League of Legends: As Crônicas de Valoran
8 Capítulo 7: Zed
Notas iniciais
Capítulo 7:
Zed – Ordem de Ninjas Kinkou – Ionia
As sombras não devem ser temidas. Devem ser sentidas.
– Vai sair para fazer algo, Zed? – perguntou Kyrie a Zed, que se sobressaltou com a rápida aparição do amigo.
– Que susto que você me deu, Ky – reclamou. – Peço que me avise de sua presença na próxima vez.
Kyrie se desculpou, coçando a cabeça. Zed sempre lhe tratava com um pouco de desrespeito, mas ele era seu único amigo, e por isso ele sempre o seguiu, independentemente do que ele fizesse.
Ky era um garotinho de doze anos de cabelos castanhos. Ele, como todos os ninjas de Kinkou, vestia roupas leves e coloridas. Ele optava por usar preto, assim como Zed, a sua “visão de irmão mais velho”. Ele o via assim por que não tinha quase família; todos haviam morrido há muito tempo, de um jeito que o próprio Kyrie não sabia.
Zed também era órfão. Ele fora deixado na porta de Kinkou quando ainda era bebezinho, e desde então fora cuidado e treinado pelos ninjas de lá. Com compostura bastante rígida e, muitas vezes, orgulhosa, Zed sempre fora um ninja poderoso, e bastante conhecido pela aldeia.
Kyrie abaixou o olhar.
– Me desculpe – ele disse. Logo sorriu novamente. – Hey, Zed, uns amiguinhos meus me disseram que você não era tão forte quanto o Shen. Disseram que você era ruim e lutava mal.
– E o que você disse?
– Eu falei que você era o melhor de todos! – a fé de Kyrie era incontestável. Desde que conhecera Zed, apostara tudo nele. Você é o herói dele, Zed, dissera Mestre Shyon uma vez. Não o decepcione.
Zed riu.
– Sabe que você tem razão? – e deu outra gargalhada. – Na próxima vez, diga que Shen é um baita de um filho da...
– Filho da...? – Zed se virou para encarar Akali, uma jovem de cabelos negros, olhos e roupas verdes, bonita, mas mortal. Ela era uma fiel amiga de Shen, e como Kyrie, odiava ver alguém falando mal de seu amigo.
Zed revirou os olhos.
– Faça-me o favor, Akali. Precisa mesmo protege-lo em todo o canto?
Ela o olhou com uma cara feia.
– Você o ama tanto assim? – continuou Zed, fazendo com que ela corasse, e engolisse em seco.
– Eu não... não o amo!
– Duvido muito. – Zed se levantou e pôs as mãos nos bolsos de sua calça preta. Pôs-se a andar pelo refeitório, até a porta do lugar, que era todo feito de madeira, refletindo bastante o visual oriental que Ionia tinha. Havia vários quadros com imagens de árvores, dragões, serpentes, e várias lâminas penduradas nas paredes. As crianças e adolescentes da Ordem dos Ninjas sentavam-se todas as manhãs em mesas de madeira para tomar o desjejum, e logo após começarem o treinamento matinal.
Zed saiu pela porta da frente, e saiu em um campo de terra e grama, onde a brisa soprava e era completamente reconfortante. Haviam várias árvores belíssimas ao redor, e ao horizonte podia se ver uma bela cachoeira, uma montanha, e ao olhar para o outro lado, se tinha uma vista de toda Ionia. E essa vista era linda.
– Zed! – gritou Akali. – Aonde você pensa que vai?
Ele se virou à ela. Kyrie somente o seguia, observando tudo.
– Vou me preparar para o treino de hoje.
Ela fez uma careta, apontou o dedo para ele, e disse:
– Não comente nada com o Shen sobre isso, estamos entendidos?
Zed riu.
– Shen seria o último homem na face de Valoran no qual eu iria contar algo tão interessante.
Ela bufou, deu as costas e foi embora.
– Ela é bem doida, não é? – perguntou Ky.
