Notas iniciais
Garen aproveita o tempo de folga para conversar com seus primos Jaime e Daniel (personagens fillers). Eles percebem algo de diferente em Jericho Swain, mas o que seria?

Capítulo 29:

Garen Crownguard – Kalamandra

O dia de escavações em Kalamandra foi bastante lento. Noxus ainda trabalhava ali, mas em minas diferentes. Como haviam duas, as cidades-estados poderiam dividir, e ficar bem longes uma das outras.

Às vezes o olhar de Garen encontrava com o de Katarina. Às vezes ela sorria, às vezes ela virava a cara, como se lembrasse que não deveria ficar olhando para ele. Talvez por que Jericho Swain estava ali, de olho em tudo, e ele parecia muito diferente.

– Jericho Swain está emanando uma energia estranha – comentou Jaime.

– Acredite – respondeu Fiora –, esse homem é estranho.

Nunca foi dito que liderar escavações era algo divertido. Garen tinha que auxiliar trabalhadores confusos, alguns cansados, tinha que, as vezes, entrar na mina com um estranho capacete na cabeça. Preferia por não usá-lo, mas se uma pedra caísse em sua cabeça, preferia tê-lo ali, para protege-lo.

Ele também dizia onde os homens deveriam trabalhar.

Enquanto ele ficou na mina auxiliando os homens por meia-hora, quando voltou se deparou com Luxanna, sentada em uma cadeira, perto dos guarda-sóis, onde ficava o acampamento mais próximo, conversando com Ezreal, o garoto loiro que Katarina quase tinha degolado, mas que era sobrinho de Anson Ridley.

– ...e então eu perguntei: “Quem precisa de mapas”? Até por que, quem precisa? – perguntou o garoto, e Lux sorria com o que ele falava, como se gostasse.

– Quando se está perdido, é sempre bom ter um mapa – Garen disse, fazendo com que os dois o olhassem. Lux fez uma cara feia, como quem diz: Não corta meu barato.

Garen ficou os observando por alguns momentos com as mãos na cintura. Ezreal sorria de forma assustada, como se a presença de Garen lhe desse medo. Deveria dar, já que Garen tinha 1,95m, enquanto que ele só deveria ter alguns centímetros a mais que Lux, já que ele é um garoto.

– Fazendo o que de bom, hein, maninha?

Lux não parecia muito à vontade com o irmão por perto. Já Ezreal preferia manter uma boa imagem com ele, até por que quando se paquera uma garota e o irmão dela chega, a melhor coisa a se fazer é usar sua lábia para não irritá-lo. Embora Garen não pudesse machuca-lo por motivos éticos, era melhor manter uma boa imagem para o, quem sabe, futuro cunhado.

– Eu estava contando um pouco de minhas aventuras à Luxanna – ele sorriu para a garota. – E ela é uma ótima ouvinte.

– Quem ótimo, Luxanna – por mais que parecesse, Garen não parecia tão contente quanto falava, e só Lux percebeu isso. – Adoraria bater um papo com ela, em particular, e ver se ela é mesmo uma boa ouvinte.

– Claro, por que não? – Ezreal se afastou dos dois, mantendo uma distância de uns cinco metros. Garen o olhou com um olhar fuzilante, e ele deu mais três passos pra trás. Garen apertou o olhar, e ele andou uns dez passos. Quando Garen ergueu o punho, o garoto saiu correndo.

Lux colocou a mão no rosto de tanta vergonha.

– Por que você precisa fazer isso com todos os meus pretendentes, hein?

– Lux, você é uma joia rara. Papai sempre disse isso. E eu não quero que qualquer um babaca te faça mal.

Ela fez uma cara feia.

– Ezreal não é qualquer babaca! Ele é romântico, é bonito, é de Piltover, super divertido, um aventureiro, ele é um mago, igual eu! Sabe como é difícil encontrar magos em Valoran após as Guerras Mágicas?

– Não estou nem aí, Luxanna. Não quero que você fique cheia de esperanças com esse carinha tosco. Não vou impedi-la de conversar com ele, mas se ele partir seu coração, não diga que eu não avisei.

