelhos cintilantes daquele homem. Suas veias se tornaram escuras e ele parecia possuído.
– Estamos quase chegando ao nosso destino, rainha Sejuani...
Sejuani hesitou e se virou para fugir, mas seus seguidores a impediram. Eles formaram uma barreira entre ela e o batedor. Seus olhos também estavam vermelhos e todos eles a olhavam com uma fúria, como se ela fosse uma imperatriz tirana e eles estivessem prontos para matá-la.
Quando se virou teve a visão mais horripilante de sua vida. O corpo daquele homem batedor estava sendo arregaçado da boca para fora, arrebentado, mãos vermelhas e demoníacas irrompendo de dentro dele. Logo aquele corpo não passava de um saco de ossos quebrados e sangue, revestido de uma pele que mais parecia tecido. Aatrox surgiu à sua frente, como um neném alienígena recém-nascido, cheio de sangue e ácido gástrico, fora outras substâncias desconhecidas.
Ele sorriu maleficamente.
– Tanto se gabou de ser mais forte, Sejuani Winters... – sua voz ecoava em sua mente, a física e a mental, como quando Serylda a aconselhava, mas dessa vez era diferente. Ela sentiu medo. Sentiu frio. Sentiu calor. Sentiu raiva. Sentiu vontade de morrer. Ele era muito maior que ela, e quando ele a pegou pelo pescoço, ela pensou que morreria ali mesmo. – Seu exército me servirá futuramente. Mas primeiro quero me livrar da sua presença. Nada pessoal, sabe? Mas tenho ordens a cumprir.
– Pensei que fosse um espírito livre! – exclamou Sejuani com dificuldades. – É tão forte e fica aí, recebendo ordens!
Ele riu.
– Eu fiquei parado por tanto tempo, minha querida. Depois que matei meus semelhantes, digamos que as coisas ficaram... complicadas. Não vou te dar mais detalhes, mas seguir ordens é bem menos entediante.
As garras do ser estavam machucando a garganta de Sejuani, mas ela sabia o que ele faria e preferia adiar sua morte.
– E quem é esse seu mestre, afinal?
– Segredinho. Hahahah.
Ela deu um gemido fraco.
– M-mas o que você quer, afinal?
Aatrox fez uma cara feia.
– Me enrolar só te trará mais dor. Irei te tirar essa dor.
Sejuani arregalou os olhos.
Aatrox fez só um movimento com o braço e a atirou penhasco abaixo.
– N-não...! – mas ela já estava em queda livre.
[...]
Ashe se sentiu estranha numa mesa de debate com vários invocadores roxos e só Tryndamere ao seu lado. Por sorte ele mantinha uma postura ativa, pois não eram em todos os lugares do mundo que respeitavam uma mulher falando. Talvez Sejuani com sua atitude ofensiva, mas ela? Sempre calma, serena e falando de paz. Depois da guerra de verdade ela se sentiu diferente quanto a isso.
– Nos sentimos lisonjeados por sua presença aqui, rainha – começou Ryze a dizer –, mas entendemos a sua situação e gostaríamos de, agora, com toda a corte reunida, perguntar-lhe o que deseja que façamos.
Ashe olhou para Trynda e engoliu em seco.
– Como devem saber, Aatrox...
– Aatrox matou meu vilarejo, meus homens, mulheres e crianças inocentes – Tryndamere a interrompeu, deixando-a confusa. – Não quero ser tão diplomático e nem enrolador, quero ir ao ponto. Precisamos destruí-lo de vez, saber o ponto fraco dele e como contra-atacá-lo!
Ashe o olhou irritada.
– Trynda...? – virou-se para os invocadores. – Olha... eu... nos dê um tempo.
Puxou o marido para um canto onde poderiam falar a sós.
– O que deu em você? – perguntou.
Trynda suspirou e cruzou os braços.
– Não vou pedir desculpas, se é o que está achando. Mas... – ele hesitou. – É complicado.
Ashe engoliu em seco.
– Trynda, sei que nós nos conhecemos há pouco tempo e mau tivemos tempo juntos por causa de Liss... digo, da Bruxa Gélida, mas tem quem confiar em mim. Sei que algo horrível te aconteceu no passado, mas fica difícil sem saber o que te aconteceu! – percebeu o quão melancólico ele parecia, mesmo sendo mais alto e mais forte. Era conhecido como a Fúria Encarnada, mas naquele momento se permitia mostrar-se como um humano que tem problemas, não uma entidade sem sentimentos. Ashe amou-o mais por isso. – Foi Aatrox, não foi?
Ele assentiu.
– Eu vi a forma como vocês agiram na guerra – ela completou. – Vocês pareciam se conhecer.
– Estamos esperando! – anunciou Ryze.
Ashe gesticulou com as mãos pedindo mais tempo.