– Muito – respondeu Zed.
Como em todo o dia em Kinkou, os jovens ninjas se colocavam em formação. Seguindo os movimentos do mestre Shyon, eles realizavam, em perfeita sincronia, uma dança de gestos majestosos de treino. A concentração dos jovens era incontestável. Todos eram bastante centrados, e nenhum deles era nem louco de errar um simples passo.
Após o aquecimento, eles treinavam a velocidade um com os outros. Eles usavam pedaços de pau como arma, e atacavam uns aos outros rapidamente. Erra se pensar que algum deles sai machucado nesse processo, pois eles são tão rápidos, que conseguem aparar o golpe do inimigo com bastante destreza. Clac, clac, clac, era o barulho que se ouvia sair de tanto bate-bate. O mestre Shyon os observava, bastante imponente. Ele era um homem de meia-idade com cabelos castanho-grisalhos. Usava uma roupa branca bastante leve, e era especialista com espadas.
Hikaru, um ninja formado de 23 anos foi até Shyon. Ele já havia comandado bastante guerras contra clãs ninjas inimigos, e havia ganhado quase todos. Era jovem, mas era forte.
– Eles estão melhores a cada dia que passa – comentou.
Shyon sorriu.
– Se acha que eles estão bons, olhe para Shen, meu filho, e verás o que é o melhor do que bom – apontou para um garoto de dezesseis anos, forte e robusto, com cabelos castanhos como os do pai. Ele usava uma roupa azul de ninja, e atacava rapidamente seu oponente, Zed. Os dois eram bastante parecidos; muitas vezes já foram confundidos como irmãos. A maior diferença deles é que Shen prefere o azul, enquanto Zed, o preto. Eles podiam ser bons amigos, mas desde jovens eram rivais, sempre disputando quem era o melhor. Por várias vezes Shen ganhou, e Zed caiu na desgraçada. Poucas vezes ele ganhou, mas sempre que isso acontecia, ele tinha a cabeça acariciada pela mão do pai, o mestre de toda Kinkou, e recebia congratulações por vencer. Isso sempre irritou Zed profundamente: se ele perde, Shen é parabenizado; se ele ganha, Shen também era parabenizado. Mesmo que fosse treinado por Shyon, ele sempre sentiu um pouco de repulsa no homem ao treiná-lo.
Hikaru vibrou quando Shen, com um golpe, retirou um dos paus da mão de Zed, e depois o outro, derrotando-o. Ele ergueu as mãos ao alto, cantando vitória, e Zed, foi de encontro com o chão.
Shen sorriu para Zed, que o olhava com ódio. Ele estendeu a mão para o adversário, pedindo para que segurasse para ajudá-lo a se levantar. Mas Zed negou a ajuda dele; se levantou, e, batendo pés, foi para longe, deixando Shen com um peso no coração.
– Ele é um bom jovem – disse Shyon. – Meu filho.
Hikaru concordou.
– Agora – continuou o mestre. –, não confio muito nesse garoto, Zed.
– Sinto algo estranho emanar dele, mestre.
Shyon fez uma cara feia.
– Vou atrás dele – disse, e desceu do palco de visualização do treinamento, onde ficavam os mestres de Kinkou, e foi atrás de Zed. O garoto andava rapidamente para algum lugar, seguindo até a cachoeira mais próxima. Ele parecia estar irritado e choroso, percebeu Shyon. – Nunca vai ganhar se ficar lamentando! – gritou o mestre.
Zed se virou para ele, com olhos úmidos de possíveis lágrimas, e com o rosto vermelho de fúria. Ele estava chorando de raiva.
– Fique longe de mim! – gritou o garoto, de volta, com um pouco de desdém na voz. Mas mesmo assim, não parou de andar rápido.
– Não te treinei para fugir assim!
– Por que se importa agora?!
Shyon parou. Por que ele se importava? Ele não amava aquele garoto. Não era como seu filho, Shen. Ele era só mais um órfão na Ordem. O que naquele garoto era tão importante.