Ele cruzou os braços, e ouviu uma risada feminina vinda de longe. Olhou para o lado e viu Katarina rindo, ao longe, no acampamento noxiano. Ela parecia assistir de camarote a lição de moral que Garen dava à irmã, e ele quase riu junto, mas quando seu olhar se encontrou com o de Darius, seu sorriso se apagou. Ele o olhou com desdém; os dois eram rivais há tempos, e sempre se enfrentavam em campo de batalha, embora nunca houvesse um vencedor.

Garen se afastou, e alguns momentos depois o garoto Ezreal voltou para a companhia de Luxanna. O garoto podia ser estranho, pensou, mas parecia ser bom para ela. Se todas as suas histórias fossem verdadeiras, ele devia ser um verdadeiro aventureiro.

– Você não pode protege-la para sempre – comentou Jaime, durante a hora do almoço. – Ela é sua irmã, mas já é adolescente.

– Eu sei disso, ora – respondeu Garen. – É que...

– Eu lembro que vocês sempre aprontavam durante a adolescência – Daniel se sentou à mesa dos dois –, saindo por aí, caçando garotas e comendo javalis. Ou seria o contrário?

Garen fuzilou Daniel com o olhar.

– Passado é passado, Dany. E agora eu sou um homem centrado.

Jaime olhou para os dois lados, vendo se havia alguém ao redor do point observando os três conversando. A praça de Kalamandra estava cheia de homens e mulheres, cidadãos, camponeses e soldados, tanto noxianos e demacianos. Jaime preferiu falar enquanto Garen tomava um gole de vinho.

– Eu vi Katarina Du Couteau saindo do seu quarto – sussurrou.

Garen cuspiu seu gole de vinho na cara de Daniel, sem querer, que ficou com uma cara nada feliz.

– VOCÊ O QUE?! – gritou Garen.

– Calma, calma, Gary. Eu juro que não conto para ninguém que você transou com a atual líder dos noxianos daqui.

Daniel limpou o rosto com uma toalha.

– O atual líder dos noxianos é o Jericho Swain. Katarina perdeu o posto quando ele chegou.

– Tanto faz, o que importa é que ela é bonita.

Garen colocou a mão no rosto, envergonhado.

– Não te julgo, Gary – disse Jaime. – Eu mesmo já dormi com a Riven, aquela de cabelo branco.

– Você nunca me contou isso, Jay! – reclamou Daniel, o irmão dele.

Jaime deu um gole em sua cerveja.

– Não preciso sair por aí, contando tudo que faço pra você. Acredite.

Daniel fez uma cara feia.

– Não vamos ficar falando das noxianas que já dormimos, até por que o Daniel nunca dormiu com nenhuma – comentou Garen. – Só quero que vocês me respondam se também sentiram uma coisa diferente no Jericho Swain.

Jaime franziu a testa.

– Que tipo de coisa?

Garen e os primos olharam para perto da estalagem, onde Swain conversavam com Katarina, e parecia estar brigando com ela.

– Não sei – disse Dan. – Ele parece mais confiante do que antes. Ele sempre foi espertinho, mas um pouco inseguro. Agora ele está dando esporro na Katarina Du Couteau. Que estranho.

– Ele deve estar culpando-a pelo incidente na taverna – concluiu Garen. – Fiora disse que foi tudo culpa deles.

– Mas foi! – exclamou Jaime. – Vamos lá, Gary. Não vai me dizer que você está amolecido com os noxianos só por causa da garota.

– Não é isso – Garen hesitou. – É que... Ah, esquece. Vamos voltar para as minas, a folga já está quase terminando.

Daniel gemeu.

– Que droga, Garen. Eu não quero voltar. Odeio vestir aquela roupa de mineiro, e usar aquele capacete com luz.

– Foi um presente do presidente de Piltover. Você vai usar.

...

Katarina voltou ao acampamento após sua conversa com Swain. Aquele homem não era o que ela tinha conhecido. Jericho era um garoto esperto, muito magro durante a adolescência, com uma inteligência descomunal, um pouco inseguro, mas divertido, no fundo. Ele estava diferente, e ela não sabia dizer o porquê.

Ele brigara com ela por causa do incidente na taverna, e também por que alguns homens a viram sair do quarto de Garen Crownguard. Realmente ela não saiu com cautela.