– Podemos conversar em outra hora – pediu Tryndamere. – Agora precisamos de respostas.
Os dois voltaram a se sentarem e Ashe sorriu para o marido, permitindo-o tomar à frente. Normalmente ela era a voz e ele os punhos; ela falava e ele lutava, mas agora ela lhe deu a oportunidade de liderar o embate. Ele merecia. Ela entendia que depois de tudo que passaram, o mínimo que podia fazer era permitir a liderança dele contra uma ameaça inegável. E nada melhor que alguém que já conhecia o inimigo e tinha muitos assuntos inacabados.
– Aatrox está aí, à solta – a voz de Tryndamere soou mais grossa e potente, chamando a atenção de todos os encapuzados na mesa. – Ele já matou várias pessoas em nossa cidade, se vocês já não sabem.
– Nós sabíamos, de fato – concordou Ryze. – Mas o que temos a ver com isso?
– Precisamos da ajuda de vocês! Eu posso lutar com ele por um logo tempo, mas só iria atrasá-lo – semicerrou os olhos ficando ainda mais assustador; só Ryze parecia seguro. – Eu acabaria morrendo no processo. Eu daria um bom trabalho a ele e duvido que sairia sem pelo menos um braço arrancado.
Ryze riu.
– Ele se regeneraria, seu tolo. Darkin é uma classe de humanoides imortais em todos os aspectos – deu de ombros. – Não há uma forma clara de matá-lo. Se ele morre, ele renasce. É simples.
– Eu duvido que seja assim.
– Duvida de nossos conhecimentos? – o sorriso de Ryze sumiu e ele fez uma cara feia. – Desista, Tryndamere. Aatrox só vai parar quando matá-lo e levar a rainha Ashe no processo. Ele só para quando atinge seu objetivo. Não há outro jeito.
Tryndamere socou a mesa com força, rachando-a.
– Sempre há outro jeito! – rangeu os dentes.
Ashe estava ficando pessoalmente assustada, mas nada disse. Sabia que o marido precisava parecer intimidador para com aqueles homens, principalmente Ryze, que era o único a sequer abrir a boca. Infelizmente ele parecia seguro de si, sábio por não temer Tryndamere. A magia sempre vencia a força.
– Temo que não, rei bárbaro.
Trynda cerrou os punhos.
– Eu pensava que vocês intervinham quando não havia outra opção. Vocês intervieram em Kalamandra, por que não aqui?
– Reis vem e vão, se vocês morrerem, haverá quem tome seus lugares. Mas em Demacia e Noxus é diferente, fizemos aquilo por um bem maior. Existem forças nesse mundo que não devem despertar.
– E Aatrox? – perguntou Ashe. – Ele não é uma dessas forças?
Ryze cruzou os dedos. Suas mãos eram morenas e cheias de runas e listras brancas pintadas.
– Ele está decretado a permanecer nesse reino, aqui é sua prisão. Agora, aquelas forças de Kalamandra... elas estão em todos os lados.
Ashe engoliu em seco e se entreolhou com Tryndamere. Os dois podiam perceber a preocupação nos olhos um do outro. E se não houvesse jeito? E se Aatrox os torturasse até a destruição total de Freljord? Ele poderia matar todos e viver sozinho no reino, sua prisão eterna; não parecia odiar essa ideia.
– Mas e se houver uma forma de prevenir mais ataques de Aatrox?
Ryze coçou sua barbicha.
– Olha, minha rainha... não é impossível. Vocês podem derrota-lo, deixá-lo em repouso total por séculos. Não é difícil.
Pela primeira vez um dos invocadores falou. Era um homem ao lado de Ryze, branco e de olhos totalmente brancos, sem qualquer cor, como um ser possuído. Sua cabeça era lisa e ele tinha tantas runas quanto o mestre.
– Eu sei de uma forma – anunciou. – Primeiramente, rainha, meu nome é Syron, e eu já li muito sobre Aatrox. Sei o ponto fraco dele.
Os olhos de Tryndamere brilharam, mas ele não demonstrou felicidade.
– E qual é?
Syron sorriu com sua boca ressecada.
– Guerras. Sangue. Gritos... – ele deu uma risada de leve. – Arquitetem uma arena e coloquem guerreiros se matando, isso chamará a atenção dele. Aí depois disso vocês pensem no que farão.
Ashe e Tryndamere se entreolharam novamente, avaliando se aquela proposta estaria válida para ser usada.
– E-eu não sei... – Ashe suspirou. – Eu prego a paz, não posso simplesmente sair por aí e criar arenas de guerra. É contra a minha política!
– Aposto que a morte de inocentes pelo guerreiro Darkin deve ser contra a sua política também – comentou Ryze. – Ouça Syron, pois é a sua única opção.
Ela engoliu em seco.
– Certo, pode ser. Irei averiguar sobre.
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