– Tudo bem – disse o mestre, por fim. Zed parou, ficando de costas para ele. – Não devo me importar com você, então. Nesse caso, fique por aí, mesmo, se lamentando. Quando virar um homem de verdade, volte a falar comigo para treinar. Aí, talvez você consiga derrotar meu filho.
O mestre deu as costas a Zed, que ficou ali com um nó na garganta, como sempre ficava quando perdia.
A água fria e deliciosamente veloz caía em seu corpo e lavava sua mente e alma. O sol brilhava e a brisa soprava; o clima estava perfeito. Ao longe se podia ouvir a vibração de outros ninjas; talvez alguém estivesse lutando. Quem se importa?, perguntou Zed a si mesmo.
Lá estava ele, sem camisa, tomando uma ducha fria de cachoeira, enquanto podia estar com seus amigos. Por que ele fazia isso? Sempre se perguntou. Perder sempre o irritava, pois ele sempre ganhava a todos, menos Shen. Talvez, ganhar fosse seu refúgio, já que ele nunca tivera uma família de verdade. Baboseira.
Ele desceu pelas pedras, pulou na grama, chacoalhou a cabeça, espalhando gotas de água fria por todos os lados. Pegou sua camisa no chão, mas não a vestiu de primeira; estava molhado.
Pensou em voltar para lá, afinal, já havia refrescado a memória. Agora sim estava pronto para o que der e vier. Lembrou-se do que o mestre havia lhe dito: Quando virar um homem de verdade, volte a falar comigo para treinar. Aí, talvez você consiga derrotar meu filho.
Uma onda repentina de raiva removeu toda a sua vontade de falar novamente com o mestre. Ele sentia raiva de tudo e de todos. Sentia raiva de si mesmo por não poder derrotar seu adversário principal. Sentia raiva de não ter poder suficiente.
Batendo os pés e de punhos cerrados, ele voltou ao templo, mas antes que pudesse chegar mais perto, viu Shen, Akali, e aquele desprezível esquilo, chamado Kennen, recebendo congratulações por terem ganhado a competição. Isso encheu o coração de Zed de raiva. Ele odiava Shen, ele odiava Akali, aquela maldita, e odiava Kennen, o Yordle que sempre estava junto dos dois.
Ele entrou no templo por outra porta, uma porta traseira que ele sempre usava. Era um atalho para o seu quarto e de Kyrie, que era seu companheiro de quarto. O caminho era escuro e frio, mas ele não ligava. Ele gostava da escuridão e das sombras. Era reconfortante ao seu ver.
Ao tropeçar numa pedra, ele caiu no chão, resmungando. Quando a pedra afundou no chão e uma passagem secreta abriu ao seu lado, tudo que ele pode dizer foi:
– Uau.
Ele adentrou no local, que era como os outros corredores de Kinkou, só que mais escuro e sombrio. Haviam imagens de coisas malignas, como sombras, dragões, e serpentes, assim como no salão principal, só que mais assustadoras. Ele seguiu por esse caminho escuro por uns minutos, mas depois de um tempo, as sombras já não o assustavam.
Quando o túnel terminou, ele adentrou numa sala escura, cheia de tochas apagadas, teias de aranha, poeira, e um estranho santuário para um tipo de caixa preta. Era uma caixa pequena, porém, assustadora. Ela emanava uma energia muito obscura, fazendo Zed tremer. Mas mesmo assustado, ele estava muito curioso. Queria saber o que havia ali dentro; não hesitou e foi até a caixa.
Quando a tocou, ele sentiu os pelos da nuca se arrepiarem. Levou os dedos trêmulos até a tampa da caixa, e quando a abriu, sentiu a escuridão tornar-se mais densa, envolvendo-o como uma capa. Ele gritou, mas seu grito foi abafado. Ouvia malignos sussurros sombrios em sua mente, ensinando-lhe novas técnicas das sombras.
Um leve sorriso foi se formando em seu rosto, até que ele desmaiou.
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