– Eu só fui lá para dar um chute na bunda dele – ela disse.

– Eu não estou nem aí, Kat. Meus homens estão achando que você dormiu com ele, e isso é uma coisa que não se perdoa em terras noxianas!

Ela recuou um passo.

– Qual é a tua, Jericho? Acha que só por que é o novo general que pode sair mandando em tudo, se achando o maioral? Eu continuo sendo a escolhida de Boram Darkwill, e peço mil perdões se ele não te mandou pra cá de primeira.

Ela o deixou ali, com uma cara amarrada, batendo pés e voltando para as minas. Ela sempre soube que ele já teve uma queda por ela durante a adolescência. Agora ela soube que ainda restara algo daquilo nele, mesmo durante a vida adulta. Sabia que logo esse sentimento se tornaria ódio, mas decidiu virar a cara para ele.

Lembrou-se de quando conheceu Jericho, de quando a Falsa entrou no castelo negro com um garoto da sua idade, afirmando que ele teria futuro no Alto Comando. Naquela época Kat ainda não tinha sua cicatriz, mas já estava sendo treinada em batalha por Talon, e já conseguia dar super saltos e se teleportar até o inimigo com uma habilidade chamada Shunpo.

Naquela época Swain era um garoto de cabelos negros e bagunçados, parecia ter sido tirado das ruas, pois tinha. Ele era magro e vestia trapos. Após a intervenção de Emília, ele se tornou um jovem bonito e elegante. Mas ainda sim tinha algo estranho em si. Uma energia estranha, assim como LeBlanc. Rosa Negra.

Katarina sempre viu Swain utilizando, de vez em quando, estranhos tipos de feitiços. Magia negra. E era dito nos livros de história que os membros da Rosa usavam esse tipo de magia. Ela também sabia que seu pai e sua família eram inimigos dessa organização há séculos, mas até então foram protegidos por Boram, que era um grande amigo de Kael. Seu sumiço poderia ter algo a ver com isso. Não, pensou Katarina. Não pode ser. Com tanto tempo para apaga-lo, por que só agora?

Tentou eliminar tais pensamentos de sua mente enquanto ia em direção às minas. Avistou Riven colocando sua roupa de mineira, ao lado de Draythe. Os dois formavam um bonito casal... se Riven não já tivesse dormido com metade da guarda. Ela nunca vai mudar?, pensou Kat. Esperava que um dia ela olhasse para o passado e visse que tudo o que fez só trouxe sangue – e outras coisas meladas – em suas mãos. Mas não podia dizer nada.

– Já vão começar a escavar? – perguntou aos dois.

Riven colocou o capacete com lanterna, e se virou para Kat, assim como Dray.

– Swain pediu que nós escavássemos com mais rapidez, já que o Ridley ameaça nos tirar das escavações graças à briga na taverna – Riven percebeu a cara feia de Katarina, e disse: – Não estou dizendo que foi culpa sua, claro. Estávamos todos bêbados.

– Você sabe que bêbado é uma desgraça, né – comentou Dray.

– É, eu sei – disse Kat. – Recebi uma bronca do General Swain por causa disso tudo.

Riven revirou os olhos.

– Ele tá se sentindo com essa nova posição. Ridículo.

– Nem o Keiran é assim – disse Draythe.

– Não exagera, Dray. Sabe que o seu irmão é um porre.

Draythe assentiu com a afirmação da amiga.

Katarina suspirou.

– Tanto faz. Ele deve ter recebido essa moral toda da mamãezinha dele.

Riven franziu a testa.

– Tá falando da Falsa?

– Claro, né. Ela o trata como se fosse a mãe e guardiã dele.

– Ela é a responsável por ele desde que ele chegou no Castelo – argumentou Draythe. – É normal que isso aconteça.

Jericho vinha na direção deles, mancando com sua bengala. Os três se calaram quando ele chegou, e ficou encarando-os.

– Se eu fosse vocês eu já estaria nas minas – disse.

Draythe e Riven reviraram os olhos, deram as costas e foram até lá.

Katarina se irritou com isso, tanto que disse:

– Você realmente acha que é melhor que qualquer um daqui?

Ele se virou para ela com uma cara sombria.

– Eu não me preciso...

– Se acha o reizinho, não é? Como se já fosse... – o Alto Comandante. Vetou-se ao falar isso, e foi então que tudo veio à tona. Calou-se, ignorou-o, e foi embora até as minas, deixando-o intrigado.

Garen voltou para as minas, e avistou Katarina.

– Katy! – ele gritou, e foi correndo até ela.

Ela se virou, com uma cara estranha. Não era uma cara irritada, marrenta, ou nada do tipo. Era uma expressão triste e cansada, como se tivesse recebido uma terrível notícia.

– Katy?

Ela levantou a cabeça lentamente.

– O que você quer? – perguntou.

– Eu só queria... te dar boa sorte, já que vocês podem ser expulsos da mineração.

Ela bufou, irritada, e deu as costas. Batendo os pés ela foi em direção ao seu acampamento. Garen pensou em segui-la, mas ela não parecia estar em seu melhor dia. Talvez ele não tenha escolhido a melhor coisa para se falar, mas pelo menos disse algo. Senão ele teria ficado ali, gaguejando. Com certeza ele sentia algo por ela, mas viu que não poderia mais correr atrás dela, ou poderia ser morto terrivelmente.

Voltou ao seu próprio acampamento, sentou-se numa cadeira, numa tenda que dava visão para as minas. Os demacianos já trabalhavam, com maquinas de Piltover, picaretas, e etc. Estava bastante pensativo, e todos seus pensamentos se voltavam para Katarina. Por um tempo, esqueceu completamente de Luxanna, sua irmã. Só se lembrou dela quando a mesma adentrou em sua linha de visão.

– Garen – ela chamou. – Ezreal me chamou para ver as minas. Posso ir com ele?

Ele demorou um tempo para processar o que ela tinha dito, e quanto o fez, franziu a testa.

– Ir à mina com aquele garoto?

– Nós só vamos dar uma olhada. Nós vamos de capacete...

Garen se levantou, irritado.

– Nem pensar! Imagina só se uma pedra cai em sua cabeça? Eu jamais me perdoaria.

Lux fez uma cara feia.

– Como que uma pedra vai cair na minha cabe... Eu vou estar de capacete, caramba! – ela cerrou os punhos. – Nunca houve nenhuma queda pedras ou terremotos lá dentro, por que aconteceria agora?

– Por que sim, ora! Tudo pode acontecer quando você estiver lá dentro, logo a resposta é não!

Ela saiu da tenda, enfurecida, batendo pés e resmungando.

– Você não vai me impedir! – e pôs-se a correr até Ezreal, que estava na entrada da mina, com um capacete na cabeça, e um na mão, que deveria ser o dela.

Garen foi atrás, correndo junto.

– Luxanna Crownguard, eu te proíbo! – gritou.

Lux agarrou Ez e o puxou para a mina, mas ele hesitou.

– Você disse que seu irmão deixaria. Não quero que ele se irrite comigo.

Ela continuou puxando-o, enquanto o irmão vinha em sua direção, andando normalmente, mas irritado e com cara feia.

– Eu não ligo para o que ele pensa. É super protetor – disse Lux, colocando o capacete. – Vamos, Ezreal!

O garoto cedeu, e os dois entraram na mina, de mãos dadas, passando por dois trabalhadores que não entenderam o que estava acontecendo.

LUXANNA CROWNGUARD!! – Garen trovejou tão alto que todos olharam para ele. – VOCÊ ESTÁ DE CASTI...

Ouviu-se várias explosões de dentro da mina, e um poderoso terremoto abalou o chão. Lux olhou para trás, onde pedras começavam a ruir. O olhar preocupado de Garen se encontrou com o dela, quando uma torrente de pedras cedeu, bloqueando a entrada da mina, esmagando os homens que ali estavam.

Garen não pôde fazer nada, se não ficar boquiaberto, preocupado, e se segurando para não gritar e se lamentar.

Notas finais
Uma ordem não obedecida de Luxanna pode ter lhe custado a vida, ou a vida de Ezreal. Agora ela, o namorado e todos os homens demacianos que trabalhavam na mina estão presos, alguns mortos, outros feridos, e a única coisa que os separa da liberdade é uma imensa parede de pedras.